Pesquisa · Mapa mental

Partido Missão

Partido Missão (MISSÃO) é um partido político brasileiro de direita, fundado pelo Movimento Brasil Livre (MBL). Seu estatuto e programa foram publicados no Diário Oficial da União em 17 de outubro de 2023, e o registro oficial foi deferido por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 4 de novembro de 2025, tornando-se a 30.ª legenda apta a disputar eleições no país.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
01

História

Antecedentes: o MBL

O Partido Missão tem origem no Movimento Brasil Livre (MBL), organização política fundada em 1.º de novembro de 2014 por Kim Kataguiri, Renan Santos, Rubinho Nunes e outros ativistas. O movimento ganhou projeção nacional ao organizar manifestações em defesa da Operação Lava Jato e contra o governo Dilma Rousseff, culminando com o apoio ao impeachment de Dilma entre 2015 e 2016. Após o impeachment, o movimento mobilizou-se em favor da reforma trabalhista e da reforma previdenciária do Governo Temer. Consolidou-se como força política de direita, lançando e apoiando candidatos nas eleições de 2016 e 2018, entre eles Fernando Holiday, Kim Kataguiri e Arthur do Val, por diferentes partidos. Nas eleições de 2018, apoiaram a candidatura de Jair Bolsonaro no segundo turno, mas a partir de 2019 distanciaram-se do bolsonarismo, com ruptura definitiva nas manifestações de maio daquele ano, quando grupos bolsonaristas passaram a defender o fechamento do Congresso Nacional e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Fundação e busca pelo registro

Após as eleições de 2018, líderes do MBL manifestaram o desejo de ter uma legenda própria, mas preferiram inicialmente adotar um partido já existente. Nas eleições municipais de 2020, o movimento comandou uma chapa pelo Patriota em São Paulo, quando Arthur do Val obteve 522.210 votos (9,78% dos votos válidos) na disputa pela prefeitura, superando inclusive o candidato do PT, além de eleger três vereadores na capital paulista. Em 2021, foram abertas negociações com os partidos Cidadania, Podemos e Partido Novo para disputar as eleições de 2022 sob uma legenda única. Em janeiro de 2022, foi firmado um acordo com o Podemos. Porém, em março de 2022, após o vazamento dos áudios de Arthur do Val, o MBL e o Podemos romperam, levando grande parte dos membros a migrarem para o União Brasil.

Registro e primeiros passos

Em 4 de novembro de 2025, o Plenário do TSE, por unanimidade, deferiu o pedido de registro e a homologação do estatuto do Partido Missão, sob relatoria do ministro André Mendonça. O partido obteve 577.999 apoios válidos, número superior ao mínimo exigido de 0,5% dos votos dados na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. Com a decisão, tornou-se a 30.ª legenda com estatuto registrado no TSE. Em 10 de novembro de 2025, Kim Kataguiri e Guto Zacarias anunciaram que se filiariam ao partido. Em dezembro de 2025, a legenda contabilizava 127 filiados. Ao longo do primeiro trimestre de 2026, durante a janela partidária encerrada em 3 de abril, o partido registrou crescimento expressivo, chegando a 17.382 filiados, sendo um dos quatro partidos brasileiros a crescer em filiações no período de 2025 a 2026. Em março de 2026, Kim Kataguiri e Guto Zacarias formalizaram suas filiações.

02

Ideologia e posicionamento

Imagem: Homer 8 Simpson · BY-SA · Openverse

Autodefinição do partido

O Partido Missão rejeita os rótulos tradicionais de liberal e conservador, descrevendo essa dicotomia como "uma agenda americana do século XX que não se traduz na política atual". O presidente Renan Santos descreve a sigla como pertencente ao campo da direita, mas "altamente pragmática", afirmando um afastamento do "liberalismo inicial do MBL" e um programa que "em termos econômicos conversa com muita coisa do ponto de vista liberal, mas flerta com desenvolvimentismo também. Não há um dogmatismo nisso". O partido se autoapresenta como "a direita do terceiro milênio" e um "projeto político de ruptura geracional", voltado especialmente ao público jovem. Entre seus princípios declarados estão o nacionalismo, a "defesa dos valores culturais greco-romanos e judaico-cristãos clássicos", o combate à corrupção, o endurecimento das leis penais, a guerra às organizações criminosas, a promoção da industrialização no Nordeste brasileiro, a responsabilidade fiscal e o combate ao desmatamento. O partido também defende a adoção de reservas em Bitcoin e a reindustrialização com ênfase em autonomia tecnológica.

