Maria (mãe de Jesus)
Maria, também conhecida como Maria de Nazaré e chamada pelos católicos e ortodoxos de Virgem Maria, Santa Maria e Nossa Senhora, foi uma mulher judia do primeiro século de Nazaré, a filha de Joaquim e Ana, esposa de José e mãe de Jesus. Ela é uma figura importante do cristianismo, venerada sob vários títulos, como virgem ou rainha, muitos deles mencionados na Ladainha de Loreto. As igrejas Ortodoxa Oriental e Oriental, Católica, Anglicana, Metodista e Luterana acreditam que Maria, como mãe de Jesus, é a Mãe de Deus. A Igreja do Oriente historicamente a chamou pelo título "mãe de Cristo", um termo ainda usado na liturgia da Igreja Assíria do Oriente. Outras visões protestantes sobre Maria variam, com alguns considerando que ela tem um status menor. Ela tem a posição mais alta no islamismo entre todas as mulheres e é mencionada inúmeras vezes no Alcorão, inclusive em um capítulo com seu nome. Ela também é reverenciada na Fé Bahá'í.
No Novo Testamento
O nome "Maria" vem do grego Μαρίας. O nome do Novo Testamento foi baseado em seu nome original em aramaico Maryām. Ambos, Μαρίας e Μαριάμ, aparecem no Novo Testamento. Maria, a mãe de Jesus, é chamada pelo nome cerca de vinte vezes no Novo Testamento. Segundo uma tradição católica, estima-se que a Virgem teria nascido a 8 de setembro, data em que a Igreja festeja a sua Natividade. Também é da tradição pertencer à descendência de Davi — neste sentido, existem relatos de Inácio de Antioquia, Santo Irineu, São Justino e de Tertuliano —, consta ainda dos Evangelhos Apócrifos, Evangelho do Nascimento de Maria e do Protoevangelho de Tiago. É também uma antiga tradição que remonta ao século II, que seu pai seria São Joaquim, descendente de David, e que sua mãe seria Sant'Ana, da descendência do sacerdote Aarão.
No Antigo Testamento
Diversas vezes, o Antigo Testamento aponta profecias messiânicas e fala sobre a Esposa do Senhor, tais passagens foram usadas por são Máximo, o Confessor para fazer a primeira Biografia da Virgem Maria que se têm registros, intitulada de "A Vida da Virgem". |1|Ao mestre de canto. Segundo a melodia: Os lírios. Hino dos filhos de Coré. Canto nupcial. |2|Transbordam palavras sublimes do meu coração. Ao rei dedico o meu canto. Minha língua é como o estilo de um ágil escriba. |3|Sois belo, o mais belo dos filhos dos homens. Expande-se a graça em vossos lábios, pelo que Deus vos cumulou de bênçãos eternas. |4|Cingi-vos com vossa espada, ó herói; ela é vosso ornamento e esplendor. |5|Erguei-vos vitorioso em defesa da verdade e da justiça. Que vossa mão se assinale por feitos gloriosos. |6|Aguçadas são as vossas flechas; a vós se submetem os povos; os inimigos do rei perdem o ânimo. |7|Vosso trono, ó Deus, é eterno, de equidade é vosso cetro real. |8|Amais a justiça e detestais o mal, pelo que o Senhor, vosso Deus, vos ungiu com óleo de alegria, preferindo-vos aos vossos iguais. |9|Exalam vossas vestes perfume de mirra, aloés e incenso; do palácio de marfim os sons das liras vos deleitam. |10|Filhas de reis formam vosso cortejo; posta-se à vossa direita a rainha, ornada de ouro de Ofir. |11|Ouve, filha, vê e presta atenção: esquece o teu povo e a casa de teu pai. |12|De tua beleza se encantará o rei; ele é teu senhor, rende-lhe homenagens. |13|Habitantes de Tiro virão com seus presentes, próceres do povo implorarão teu favor. |14| Toda formosa, entra a filha do rei, com vestes bordadas de ouro. |15| Em roupagens multicores apresenta-se ao rei, após ela vos são apresentadas as virgens, suas companheiras. |16|Levadas entre alegrias e júbilos, ingressam no palácio real. |17|Tomarão os vossos filhos o lugar de vossos pais, vós os estabelecereis príncipes sobre toda a terra. |18|Celebrarei vosso nome através das gerações. E os povos vos louvarão eternamente.
