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Mar de Aral

O mar de Aral foi um lago de água salgada, localizado na Ásia Central, entre as províncias de Aqtöbe e Qyzylorda, e a região autônoma usbeque de Caracalpaquistão. O nome refere-se à grande quantidade de ilhas presentes em seu leito. Este já foi o quarto maior lago do mundo com 68 000 km² de superfície e 1100 km³ de volume de água, mas tem encolhido gradualmente desde os anos 1960 após projetos de irrigação soviéticos terem desviado os rios que o alimentam. Em 2007 já havia se reduzido a apenas 10% de seu tamanho original, e em 2010 estava dividido em três porções menores, em avançado processo de desertificação.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Formação

O lago localiza-se numa bacia hidrográfica endorreica, isto é, onde as águas das precipitações e rios correm para uma depressão no solo, um ponto fechado onde se acumulam. No período Terciário (68 a 1,8 milhão de anos atrás) provavelmente aquela depressão estava conectada ao mar Cáspio, ao mar Negro, e a outros lagos próximos de mesma origem geológica e também de formação endorreica. Durante o Pleistoceno (de 1,8 milhão até 20 mil anos atrás) certamente ocorreu a separação e o isolamento final do mar de Aral, porém ele continuou a ser alimentado simultaneamente com as águas dos rios Amu Dária e Sir Dária, tornando-o um verdadeiro oásis no deserto da Ásia Central. Com o tempo, a água do lago passou a concentrar todo o sal trazido pelos rios, uma vez que a água acumulada continuou o seu ciclo, evaporando por milhares de anos.

Afluentes

As nascentes dos dois rios afluentes ficam nas altas montanhas do sistema do Himalaia e distanciam cerca de 2.000 km da foz. Durante toda esta extensão, os rios cortam quatro países (a saber: Afeganistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Usbequistão), sendo uma preciosa fonte de recursos naturais, com grande variedade biológica, em meio ao clima desértico. A indústria pesqueira era a principal atividade econômica da região. No século XX os dois rios passaram a receber lixo, esgoto e poluentes com o desenvolvimento das comunidades próximas, e foram alvo de sucessivas drenagens pelo governo soviético das repúblicas da Ásia Central. A partir de 1920 o fluxo dos rios diminuiu consideravelmente.

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História

Exploração humana inicial

A presença militar russa no mar de Aral começou em 1847, com a fundação da Raimsk, que logo foi rebatizado Aralsk, perto da foz do Sir Dária. Logo, a Marinha Imperial Russa começou a implantar os seus navios no mar. Devido à bacia do mar de Aral não estar ligada a outros corpos de água, os navios tiveram que ser desmontados em Oremburgo, no rio Ural, enviados por via terrestre para Aralsk (presumivelmente por uma caravana de camelos), e então remontados. Os dois primeiros navios, montados em 1847, eram as escunas de dois mastros chamado Nikolai e Mikhail. O primeiro foi um navio de guerra, enquanto o último um mercante que servia para o estabelecimento da pesca no lago grande. Em 1848, estes dois navios pesquisaram a parte norte do mar. No mesmo ano, um grande navio de guerra, Constantino, foi também montado. Comandado pelo tenente Alexei Butakov, o Constantino concluiu o levantamento de todo o mar de Aral em dois anos. O exilado poeta e pintor ucraniano Taras Shevchenko participou da expedição, e pintou uma série de esboços da costa do mar de Aral.

O encolhimento

O governo soviético começou a desviar parte das águas dos rios que alimentavam o mar de Aral, o Amu Dária (ao sul) e o Sir Dária (no nordeste) em 1918. Com o fim da I Guerra Mundial havia a necessidade de aumentar a produção de alimentos, tais como arroz, cereais e melões. Havia também planos de se produzir algodão no deserto próximo ao lago; o algodão sempre valorizado era chamado “ouro branco”. Nos anos 40 acelerou-se a construção dos canais de irrigação que captavam água dos afluentes do mar de Aral. O conhecimento rudimentar da técnica e engenharia produziu canais ineficientes (mal construídos), e havia perda de até 75% de toda água captada em vazamentos e evaporação.

