Alemanha Nazista
Alemanha Nazista (português brasileiro) ou Alemanha Nazi (português europeu), também chamada de Terceiro Reich, são nomes comuns para a Alemanha durante o período entre os anos de 1933 e 1945, quando o seu governo era controlado por Adolf Hitler e pelo Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), mais conhecido como Partido Nazista. Sob o governo de Hitler, a Alemanha foi transformada em um Estado totalitário fascista que controlava quase todos os aspectos da vida. A Alemanha nazista deixou de existir após as forças aliadas derrotarem os alemães em maio de 1945, encerrando a Segunda Guerra Mundial na Europa.
O nome oficial do Estado nazista foi Deutsches Reich (Reich Alemão) entre 1933 e 1943 e Großdeutsches Reich (Grande Reich Alemão) entre 1943 e 1945. Deutsches Reich é geralmente traduzida como "Reich Alemão". Os termos em português mais comuns são "Alemanha Nazista" e "Terceiro Reich". Este último, adotada pelos nazistas, foi usado pela primeira vez em uma novela 1923 por Arthur Moeller van den Bruck. O livro contava o Sacro Império Romano (962-1806) como o primeiro Reich e o Império Alemão (1871-1918) como o segundo. Os alemães modernos referem-se ao período como Zeit des Nationalsozialismus (período nacional-socialista), Nationalsozialistische Gewaltherrschaft (tirania nacional-socialista) ou simplesmente como das Dritte Reich (o Terceiro Reich).
Antecedentes
A economia alemã sofreu graves dificuldades após o fim da Primeira Guerra Mundial, em parte por causa de pagamentos de reparações exigidas pelo Tratado de Versalhes de 1919. O governo imprimiu dinheiro para fazer os pagamentos e para pagar dívida de guerra do país; a hiperinflação resultante culminou em preços inflacionados de bens de consumo, o que causou caos econômico e distúrbios alimentares. Quando o governo não conseguiu fazer pagamentos das reparações em janeiro de 1923, as tropas francesas ocuparam áreas industriais alemãs ao longo do Ruhr, o que teve como resultado agitação civil generalizada. O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP; Partido Nazista) foi o sucessor do Partido dos Trabalhadores Alemães. O partido foi fundado em 1919, um dos vários partidos políticos de extrema-direita ativos na Alemanha naquela época. A plataforma do partido incluía o fim da República de Weimar, a rejeição dos termos do Tratado de Versalhes, o antissemitismo radical e antibolchevismo. Eles prometeram um governo central forte, o aumento do Lebensraum (espaço vital) para os povos germânicos, a formação de uma comunidade de cidadãos baseada na raça e purificação racial através da supressão ativa de judeus, que seriam despojados de sua cidadania e direitos civis. Os nazistas propunham a renovação nacional e cultural baseada no movimento Völkisch.
Conquista do poder
Embora os nazistas tenham ganhado a maior parte do voto popular nas duas eleições gerais do Reichstag de 1932, eles não tinham a maioria, por isso Hitler liderou um breve governo de coalizão formado pelo Partido Nazista e pelo Partido Popular Nacional Alemão. Sob a pressão de políticos, industriais e da comunidade empresarial, o presidente Paul von Hindenburg nomeou Hitler como Chanceler da Alemanha em 30 de janeiro de 1933. Este evento é conhecido como o Machtergreifung (tomada do poder). Nos meses seguintes, o Partido Nazista utilizou um processo denominado Gleichschaltung (coordenação) para trazer rapidamente todos os aspectos da vida de seus cidadãos sob o controle do partido. Todas as organizações civis, incluindo grupos agrícolas, organizações de voluntários e clubes esportivos, tinham sua liderança substituída por simpatizantes do nazismo ou membros do partido. Em junho de 1933, praticamente as únicas organizações que não estavam no controle do Partido Nazista eram o exército e as igrejas.
