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Língua árabe

O árabe é uma língua semita central, parente próximo do hebraico e das línguas neoaramaicas. Pertence à família das línguas semíticas, que, por sua vez, compõem o tronco linguístico das afro-asiáticas. A língua árabe tem mais falantes do que qualquer outro idioma na família linguística semita, e é falada por mais de 365 milhões de pessoas como língua materna, no Oriente Médio, Sudoeste Asiático e Norte da África. Caso também sejam contabilizados os falantes não nativos, o total perfaz a média de 400 milhões de pessoas. É idioma oficial de 26 países, número atrás apenas do inglês e francês, e a língua litúrgica do islamismo, por ser o idioma no qual o Corão, o livro sagrado islâmico, foi escrito. Falada em 58 países, só é menos difundida no mundo do que o inglês (106).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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Árabe clássico, moderno e falado

O termo árabe costuma designar uma das três principais variantes do idioma: árabe clássico, árabe moderno padrão, e árabe coloquial ou dialetal. O árabe clássico (em árabe: فصحى; romaniz.: fuṣḥā) é a língua usada no Corão, e utilizada a partir do período da Arábia pré-islâmica até o Califado Abássida. O árabe clássico é considerado normativo; autores modernos tentam seguir as normas sintáticas e gramáticas definidas pelos gramáticos clássicos, como Sibawayh, e usar o vocabulário definido nos dicionários clássicos, como o Lisān al-Arab. Árabe coloquial ou dialetal se refere às diversas variantes nacionais ou regionais que formam a língua oral. O árabe coloquial é composto por estas diversas variantes, que por vezes são diferentes a ponto de serem mutuamente ininteligíveis, e muitos linguistas as consideram idiomas distintos. Estas variantes quase nunca costumam ser escritas, e são utilizadas na mídia falada informal, como telenovelas e talk shows, bem como em algumas formas de mídia escrita, como poesia ou publicidade. As únicas variantes do árabe moderno a terem adquirido status oficial são o maltês, falado na ilha predominantemente católica de Malta, e escrita com o alfabeto latino, e o árabe hassani, uma das línguas oficiais de Mali. O maltês descende do árabe clássico através do sículo-árabe, e não é mutuamente inteligível com as outras variedades do idioma. A maior parte dos linguistas o classifica como um idioma separado, e não como um dialeto do árabe. Historicamente, o árabe argelino era ensinado na Argélia francesa, com o nome de darija.

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Língua e dialeto

Imagem: SEBRAE-SP · BY-NC · Openverse

A situação sociolinguística do árabe na atualidade apresenta um exemplo primordial do fenômeno linguístico da diglossia, que consiste na utilização normal de suas variantes separadas do mesmo idioma, geralmente em diferentes situações sociais. No caso do árabe, presume-se que árabes educados de qualquer nacionalidade saibam falar tanto o seu dialeto local quanto o árabe padrão que lhes foi ensinado na escola, ambos sendo mutuamente ininteligíveis. Quando árabes educados de diferentes dialetos iniciam uma conversa (por exemplo, um marroquino falando com um libanês), diversos falantes alternam o código entre as variedades dialetais e padrão do idioma, por vezes até mesmo dentro da mesma frase. Falantes do árabe frequentemente melhoram sua familiaridade com outros dialetos através da música ou do cinema. A questão de o árabe ser um idioma ou diversos tem grande carga política, semelhante ao que ocorre com o chinês, hindi e urdu, sérvio e croata, e assim por diante. A diglossia entre o idioma falado e escrito é outro fator significativo que complica a questão; uma única forma escrita, significativamente diferente de qualquer uma das variantes faladas aprendidas de forma nativa, reúne diversas formas faladas que seriam, de outra maneira, divergentes. Por motivos políticos, os árabes costumam afirmar que falam todos um único idioma, apesar de significativos problemas de incompreensibilidade mútua entre as diversas versões orais. De fato, estes dialetos têm entre si distâncias típicas de diferentes idiomas, além de possuírem eles mesmos seus subdialetos, que de fato podem ser analisados como dialetos de diferentes idiomas.

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Características

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É, por vezes, difícil traduzir alguns conceitos islâmicos, ou conceitos próprios à cultura árabe, sem o uso da terminologia árabe. O Alcorão está escrito em árabe e os muçulmanos, por tradição, consideram impossível traduzi-lo de modo a refletir adequadamente sua significação exata - ou porque a tradução poderia trair o sentido original do texto ou, segundo alguns académicos e religiosos islâmicos, porque a sua própria natureza sagrada torna impossível qualquer tradução (parcial ou por completo). De fato, até recentemente, algumas escolas de ideologia conservadora consideravam que ele não deveria ser traduzido de forma alguma. Uma Lista de termos islâmicos em árabe apresenta muitos desses termos, demasiado específicos para que possam ser traduzidos numa frase. Ainda que o árabe esteja fortemente associado ao Islão (é a língua usada no salá) a maior parte dos muçulmanos não o fala. É, também, a língua de muitos cristãos árabes, judeus orientais, e até mesmo de mandeístas iraquianos.

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Distribuição geográfica

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A língua árabe é oficial e/ou uma das mais faladas num continuum geográfico de 22 países situados numa faixa no entorno do Paralelo 30 N e entre os meridianos 15 oeste e 60 leste. São 11 países na África (norte, nordeste e litoral do "Chifre") e 11 no sudoeste da Ásia (Península Arábica e Oriente Médio), havendo apenas uma separação pelo Canal de Suez. Fora dessa continuidade estão dois países insulares, Bahrein (Golfo Pérsico) e Comoros (Oceano Índico). Podem ainda ser adicionadas duas nações ainda não oficializadas, Saara Ocidental e Cisjordânia. Essa continuidade geográfica de países vizinhos falando uma mesma língua é maior do que a dos países de língua francesa (África - 20 países), de língua espanhola (Américas - 16 países) e de língua inglesa (África - 12 países).

