Alerta AMBER
Um Alerta AMBER ou uma Emergência de Rapto de Criança é um sistema de alerta de rapto de criança. Tem origem nos Estados Unidos em 1996. AMBER é oficialmente um acrónimo para America's Missing: Broadcast Emergency Response, mas foi-lhe dado este nome graças a Amber Hagerman, uma criança de 9 anos raptada e assassinada em Arlington, Texas, em 1996. Foram usados nomes regionais alternativos; na Georgia, "Levi's Call" ; no Havai, "Maile Amber Alert" ; no Arkansas, "Morgan Nick Amber Alert".
Os alertas são transmitidos usando o Sistema de Alertas de Emergência, que eram usados inicialmente para boletins de tempo, emergências civis ou emergências nacionais. Os alertas normalmente têm a descrição da criança e do provável raptor. Para evitar ter alertas falsos e ter alertas ignorados como "O Pastor Mentiroso e o Lobo", os critérios para emitir um alerta são restritos. Cada estado ou província tem os seus próprios critérios de activação, significando que existem diferenças entre alertar as agências sobre quais incidentes são considerados justificáveis para usar o sistema. Contudo, o Departamento da Justiça dos Estados Unidos fornece o seguinte "guia", que a maior parte dos estados diz ter "aderido proximamente" (nos Estados Unidos): Muitas agências policiais não usam o critério número 2, no que resulta em muitos raptos parentais seja emitidos no Alerta AMBER, onde não se assume que a criança está em risco de um ferimento sério ou morte. Em 2013, o Oeste da Virgínia passou a Lei Skylar para eliminar o ponto 1 como critério de lançamento do Alerta AMBER.
Incidentes que não correspondem a critério de alerta
Para incidentes que não correspondem a critério de Alerta AMBER, o Departamento da Justiça dos Estados Unidos desenvolveram um programa de Equipas de Resposta a Raptos de Crianças (CART) para ajudar as agências locais. Este programa pode ser usado em todos os casos de crianças desaparecidas e pode ser usado como parte de um Alerta AMBER ou quando um rapto ou desaparecimento não é inserido nos critérios do Alerta AMBER. A CART também é usada para ajudar a recuperar crianças fugitivas com menos de 18 anos e que estão em perigo. Desde 2010, 225 equipas de respostas foram treinadas em 43 estados, Washington, D.C., Porto Rico, Bahamas e Canadá.
O assassinato de Amber Hagerman foi um crime ocorrido em Arlington, Texas nos Estados Unidos. Amber Hagerman que havia apenas nove anos na época do crime, foi raptada e assassinada. Até hoje, não houve notícias de seu assassino, a repercussão do caso teve como consequência a criação do Alerta AMBER, nome dado em homenagem a garota e servindo de auxilio para famílias vitimas de crimes semelhantes.
O crime
O crime ocorreu quando Amber Hagerman foi com seu irmão Ricky até o estacionamento de um supermercado na cidade onde residiam, ambos eram acostumados a ir andar de bicicleta no local, pois era considerado um local calmo e sem riscos de acidentes. Após este dia, Amber nunca mais foi vista viva por seus familiares. Após horas brincando de andar de bicicleta com outras crianças, Ricky, seu irmão mais novo, decidiu ir para a casa tendo em vista seu cansaço; Já Amber decidiu continuar brincando com as outras crianças no estacionamento do supermercado. Após chegar em casa sozinho Ricky recebeu ordens da sua mãe Donna para que volta-se ao supermercado e trouxesse sua irmã para a casa, porem chegando no supermercado, Amber já havia sido raptada e não haviam mais crianças no local.
A busca
A policia da cidade tomou rapidamente as rédeas da situação e montou uma força tarefa com mais de 50 homens a procura da menina, os policiais paravam picapes escuras a procura de sinais de luta dentro do carro, abordavam homens que pareciam ter as características citadas por Jim. Rapidamente o caso tomou uma repercussão nacional e assim o FBI foi chamado e começou a ajudar no cerco policial, também faziam apelos nas redes de comunicações municipais e regionais atrás de alguma noticia do desaparecimento da garota. Porém todas as buscas feitas pela polícia e pelos familiares foram sem sucesso e não foram encontrado indícios da garota.
O corpo
No dia 17 de janeiro de 1996, um homem que passeava com seu cachorro por um riacho em Forest Hills a 8km de onde a Amber havia sido vista pela ultima vez, observou a agitação do cachorro e resolveu ir verificar o que incomodava tanto o cão, chegando ao local, o homem encontrou o corpo de uma menina. Prontamente após encontrar o corpo, o homem ligou para a policia relatando o fato. Chegando o reforço policial no local foi checado que o corpo em questão era de Amber, após investigação, o homem foi considerado apenas uma testemunha, tendo em vista que era comum que ele fizesse a mesma rota com seu cão varias vezes pela semana, e ao acaso ele encontrou o corpo de Amber.