Rearmamento militar
Nos primeiros anos do regime, a Alemanha estava sem aliados e seus militares foram drasticamente enfraquecidos pelo Tratado de Versalhes. França, Polônia, Itália e União Soviética tinham razões para se opor à ascensão de Hitler ao poder. A Polônia sugeriu à França que as duas nações se envolvessem em uma guerra preventiva contra a Alemanha em março de 1933. A Itália fascista se opôs às reivindicações alemãs nos Bálcãs e na Áustria, que Benito Mussolini considerava estar na esfera de influência da Itália. Já em fevereiro de 1933, Hitler anunciou que o rearmamento deveria começar, ainda que clandestinamente no início, pois isso violaria o Tratado de Versalhes. Em 17 de maio de 1933, Hitler fez um discurso perante o Reichstag descrevendo seu desejo de paz mundial e aceitou uma oferta do presidente americano Franklin D. Roosevelt de desarmamento militar, desde que as outras nações da Europa fizessem o mesmo. Quando as outras potências europeias não aceitaram esta oferta, Hitler retirou a Alemanha da Conferência Mundial de Desarmamento e da Liga das Nações em outubro, alegando que suas cláusulas de desarmamento eram injustas se aplicassem apenas à Alemanha. Em um referendo realizado em novembro, 95% dos eleitores apoiaram a retirada da Alemanha.
Política expansionista
A Alemanha nazista desejava mais matérias-primas e autossuficiência em alimentos, queria as colônias sob o controle da França e Reino Unido, desejava também o petróleo e o trigo da União Soviética. Conforme Hitler afirmou em Mein Kampf, ele desejava também a união de toda a "raça" alemã que vivia em outros países (Renânia, Áustria, nos Sudetos da Tchecoslováquia e em Danzig na Polônia) e expandir a Alemanha para territórios eslavos, para conseguir o Lebensraum (Espaço Vital) para a raça alemã viver, instalando a "Nova Ordem", muitos consideram este expansionismo uma tentativa de "dominar o mundo". Em março de 1936, Hitler ordenou que o exército alemão ocupasse a Renânia, região cortada pelo rio Reno na fronteira entre França e Alemanha. Conforme estabelecido no Tratado de Versalhes, essa região devia permanecer desmilitarizada, mas Hitler ignorou esta regra, promovendo a remilitarização da Renânia. A maioria dos franceses não reagiu à ocupação da Renânia, pois estavam politicamente divididos: havia conflitos entre os partidos políticos marxistas, de base operária, e os partidos políticos tradicionais, simpatizantes do fascismo. Também acreditavam que o inimigo do capitalismo democrático era o comunismo da União Soviética e não o nazismo. E os generais franceses não ficaram preocupados com a ação militar alemã na fronteira da França, muitos ainda confiavam nos métodos utilizados pelo exército na Primeira Guerra Mundial, e elaboraram uma estratégia de defesa prevendo uma guerra de trincheiras, com exércitos imóveis garantindo suas posições, ordenando a construção de uma longa fortificação percorrendo a fronteira germano-francesa, conhecido como Linha Maginot.
Segunda Guerra Mundial
A Alemanha invadiu a Polônia em 1 de setembro de 1939. O Reino Unido e a França declararam guerra à Alemanha dois dias depois. A Segunda Guerra Mundial estava em curso. A Polônia caiu rapidamente, visto que os soviéticos também atacaram o país a partir do leste, em 17 de setembro. Reinhard Heydrich, então chefe da Gestapo, ordenou em 21 de setembro que os judeus deveriam ser concentrados em cidades com boas ligações ferroviárias. Inicialmente, a intenção era a de deportar os judeus para os pontos mais a leste, ou possivelmente para Madagáscar. Usando listas preparadas antes do tempo, cerca de 65 mil membros da inteligência, nobreza, clero e professores poloneses foram mortos até o final de 1939 em uma tentativa de destruir a identidade da Polônia enquanto uma nação. Os soviéticos continuaram a atacar, avançando para a Finlândia na Guerra de Inverno, enquanto as forças alemãs estavam envolvidas em ações no mar. Mas pouco aconteceu até maio e, por isso, o período ficou conhecido como "Guerra de Mentira".
Mudanças territoriais
Como resultado de sua derrota na Primeira Guerra Mundial e do Tratado de Versalhes resultante, a Alemanha perdeu Alsácia-Lorena, Jutlândia do Sul e Memel. O Sarre tornou-se temporariamente um protetorado da França, sob a condição de que seus moradores, mais tarde, decidissem por referendo a qual país iriam a aderir. A Polônia se tornou uma nação independente e recebeu um acesso ao mar através da criação do Corredor Polonês, que separava a Prússia do resto da Alemanha. Danzig foi transformada em uma cidade livre. A Alemanha recuperou o controle do Sarre por meio de um referendo realizado em 1935 e anexou a Áustria durante o Anschluss de 1938. O Acordo de Munique de 1938 deu aos alemães o controle da região dos Sudetos e eles tomaram o restante da Tchecoslováquia seis meses depois. Sob a ameaça de uma invasão marítima, a Lituânia rendeu o distrito Memel aos nazistas março 1939.
Territórios ocupados
Alguns dos territórios conquistados foram imediatamente incorporados à Alemanha, como parte do objetivo de longo prazo de Hitler de criar um Grande Reich germânico. Várias áreas, como a Alsácia-Lorena, foram colocadas sob a autoridade de um Gau adjacente (distrito regional). Além dos territórios incorporados estavam os Reichskommissariate (Comissariados do Reich), regimes semicoloniais estabelecidos em uma série de países ocupados pelos nazistas. Entre as áreas colocadas sob administração alemã estavam o Protetorado da Boêmia e Morávia, Reichskommissariat Ostland (que englobava os países bálticos e a Bielorrússia) e Reichskommissariat Ukraine (Ucrânia ocupada). As áreas conquistadas da Bélgica e da França foram colocadas sob o controle da Administração Militar na Bélgica e no Norte da França. Parte da Polônia foi imediatamente incorporada ao Reich e o Governo Geral foi criado no centro da Polônia ocupada. Hitler pretendia eventualmente incorporar muitas destas áreas para o Reich.
Mudanças do pós-guerra
Com a emissão da Declaração de Berlim em 5 de junho de 1945 e mais tarde com a criação do Conselho de Controle dos Aliados, as quatro potências aliadas assumiram interinamente o governo da Alemanha. Na Conferência de Potsdam, em agosto de 1945, os Aliados organizaram a ocupação aliada e o processo de desnazificação do país. A Alemanha foi dividida em quatro zonas, cada uma ocupada por uma das potências aliadas, que realizaram reparações em suas respectivas zonas. Como a maioria das áreas industriais estavam nas zonas ocidentais, a União Soviética recebeu reparações adicionais. O Conselho de Controle Aliado desestabeleceu a Prússia em 20 de maio de 1947. O auxílio à reconstrução da Alemanha começou a chegar dos Estados Unidos, no âmbito do Plano Marshall, em 1948. A ocupação durou até 1949, quando os países da Alemanha Oriental (zona de ocupação soviética) e Alemanha Ocidental foram criados. O país finalizou sua fronteira com a Polônia, ao assinar o Tratado de Varsóvia (1970).
Ideologia
O Partido Nazista era uma organização política de extrema-direita, que se consolidou durante as convulsões sociais e financeiras que ocorreram com o início da Grande Depressão, em 1929. Enquanto estava na prisão, após o fracassado Putsch da Cervejaria em 1923, Hitler escreveu Mein Kampf, que estabeleceu o seu plano de transformar a sociedade alemã com base nas raças. A ideologia do nazismo reunia elementos do antissemitismo, higiene racial e eugenia e combinava-os com o pangermanismo e o expansionismo territorial com o objetivo de obter mais Lebensraum para os povos germânicos. O regime tentou obter este novo território ao atacar a Polônia e a União Soviética, com a intenção de deportar ou matar os judeus e eslavos que vivessem lá, que eram vistos como sendo inferiores à raça ariana e parte de uma conspiração judaica bolchevique. Outros grupos considerados indignos da vida pelos nazistas, incluía as pessoas com deficiência mental e física, ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová e desajustados sociais.
Governo
Uma lei promulgada em 30 de janeiro de 1934 aboliu os existentes Länders (estados constituintes) da Alemanha e os substituiu por novas divisões administrativas nazistas, os Gaue, chefiados por líderes do partido (Gauleiters), que efetivamente se tornaram os governadores de suas respectivas regiões. A mudança nunca foi totalmente implementada, visto que os Länders ainda eram usados como divisões administrativas de alguns departamentos do governo, como a educação. Isso levou a um emaranhado burocrático de sobreposições de competências e responsabilidades típicas do estilo administrativo do regime nazista. Os funcionários judeus perderam seus empregos em 1933, exceto para aqueles que tinham prestado serviço militar na Primeira Guerra Mundial. Membros do Partido Nazista ou simpatizantes do partido eram nomeados em seus lugares. Como parte do processo de Gleichschaltung, a Lei do Governo Local do Reich de 1935 aboliu as eleições regionais. Desse ponto em diante, os prefeitos eram nomeados pelo Ministério do Interior.
Justiça e lei
Assim que Hitler tornou-se chanceler em 1933, e nos anos que seguiram, a lei e a constituição de Weimar — que permanecia a mesma da República de Weimar — foram desrespeitas muitas vezes por ele e pelos membros do partido nazista, de forma que muitos juizes afirmavam que "Hitler é a lei!". Hermann Göring declarou aos promotores prussianos em 12 de junho de 1934 que a "vontade do Führer e a lei são a mesma coisa". O próprio Hitler, após o expurgo em massa de seus inimigos na Noite das Facas Longas, em seu discurso no Reichstag denominou-se o "juiz supremo do povo alemão". Hitler tinha o direito de revogar os processos criminais, inicialmente Göring também. Milhares de "decretos-lei" emitidos pelo Führer foram explicitamente baseados no decreto do presidente Paul von Hindenburg de 28 de fevereiro de 1933, para a Proteção do Povo e do Estado do artigo 48 da Constituição, logo após o incêndio do Reichstag, quando Hitler lhe havia assegurado a possibilidade de uma revolução comunista, o decreto que suspendia todos os direitos civis, permaneceu em vigor durante todo o regime nazista.
Militares e paramilitares
As forças armadas unificadas da Alemanha entre 1935 e 1945 eram chamadas de Wehrmacht. Isto incluía o Heer (exército), a Kriegsmarine (marinha) e a Luftwaffe (Força Aérea). Em 2 de agosto de 1934, os membros das forças armadas foram obrigados a prometer um juramento de obediência incondicional a Hitler pessoalmente. Em contraste com o juramento anterior, que exigia lealdade à constituição do país e às suas instituições legais, este novo juramento exigia que os membros das forças armadas obedecessem apenas ao Führer, mesmo que quando eles recebiam a ordem de fazer algo ilegal. Hitler decretou que o exército teria de tolerar e até mesmo oferecer apoio logístico para os Einsatzgruppen — os esquadrões da morte móveis responsáveis por milhões de assassinatos na Europa Oriental — quando isto era taticamente possível de ser feito. Os membros da Wehrmacht também participaram diretamente do Holocausto ao atirar em civis ou ao promover o genocídio sob o disfarce de operações antipartidárias.
O racismo e o antissemitismo eram os princípios básicos do partido e da ideologia nazista. A política racial da Alemanha nazista era baseada em sua crença na existência de uma raça superior. Os nazistas postulavam a existência de um conflito racial entre a raça superior ariana e as raças inferiores, especialmente os judeus, que eram vistos como uma raça mista que tinha se infiltrado na sociedade e era responsável pela exploração e repressão dos arianos.