Séculos II a V
A devoção cristã a Maria mostra claros sinais no início do século II e antecede o surgimento de um sistema específico litúrgico mariano no século V, após o Primeiro Concílio de Éfeso em 431. O próprio conselho foi realizado em uma igreja que havia sido dedicada a Maria cerca de cem anos antes. No Egito, a veneração a Maria tinha começado no século III e o termo Teótoco foi usado por Orígenes, o pai da Igreja de Alexandria. A mais antiga oração mariana que se conhece (o sub tuum praesidium, ou sob vossa proteção) é do início do século II e seu texto foi redescoberto em 1917 em um papiro no Egito. Após o Édito de Milão em 313, imagens artísticas de Maria começaram a aparecer em maior número em grandes igrejas estavam sendo dedicadas a ela, como por exemplo, a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.
Idade Média
Durante a Idade Média muitas lendas surgiram sobre Maria, sobre seus pais e até mesmo avós. A popularidade da Virgem aumentou drasticamente a partir do século XII. O motivo deste aumento de popularidade estava relacionado à designação do Vaticano de Maria como medianeira das graças.
Após a Reforma
Ao longo dos séculos, a devoção a Maria tem variado entre as tradições cristãs. Por exemplo, enquanto os protestantes dão pouca atenção aos hinos e orações marianas, os ortodoxos veneram a mãe de Jesus e a consideram "mais ilustre do que os Querubins e mais gloriosa que os Serafins". O teólogo ortodoxo Sergei Bulgakov escreveu: "O amor e a veneração a Virgem Maria é a alma da devoção ortodoxa. A fé em Cristo, que não inclui sua mãe, é uma outra fé". Embora os católicos honrem e venerem Maria, não a veem como divina e muito menos a adoram. Os católicos creem que Maria é subordinada a Cristo, mas ainda assim, ela está acima de todas as outras criaturas. Da mesma forma, o teólogo Sergei Bulgakov escreveu que, embora a Igreja Ortodoxa acredite em Maria como superiora a todos os seres criados e incessantemente ore por sua intercessão, ela não é considerada uma "substituta do único mediador", que é Cristo. Também escreve "Que Maria seja honrada, mas a adoração deve ser dada ao Senhor".
Títulos
Títulos para homenagear Maria ou para pedir a sua intercessão por determinadas causas são usados por algumas tradições cristãs (tais como a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica) e por outras não (por exemplo, o Protestantismo). Os títulos mais conhecidos são Maria, Mãe de Deus (Teótoco), Santíssima Virgem Maria, Nossa Senhora e Rainha do Céu (Regina Caeli). Títulos específicos variam entre os pontos de vista ecumênicos, católicos, ortodoxos, anglicanos, luteranos, protestantes, islâmicos e mórmons. Maria é chamada de Teótoco pela Igreja Ortodoxa, Igreja Ortodoxa Oriental, Igreja Luterana, Igreja Anglicana e Igreja Católica, um título reconhecido no Terceiro Concílio Ecumênico (realizada em Éfeso, para abordar os ensinamentos de Nestório, em 431). Teótoco (e seu equivalente em latim, Deipara e Dei genetrix) significa literalmente "portadora de Deus". A frase equivalente "Mater Dei" (Mãe de Deus) é mais comum na América e na Igreja Católica de Rito Latino. O Concílio declarou que os pais da Igreja "não hesitaram em falar da Santa Virgem como Mãe de Deus".
Festas Marianas
As primeiras festas relacionadas a Maria cresceram fora do ciclo de festas que celebravam a natividade de Jesus. Segundo o Evangelho de Lucas (Lucas 2:22–40), quarenta dias após o nascimento de Jesus, juntamente com a apresentação de Jesus no templo, Maria foi purificada de acordo com os costumes judaicos, a Festa da Purificação começou a ser celebrada por volta do século V e se tornou a Festa de Simeão em Bizâncio. Nos séculos VII e VIII, quatro festas marianas foram criadas na Igreja Oriental. Na Igreja Católica de Rito Latino uma festa dedicada a Maria, pouco antes do Natal, foi comemorada nas Igrejas de Milão e Ravena, na Itália, no século VII. As quatro festas marianas da Purificação, Anunciação, Assunção e Natividade de Maria foram gradativamente e esporadicamente, introduzidas na Inglaterra no século XI.