Investigação
No local do crime os investigadores não conseguiram localizar maiores pistas. Na autópsia foi revelado que a menina havia sido espancada e abusada sexualmente. Foi feita uma busca e entrevista com réus anteriormente condenados por crimes do mesmo gênero, mas as buscas não foram eficazes, não levando a suspeito algum. O corpo estava degradado mesmo com pouco tempo de exposição ao tempo, segundo Mike Simonds, investigador principal do caso, esta degradação do corpo ocorreu pelo cuidado (ou a falta dele) ao arremessar o corpo no riacho, também pela forte exposição a umidade do riacho e das fortes chuvas que estavam caindo na região. Diante da falta de evidências no corpo e a falta de informações sobre o sequestrador, a polícia passou muito tempo investigando possíveis assassinos, porem não haviam ligações óbvias entre os suspeitos da policia e a cena da morte da garota.
Dias depois da morte de Amber, Donna Whitson foi "chamada para regular as leis sobre criminosos sexuais". Os pais de Amber rapidamente estabeleceram o People Against Sex Offenders (P.A.S.O. Pessoas Contra Criminosos Sexuais). Reuniram assinaturas com esperanças de conseguir que a legislação do Texas passasse mais leis que protegessem as crianças.[citation needed] A Igreja Internacional do Lugar de Deus doou o primeiro escritório para a organização, e enquanto a busca pelo assassino de Amber continuou, o P.A.S.O. recebeu cobertura quase diária na imprensa local. As empresas doaram vários equipamentos de escritório, incluindo computador e serviço de internet. O congressista Martin Frost com a ajuda de Marc Klaas, desenhou a Lei para Protecção das Crianças Amber Hagerman. Ambos os pais de Hagerman estiveram presentes quando o presidente Bill Clinton assinou e aprovou a lei, criando o registo nacional de criminosos sexuais. Whitson e Richard Hagerman começaram a recolher assinaturas no Texas, que tencionavam apresentar ao, na altura Governador, George W. Bush como sinal que as pessoas queriam mais leis severas para os criminosos sexuais.
Estados Unidos
Em Outubro de 2000, a Casa de Representantes dos Estados Unidos adoptou H.Res.605 o que encorajou as comunidades a nível nacional a implementar o Plano AMBER. Em Outubro de 2001, o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas que tinha declinado fazer parte do Alerta AMBER em Fevereiro de 1996, lançou uma campanha para ter sistemas de Alerta AMBER estabelecidos a nível nacional. Em Fevereiro de 2002, a Comissão Federal de Comunicações integrou oficialmente o sistema. Em 2002, várias crianças foram raptadas em casos que atraíram a atenção nacional. Um desses casos, o rapto e morte de Samantha Runnion, fez com que a Califórnia estabelecesse o sistema de Alerta AMBER em 24 de Julho de 2002. Segundo a Senadora Dianne Feinstein, no seu primeiro mês na Califórnia foram lançados 13 Alertas AMBER; 12 das crianças foram recuperadas em segurança e os restantes alertas foram considerados mal entendidos.
Canadá
O sistema do Canadá começou em Dezembro de 2002, quando Alberta lançou o primeiro sistema em toda a província. Na altura, a General Solicitadora de Alberta Heather Forsyth disse "prevemos que o Alerta AMBER seja acionado apenas uma vez por ano em Alberta. Esperamos que nunca tenhamos de o usar, mas se uma criança é raptada o Alerta AMBER será outra ferramenta da polícia para ajudar a encontrá-la e ajudar a trazê-la de volta a casa em segurança". O governo de Alberta comprometeu-se a gastar mais de 1 milhão de dólares canadianos para expandir este sistema de emergência para que pudesse ser usado com mais eficácia nos Alertas AMBER. Outras províncias canadianas rapidamente adoptaram o sistema, e em Maio de 2004, Saskatchewan era a única província que ainda não tinha estabelecido o sistema de Alerta AMBER. No ano seguinte, o programa estava em uso pelo país.
México
O México juntou-se aos esforços internacionais para espalhar o uso do Alerta AMBER numa cerimónia de lançamento oficial a 28 de Abril de 2011.
Expansão internacional
O Estado Australiano de Queensland implementou uma versão dos Alertas AMBER em Maio de 2005. Actualmente, existem sistemas de alerta activos em 16 países da União Europeia: Bélgica, Bulgária, Chipre, República Checa, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Roménia, Eslováquia, Espanha e Reino Unido. Os Alertas Europeus AMBER oferecem uma resposta da União Europeia ao objectivo dos mesmos (DG Justice) sobre os Alertas de Crianças, que determina que um alerta recente para raptos de crianças, com a cooperação das fronteiras, deve ser estabelecido em todos os 28 países da União Europeia. Os Alertas Europeus AMBER usam a mesma tecnologia do Plano de Alerta Holandês AMBER.