Perseguição aos judeus
A discriminação contra os judeus começou imediatamente após a tomada do poder; após uma série de ataques por parte de membros da SA sobre empresas, sinagogas e membros de profissões jurídicas da comunidade judaica, em 1 de abril de 1933, Hitler declarou um boicote nacional contra empresas de judeus. A Lei para a Restauração da Função Pública Profissional, aprovada em 7 de abril, excluía a maioria dos judeus de profissões jurídicas e do serviço civil. Legislações semelhantes logo privaram membros judeus de outras profissões do seu direito de trabalhar. Em 11 de abril um decreto promulgado declarava que qualquer um que tivesse um pai ou avô judeu devia ser considerado não-ariano. Como parte do esforço para remover a influência judaica da vida cultural alemã, os membros da Nationalsozialistischer Deutscher Studentenbund removeram das bibliotecas os livros considerados não-alemães e uma queima de livros em todo o país foi realizada em 10 de maio.
Holocausto
A guerra da Alemanha no leste era baseada na visão de longa data de Hitler de que os judeus eram o grande inimigo do povo alemão e que o Lebensraum era necessário para a expansão da nação. Hitler concentrou a sua atenção no Leste da Europa, com o objetivo de derrotar a Polônia, a União Soviética e remover ou matar os judeus e eslavos que viviam nessas áreas durante o processo de ocupação e colonização. No início da Segunda Guerra Mundial, a autoridade alemã no Governo Geral na Polônia ocupada ordenou que todos os judeus enfrentassem jornadas de trabalho forçado e que aqueles que eram fisicamente incapacitados para o trabalho deveriam ser confinados em guetos. Em 1941, Hitler decidiu destruir a nação polonesa por completo. Ele planejava que dentro de 10 a 20 anos, o território da Polônia sob ocupação alemã não teria mais poloneses étnicos e estaria reassentado por colonos alemães. Entre 3,8 e 4 milhões de poloneses permaneceriam como escravos, parte de uma força de trabalho escravo de 14 milhões que os nazistas pretendiam criar usando os cidadãos das nações conquistadas por eles no leste europeu. Cada ramo da burocracia alemã estava envolvido na logística que levou ao extermínio, o que faz com que alguns classifiquem o Terceiro Reich como um "um Estado genocida".
Perseguição a outros grupos
Sob as disposições de uma lei promulgada 14 de julho de 1933, o regime nazista realizou a esterilização obrigatória de mais de 400 mil indivíduos rotulados como tendo defeitos hereditários. Mais da metade das pessoas esterilizadas eram aquelas consideradas deficientes mentais, que incluía não apenas as pessoas que iam mal em testes de inteligência, mas também aqueles que se desviavam dos padrões esperados de comportamento em relação a economia, comportamento sexual e limpeza. Doentes físicos e mentais também foram alvo dos nazistas. A maioria das vítimas vinham de grupos desfavorecidos, como prostitutas, pobres, sem-tetos e criminosos. Assim como os judeus, o povo cigano também foi submetido a perseguição desde os primeiros dias do regime. Como uma raça não-ariana, eles foram proibidos de casar com pessoas de origem alemã. A partir de 1935, os ciganos passaram a ser enviados para campos de concentração e foram mortos em grande número. Uma das vítimas célebres desta perseguição, Johann Trollmann, alemão cigano sinti e campeão nacional de boxe, foi enviado a um campo de concentração mesmo após ter combatido pela Wehrmacht na frente oriental em 1941.
Economia do Reich
A questão econômica mais urgente que os nazistas inicialmente enfrentaram foi a taxa nacional de desemprego, que estava em 30 por cento. O economista Dr. Hjalmar Schacht, presidente do Reichsbank e ministro da economia, criou em maio de 1933 um esquema para o financiamento do déficit. Os projetos de investimento foram pagos com a emissão de notas promissórias chamadas notas MeFo (Metallurgische Forschungsgesellschaft). Quando as notas eram apresentadas para pagamento, o Reichsbank imprimia dinheiro para fazê-las. Enquanto a dívida nacional subiu, Hitler e sua equipe econômica esperavam que a expansão territorial do país forneceria os meios de pagamento da dívida. A administração de Schacht alcançou um rápido declínio da taxa de desemprego, a maior de todo o país durante a Grande Depressão.
