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Afrocentrismo

Afrocentrismo é uma ideologia dedicada ao estudo da história africana. Sua principal finalidade é buscar a autodeterminação e uma ideologia pan-africana na cultura, filosofia e história de divulgar e incentivar o nacionalismo e o orgulho étnico entre os afro-americanos como uma arma de efeito psicológico contra o racismo global.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
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Terminologia

A palavra afrocentrismo, provavelmente, foi empregada pela primeira vez por John Henrik Clarke em 1972 para afirmar a necessidade da história ser reescrita partir dos sujeitos africanos e afro-americanos. O adjetivo afrocêntrico aparece em uma entrada da Encyclopedia Africana, possivelmente escrita por W. E. B. Du Bois. O substantivo afrocentricidade remonta a década de 1970, e foi popularizado por Molefi Asante no livro Afrocentricity: The Theory of Social Change de 1980. A diferença fundamental entre afrocentrismo e afrocentricidade é que o primeiro coloca a pessoa africana no centro dos seus próprios interesses e enfatiza os usos culturais, enquanto a afrocentricidade é uma posição acadêmica dentro do estudo da história e realidade africanas. Afrocentricidade, assim, é “definida como uma epistemologia que apela a uma leitura do mundo a partir de África, colocando a África e os africanos como sujeitos da ação histórica no ponto de partida de qualquer análise da sua própria realidade”.

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Definição

Na década de 1970, vários autores como Cheikh Anta Diop, Théophile Obenga e Roy D. Morrison II, estavam preocupados em realizar e incentivar pesquisas que evidenciassem a urgência da valorização de um pensamento nativo africano. Anta Diop e Obenga, em especial, afirmavam a primazia da civilização africana e que ela era pautada pela harmonia. Nesse movimento inicial de colocar as africanos em posições de poder, em 1975, o nigeriano Chinweizu diagnosticava que a cultura africana era vista como exótica, quando deveria ser avaliada pela sua afrocentricidade. O afrocentrsimo surge como uma corrente filosófica afro-americana na década de 1980 com a publicação de Molefi Kete Asante dos livros Afrocentricity (1980) e The Afrocentric Idea (1987). Asante procura, a partir dos estudos históricos de Anta Diop, postular a África como o berço da civilização em matéria de filosofia, ciência, religião, política, arte e comunicação. O afrocentrismo, portanto, é formulado para atuar como um paradigma alternativo ao eurocentrismo. Além da importância de Anta Diop e Obenga para a construção das bases históricas, filosóficas e linguísticas do afrocentrismo, há a retomada de nomes importantes do pensamento africano e afro-americano, como Du Bois, Marcus Garvey, Booker T. Washington e Malcom X para a construção desse "verdadeiro sistema multifacetado, em que ideologia, ciência, pensamento teórico, ideia do futuro, identidade coletiva formam um poderoso conjunto capaz de comunicar as etapas do resgate africano e afro-americano (“Njia”, o caminho) em contraposição ao imperialismo cultural e mental eurocêntrico".

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História

Surgimento nos Estados Unidos

O afrocentrismo surge nos Estados Unidos na década de 1960, em um contexto de reivindicações políticas e culturais da população afro-americana. Ao longo das décadas de 1960 e 1980, questões como as políticas afirmativas, a luta pelo fim da discriminação racial e a abertura do espaço cultural e acadêmico aos afro-americanos são importantes para a construção do afrocentrismo nos Estados Unidos. Em 1987, por exemplo, foi fundado por Molefi Asante, na Universidade Temple, o primeiro programa de doutorado em Estudos Afro-Americanos. O afrocentrismo também colocava-se como uma alternativa ao liberalismo de Ronald Reagan ao mesmo tempo que o rejeitava e criticava.