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Dialetos

O "árabe coloquial" é um termo coletivo aplicado a diversas línguas e dialetos do mundo árabe que, como já foi mencionado, difere radicalmente da língua literária. A primeira divisão linguística estabelece-se entre os dialetos do Magrebe e os do Médio Oriente, seguido das diferenças entre os dialetos dos povos sedentários e os beduínos (muito mais conservadores). O maltês, ainda que derivado do árabe, é considerado uma língua à parte. Os falantes de alguns destes dialetos são incapazes de conversar com os falantes de outro dialeto árabe; efetivamente, os habitantes do Médio Oriente têm dificuldade em perceber os norte-africanos (ainda que o contrário não aconteça, devido à popularidade do cinema e, em geral, dos media do Médio Oriente no Norte de África). Um importante fator de diferenciação dos dialetos é a influência dos substratos linguísticos (ou seja, das línguas faladas previamente nos locais onde se passou a falar árabe), originando um número significativo de novas palavras, influenciando também, muitas vezes, a pronúncia e a ordem das palavras.

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Alfabeto

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O alfabeto árabe deriva da escrita aramaica (existe uma polêmica, a nível académico, sobre sua origem, nabateia ou siríaca), de modo que pode ser comparado às semelhanças entre o Alfabeto copta ou o alfabeto cirílico e o alfabeto grego. Tradicionalmente, existem algumas diferenças entre as versões ocidentais (magrebinas) e orientais desse alfabeto. Nomeadamente, no Magrebe, o fa e o qaf têm um ponto em baixo e em cima, respectivamente. A ordem das letras é também sensivelmente diferente (pelo menos quando são utilizadas como numerais). Contudo, a variante do norte de África tem sido abandonada exceto para uso caligráfico no próprio Magrebe, mantendo-se nas escolas corânicas (zauiass) da África ocidental. O árabe, tal como o hebraico e o aramaico, é escrito da direita para a esquerda.

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Fonologia

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O árabe padrão tem apenas três vogais, com variantes breves e longas, nomeadamente /i, a, u/, mas devido a fenômenos de alofonia, o número de vogais na fala varia de acordo com o dialeto. Vogais podem ser (fonologicamente) curtas ou longas. /ʕ/ é usado para indicar velarização ou faringealização (=consoantes enfáticas; geralmente transcritas como consoantes pontuadas). Os outros símbolos fora dos parênteses são do SAMPA. Os fonemas variam de acordo com o dialeto. No Magrebe, por exemplo, há o /v/, presente também na escrita. As sílabas em árabe seguem a seguinte fórmula: CVC, CVVC, CVCC ou raramente CVVCC (C = consoante, V = vogal). Em radicais, a primeira consoante nunca é idêntica ou homorgânica (pronunciada no mesmo lugar de articulação) com a segunda consoante, entretanto isso não se aplica à terceira consoante. Levando em conta essas regras, radicais começando com, por exemplo, as letras f-m- ou f-f- são impossíveis em árabe.

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Gramática

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فعل (verbos)

Na gramática tradicional árabe a categoria denominada فعل (fi`l) corresponde a verbos em português. Assim como as demais línguas semíticas, a morfologia verbal está baseada num sistema de raízes triconsonânticas, que possuem um sentido genérico. Por exemplo, as consoantes k t b constituem uma raiz com o sentido básico de 'escrever', q r ʔ expressam a ideia geral de 'ler', ʔ k l 'comer', e assim por diante. A posição dos movimentos e infixos é que precisa o sentido de uma palavra em particular. A forma mais simples do verbo é o aspecto perfeito na terceira pessoa do singular masculino: kátaba 'ele escreveu', qaraʔa 'ele leu'. As demais pessoas formam-se a partir dessa forma:

اسم (nomes)

Na gramática árabe, اسم (ism) engloba conceitos que em português seriam traduzidos como substantivos, adjetivos e advérbios. Substantivos e adjetivos são inflexionados de acordo com as seguintes categorias: gênero (masculino ou feminino), número (singular, singulativo, dual, plural), caso (nominativo, acusativo, genitivo) e estado. Existem dois tipos de plural em árabe: regular e irregular. A maioria dos substantivos formam o plural de forma irregular. Existem 70 formatos que um substantivo irregular pode ter, porém apenas 31 são comuns. Não existe uma categoria específica para advérbios em árabe, geralmente são expressos por ablativos, por exemplo, para se dizer em árabe a frase "o homem correu lentamente", deve-se dizer algo: "o homem correu com lentidão" ou "o homem correu (com) uma lentidão". Semelhantemente, a palavra árabe "rápido" deve ser tratada como um nome, pelo que ela deve ser traduzida mais propriamente por "um rápido, alguém rápido" e não simplesmente pela palavra "rápido".

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Caligrafia

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Depois da fixação definitiva da escrita árabe ao redor do ano 786, por Alcalil, muitos estilos desenvolveram-se, tanto para a escrita do Corão e outros livros, quanto para inscrições em monumentos, como decoração. A caligrafia árabe não parou de ser importante no mundo ocidental, e ainda é considerada pelos árabes como uma forma de arte saudosíssima; calígrafos são considerados de grande valor. É cursiva por natureza, ao contrário do alfabeto latim. A escrita árabe é usada para escrever um verso do Alcorão, uma hádice, ou simplesmente um provérbio, em uma composição espetacular que é muitas vezes indecifrável. A composição é muitas vezes abstrata, mas às vezes a escrita é moldada em uma forma concreta como a de um animal. Um dos mestres atuais do gênero é Hassan Massoudy

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