Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, simplesmente referido como Rio, é a capital do estado brasileiro do Rio de Janeiro. Um dos maiores destinos turísticos internacionais no Brasil, na América Latina e também do Hemisfério Sul, é uma das primeiras cidades do país. É a segunda maior metrópole do Brasil, a sétima maior da América e a décima oitava do mundo. Sua população segundo o censo de 2022 do IBGE era 6 211 223 habitantes. Tem o epíteto de Cidade Maravilhosa, e os que nela nascem são chamados cariocas.
A Baía de Guanabara, à margem da qual a cidade se organizou, foi descoberta pelo explorador português Gaspar de Lemos em 1 de janeiro de 1502. Embora se afirme que o nome "Rio de Janeiro" tenha sido escolhido em virtude de os portugueses acreditarem tratar-se a baía da foz de um rio, na verdade, à época, não havia qualquer distinção de nomenclatura entre rios, sacos e baías — motivo pelo qual foi o corpo d'água corretamente designado como rio.
Colonização portuguesa e invasões estrangeiras
O litoral do atual estado do Rio de Janeiro era habitado por índios do tronco linguístico macro-jê há milhares de anos. Por volta do ano 1000, a região foi conquistada por povos de língua tupi procedentes da Amazônia. Um destes povos, os tamoios, também conhecidos como tupinambás, ocupava a região ao redor da Baía de Guanabara no século XVI, quando os portugueses chegaram à região. A Baía de Guanabara, à margem da qual a cidade foi fundada, foi descoberta pelo explorador português Gaspar de Lemos em 1° de janeiro de 1502. No entanto, em 1° de novembro de 1555, os franceses, capitaneados por Nicolas Durand de Villegagnon, apossaram-se da Baía da Guanabara, estabelecendo uma colônia na ilha de Sergipe (atual ilha de Villegagnon). Lá, ergueram o Forte Coligny, enquanto consolidavam alianças com os índios tupinambás locais. Enquanto isso, os portugueses se aliaram a um grupo indígena rival dos tupinambás, os temiminós, e foi com o auxílio destes que atacaram e destruíram a colônia francesa em 1560.
Século XIX
A vinda da corte portuguesa, em 1808, marcaria profundamente a cidade, então convertida no centro de decisão do Império Português, debilitado com as guerras napoleônicas. Após a Abertura dos Portos, tornou-se um proeminente centro comercial. Nos primeiros decênios, foram criados diversos estabelecimentos de ensino, como a Academia Militar, a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios e a Academia Imperial de Belas Artes, além da Biblioteca Nacional — com o maior acervo da América Latina — e o Jardim Botânico. O primeiro jornal impresso do Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro, entrou em circulação nesse período. Foi a única cidade no mundo a sediar um império europeu fora da Europa.
Século XX
Os primeiros anos do século XX foram marcados por grandes obras e reformas urbanas, idealizadas pelo engenheiro e prefeito Pereira Passos, a começar pela abertura das atuais avenidas Beira-Mar, Central (a partir de 1912 Avenida Rio Branco) e Atlântica. Durante a sua administração, foram demolidas várias construções antigas, como também implodido o Morro do Senado, permitindo o alargamento da Avenida Mem de Sá. Como consequência, a população mais pobre foi obrigada a se mudar do centro para os subúrbios, em uma época em que a cidade convivia com um saneamento básico precário e diversos outros problemas sociais, com epidemias de doenças que assolavam a população, dentre elas febre amarela, peste bubônica e varíola. Assim, o governo brasileiro iniciou campanhas de erradicação que, lideradas pelo médico e sanitarista Oswaldo Cruz, não foram bem recebidas pela população carioca, ocasionando, em novembro de 1904, a Revolta da Vacina.
