A Lenda da Chama Verde
A Lenda da Chama Verde é uma história em quadrinhos americana escrita por Neil Gaiman. Dentre os doze profissionais responsáveis pela arte - todos amigos pessoais de Gaiman - estão os premiados desenhistas Mark Buckingham, John Totleben e Matt Wagner e o colorista Matt Hollingsworth. Estrelada por Superman e por Hal Jordan, então um dos "Lanternas Verdes", foi originalmente concebida por Gaiman em 1988, à pedido de Mark Waid, então um dos editores da revista Action Comics Weekly, mas, por seu enredo entrar em contradição com certos elementos da continuidade fictícia das histórias dos dois personagens, ao estabelecer que ambos sabiam a identidade secreta um do outro, acabou não sendo produzida.
Em 1986, durante três meses a revista Action Comics deixou de ser publicada, por sua relação com Superman. Entre outubro e dezembro daquele ano o único título protagonizado pelo personagem seria a minissérie The Man of Steel, escrita e desenhada por John Byrne, que fora contratado pela editora para reformular o personagem, criando inclusive uma uma nova origem, após o evento "Crise nas Infinitas Terras", responsável por desconsiderar da continuidade todas as histórias publicadas desde 1938. Seria a partir de The Man of Steel que seriam contadas as novas histórias do personagem, estabelecendo um novo cânone. Com a conclusão da minissérie, Byrne assumiu os roteiros e a arte tanto de Action Comics quanto da revista Superman. Action ele escreveria a partir da edição 584. até a edição 599. Em 1988, após a revista atingir a histórica marca de 600 edições publicadas, a DC Comics tentaria, a partir de agosto daquele ano adotar um formato de antologia, adotado nos primórdios da publicação, lançando a revista numa periodicidade semanal. A mudança duraria até junho do ano seguinte, e compreenderia as edições 601 à #642. À época, a editora havia cancelado a revista Green Lantern Corps, e o personagem Hal Jordan, então um dos "Lanternas Verdes", passou a ter suas histórias publicadas exclusivamente em Action Comics Weekly. Dentre os personagens que tiveram histórias curtas publicadas na revista durante este período estão, além de Superman e do Lanterna Verde, Asa Noturna, Canário Negro, [Deadman]], Falcão Negro e o Vingador Fantasma.
Em 1989 a DC Comics, insatisfeita com o resultados obtidos por Action Comics Weekly, tanto em logística quanto em vendas, decidiu encerrar o "experimento" e retornar a revista ao formato mensal de publicação anteriormente adotado. No posfácio de A Lenda da Chama Verde, o editor Mark Waid relembra as circunstância em que se encontrava a revista como "caóticas". Por mais que a ideia de tornar Action uma antologia fosse um ótimo conceito, e tivesse gerado boas histórias, demandava um corpo editorial desproporcional para uma única revista: "continuadamente [Waid e mais de sessenta profissionais] nos víamos no olho do furacão, ajudando a coordenar, a cada semana, mais escritores, desenhistas, arte-finalistas, letristas e coloristas que a maioria das editoras empregavam num ano inteiro... tudo para a única revista de toda a linha editorial da DC que não podia ser lançada fora do prazo". Waid contratou o escritor inglês Neil Gaiman, então desconhecido do grande público, para escrever a última edição, numa história que reunisse Jordan, uma das estrelas da revista e um dos personagens favoritos do escritor, com Superman e alguns dos personagens publicados durante aquele período. uma única história que encerrasse Action Comics Weekly definitivamente.
Lançamento
Nos anos seguintes ao arquivamento do roteiro, Gaiman se tornaria uma celebridade mundialmente, em particular pelo trabalho exercido na revista Sandman. , em 1996, a DC Comics propôs à Gaiman colecionar, num único volume encadernado, os primeiros trabalhos dele para o selo de histórias adultas Vertigo, pertencente à editora. A editora Karen Berger sugeriu que um roteiro não-aproveitado de Gaiman para a linha fosse enfim utilizado, e perguntou se Gaiman ainda tinha uma cópia desse script. Ao encontrá-lo, Gaiman recordou-se de outro roteiro: o proposto para Action Comics Weekly anos antes. Gaiman contatou Mike Carlin, questionando se o problema de continuidade que havia vetado a história anteriormente ainda existia. Carlin afirmou não ver objeções e Gaiman entrou em contato com Bob Schreck, que assumia naquele dia as funções de editor na DC Comics. Superada a questão da continuidade fictícia, um problema real surgiria: nem Gaiman nem a DC Comics tinham arquivada uma cópia do roteiro após tantos anos. Gaiman recordou-se de ter presenteado um amigo - Brian Hibbs, proprietário da gibiteria San Francisco's Comix Experience - com uma cópia do roteiro, mas Hibbs viu que não mais a possuía. O imbróglio só se resolveria após Hibbs contatar um amigo pessoal seu, James Barry, para quem ele havia feito uma segunda cópia do roteiro. De posse do roteiro original, Schreck passou à promover a produção da história.