Aparições
Existe um conjunto de manifestações denominadas de "aparições marianas" e que são fenómenos nos quais se acredita que a Virgem Maria aparece a uma ou várias pessoas (chamadas popularmente de videntes), na sua maioria católicos. No passado, a Igreja Católica reconheceu um conjunto de aparições de Nossa Senhora como sendo dignas de fé — como as aparições de Fátima, internacionalmente conhecidas — e encontra-se actualmente a analisar inúmeros novos relatos de aparições que estão a decorrer pelo Mundo.
Há uma diversidade entre as doutrinas marianas nas igrejas cristãs, as principais delas podem ser descritas resumidamente da seguinte forma: A aceitação destas doutrinas por cristãos podem ser classificadas como se segue: No Credo Niceno (constituído no Primeiro Concílio de Niceia, em 325) a Igreja se referia a Jesus Cristo como o próprio Deus. Posteriormente, no Primeiro Concílio de Éfeso, realizado na Igreja de Maria em 431, o dogma Mãe de Deus (Teótoco) foi proclamado. Esta doutrina é aceita por algumas das principais tradições cristãs. A New Catholic Encyclopedia diz: "Maria é realmente a mãe de Deus, se se satisfizerem duas condições: que ela é realmente a mãe de Jesus e que Jesus é realmente Deus.". O termo Mãe de Deus já havia sido usado na mais antiga oração a Maria que se conhece, sub tuum praesidium, que data de aproximadamente 250 a.C.. Segundo São Tomás de Aquino: "A Santíssima Virgem, por ser Mãe de Deus, possui uma dignidade, de certo modo infinita, derivada do bem infinito que é Deus".
Perspectivas cristãs
As perspectivas cristãs marianas incluem uma grande variedade de opiniões. Enquanto alguns cristãos, como os católicos romanos e ortodoxos orientais, têm bem estabelecido tradições marianas, protestantes em geral dão pouca atenção para esse tema. A Igreja Católica Romana, a Igreja Ortodoxa Oriental, a Igreja Anglicana e a Igreja Luterana veneram a Virgem Maria, cada uma a seu modo. A veneração pode assumir a forma de oração, pedindo a intercessão dela juntamente com o seu Filho, Jesus Cristo, e também de composições de poemas e canções, pinturas e esculturas, títulos em sua homenagem, revelando uma posição de destaque em relação aos demais santos e santas.
No Islamismo
Maria, a mãe de Jesus, é mencionada como Maryam no Alcorão, onde aparece mais do que em todo o Novo Testamento. Ela desfruta de uma posição singularmente distinta e honrada entre as mulheres no Alcorão. Uma Sura (capítulo) do Alcorão é intitulada "Mariã" (Maria), a única Sura do Alcorão com o nome de uma mulher, em que a história de Maria (Mariã) e Jesus (Issa) é contada segundo a visão islâmica. Ela é mencionada no Alcorão com o título de Nossa Senhora (syyidatuna), filha de Inrã e Hana. Ela é a única mulher nomeada diretamente no Alcorão, declarada (junto com Jesus) ser um sinal de Deus para a humanidade (Al-Muminun, 23:50); aquela que guardava a sua castidade; a obediente (At-Tahrim, 66:12); escolhida por sua mãe e dedicada a Deus, enquanto ainda estava no ventre (Al-i-Imran, 3:36); exclusivamente (entre mulheres) aceita em serviço de Deus, entregue aos cuidados de um dos profetas do Islã, Zakariya (Zacarias) (Al-i-Imran, 3:37); em sua infância residiu no Templo de Salomão e tinha acesso exclusivo ao Almirabe (entende-se como o Santo dos Santos) (Al-i-Imran, 3:37).