Análises externas

Para analistas de direita, o Missão representa um projeto de ruptura estratégica de longo prazo. Bernardo Santoro, em artigo na Revista Oeste, argumentou que o partido pode ser o mais coerente dos projetos da nova direita na construção de hegemonia cultural, ao combinar formação política estruturada, presença digital orgânica e projeto ideológico próprio. O analista político Luan Sperandio avalia que a centralização decisória na cúpula nacional é natural no início do partido, mas alerta que o excesso de concentração de poder pode limitar o crescimento futuro da legenda, como ocorreu com o Partido Novo. Fernando Holiday, ex-coordenador nacional do MBL que rompeu com o movimento em 2021, avalia que a escolha de Renan Santos como pré-candidato à presidência é estratégica por ser uma figura menos associada ao antibolsonarismo, o que permitiria ao partido testar discursos radicalizados em segurança pública e contra o funcionalismo público sem o desgaste de lideranças já polarizadas.

Críticas

A cientista política Tathiana Chicarino avalia que o partido representa menos um projeto programático estruturado e mais um oportunismo eleitoral, descrevendo sua atuação como "surfar em algo que é legítimo e está sendo pauta de debate" — em referência à segurança pública — sem propostas concretas que sustentem as promessas. Chicarino alerta ainda que propostas do partido relacionadas à restrição de direitos processuais de acusados vinculados a facções apontam para o risco de erosão de "pilares de construção democrática". Críticos apontam uma tensão entre o discurso liberal do partido e sua prática política. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) avalia que, "por trás do verniz juvenil, o projeto repete o repertório clássico da extrema-direita", com o agravante de tentar torná-lo "palatável, limpo e aceitável ao grande público", normalizando uma agenda que descreve como extremista sob embalagem de renovação. O vereador Lucas Pavanato, ex-integrante do MBL que rompeu com o movimento em 2021, afirmou que a organização "abandonou abertamente os princípios liberais e conservadores que tinha no começo, adotando atualmente um posicionamento nacionalista e estatista", além de descrever sua estrutura interna como "centralizada e autoritária". A Gazeta do Povo registrou que o projeto ideológico original do partido, quando começou a ser discutido em 2019, era "essencialmente liberal, tanto na economia quanto em costumes", contrastando com o perfil mais autoritário em segurança pública e costumes que a legenda assumiu ao chegar às eleições de 2026.

03

O Livro Amarelo

Numa referência provocativa às obras O Livro Vermelho, de Mao Tsé-Tung, e Livro Verde, de Muammar Gaddafi, o MBL nomeou o programa do Partido Missão de O Livro Amarelo. A obra é constituída por uma série de fascículos lançados e comercializados separadamente, elaborados ao longo de dois anos com a participação de pesquisadores e intelectuais, e funciona como base programática obrigatória para todos os candidatos da legenda. Na área de segurança pública, o programa propõe uma "guerra ao crime organizado" por meio do endurecimento penal e da retomada de territórios dominados por facções. Na economia, defende a redução do Estado com exceções estratégicas, a industrialização do Nordeste e a adoção de reservas em Bitcoin. No sistema político, propõe ruptura com o modelo atual, incluindo a fusão de municípios financeiramente deficitários e o combate aos privilégios do funcionalismo público. Segundo Renan Santos, o livro representa "uma atualização do pensamento mais concretizado do liberalismo" que o MBL defendia no início: "Hoje, pensamos que há casos isolados em que o Estado deve agir com protagonismo, e que a iniciativa privada atuará em um papel secundário".

04

Organização

Imagem: Homer 8 Simpson · BY-SA · Openverse

Estrutura interna

O estatuto do partido, aprovado pelo TSE em 4 de novembro de 2025 e atualizado em 14 de abril de 2026, prevê forte centralização decisória na Executiva Nacional, disciplina partidária rígida e valorização da formação política como critério de ascensão interna. A sede central e o foro do partido estão em Brasília, enquanto a sede administrativa e financeira localiza-se em São Paulo.

Número de filiados

Fonte: TSE — Estatísticas do eleitorado.

05

Eleições de 2026

Imagem: Gabriel de C M Fortes · CC0 · Openverse

O Partido Missão está apto a disputar as eleições gerais de 2026, sendo a primeira participação da legenda em um pleito nacional. O partido anunciou candidaturas para todos os cargos majoritários e legislativos. Renan Santos é o pré-candidato do partido à Presidência da República. Para o governo do Rio de Janeiro, o partido lançou o bombeiro Rafael Luz. Até abril de 2026, o partido havia confirmado pré-candidaturas a governador em ao menos sete estados, incluindo Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e Maranhão. Por ter sido registrado no TSE apenas em 2025, o partido não tem acesso ao fundo partidário antes das eleições gerais de 2026, visto que tal recurso exige o cumprimento dos requisitos da cláusula de barreira na eleição anterior para a Câmara dos Deputados. Todavia, o partido terá acesso ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) nas eleições de 2026, já que 2% do recurso é distribuído de forma igualitária entre todos os partidos com registro no TSE. Para o pleito desse ano, R$ 3.307.679,85 estarão disponíveis para a agremiação realizar suas campanhas eleitorais.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando