A Saga da Supergirl
A Saga da Supergirl é um arco de história publicado em 1988 pela DC Comics, uma empresa ligada ao grupo Time-Warner. Escrita por John Byrne e desenhada por Byrne e por Jerry Ordway, a história foi publicada em três partes, entre abril e maio de 1988, nas edições 21 e 22 da revista Superman e 444 da revista Adventures of Superman.
Em meados de 1985 o editor Andrew Helfer recebeu da DC Comics a incumbência de escolher os escritores que trabalhariam nas revistas de Superman após a conclusão do evento Crise nas Infinitas Terras. Para o personagem, o crossover representaria o término de toda a continuidade estabelecida desde 1938. Vários autores foram abordados, e convidados para apresentar propostas para as revistas Action Comics e Superman. Dentre eles, Marv Wolfman e John Byrne, que acabaram sendo contratados. e realizaram profundas modificações em toda a mitologia do personagem a partir de 1986. Wolfman, por exemplo, elaborou uma nova caracterização para o vilão Lex Luthor, que desde então deixou de ser caracterizado como um "cientista louco" e passaria a ser apresentados nas histórias como um empresário corrupto dono de diversas empresas na cidade de Metrópolis Byrne, por sua vez, revisou toda a história de origem do personagem na minissérie The Man of Steel, lançada em 1986.
Superman e Krypton
Toda a linha de revistas foi reformulada a partir de setembro. de 1986. Enquanto a revista Superman original, mantendo sua numeração, teve seu título alterado para Adventures of Superman e passou a ser escrita por Wolfman, Byrne assumiu os roteiros e desenhos da Action Comics a partir da edição 584, e de uma nova revista intitulada Superman. Cada uma das três revistas possuía uma temática própria. Enquanto Action Comics passou a ser dedicada a histórias do gênero team-up, geralmente apresentando Superman se encontrando com alguns dos elementos "mágicos" que abundavam o Universo DC - não por acaso, a magia é uma das maiores vulnerabilidades do personagem - a relançada Adventures of Superman apresentava histórias que abordavam "questões urbanas como tráfico de drogas, guerra de gangues e ataques terroristas provocados por ditadores". Durante o período Wolfman entrou numa série de conflitos com Byrne, que ainda em 1987 o levariam a deixar o cargo de roteirista da revista, sendo substituído pelo próprio Byrne, que contava com o auxílio do desenhista Jerry Ordway na elaboração dos roteiros
Superman e Supergirl
Para todos os efeitos, com a reformulação de Byrne, a Supergirl nunca havia sequer existido. Até 1985, a personagem sempre havia figurado em destaque dentre os personagens da editora. Na sétima edição de Crise nas Infinitas Terras, a personagem faleceria durante o confronto contra o vilão Antimonitor, mas com as modificações impostas em 1986, nenhum personagem, incluindo Superman, sequer lembraria desses ou de quaisquer outros eventos envolvendo a Supergirl Enquanto Superman surgiu na década de 1930, muitos dos elementos mais fantásticos comumente associados ao personagem só foram introduzidos a partir da metade final da década de 1950. Naquela época, o editor responsável pelas histórias do personagem era Mort Weisinger, e ele tinha como hábito conversar com as crianças que liam as revistas do personagem e perguntá-las o que gostariam de ver nas próximas edições. É esse relacionamento que é apontado como o motivo pelo qual surgiram personagens como a Supergirl e Krypto, o Super-Cão.
O universo compacto
Ao estabelecer que Clark Kent nunca havia atuado como "Superboy" durante a juventude, e que não existia nenhuma Supergirl, Byrne havia removido dois elementos essencias das histórias da Legião dos Super-Heróis, equipe cuja revista era bastante popular na década de 1980. Durante a produção de The Man of Steel, Byrne chegou a sugerir uma solução para o problema. Relembrando de uma série de livros narrando imaginárias histórias da juventude de Robin Hood, Byrne propôs que a história da equipe fosse alterada: a formação da Legião não mais seria inspirada nas aventuras de Superboy, mas sim nos supostos relatos dessas aventuras; e Superboy nunca teria agido ao lado da equipe, pois nunca teria existido. Byrne chegou a imaginar que, num determinado momento, a Legião se encontraria com Superman quando este já fosse adulto e descobriria que as alegadas aventuras que haviam inspirado a equipe jamais teriam ocorrido.