Segundo o Departamento da Justiça dos Estados Unidos, das crianças raptadas e assassinadas por estranhos, 75% são mortas nas primeiras 3 horas nos Estados Unidos. Os Alertas AMBER são designados para informar o público rapidamente quando uma criança foi raptada e está em perigo para que "o público tenha olhos adicionais e ouvidos de forças policiais". Em Agosto de 2013, o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas estima que 657 crianças foram recuperadas com sucesso como resultado da existência do programa de Alerta AMBER. Um estudo da Scripps Howard sobre os 233 Alertas AMBER lançados nos Estados Unidos em 2004 determinaram que a maior parte dos alertas lançados não correspondiam a critérios do Departamento da Justiça. 50% (117 alertas) foram categorizados pelo Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas como sendo "raptos familiares", na maior parte das vezes pais envolvidos em disputas de custódias. Houve 48 alertas de crianças que não tinham sido raptadas, mas estavam perdidas, fugidas, envolvidas em mal entendidos familiares (por exemplo, em duas situações onde uma criança estava com os avós), ou como resultado de partidas. Outros 23 alertas foram lançados em casos onde a polícia não sabia o nome da alegada criança raptada, normalmente como resultado de mal entendimentos das testemunhas que reportaram o rapto.
Controvérsias
Alguns entendidos que examinam o sistema do exterior estão em profundo desacordo com os resultados "oficiais". Uma equipa de investigadores liderada pelo criminologista Timothy Griffin reveu centenas de casos de rapto que ocorreram entre 2003 e 2006 e descobriu que os Alertas AMBER tiveram um papel não muito importante na eventual recuperação das crianças raptadas. Os Alertas AMBER tendem a ter "sucesso" em raptos relativamente vulgares, tais como quando a criança é levada no seguimento de uma questão de custódia ou por outro membro da família. Existem poucas provas que os Alertas AMBER "salvem vidas" de forma rotineira, apesar de um constrangimento crucial na pesquisa ter sido a impossibilidade de saber com certeza o que teria acontecido se não tivesse sido lançado alerta nesse caso em específico.
Os activistas das crianças desaparecidas estão preocupados que o público deixe de estar sensibilizado aos Alertas AMBER devido ao número de falsos alarmes, onde a polícia lança um Alerta AMBER sem seguir aos critérios do Departamento da Justiça dos Estados Unidos.
Os Alertas AMBER são normalmente mostrados em sinais electrónicos. A Administração Federal das Autoestradas instruiu os estados a mostrar Alertas AMBER em sinais de autoestrada de forma reduzida, citando preocupações de segurança que distraiam condutores e nos impactos negativos do congestionamento rodoviário. Muitos estados têm polícias no local que limitam o uso de Alertas AMBER em sinais de autoestrada. Em Los Angeles, um Alerta AMBER lançado em Outubro de 2002 que foi mostrado num sinal de autoestrada causou congestionamento rodoviário significativo. Como resultado, a Patrulha de Autoestradas da Califórnia decidiu não mostrar alertas durante a hora de ponta, citando preocupações de segurança. O estado do Wisconsin apenas mostra Alertas AMBER em sinais de estrada se se considerar apropriado pelo departamento de transportes e por uma agência de segurança pública. Os Alertas AMBER não substituem mensagens relacionadas com a segurança rodoviária.
Imagem: German Tenorio · BY-SA · Openverse
O Serviço Postal dos Estados Unidos lançou um selo comemorativo dos Alertas AMBER em Maio de 2006. O selo de 39 cêntimos mostra um desenho em pastel pintado pela artista Vivienne Flesher de uma mãe reunida com a sua criança, com o texto "Alertas AMBER salvam crianças desaparecidas". O selo foi lançado como parte da comemoração do Dia Nacional das Crianças Desaparecidas. Em 2006, um filme de TV, Amber's Story, foi transmitido na Lifetime. É protagonizado por Elisabeth Röhm e Sophie Hough. Um livro de banda desenhada chamado Amber Hagerman Deserves Justice: A Night Owl Story (Amber Hagerman merece justiça: Uma história de coruja nocturna) foi publicado por Wham Bang Comics em 2009. Virado para uma audiência adolescente pelo autor Jake Tinsley e pelo artista da Manga Jason Dube, conta a história de Amber, conta novamente a investigação do seu assassinato, e toca no efeito que a morte teve nas crianças mais novas e nos pais em todo o lado. O livro foi criado para promover o que era na altura uma investigação reaberta sobre o assassinato Arlington.