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Principais argumentos

Egito negro como berço da civilização

A tese do Egito como berço da civilização tem como fundamento a ideia de difusionismo defendida pelo afrocentrismo, que busca demonstrar a influência da cultura e do conhecimento egípcio antigo na cultura grega na antiguidade e, por extensão, na cultura ocidental em geral. O difusionismo é utilizado para responder a duas questões fundamentais: comprovar a influência egípcia sobre a cultura grega e estabelecer a origem única das civilizações africanas contemporâneas a partir do Egito. São quatro os principais argumentos através das quais o Afrocentrismo busca alcançar a resposta dessas questões, baseados nas diferentes formas de interação entre os egípcios e os gregos na antiguidade, sendo eles: ocupação militar, transferências demográficas, trocas comerciais e a presença de intelectuais gregos nas escolas egípcias.

Línguas africanas

Intelectuais afrocentristas como Anta Diop e, principalmente, seu discípulo Obenga destacaram a necessidade de se encontrar ligações linguísticas que unissem os povos do continente africano, com uma raiz linguística em comum, para comprovar a influência do antigo Egito em toda a África antiga, sendo a origem dos fluxos civilizatórios que seguiram por todo o continente. Diferentemente das abordagens linguísticas elaboradas a partir dos anos 1990, que buscam a origem da língua humana na costa sul-ocidental do continente africano, esses autores argumentavam uma origem egípcia dos idiomas de todo o continente, sustentando o ideal do Egito negro como berço da civilização humana. Desta forma, buscavam ligar a Língua egípcia antiga com os idiomas da África contemporânea. Esse argumento é de fundamental importância para demonstrar a suposta unidade cultural africana, buscando unir o norte da África com a África Bantu e as demais regiões étnico-linguísticas do continente.

Argumentos artísticos-literários

A maior ênfase argumentativa das principais e mais influentes obras afrocentristas está nos temas artísticos e literários. Cheikh Anta Diop retrata uma vasta gama de imagens de baixo-relevo, pinturas e monumentos que, segundo sua visão, comprovariam a origem negra do Egito Antigo, e consequentemente sua correlação com a África Contemporânea. Os antigos egípcios corriqueiramente se representavam com diversos tons de peles e cores de cabelo, comumente retratando homens de pele mais escura, mulheres de pele mais clara e escravidazos com pele também escura. Com base nisso, Diop conclui a autoidentificação dos antigos egípcios como pessoas negras.

Contatos transoceânicos pré-colombianos

Autores afrocentristas e arqueólogos de fora do movimetno afrocentrista, como Alfonso Medellín Zenil e Gonzalo Aguirre Beltrán, compreendem que a grandiosidade e os avanços científicos dos antigos africanos foi tão grande que extrapolou o próprio continente africano, alegando até mesmo a exitência de contatos pré-colombianos entre a África e a América. Como um das principais evidências, argumentam a aparência das cabeças colossais olmecas e sua similaridade com feições negras, alegando uma provável representação de personagens "negróides" que estariam presentes na américa pré-colombiana. Esses arqueólogos alegam que as feições das esculturas das cabeças feitas em basalto são idênticas aos "tipos étnicos" africanos, e que poderiam facilmente serem confundidas com representações de guerreiros ou reis da África clássica, não apenas pelas características físicas, mas também pelos adereços como brincos e penteados que seriam, segundo esses arqueólogos, típicos dos africanos do período, e dessa forma, comprovando uma suposta presença de africanos na mesoamérica antes da invasão europeia.

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Eurocentrismo versus afrocentrismo

Comumente tanto afrocentristas quanto seus críticos comparam o afrocentrismo ao eurocentrismo. Autores adeptos ao afrocentrismo como Cheikh Anta Diop, Molefi Kete Asante e Martin Bernal se propõe a romper com a lógica hegeliana e ocidental do conhecimento histórico, ligada diretamente aos pensadores europeus e o que alegam ser o "pensamento eurocentrado" através de uma ruptura com a visão tradicional da história da civilização humana, e seus métodos tradicionais, buscando novas formas de escrever a história da África e sua influência no mundo ocidental. Os críticos ao afrocentrismo, como Mary Lefkowitz, comumente também o colocam lado a lado, no desejo de apontar as falhas das teses afrocentristas, e com isso ignorando a possibilidade da existência de outras formas de contar a história além da dicotomia artificial entre eurocentrismo e afrocentrismo, transpondo a noção de que nada há além da opção de sermos "afrocêntricos" ou "eurocêntricos".

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Fontes consultadas

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