Itamar Franco
Itamar Augusto Cautiero Franco foi um engenheiro, militar, diplomata e político brasileiro. Ele atuou como o 21º Vice-presidente do Brasil no governo de Fernando Collor e, após o impeachment do titular, assumiu como o 33º Presidente, governando de 1992 a 1995. Sua carreira política também incluiu dois mandatos como Senador por Minas Gerais, Governador de Minas Gerais e Prefeito de Juiz de Fora.
Pontos-chave
- Itamar Franco nasceu a bordo de um navio e foi criado em Juiz de Fora, formando-se em engenharia.
- Sua carreira política começou no PTB, mas ganhou destaque no MDB durante a ditadura militar, sendo eleito Senador.
- Foi Vice-presidente de Fernando Collor e assumiu a Presidência após o impeachment, implementando o Plano Real.
- Após a presidência, foi embaixador e Governador de Minas Gerais, criticando o governo FHC.
- Faleceu em 2011 devido a leucemia e pneumonia, sendo homenageado com o Memorial da República Presidente Itamar Franco.
Itamar Franco nasceu em 28 de junho de 1929, em águas brasileiras, a bordo de um navio. Filho de Augusto César Stiebler Franco e Italia Cautiero, foi registrado em Salvador. Criado em Juiz de Fora, concluiu o ensino médio em 1948, tornou-se aspirante a oficial da reserva em 1949 e graduou-se em engenharia em 1954. Em 1955, iniciou sua carreira política filiando-se ao PTB, embora sua primeira candidatura a vereador em 1958 não tenha sido bem-sucedida.
Vida Pessoal e Família
Itamar Franco casou-se com a jornalista Anna Elisa Surerus em 4 de junho de 1968, durante seu primeiro mandato como prefeito de Juiz de Fora. Dessa união nasceram suas duas filhas: Georgiana, em 24 de novembro de 1969, e Luciana, em 24 de outubro de 1971. O casamento durou dez anos, terminando em 22 de agosto de 1978.
Itamar Franco ingressou na política nos anos 1950 pelo PTB, mas suas primeiras candidaturas a vereador (1958) e vice-prefeito (1962) em Juiz de Fora não tiveram sucesso. Com o bipartidarismo imposto pelo regime militar em 1964, filiou-se ao MDB e foi eleito prefeito de Juiz de Fora, governando de 1967 a 1971 e novamente a partir de 1972. Em 1974, renunciou à prefeitura para se eleger Senador por Minas Gerais, onde rapidamente se tornou vice-líder do MDB em 1976 e 1977. Com o pluripartidarismo nos anos 1980, filiou-se ao PMDB e foi reeleito senador em 1982, na chapa de Tancredo Neves.
Atuação na Assembleia Constituinte
Itamar Franco participou ativamente da Assembleia Nacional Constituinte, iniciada em 1º de fevereiro de 1987, como líder do PL no Senado. Ele defendeu pautas progressistas, como o rompimento de relações com países de discriminação racial, o mandado de segurança coletivo, remuneração superior para horas extras, jornada semanal de 40 horas, aviso prévio proporcional, unicidade sindical, soberania popular, nacionalização do subsolo, estatização do sistema financeiro, limitação do pagamento da dívida externa e criação de um fundo para reforma agrária.
Eleições Presidenciais de 1989
Em 1989, Fernando Collor de Mello convidou Itamar Franco para ser seu vice na chapa presidencial, nas primeiras eleições diretas desde 1960. Itamar aceitou, deixou o PL e filiou-se ao PRN. A chapa, que se apresentava como opositora a José Sarney e defendia um programa econômico modernizador, foi eleita, e Itamar Franco tomou posse como Vice-presidente em 15 de março de 1990.
Como Vice-presidente, Itamar Franco foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar em agosto de 1990. Contudo, ele logo se afastou de Fernando Collor devido a divergências sobre a política econômico-financeira, criticando as privatizações e a destinação dos fundos. Após a reforma ministerial de abril de 1992, que incluiu ex-colaboradores do regime militar, Itamar desligou-se do PRN em 5 de maio de 1992. As denúncias de corrupção contra o governo Collor e o início da campanha pelo impeachment acentuaram suas críticas públicas ao presidente.
Após o afastamento de Fernando Collor por impeachment, Itamar Franco assumiu interinamente a presidência em 2 de outubro de 1992 e foi formalmente aclamado em 29 de dezembro de 1992, com a renúncia de Collor. Seu governo, informalmente conhecido como 'República do Pão de Queijo' devido à predominância de mineiros em sua equipe, enfrentou uma grave crise econômica com inflação recorde. Após várias trocas de ministros da economia, Fernando Henrique Cardoso assumiu o Ministério da Fazenda em maio de 1993, implementando o Plano Real. Itamar Franco concluiu seu mandato em 1º de janeiro de 1995, passando o cargo para Fernando Henrique Cardoso, eleito no primeiro turno.