Economia de guerra e de trabalho forçado
A economia de guerra nazista era uma economia mista que combinava um mercado livre com o planejamento central; o historiador Richard Overy descreveu a economia nazista como estando em algum ponto entre a economia de comando da União Soviética e o sistema capitalista dos Estados Unidos. Em 1942, após a morte do ministro do armamento, Fritz Todt, Hitler nomeou Albert Speer como seu substituto. Speer melhorou a produção via organização simplificada, o uso de máquinas de propósito único operadas por trabalhadores não qualificados, a racionalização dos métodos de produção e melhor co-coordenação entre as muitas empresas diferentes que faziam dezenas de milhares de componentes. As fábricas foram realocadas para longe de pátios ferroviários, que estavam sendo alvos de bombardeios. Em 1944, a guerra estava consumindo 75 por cento do produto interno bruto da Alemanha, em comparação com 60 por cento na União Soviética e 55 por cento na Grã-Bretanha.
A relação do regime com a ciência e a tecnologia foi ambígua. Seu antissemitismo/antijudaísmo foi prejudicial para alguns campos. Por outro lado, o regime também promoveu avanços nas áreas de ciência militar, tecnologia militar e ciência médica. A ciência alemã era altamente prestigiada antes do nazismo: até 1932, o país recebeu trinta e três prêmios Nobel na área de produção científica, número que reduziu-se para apenas 7 nos vinte e sete anos seguintes. Em 1933, apenas três meses após sua chegada ao poder, o governo nazista instituiu leis que afastavam os não-arianos do funcionalismo público. Isto foi prejudicial para a ciência e tecnologia do país, uma vez que 25% dos cargos nas universidades alemãs eram ocupados por judeus. O Führer cultivava um grande desprezo pela ciência teórica, uma vez que associava-a a este grupo. Muitos cientistas, optaram pelo auto exílio e, só no primeiro ano do regime, 2 600 deles abandonaram o país. Erwin Schrödinger, Albert Einstein, Hans Krebs e Max Born foram alguns destes. Judeu e pacifista, Albert Einstein renunciou à cidadania alemã e à Academia de Ciências da Prússia, convertendo-se num dos símbolos mundiais de luta contra o nazismo.
Educação
A legislação antissemita foi aprovada em 1933 e levou à demissão de todos os professores e funcionários do sistema educacional que fossem judeus. A maioria dos professores eram obrigados a pertencer à Nationalsozialistischer Lehrerbund (Liga dos Professores Nacional-Socialistas), enquanto os professores universitários eram obrigados a se associar aos Professores Universitários Nacional-Socialistas Alemães. Os professores tinham que fazer um juramento de lealdade e obediência a Hitler e aqueles que não conseguiam demonstrar conformidade suficiente com os ideais do partido muitas vezes eram delatados por estudantes ou colegas professores e então demitidos. A falta de financiamento para os salários fez com que muitos professores abandonassem a profissão. O tamanho médio das salas de aula aumentou de 37 em 1927 para 43 em 1938, devido à falta de professores.
Opressão às igrejas
Cerca de 65 por cento da população da Alemanha era protestante, quando os nazistas tomaram o poder em 1933. De acordo com o processo Gleichschaltung, Hitler tentou criar um sistema unificado na Igreja Nacional do Reich, formado a partir das 28 igrejas protestantes existentes na Alemanha e com o objetivo final de erradicação das igrejas alemãs. Ludwig Müller, um pró-nazista, foi instalado como o Bispo do Reich e os cristãos alemães, um grupo de pressão pró-nazista, ganharam o controle da nova igreja. Eles se opunham ao Antigo Testamento por causa de suas origens judaicas e exigiam que os judeus convertidos fossem impedidos de participar de sua igreja. O pastor Martin Niemöller respondeu com a formação da Igreja Confessante, a partir do qual alguns clérigos se opunham ao regime nazista. Em 1935 o sínodo da Igreja Confessante protestou contra a política nazista na religião e 700 de seus pastores foram presos. Müller renunciou e Hitler nomeou Hanns Kerrl como Ministro dos Assuntos da Igreja, para continuar os esforços para controlar o protestantismo. Em 1936, a Igreja Confessante enviou um protesto a Hitler contra as perseguições religiosas e os abusos dos direitos humanos. Mais algumas centenas de pastores foram presos. A igreja continuou a resistir e, no início de 1937, Hitler abandonou a esperança de unir as igrejas protestantes sob o seu comando. A Igreja Confessante foi proibida em 1 de julho de 1937. Neimoller foi preso e confinado pela primeira vez no campo de concentração de Sachsenhausen e depois em Dachau. As universidades teológicas foram fechadas e mais pastores e teólogos foram presos.