Características
A capa de A Lenda da Chama Verde foi feita por Frank Miller e a história possui 38 páginas, dividida em 9 (um "prelúdio", quatro "capítulos", dois "interlúdios estranhos" e um "epílogo") partes, cada uma desenhada por um artista diferente: Com exceção das páginas desenhadas por Nowlan, que foram colorizadas pelo próprio, toda a edição, incluindo a capa, foi colorizada por Matt Hollingsworth. Todd Klein, além de atuar como letrista, contribuiu adicionalmente elaborando o logo utilizado na capa.
Sinopse
A Lenda da Chama Verde transcorre da seguinte forma:[nota 1] Durante o epílogo, situado na Segunda Guerra Mundial, uma Lanterna Verde é encontrada pelos Falcões Negros numa casamata na Europa. Quarenta anos mais tarde, Hal Jordan procura Clark Kent em Metropólis para conversar e os dois acabam indo à uma exposição num museu sobre a qual Clark tem de fazer uma reportagem. Hal avista o que parece ser a lanterna usada por Alan Scott e, ao tentar recarregar seu anel nela, provoca uma explosão, que mata ele e Superman. A alma dos dois personagens vai para, nas palavras de Deadman, "o lugar onde as pessoas vão antes de irem para onde tem que ir". Hal tenta tirá-los de lá, e acaba jogando-os no inferno. Após nova tentativa, eles retornam ao museu, mas se veem dentro da Lanterna Verde, onde se encontram com a energia que reside ali, a "Chama Verde" do título.
Importância canônica
Por ter não ter sido rotulada como parte da linha de "histórias alternativas", situada fora da continuidade do universo fictício da editora, quando do seu lançamento, A Lenda da Chama Verde é presumidamente parte do cânone da DC Comics. Gaiman abordou a questão em sua introdução: Na história, a "Chama Verde" releva-se uma forma de energia senciente e fica estabelecido que o anel de Alan Scott foi energizado nela, uma fonte de energia semelhante à presente no planeta Oa que foi separada deste quando da criação da Bateria Central dos Lanternas Verdes. A "Chama Verde" corresponderia à energia mística, julgada "caótica" pelos Guardiões do Universo. Expelida, ela veio à Terra e atingiu a China antiga na forma de um meteorito, o "Coração Estelar". O meteorito foi moldado por um artesão na forma de uma lanterna, a qual chegou na década de 30 às mãos de Alan Scott, o Lanterna Verde da Era de Ouro dos Quadrinhos durante um acidente de trem, salvando sua vida..
Eduardo Nasi, do site brasileiro "Universo HQ", avaliou a história com uma cotação de quatro (em cinco) estrelas, notando que os "bastidores" de sua publicação chegavam ser mais excepcionais que sua qualidade literária: "As oito partes da história mostram desde a descoberta da antiga bateria até uma visita dos dois heróis ao inferno. Não é algo excepcional e está longe de apresentar o poder criativo que Gaiman mostrou em Sandman, mas a origem da revista é tão rica que a torna absolutamente interessante. A começar pela ideia de fazer Superman conhecer os nove círculos (uma sugestão de Alan Moore - e, como homenagem, a visão do inferno é a mesma que o autor usou em O Monstro do Pântano)." O blogueiro Brian Cronin, em postagem publicada pelo site americano "Comic Book Resources", incluiu a história dentre as histórias cuja leitura ele recomendaria, durante a série de textos "A Year of Cool Comics". Segundo Cronin, o roteiro de A Lenda era "uma incrível jornada" e a arte da revista a tornava uma edição que precisava ser comprada. Chris Sims, também do Comic Book Resources, descreveria o roteiro como "muito bom" ao detalhar os percalços pelo qual o mesmo teve que passar para ser publicado.