Plebiscito de 1993: Forma e Sistema de Governo
Em abril de 1993, conforme previsto na Constituição de 1988, foi realizado um plebiscito para definir a forma e o sistema de governo do Brasil. Embora Itamar Franco preferisse o parlamentarismo, a república venceu com 66% dos votos, contra 10% da monarquia. O presidencialismo obteve 55% dos votos, superando os 25% do parlamentarismo. Assim, o Brasil manteve o regime republicano e presidencialista.
Plano Real: Estabilização Econômica
Em fevereiro de 1994, para combater a hiperinflação, o governo Itamar Franco instituiu a Unidade Real de Valor (URV) através da Medida Provisória 434, marcando o início do programa de estabilização econômica que ficou conhecido como Plano Real.
Outras Realizações e Apoio Político
Durante sua presidência, Itamar Franco apoiou projetos de combate à miséria, em colaboração com o sociólogo Betinho. Em 1994, ele endossou a candidatura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à presidência da República, que resultou na eleição de FHC já no primeiro turno.
Itamar Franco foi o primeiro presidente desde Artur Bernardes a eleger seu sucessor. Após a vitória de Fernando Henrique Cardoso, foi nomeado embaixador em Portugal e, posteriormente, na Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington. Recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal em 4 de outubro de 1995. No entanto, tornou-se crítico do governo FHC, discordando de sua política econômica. Seus planos de concorrer à presidência em 1998 foram frustrados pela Emenda Constitucional nº 16, que permitiu a reeleição de FHC. Apesar disso, tentou a indicação do PMDB, mas não obteve sucesso, o que aprofundou seu rompimento com Fernando Henrique Cardoso.
Governo de Minas Gerais (1999-2003)
Itamar Franco foi eleito governador de Minas Gerais em 1998 pelo PMDB, governando de 1999 a 2003. Ao tomar posse em 1999, decretou a moratória do estado, alegando a necessidade de auditoria na dívida estadual e criticando a taxa de juros de 7,5% ao ano, superior à de outros estados. Ele buscou reverter a situação financeira herdada, onde as despesas cresciam mais rápido que as receitas e estavam concentradas em funções de baixa capacidade distributiva. Em 2002, não conseguiu a indicação do PMDB para a presidência, pois o partido optou por uma coligação com o PSDB.
Em 2006, Itamar Franco tentou novamente a candidatura à presidência pelo PMDB, mas desistiu em maio, optando por disputar uma vaga no Senado Federal. Contudo, perdeu a indicação do PMDB de Minas Gerais para Newton Cardoso. Naquele ano, apoiou a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência. Aliado de Aécio Neves desde 2002, atuou como conselheiro do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Em maio de 2009, filiou-se ao PPS, alimentando especulações sobre novas candidaturas. Em janeiro de 2010, anunciou sua pré-candidatura a senador, apoiando Aécio Neves para a outra vaga, com Zezé Perrella (PDT) e Elaine Matozinhos (PTB) como suplentes.
Em 21 de maio de 2011, Itamar Franco foi diagnosticado com leucemia e licenciou-se do Senado para tratamento no Hospital Albert Einstein. Em 27 de junho, seu quadro se agravou devido a uma pneumonia, levando-o à UTI. Itamar Franco faleceu na manhã de 2 de julho de 2011. Seu corpo foi cremado no Cemitério de Contagem, e suas cinzas repousam no jazigo da família no Cemitério Municipal de Juiz de Fora.
Homenagens Póstumas
Diversas homenagens foram prestadas a Itamar Franco. Há uma proposta de lei para alterar o nome da rodovia BR-267, em Minas Gerais, para 'Rodovia Presidente Itamar Franco'. O Aeroporto da Zona da Mata Mineira foi nomeado Presidente Itamar Franco. Em 2012, o Museu Histórico do Senado Federal passou a ser chamado Museu Histórico Senador Itamar Franco. Um viaduto na Via Expressa de Belo Horizonte e a antiga Avenida Independência em Juiz de Fora também receberam seu nome.
Memorial da República Presidente Itamar Franco
A história do Memorial começa em 2002 com a criação do Instituto Itamar Franco em Juiz de Fora, seguindo a Lei Brasileira dos Acervos Presidenciais. Em 7 de julho de 2014, o Conselho Superior da Universidade Federal de Juiz de Fora ratificou a criação do Memorial da República Presidente Itamar Franco e seu regimento, sob a salvaguarda do acervo do ex-presidente.