Saúde
A Alemanha nazista tinha um forte movimento antitabagista. A pioneira pesquisa de Franz H. Müller, em 1939, demonstrou uma relação causal entre o tabagismo e o câncer de pulmão. A Secretaria de Saúde do Reich tomou medidas para tentar limitar o tabagismo, com a produção de palestras e panfletos. O tabagismo foi proibido em muitos locais de trabalho, em trens e entre membros das forças armadas. As agências governamentais também trabalharam para controlar outras substâncias cancerígenas como o amianto e os agrotóxicos. Como parte de uma campanha geral de saúde pública, o abastecimento de água foi limpo, chumbo e mercúrio foram removidos de produtos de consumo e as mulheres foram instadas a submeter-se a exames regulares de câncer de mama.
Papel das mulheres e da família
A obediência era um valor passado aos homens nazistas desde sua juventude, com o intuito de torná-los “lutadores” alemães, o que revela a grande militarização e domesticação dos corpos masculinos à serviço da nação. Em contrapartida, as mulheres eram a pedra angular da política social nazista. Os nazistas se opunham ao movimento feminista, alegando que era uma criação de intelectuais judeus, em vez disso, defendiam uma sociedade patriarcal em que a mulher alemã reconheceria que seu "mundo é seu marido, sua família, seus filhos e sua casa". Logo após a tomada do poder, os grupos feministas foram fechados ou incorporados a Liga Feminina Nacional-Socialista. Esta organização coordenava grupos de todo o país para promover a maternidade e as atividades domésticas. Cursos eram oferecidos para educação dos filhos, costura e culinária. A Liga publicou o NS-Frauen-Warte, a única revista feminina aprovada pelo partido nazista. Apesar de alguns aspectos de propaganda, era predominantemente uma revista feminina comum.
Ambientalismo
A sociedade nazista tinha elementos de apoio aos direitos dos animais e muitas pessoas gostavam de jardins zoológicos e animais selvagens. O governo tomou várias medidas para assegurar a proteção dos animais e do meio ambiente. Em 1933, os nazistas promulgaram uma rigorosa lei de proteção dos animais que teve um impacto sobre o que era autorizado para a pesquisa médica. Mas a lei era apenas vagamente aplicada. Apesar de existir uma proibição da vivissecção, o Ministério do Interior prontamente entregava autorizações para experiências em animais. O Gabinete Florestal do Reich, sob a liderança de Hermann Göring, executava regulamentos que exigiam compensações florestais para plantar uma grande variedade de árvores, com o objetivo de garantir um habitat adequado para a vida selvagem. A nova Lei de Proteção Animal do Reich tornou-se lei em 1933. O regime promulgou a Lei de Proteção à Natureza do Reich, em 1935, para proteger a paisagem natural do desenvolvimento econômico excessivo. O ato permitia a expropriação de terras de propriedade privada para criar reservas naturais e auxiliava no planejamento de longo alcance. Foram feitos esforços superficiais para reduzir a poluição do ar, mas pouca aplicação da legislação existente foi realizada, uma vez que a guerra começou.
O regime promovia o conceito de Volksgemeinschaft, uma comunidade nacional da etnia alemã. O objetivo era construir uma sociedade sem classes, baseada na pureza racial e na percepção da necessidade de se preparar para a guerra, conquista de uma luta contra o marxismo. A Frente Alemã para o Trabalho fundou a organização Kraft durch Freude (KdF; Força pela Alegria) em 1933. Além de tomar o controle de dezenas de milhares de clubes recreativos que anteriormente eram de gestão privada, a instituição oferecia diversos tipos de entretenimento, como cruzeiros, viagens para destinos de férias e concertos. A Reichskulturkammer (Câmara de Cultura do Reich) foi organizada sob o controle do Ministério da Propaganda, em setembro de 1933. Sub-câmaras foram criadas para controlar os vários aspectos da vida cultural, como cinema, rádio, jornais, artes plásticas, música, teatro e literatura. Todos os membros dessas profissões eram obrigados a participar de sua respectiva organização. Judeus e pessoas consideradas politicamente não confiáveis eram impedidas de trabalhar nas artes e muitas emigraram. Livros e roteiros tinham que ser aprovados pelo Ministério da Propaganda antes de sua publicação. As regras se deterioraram conforme o regime procurou usar as expressões culturais exclusivamente como meios de propaganda.
Arte e arquitetura
Hitler achava que as artes abstrata, dadaísta, expressionista e moderna eram decadentes, uma opinião que se tornou a base para a política do regime. Muitos diretores de museus de arte perderam seus cargos em 1933 e foram substituídos por membros do partido. A escola de arquitetura e design Bauhaus, foi fechada por ser considerada "antigermânica". Cerca de 6 500 obras modernas de arte foram retiradas dos museus e substituídas por obras escolhidas por um júri nazista. Exposições de peças rejeitadas, sob títulos como "Arte Decadente", foram lançadas em dezesseis cidades diferentes em 1935. A Entartete Kunst ("Exposição de Arte Degenerada"), organizada por Goebbels, aconteceu em Munique de julho a novembro de 1937. A exposição se mostrou muito popular, atraindo mais de dois milhões de visitantes.
Cinema
O cinema era popular na Alemanha dos anos de 1930 e 1940, com um público de mais de um bilhão de pessoas em 1942, 1943 e 1944. Em 1934 a regulamentação alemã que restringia as exportações de moeda tornou impossível para os cineastas estadunidenses levar seus lucros de volta aos Estados Unidos, de modo que os grandes estúdios de cinema fecharam suas filiais alemãs. As exportações de filmes alemães despencaram, visto que seu conteúdo fortemente antissemita tornava impossível exibi-las em outros países. As duas maiores empresas de cinema, a Universum Film AG e a Wien-Film, foram compradas pelo Ministério da Propaganda, que em 1939 estava produzindo a maioria dos filmes alemães. As produções nem sempre eram abertamente propagandísticas, mas geralmente tinha um subtexto político e seguiam as linhas partidárias sobre temas e conteúdos. Os roteiros eram pré-censurados.
As potências aliadas organizaram julgamentos de crimes de guerra, começando com os julgamentos de Nuremberg, realizados entre novembro de 1945 e outubro de 1946, que avaliaram 23 altos funcionários nazistas. Eles foram acusados de quatro crimes — conspiração para cometer crimes, crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade — que violavam as leis internacionais que regem as guerras. Com exceção de três dos réus, todos foram considerados culpados; doze foram condenados à morte. Os vitoriosos Aliados proibiram o Partido Nazista e suas organizações subsidiárias de funcionar. A exibição ou o uso do simbolismo nazista, tais como bandeiras, suásticas, ou cumprimentos se torna ilegal na Alemanha e na Áustria. A ideologia nazista e as ações tomadas pelo regime são quase universalmente consideradas gravemente imorais. Adolf Hitler, o nazismo e o Holocausto acabaram por se tornar símbolos do mal no mundo moderno. O interesse na Alemanha nazista continua ativo na mídia e no mundo acadêmico. O historiador Sir Richard J. Evans observa que a este período da história "exerce um apelo quase universal, pois seu racismo assassino permanece como um alerta para toda a humanidade".