Século XXI
Em 2007, foi sede dos Jogos Pan-Americanos, ocasião em que se realizaram investimentos em estruturas esportivas (incluindo a construção do Estádio Nilton Santos) e nas áreas de transportes, segurança pública e infraestrutura urbana; e de sete jogos da Copa do Mundo de 2014. Ainda no âmbito esportivo, a cidade também sediou os Jogos Olímpicos de Verão de 2016. Nas eleições municipais de 2008, vence em segundo turno o candidato Eduardo Paes, reeleito em 2012 no primeiro turno. Entre os dias 13 e 22 de junho de 2012, o Rio de Janeiro sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNUDS). Em 1 de julho do mesmo ano, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) designou parte da cidade como Patrimônio da Humanidade. Em 2013, a cidade recebeu a visita do Papa Francisco, por ocasião da realização da Jornada Mundial da Juventude, e o Elevado da Perimetral fora demolido.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às regiões geográficas intermediária e imediata do Rio de Janeiro. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da Microrregião do Rio de Janeiro, que por sua vez estava incluída na Mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro. Com cerca de 1 200 km² de área (2,7436% do território fluminense), o município se estende desde a margem ocidental da baía de Guanabara até parte da Restinga da Marambaia e ocupa ilhas como Governador e Paquetá. A cidade se desenvolveu sobre estreitas planícies aluviais comprimidas entre montanhas e morros e está assentada sobre três grandes maciços: Pedra Branca, Gericinó e o da Tijuca, com picos de interesse turístico como o Bico do Papagaio, Andaraí, Pedra da Gávea, Corcovado, o Dois Irmãos e o Pão de Açúcar. O Rio de Janeiro conta ainda com parques e reservas ecológicas, como o Parque Nacional da Tijuca, considerado "Patrimônio Ambiental e Reserva da Biosfera" pela UNESCO; o Complexo da Quinta da Boa Vista; o Jardim Botânico; o Jardim Zoológico do Rio; o Parque Estadual da Pedra Branca e o Passeio Público.
Litoral
Seu litoral tem 197 km de extensão e inclui mais de cem ilhas que ocupam 37 km², e desdobra-se em três partes, voltadas à baía de Sepetiba, ao oceano Atlântico e à baía de Guanabara. O litoral da baía de Sepetiba tem como único acidente geográfico de expressão a Restinga da Marambaia e é arenoso, baixo e pouco recortado. O litoral da baía de Guanabara é recortado, baixo, abarca muitas ilhas (como a do Governador com 29 km²) e, em suas margens, situam-se o centro comercial e os subúrbios industriais. O litoral Atlântico expressa alternâncias consideráveis, apresentando-se ora alto, quando em contato com as ramificações costeiras dos maciços da Pedra Branca e da Tijuca, ora baixo, trecho pelo qual se estendem as praias integradas à paisagem urbana. Diversas lagoas, como as da Tijuca, Marapendi, Jacarepaguá e Rodrigo de Freitas formaram-se nas baixadas, muitas de terreno pantanoso a ainda não completamente drenado.
Clima
A cidade do Rio de Janeiro possui um clima tropical de savana (Aw), na fronteira com um clima tropical monçônico (Am), de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger, geralmente caracterizado por longos períodos de fortes chuvas entre dezembro e março. A cidade experimenta verões quentes e úmidos e invernos quentes e ensolarados. Nas áreas interiores da cidade, temperaturas acima de 40 °C são comuns durante o verão, embora raramente por longos períodos, enquanto temperaturas máximas acima de 23 °C podem ocorrer mensalmente. Ao longo da costa, os ventos marítimos moderam a temperatura. Devido à sua localização geográfica, a cidade pode receber frentes frias que avançam da Antártica, especialmente durante o outono e o inverno, podendo ter quedas de temperatura. No verão, pode haver chuvas fortes e tempestades que, em algumas ocasiões, provocam alagamentos e deslizamentos de terra catastróficos. As áreas mais montanhosas da cidade costumam registrar as maiores quantidades de precipitação, devido à maior incidência de chuvas orográficas. Algumas áreas da cidade ocasionalmente são suscetíveis à queda de granizo.
Problemas ambientais
Em razão da alta concentração de indústrias na região metropolitana, a cidade tem enfrentado sérios problemas de poluição ambiental. A baía de Guanabara perdeu áreas de manguezal e sofre com resíduos provenientes de esgotos domiciliares e industriais, óleos e metais pesados. Não obstante suas águas se renovem ao confluírem para o mar, a baía é receptora final de todos os afluentes gerados nas suas margens e nas bacias dos muitos rios e riachos que nela deságuam. Os níveis de material particulado no ar se encontram duas vezes acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, em parte devido à numerosa frota de veículos em circulação. Em uma pesquisa divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo em 2007, o Rio de Janeiro foi apontado como a quinta capital mais poluída do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba.