Produção local

O mar de Aral abrigou uma indústria pesqueira considerável que, no seu auge, empregava cerca de 40 mil pessoas e produzia 1/6 de todo o pescado da União Soviética. Ainda é possível encontrar os restos dessa época de farta produção. O leito do lago, sem água, transformou-se num cemitério para as grandes embarcações que operavam na pesca. Além do pescado, a região deixou de produzir 500.000 peles de rato-almiscarado por ano, uma vez que a caça predatória e a escassez de água contribuíram para o desaparecimento do animal dos deltas do Amu Dária e do Sir Dária.

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Situação atual

Entre 1960 e 2018, a superfície do lago foi reduzida em 90% e o seu volume em 93%, deixando no seu lugar um grande deserto rico em sal. Em 1960 o mar de Aral era o quarto maior lago do mundo, com uma área aproximada de 68 000 km ², e um volume de 1 100 km ³. Em 1998, caiu para 28 687 km ², o oitavo maior lago do mundo. Durante o mesmo período, a salinidade do mar aumentou cerca de 10 g/l para cerca de 45 g/l. Em 1987 a redução gradual dos níveis de água acabou dividindo o lago em dois volumes separados de água, ao norte do mar de Aral e ao sul do mar de Aral, o último, por sua vez, dividido na zona central e na porção ocidental. Embora um canal tenha sido construído para ligar o norte e o sul, a conexão foi perdida em 1999 devido à queda cada vez mais acentuada do nível das águas. No entanto, foram feitas obras para preservar o norte do mar de Aral, incluindo-se a construção de barragens para garantir a preservação de um fluxo constante de água doce. Em outubro de 2003, o governo do Cazaquistão anunciou um plano para construir uma barragem de concreto, a barragem Kokaral chamado para separar as duas metades do mar de Aral, de modo que pudesse aumentar o nível de água nesse pedaço de terra original e reduzir os níveis de salinidade, o objetivo foi alcançado em 2007. Por razões econômicas, o sul do mar de Aral foi abandonado a sua sorte. Em sua agonia, está deixando enormes planícies de sal, que produzem tempestades de areia, que chegam a lugares distantes como o Paquistão e o Ártico,e fazem os invernos mais frios e os verões mais quentes Uma das tentativas para atenuar esses efeitos é a plantação de vegetação no fundo do mar antigo, a terra agora..

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Possíveis soluções

O futuro do mar de Aral é incerto. Não se sabe se é possível, viável e necessário recuperá-lo. Há diversas sugestões no sentido de ajudar em sua recuperação, tais como:

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Instalações de armas biológicas

Em 1948 se construiu um laboratório secreto de armas biológicas soviético na ilha localizada no meio do mar de Aral,, na ilha Vozrojdenia (Renascença), que agora é uma península, e é um território contestado entre o Cazaquistão e Usbequistão. Os detalhes sobre a história, funções e status atual desses recursos não foram divulgados. A base foi abandonada em 1992 depois da desintegração do exército soviético. Várias expedições científicas demonstraram que o local era usado para a produção, análise e eliminação de armas biológicas. Estes foram limpos, graças a um projeto internacional conjunto para limpar os aterros, particularmente aqueles de Anthrax,, é possível que esta seja a origem do Antraz (ou carbúnculo, às vezes erroneamente denominado antrax) dos ataques com antraz, em 2001.

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Desenvolvimento econômico

Ergash Shaismatov, vice-primeiro-ministro do Usbequistão, anunciou em 30 de agosto de 2006 que o governo do Usbequistão e um consórcio internacional composto por Uzbekneftegaz, LUKoil, a Petronas, Korea National Oil Corporation e da China National Petroleum Corporation assinaram um acordo de participação e produção para explorar e desenvolver depósitos de petróleo e gás no mar de Aral. O consórcio foi criado em setembro de 2005.

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