Alexandre Mury
Alexandre de Carvalho Mury é um artista plástico brasileiro cuja obra se destaca pela interseção entre fotografia, performance e apropriação iconográfica. Seu trabalho consiste na recriação crítica de imagens consagradas da História da Arte e da cultura visual, reinterpretadas por meio do autorretrato performático. Indicado ao Prêmio PIPA em 2016, Mury investiga as relações entre identidade, memória e representação, tensionando os limites entre o erudito e o popular, o canônico e o subversivo.
Imagem: Mury · BY · Openverse
Alexandre Mury pertence à histórica linhagem suíça Murith, originária de Gruyères, da qual também faz parte o renomado botânico e cientista Laurent-Joseph Murith. No Brasil, a família estabeleceu-se a partir da imigração suíça de 1819 para a fundação de Nova Friburgo, trazida por François-Hilarion Murith a bordo do navio Camillus. Em solo brasileiro, a grafia original do sobrenome foi simplificada para Mury, conforme registrado na historiografia da colonização friburguense. Filho de um marceneiro e uma costureira, interessou-se pelas habilidades manuais no convívio com os pais. Começou a fotografar aos 16 anos. Em 1997, ingressou na Faculdade de Filosofia de Campos cursando Publicidade e Propaganda, que concluiu em 2001. Atuou como diretor de arte em agências de publicidade de 2001 a 2010, tendo residido em Vitória durante esse período. Em 2008, o marchand Afonso Costa convidou Mury para representá-lo após conhecer seus autorretratos na internet. Em 2009, suas obras foram adquiridas por grandes colecionadores como Joaquim Paiva e Gilberto Chateaubriand. Pouco depois, o MAM Rio incluiu seus trabalhos na mostra “Novas Aquisições 2007/2010”, marcando sua primeira exposição em um museu.
Imagem: Mury · BY-SA · Openverse
O trabalho de Mury reelabora o sentido original de seres mitológicos e ícones históricos. Em sua releitura de “Abaporu”, por exemplo, o artista realizou uma busca minuciosa por elementos reais que emulassem a composição de Tarsila do Amaral. Para a curadora Vanda Klabin, suas obras transcendem a fotografia, configurando-se como instalações temporárias e performances capturadas.