Após décadas de crescimento, a população carioca encolheu 1,72% durante o período entre os censos de 2010 e 2022. Em 2010 eram 6 320 446 habitantes, número que caiu para 6 211 223 em 2022. Segundo o censo mais recente, a densidade demográfica era de 5 174,6 hab/km² e a razão de sexo de 86,6, com 53,59% dos habitantes sendo do sexo feminino e 46,41% do sexo masculino. Desde 1960, quando foi ultrapassado por São Paulo, o município do Rio de Janeiro mantém-se no posto de segundo mais populoso do Brasil.
Composição étnica
No censo de 2022, a maior parte da população do Rio de Janeiro era formada por branca (45,4%) ou parda (38,7%), havendo também pretos (15,6%), amarelos (0,17%) e indígenas (0,11%). De acordo com estudos genéticos autossômicos recentes, a herança europeia é a dominante tanto entre "brancos" quanto entre "pardos", respondendo, então, pela maior parte da ancestralidade dos habitantes do Rio de Janeiro. A contribuição africana encontra-se presente, em alto grau, sendo maior entre os "negros". Também a ancestralidade ameríndia encontra-se presente, principalmente na população morena, autodeclarada parda. Também existem muitos afro-brasileiros desde o período colonial — a maioria descendente de escravos trazidos de Benim, Angola e Moçambique. Com importantes contribuições de seu sincretismo religioso e musical, elementos remanescentes da cultura africana encontram-se hoje emaranhados à cultura brasileira e da cidade. No início do século XIX, o Rio de Janeiro tinha a maior população urbana de escravos nas Américas, superando inclusive Salvador e Nova Orleães.
Fluxos migratórios
Dentre os fluxos migratórios mais significativos, destacam-se os de portugueses e demais povos europeus, nordestinos e afro-brasileiros. Tal fluxo migratório deflagrou-se no século XVI e atingiu seu auge no início do século XX, constituindo uma das maiores massas de imigrantes já recebidas pelo país. Entretanto, foi particularmente em 1808, com o estabelecimento da Família Real Portuguesa no Rio de Janeiro, e a relativa proximidade das jazidas mineiras (descobertas no século XVIII), que a cidade beneficiou-se da onda lusitana. Somente naquele ano, aportaram em território brasileiro 15 mil nobres e pessoas da alta sociedade portuguesa — a grande maioria, na então capital da Colônia.
Religião
São diversas as doutrinas religiosas manifestas na cidade. Tendo-se expandido sobre uma matriz social de predominância católica — em virtude do processo colonizador e imigratório e da ausência de um estado laico que, à época, preconizava o catolicismo. No entanto, é substancial a presença de dezenas de denominações protestantes, além do espiritismo. As religiões afro-brasileiras encontram respaldo em vários segmentos sociais. Testemunhas de Jeová, mórmons, judeus, muçulmanos e budistas são grupos minoritários, mas em ascensão. Em 2022, da população com idade igual ou superior a dez anos, 43,62% eram católicos, 25,48% evangélicoss ou protestantes, 5,11% espíritas e 3,55% umbandistas ou candomblecistas. Outros 16,1% não tinham religião, 0,1% não declararam, 0,05% não souberam sua preferência religiosa e 0,02% seguiam religiões tradicionais indígenas.
Problemas socioeconômicos
Em 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) do Rio de Janeiro era considerado "alto" pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), cujo valor, de 0,799, era o segundo maior a nível estadual (depois de Niterói) e o 45.º a nível federal. Considerando apenas a longevidade o índice é de 0,845, o índice de renda é de 0,840 e o de educação de 0,719. Embora classificada como uma das principais metrópoles do mundo, o Rio de Janeiro é uma cidade de fortes contrastes econômicos e sociais. Segundo o censo de 2010 feito pelo IBGE, 1,39 milhão dos 6,29 milhões de habitantes da cidade — o que corresponde a aproximadamente 22% de sua população — vivem em aglomerados subnormais. Essas favelas se instalam principalmente sobre os morros, devido ao relevo mamelonar do Rio de Janeiro, ou em mangues aterrados como no Complexo do Manguinhos, onde as condições de moradia, saúde, educação e segurança são extremamente precárias.
Segurança, violência e criminalidade
Desde meados dos anos 1990, em decorrência da violência urbana, o Rio vem conquistando espaço na imprensa nacional e (nos últimos anos) internacional. A cidade apresenta índices de criminalidade relativamente elevados, em especial, o homicídio. Até o ano de 2007, na região metropolitana contabilizavam-se quase 80 mortos por semana — a maioria vítimas de assaltos, balas perdidas e do narcotráfico. Entre 1978 e 2000, 49 900 pessoas foram mortas no Rio, mais do que em toda a Colômbia no mesmo período. Importante destacar, no entanto, que dados do 17.º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do ano de 2022, demonstram que das 27 capitais brasileiras, a cidade ocupa apenas a 20ª posição no ranking de homicídios, com um índice de 21,2 homicídios por 100 mil habitantes, figurando como uma das 8 menos letais no país.
Governo municipal
No Rio de Janeiro, o poder executivo é representado pelo prefeito e gabinete de secretários, em conformidade ao modelo proposto pela Constituição Federal. A Lei Orgânica do Município e o atual Plano Diretor, porém, preceituam que a administração pública deve conferir à população ferramentas efetivas ao exercício da democracia participativa. Deste modo, a cidade é dividida em subprefeituras, cada uma delas dirigida por um submandatário nomeado diretamente pelo prefeito. O poder legislativo é constituído à câmara municipal, composta por 51 vereadores eleitos para mandatos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição, que disciplina um número mínimo de 42 e máximo de 55 para municípios com mais de cinco milhões de habitantes). Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Conquanto seja o poder de veto assegurado ao prefeito, o processo de votação das leis que se lhe opõem costuma gerar conflitos entre Executivo e Legislativo.
Governo estadual
Por ser a capital do estado homônimo, a cidade é sede do governo fluminense. O Palácio Guanabara (anteriormente conhecido como Paço Isabel) fica no bairro Laranjeiras, na zona sul, e é a sede oficial do poder executivo fluminense. Não deve ser confundido com o Palácio Laranjeiras, situado no mesmo bairro, que é a residência oficial do governador do Rio de Janeiro. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) é o órgão de poder legislativo estadual e está sediada no Palácio Tiradentes, onde anteriormente funcionou a Câmara dos Deputados do Brasil. O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) é o órgão máximo do poder judiciário do estado. Seu fórum central está localizado no Centro do Rio de Janeiro, mas, de 2013 a julho de 2018, algumas das varas judiciais deste foro foram deslocadas para a Cidade Nova.
Governo federal
A cidade do Rio de Janeiro foi, sucessivamente, capital da colônia portuguesa do Estado do Brasil (1621–1815), depois do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815–1822), do Império do Brasil (1822–1889) e da República dos Estados Unidos do Brasil (1889–1968) até 1960, quando a sede do governo foi transferida definitivamente para a então recém-construída Brasília. Apesar da mudança da capital federal, 59% dos servidores civis do Poder Executivo de órgãos federais e empresas públicas permaneceram na cidade. O Rio de Janeiro é também o único estado brasileiro onde o número de servidores federais supera o número dos servidores estaduais. Cerca de um terço de todos os órgãos e empresas públicas federais continua na ex-capital, sendo 50 repartições públicas, entre agências, autarquias, fundações e empresas públicas, como a Biblioteca Nacional, a Comissão Nacional de Energia Nuclear, a Fiocruz, o BNDES, a Petrobras, a Eletrobras, o IBGE, a Casa da Moeda, o Arquivo Nacional, entre outros.
Cidades-irmãs
A política das cidades-irmãs tem como objetivo a criação de relações e protocolos, notadamente na esfera econômica e cultural, de modo que cidades estabeleçam entre si laços de cooperação. São cidades-irmãs do Rio de Janeiro, reconhecidas por lei municipal: São também consideradas cidades parceiras:
O município do Rio de Janeiro é dividido oficialmente em 166 bairros, 33 regiões administrativas ou subdistritos, nove subprefeituras e cinco zonas: Central, Norte, Oeste, Sudoeste e Sul. No censo de 2022, os bairros mais populosos do município, acima de duzentos mil habitantes, eram Campo Grande (352 356 habitantes), Santa Cruz (249 130), Jacarepaguá (217 462) e Bangu (209 302). Na outra ponta da lista, os bairros menos populosos, com menos de dois mil residentes, eram Saúde (1 876 moradores), Zumbi (1 817), Cidade Universitária (1 303), Joá (983) e Grumari (184). O Centro possuía 23 774 habitantes. Dentre as regiões administrativas, a mais populosa era Jacarepaguá, com 653 492 moradores, enquanto a de menor população era Ilha de Paquetá, com apenas 3 486.
Rio de Janeiro é a cidade com o segundo maior PIB no Brasil, superada apenas por São Paulo, o qual, segundo dados do IBGE, foi de cerca de 418 bilhões de reais em 2023 — equivalente a 3,82% do total nacional. O setor de serviços abarca a maior parcela do PIB (65,52%), seguido pela arrecadação de impostos (23,38%), pela atividade industrial (11,06%) e pelo agronegócio (0,04%). Segundo pesquisa da consultoria Mercer sobre o custo de vida para funcionários estrangeiros, o Rio de Janeiro está entre as cidades mais caras do mundo, colocada na posição 13 em 2012, 18 postos acima de sua classificação de 2010, e superada por São Paulo (posição 12), mas na frente de cidades como Londres, Paris, Milão e Nova Iorque. Beneficiando-se da posição de capital federal por quase dois séculos (1763–1960), a cidade se transformou em um dinâmico centro administrativo, financeiro, comercial e cultural. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro, tal como considerada pelo IBGE, tem um PIB de 187 374 116 000 de reais, constituindo o segundo maior polo de riqueza nacional. Concentra 68% da força econômica do estado e 7,91% de todos os bens e serviços produzidos no país.
Setores em destaque
Na cidade do Rio de Janeiro estão sediados uma boa parte dos maiores conglomerados empresariais do Brasil. Entre eles estão as três maiores multinacionais dos setores de energia e de mineração do Brasil, a Petrobras, a Vale S.A. e o Grupo EBX; o maior grupo de mídia e de comunicações da América Latina, o Grupo Globo; além de grandes empresas do setor de telecomunicações, tais como: a CorpCo (proprietária da Oi e da Portugal Telecom), a TIM, a Embratel, a Intelig e a Star One (maior empresa latino-americana de gerenciamento de satélites). Na petroquímica, verifica-se um arranjo consentâneo de mais de 700 empresas, dentre as quais as maiores do Brasil (Shell, Esso, Ipiranga, Chevron, PRIO, Repsol). A maioria mantém centros de pesquisa espalhados por todo o estado e, juntas, produzem mais de 4/5 do petróleo e dos combustíveis distribuídos nos postos de serviço do território nacional. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Ternium Brasil (maior siderúrgica da América Latina) e a filial brasileira da BHP Billiton exercem papel de destaque no setor de mineração. A cidade também reúne os principais grupos nacionais e internacionais da indústria naval e os maiores estaleiros do estado e de todo o Brasil — o qual detém cerca de 90% da produção de navios e de equipamentos offshore no Brasil.
Turismo
O turismo confere mais do que um mero adendo à economia local, uma vez que muitos turistas são atraídos por uma miríade de ícones culturais e paisagísticos — o que leva à criação de diversos postos de trabalho, robustecendo os setores comercial e de hotelaria. De acordo com um levantamento recente da Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE) para 2008, existem 30 estabelecimentos da categoria (segundo lugar no ranking), ou 8,2% do total nacional). É a primeira cidade do Brasil a ter um domínio web próprio, o .rio A cidade é o maior destino turístico internacional no Brasil, da América Latina e de todo o Hemisfério Sul, sendo a cidade brasileira mais conhecida no exterior, que serve como um "espelho", ou "retrato" nacional, seja positiva ou negativamente. Tem o epíteto de Cidade Maravilhosa e parte da cidade foi designada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, com o nome "Rio de Janeiro: paisagens cariocas entre a montanha e o mar", em 1 de julho de 2012, tornando-se uma paisagem cultural.
Educação e ciência
O fator "educação" do IDH no município atingiu em 2010 a marca de 0,719, ao passo que a taxa de alfabetização indicada pelo último censo demográfico do IBGE foi de 97,2%, ocupando a quinta posição dentre as capitais brasileiras, depois das três capitais da região Sul e de Belo Horizonte (Minas Gerais). De acordo com dados do Portal QEdu, o município obteve uma nota média de 5,1 no IDEB 2021 (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) para os anos finais do ensino fundamental. A nota é menor do que a média estipulada, que era de 5,6. Já nos anos iniciais, a cidade apresentou a nota média de 5,4, também abaixo da meta, que é de 6,4. A nota média da cidade para anos finais ficou dentro da meta nacional, (5,1), enquanto a média para os anos iniciais ficou abaixo da meta nacional (5,8).
Saúde
Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Rio de Janeiro dispunha de um total de 2087 estabelecimentos de saúde em 2009, sendo 189 públicos e 1898 privados, os quais dispunham no seu conjunto de 20 756 leitos para internação, sendo que mais da metade são privados. A cidade também conta com atendimento médico ambulatorial em especialidades básicas, atendimento odontológico com dentista e presta serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em abril de 2010 existiam 1 912 582 mulheres em idade fértil (entre 10 e 49 anos). A capital fluminense contava em dezembro de 2009 com 1 834 anestesistas, 17 485 auxiliares de enfermagem, 1 662 cirurgiões gerais, 2 983 cirurgiões dentistas, 5 635 clínicos gerais, 8 228 enfermeiros, 1 204 farmacêuticos, 1 646 fisioterapeutas, 558 fonoaudiólogos, 2 714 gineco-obstetras, 199 médicos de família, 1 274 nutricionistas, 3 667 pediatras, 1 168 psicólogos, 760 psiquiatras, 1 926 radiologistas e 9 032 técnicos de enfermagem. Em 2008 foram registrados 82 306 nascidos vivos, sendo que 9% nasceram prematuros, 53,6% foram de partos cesáreos e 16,9% foram de mães entre 10 e 19 anos (0,9% entre 10 e 14 anos). A taxa bruta de natalidade era de 13,4 por 100 mil habitantes. No mesmo ano, a taxa de mortalidade infantil era de 13,6 por mil nascidos vivos e a taxa de óbitos era de 8,4 por mil habitantes.
Transportes
A frota municipal em 2018 era constituída por 2 827 516 unidades, dos quais 2 035 943 (72%) eram automóveis. O transporte público por ônibus é o mais utilizado no Rio de Janeiro. Nos últimos dez anos, houve perda de usuários para demais meios, especialmente o transporte alternativo. Ainda assim, são cerca de 2,5 milhões de usuários/dia apenas nas linhas municipais, cujo número fica em torno de 440, distribuídas entre 4 consórcios de empresas. Na cidade e nas viagens intermunicipais, as empresas de ônibus encontram-se interligadas ao metrô, visando transportar os passageiros que desembarcam nas linhas finais deste, mas ainda necessitam de um ônibus para chegar ao seu destino. Tais passageiros podem utilizar o chamado "bilhete único", através do qual pagam pelo metrô e ainda têm direito a utilizar ônibus, barcas, trens, metrô e vans (regularizadas).
A cultura da cidade do Rio de Janeiro possui uma forte herança do passado desde o final do século XIX, quando foram ali realizadas as primeiras sessões de cinema no Brasil e, desde então, descortinaram-se vários ciclos de produção, os quais acabaram por inserir a produção cinematográfica carioca na vanguarda experimental e na liderança do cinema nacional. Atualmente, o Rio aglutina os principais centros de produção da TV brasileira: o Projac da Rede Globo, o RecNov da Rede Record e o Polo de Cinema de Jacarepaguá. Em 2006, 65% da produção do cinema nacional foi realizada exclusivamente por produtoras sediadas na cidade. Na arquitetura nacional, despontaram, na ribalta das tendências vanguardistas, nomes como Oscar Niemeyer e Lucio Costa, além dos irmãos Roberto e Afonso Eduardo Reidy. Contemplada por diversos museus, teatros e casas de espetáculos, a capital fluminense é o destino mais procurado pelos turistas estrangeiros que visitam o Brasil a lazer, e o segundo colocado no ranking de negócios e eventos, segundo a Embratur.
Museus, centros culturais e eventos
Quanto aos museus de referência do turismo cultural, podem-se elencar, entre tantos, o Museu do Amanhã, o Museu Histórico Nacional, o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Museu Casa do Pontal, o Museu Nacional de Belas Artes, a Biblioteca Nacional, o Museu de Arte Moderna (MAM), o Real Gabinete Português de Leitura, o Museu de Arte do Rio, o Palácio do Catete, o Museu Nacional dos Povos Indígenas, Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil, e o Cais do Valongo, considerado patrimônio mundial da UNESCO. Quanto aos centros culturais de referência, podem ser mencionados, o Centro Cultural Banco do Brasil, a Casa França-Brasil, o Centro Cultural dos Correios, o Paço Imperial, a Casa Museu Eva Klabin, o Centro Cultural José Bonifácio, o Centro Cultural João Nogueira, o Parque das Ruínas, o Centro Cultural Justiça Federal, o Riocentro, o Canecão e o Sítio Roberto Burle Marx, patrimônio mundial da UNESCO.
Literatura
O Rio de Janeiro herdou de seu passado uma forte vocação cultural. Na Literatura do Brasil, efetivamente, aos primeiros decênios do século XVIII, quando da instalação das "academias" e "associações" com finalidades eruditas, a cidade — como centro colonial mais expressivo — testemunhou, desde então, a gênese e consolidação de diversas escolas e movimentos. Escritores como Machado de Assis, Olavo Bilac, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, Graciliano Ramos, Nélida Piñon — entre outros — conduziram parte significativa de suas carreiras no Rio de Janeiro. A Academia Brasileira de Letras (ABL), fundada em 1896, segundo o modelo da Academia Francesa, teve em sua concepção a atuação de Medeiros e Albuquerque, Lúcio de Mendonça e Machado de Assis.
Cinema e televisão
No final do século XIX, foram ali realizadas as primeiras sessões de cinema tupiniquins e, desde então, descortinaram-se vários ciclos de produção, os quais acabaram por inserir a produção cinematográfica carioca na vanguarda experimental e na liderança do cinema nacional. Atualmente, o Rio aglutina os principais centros de produção da TV brasileira: o Estúdios Globo da TV Globo, o Casablanca Estúdios da Record e o "Polo de Cinema de Jacarepaguá". Em 2006, 65% da produção do cinema nacional foi realizada exclusivamente por produtoras sediadas na cidade, captando 91 milhões de reais em recursos federais através da Lei Rouanet. Atualmente, o Festival do Rio, importante mostra internacional de cinema do país, consolidou-se como a principal plataforma de lançamento de filmes brasileiros e o maior evento cinematográfico da América Latina. Na sua edição de 2010, um público de 250 000 pessoas assistiu aos quase 300 filmes.
Música
O samba e a Marchinha de Carnaval que incorporaram com graça e verve, elementos do cotidiano carioca, floresceram e perpetuaram-se através de compositores como Noel Rosa e Ary Barroso. O samba de morro alçou voos maiores nas composições de Cartola e Ataulfo Alves. Há de se notar a influência de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira na popularização do baião e do xaxado, e Dorival Caymmi, em cuja obra elementos do folclore baiano coadunavam-se à cultura brasileira em geral. Todavia, foi no final dos anos 1950, quando irrompeu o movimento da bossa nova com junção de cariocas e baianos, que a música brasileira projetou-se, definitivamente, no exterior, tornando-se conhecida em diversas partes do mundo. À época, na condição de centro político e cultural do Brasil, circulavam pela cidade músicos como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Nara Leão, Carlos Lyra, Marcos Valle, Roberto Menescal, Sergio Mendes, João Gilberto, Astrud Gilberto entre outros.
Esportes
Dentre as modalidades esportivas mais praticadas estão o futebol de areia, o vôlei de praia, o surfe, o kitesurf, o voo livre, o jiu-jítsu e o remo. A capoeira, mistura de dança, esporte e arte marcial, também aparece com alguma frequência. Outro esporte altamente popular nas areias do Rio é o "frescobol", espécie de tênis de praia. O voo livre começou a ser exercitado em meados de 1974, e adequou-se rapidamente ao gosto de inúmeros praticantes e às características da cidade, em razão de suas peculiaridades geográficas: no encontro das montanhas com o oceano Atlântico, surgem excelentes posições para decolagem, podendo-se contar com vastas porções desocupadas de areia para aterrissar. De início majoritariamente encenada por amadores, a atividade verteu-se em uma lucrativa indústria.
Feriados
No Rio de Janeiro, há três feriados municipais, que são: o dia de São Jorge, que ocorre sempre em 23 de abril; o dia de Zumbi dos Palmares, que sempre é realizado no dia 20 de novembro, quando também é comemorado o dia da Consciência Negra; o dia do padroeiro do Rio de Janeiro, São Sebastião, comemorado em 20 de janeiro.