50 anos de Superman
Entre 1987 e 1988 a DC Comics adotou uma série de medidas para promover o aniversário de cinquenta anos da criação de Superman. Uma delas foi tomada após a revista Action Comics atingir a histórica marca de 600 edições publicadas: Byrne deixou o cargo de roteirista e desenhista e a publicação retomou o formato de antologia, adotando uma periodicidade semanal com diferentes histórias curtas toda semana. A mudança duraria apenas até o ano seguinte, e compreenderia as edições 601 à #642. Outras medidas incluíram o lançamento das minisséries The World of Krypton, The World of Smallville e The World of Metropolis, todas em quatro partes e nas quais Byrne aprofundou as histórias e temas relacionados à origem e aos primeiros anos da carreira de Superman. Enquanto isso, em Adventures of Superman e Superman, Byrne, o desenhista Jerry Ordway e o editor Mike Carlin elaboram uma história que apresentasse novas versões da Supergirl e do vilão General Zod
Lançamento
No livro Modern Masters: Jerry Ordway, publicado em 2007, Ordway narra ao jornalista Eric Nolen-Weathington que num determinado dia Byrne simplesmente chegou à editora e entregou o roteiro para a 22ª edição - já prevista para ser a conclusão da "Saga da Supergirl" - avisando: "Estou fora. Esta é a minha última edição". Originalmente, a saga seria publicada em Superman #21-22 e Adventures of Superman #443 - mas não havia um roteiro para a próxima edição de Adventures of Superman, e com a saída de Byrne, também não havia, imediatamente, quem o escrevesse. Um roteiro da autoria de Ordway, produzido como um teste para uma edição especial que só seria publicada meses depois acabou sendo remanejado para a 443ª edição de Adventures of Superman, e no mês seguinte enfim seria publicada Superman #21, com o início da "Saga da Supergirl", bem como Adventures of Superman #444, também roteirizada por Byrne, mas desenhada por Ordway.
A conclusão da história se tornou um dos momentos mais controversos não apenas do período em que Byrne esteve à frente das revistas do personagem, mas de toda a história de Superman, e continua sendo alvo de debates. Sintetizou matéria publicada no site brasileiro Omelete: "a última saga de John Byrne com o personagem foi também a mais polêmica. O Super-Homem é incapaz de impedir que a Terra do Universo Compacto seja devastada pelos kryptonianos fugitivos da Zona Fantasma e, transtornado, comete um ato imperdoável: executa os criminosos com kryptonita, a sangue frio, estando eles já derrotados. Este Super-Homem já não era mais um super-herói capaz de nos inspirar ou gerar identificação, era um fracasso em todos os níveis". O site brasileiro Universo HQ, em texto publicado em 2006, apresentaria visão diversa ao listar "os dez grandes momentos do Super-Homem nos quadrinhos": o assassinato dos criminosos kryptonianos figuraria na 8ª posição e o momento em que "de olhos fechados e cabeça baixa, Super-Homem sofre em silêncio após matar os três vilões" seria apontado como "a cena mais marcante" da história
Mais de um ano de histórias posteriores - em particular quanto ao que fazer para desenvolver a nova Supergirl - já haviam sido discutidas mas não roteirizadas quando Byrne anunciou sua saída, então o editor Mike Carlin se viu com a responsabilidade de seguir adiante com um projeto ainda em andamento - "uma obra que havia perdido o arquiteto antes de ser completamente construída", definiria Jerry Ordway. Ordway continuou como desenhista de Adventures of Superman, substituindo Byrne nos roteiros, e Roger Stern assumiria os roteiros de Superman. Inicialmente, entretanto, os planos pareciam ser para "Matrix" e não para "Supergirl". Em Adventures of Superman #457 o editor Mike Carlin apontaria que havia planos para continuar com a personagem nas histórias de Superman, mas que ela não estaria substituindo ninguém nem deveria ser chamada de "Supergirl" - "Matrix não é a nova Supergirl, ela é a primeira de si mesma", afirmaria Carlin. Uma das consequências d'A Saga da Supergirl foi a publicação, entre 1988 e 1989, do arco de história Exílio, no qual Superman lidou com a culpa que sentia por ter assassinado os três criminosos kryptonianos Na conclusão dessa história, Matrix decidiria exilar-se no espaço, sem planos aparentes de retornar