No Judaísmo
A questão dos parentes de Jesus no Talmude também afeta a visão de sua mãe. No entanto, o Talmude não menciona Maria pelo nome e é atencioso ao invés de apenas polêmico. A história sobre Panthera também é encontrada no Toledot Yeshu, as origens literárias não podem ser rastreadas com toda a certeza, mas é improvável que seja anterior ao século IV, sendo tarde demais para incluir lembranças autênticas de Jesus. The Blackwell Companion to Jesus afirma que o Toledot Yeshu não tem fatos históricos e talvez tenha sido criado como uma ferramenta para afastar as conversões ao cristianismo. O nome Panthera pode ser uma distorção do termo parthenos (virgem), Raymond E. Brown considera a história uma explicação fantasiosa do nascimento de Jesus, que inclui pouquíssimas evidências. Os relatos surgem entre os séculos III-VII d.C. e são considerados pela pesquisa acadêmica como literatura de resposta, não como documentação biográfica.
Outras perspectivas
Desde o início do cristianismo, a crença na virgindade de Maria e na concepção virginal de Jesus (como indicado nos evangelhos, fenômenos santos e sobrenaturais), foram usadas por detratores, políticos e religiosos, como tópicos de discussões, debates e escritos, especificamente destinados a desafiar a divindade de Jesus e, portanto, os cristãos e o cristianismo. No século II, o filósofo grego Celsus, oponente do Cristianismo primitivo, sugeriu que Jesus era o filho ilegítimo de um soldado romano chamado Panthera, essa foi uma das primeiras polêmicas anti-cristãs. As opiniões de Celsus chamaram a atenção de Orígenes, padre da Igreja em Alexandria, Egito, que considerou o ponto de vista dele uma história inventada. O quanto Celsus se baseou em fontes judaicas continua a ser um tema de discussão.
A devoção e o culto à Virgem Maria têm sido expresso nas artes em especial na arte sacra e na arte religiosa desde os tempos dos Padres da Igreja até os tempos modernos, ressaltando-se sobre o tema os grandes mestres do Renascimento e do Barroco. No Barroco mineiro, as obras do Aleijadinho, tanto os afrescos como as esculturas, são também obras notáveis de representação da Virgem.
Literatura
Muitos autores escreveram sobre Maria e suas virtudes e predicados, dentre eles Dante Alighieri na sua obra A Divina Comédia: És tão grande, Senhora, e tão poderosa, que quem pretenda alcançar uma graça sem recorrer a ti, deseja o impossível de voar sem asas. (Paraíso XXXIII, 13-15). Miguel de Cervantes, em "El licenciado Vidriera"; García Lorca, em "Romancero Gitano"; Tagore, em "La luna nueva" e famoso ainda é o "Poema à Virgem" de José de Anchieta, dentre muitas outras obras literárias e poéticas.
Escultura
São inúmeras as esculturas representando Maria. A sua mais famosa representação é a Pietà de Michelangelo que se encontra na Basílica de São Pedro no Vaticano. No Brasil destacam-se, principalmente no período barroco, as obras de Aleijadinho.
Música
A música mais conhecida é Ave Maria de Franz Schubert e de Gounod. Vários outros compositores escreveram música para o texto da "Ave Maria", entre os quais pode-se citar também Giuseppe Verdi, Giacomo Puccini e Bonaventura Somma.
Pintura
É grande a quantidade de pinturas contendo cenas da vida da Virgem Maria, são inúmeras as obras de pintores europeus, do barroco e do renascimento, que se encontram nos principais museus europeus. Dentre as inúmeras pinturas de cenas da vida de Maria ou que buscaram retratá-La destacam-se as obras de Antonello da Messina, Bayerischer Meister, Caravaggio, Dante Gabriel Rossetti, Diego Velázquez, Dirck Bouts, Domenico di Bartolo, Domenico Ghirlandaio, El Greco, Fra Angelico, Fra Filippo Lippi, Francisco de Zurbarán, Gabriel Wuger, Geertgen tot Sint Jans, Georges de La Tour, Gertrude Psalter, Giotto di Bondone, Gregorio Fernández, Jacques Daret, Jean Malouel, Leonardo da Vinci, Lorenzo Monaco, Luigi Crosio, Melozzo da Forlì, Michelangelo Buonarroti,Murillo, Parmigianino, Peter Paul Rubens, Pietro Lorenzetti, Pietro Perugino, Pompeo Batoni, Raffaello Sanzio, Rogier van der Weyden, Salvador Dalí, Sandro Botticelli, Teófanes, o Grego e Tiziano Vecellio, dentre vários outros.
Cinema
A figura de Maria de Nazaré tem sido retratada em vários filmes, como por exemplo:


