Alberto de Saxe-Coburgo-Gota
Alberto de Saxe-Coburgo-Gota foi o marido da rainha Vitória e Príncipe Consorte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda desde o casamento em 10 de fevereiro de 1840 até sua morte em 1861. Ele nasceu no ducado saxão de Saxe-Coburgo-Saalfeld em uma família com relações familiares com vários monarcas europeus. Aos vinte anos de idade, casou-se com sua prima direta Vitória, com quem teve nove filhos.
Francisco Alberto Augusto Carlos Emanuel nasceu em 26 de agosto de 1819 no Castelo de Rosenau, perto de Coburgo, Confederação Germânica, segundo filho do príncipe Ernesto III, Duque de Saxe-Coburgo-Saalfeld e a princesa Luísa de Saxe-Gota-Altemburgo. Sua futura esposa, a rainha Vitória, nasceu no mesmo ano com a ajuda da mesma parteira. Foi batizado na Igreja Evangélica Luterana no dia 19 de setembro de 1819 dentro do Salão Mármore de Rosenau com água tirada do rio Itz. Seus padrinhos foram sua avó paterna, a princesa Augusta de Reuss-Ebersdorf, seu avô materno Augusto, Duque de Saxe-Gota-Altemburgo; o imperador Francisco I da Áustria, o príncipe Alberto Casimiro, Duque de Teschen e o conde Emmanuel von Mensdorff-Pouilly. Seu tio-avô, Frederico IV, Duque de Saxe-Gota-Altemburgo, morreu em 1825. A morte levou a um rearranjo dos ducados saxônicos e, no ano seguinte, seu pai tornou-se o duque de Saxe-Coburgo-Gota.
Por volta de 1836, a ideia de casar Alberto com sua prima a princesa Vitória de Kent cresceu na mente de seu tio, o rei Leopoldo I da Bélgica. Na época, Vitória era a herdeira presuntiva do trono britânico. Seu pai, o príncipe Eduardo, Duque de Kent e Strathearn, o quarto filho do rei Jorge III do Reino Unido e da rainha Carlota de Mecklemburgo-Strelitz, morreu quando ela era apenas um bebê e seu tio, o rei Guilherme IV, não tinha nenhum herdeiro legítimo. Sua mãe, a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld, era irmã do pai de Alberto e do rei Leopoldo. O rei belga fez a duquesa convidar o Duque de Saxe-Coburgo-Gota e seus dois filhos para visitá-la em maio de 1836, com a intenção deles conhecerem a princesa. Guilherme IV, porém, desaprovava quaisquer casamentos com os Coburgo e insistiu em favor do príncipe Alexandre dos Países Baixos, o segundo filho de Guilherme, Príncipe de Orange. Vitória estava ciente dos vários planos para seu matrimônio e analisou criticamente todos os possíveis candidatos. Ela escreveu em seu diário, "Alberto é extremamente bonito, seu cabelo é da mesma cor do meu, os seus olhos são grandes e azuis e tem um lindo nariz e uma boca muito doce com bons dentes. Mas o charme do seu rosto é a sua expressão, que é muito agradável". Alexandre, por outro lado, era "muito simples".
A posição que o casamento colocou Alberto, apesar de distinta, também oferecia consideráveis dificuldades; nas palavras do próprio príncipe, "Estou muito feliz e satisfeito, porém a dificuldade de ocupar meu lugar com a dignidade adequada é que sou apenas o marido, não o senhor da casa". A criadagem da rainha era administrada por sua antiga governanta, a baronesa Louise Lehzen. Alberto a chamava de o "Dragão da Casa" e tomou atitudes para tirar a baronesa de sua posição. Dois meses depois do casamento, Vitória estava grávida. Alberto começou a assumir funções públicas; ele se tornou presidente da Sociedade pela Extinção da Escravatura (a escravatura já havia sido abolida no Império Britânico, mas a prática ainda era legal em lugares como os Estados Unidos e as colônias da França) e ajudou a rainha privadamente com a papelada do governo. Em junho de 1840, enquanto andavam de carruagem, Alberto e Vitória foram alvejados por Edward Oxford, que mais tarde foi julgado insano. Ninguém se feriu e o príncipe foi elogiado nos jornais por sua coragem e frieza durante o ataque. Alberto estava ganhando apoio público e influência política, que se manifestou de forma prática quando o parlamento aprovou a Lei de Regência de 1840 em agosto, o designando como regente caso Vitória morresse antes de seu herdeiro atingir a maioridade. A primeira filha do casal, Vitória, nomeada em homenagem a mãe, nasceu em novembro. Seguiram-se outros oito filhos nos dezessete anos seguintes. Todos os nove viveram até a idade adulta, um fato que a biógrafa Hermione Hobhouse credita a "influência esclarecida" de Alberto na saudável gestão do berçário. No início de 1841, ele conseguiu remover o controle universal que Lehzen exercia no berçário; em setembro do ano seguinte, ela deixou a Inglaterra permanentemente — para o alívio do príncipe.
Alberto foi eleito Chanceler da Universidade de Cambridge em 1847 depois de uma disputa contra o Conde de Powis, que foi morto acidentalmente por seu filho no ano seguinte enquanto caçava. O príncipe usou seu cargo para fazer campanha a favor de um programa de estudos universitários reformado e mais moderno, expandindo as matérias ensinadas para além da matemática tradicional e os clássicos a fim de incluir história moderna e ciências naturais. Naquele verão, Vitória e Alberto passaram suas férias sob chuva em Loch Laggan, oeste da Escócia, porém souberam de seu médico, sir James Clark, que o filho deste teve dias secos e quentes no Castelo de Balmoral, mais ao leste. Sir Robert Gordon, o inquilino de Balmoral, havia morrido em outubro e o príncipe começou a negociar com o Conde de Fife, o dono do castelo, para assumir o arrendamento. Em maio de 1848, Alberto arrendou Balmoral, que ele nunca tinha visitado, e em setembro, ele, a rainha e seus filhos mais velhos foram para lá pela primeira vez. Eles gostaram da privacidade do lugar.
Em 1852, Alberto conseguiu comprar Balmoral através de uma oportuna herança de John Camden Neild, e como de costume começou grandes programas de melhoramentos. No mesmo ano, o príncipe foi nomeado para vários cargos que ficaram vacantes após a morte do Duque de Wellington, incluindo a mestria da Casa Trinity e o posto de coronel dos Grenadier Guards. Sem o duque, Alberto conseguiu propor e fazer campanha pela modernização do exército, que estava muito ultrapassado. Ele aconselhou uma solução diplomática para um conflito entre o Império Russo e o Império Otomano por acreditar que os militares não estavam prontos para a guerra, e que um governo cristão era melhor que um islâmico. Palmerston era mais belicoso, sendo a favor de uma política que impediria uma expansão russa. Palmerston saiu do cargo em dezembro de 1853, porém na mesma época uma frota russa atacou uma otomana ancorada em Sinop. A imprensa de Londres chamou o ataque de um massacre, e a popularidade de Palmerston cresceu enquanto a de Alberto diminuiu. Em duas semanas ele foi renomeado ministro. Rumores absurdos começaram a circular enquanto a indignação pública crescia, incluindo um que falava que o príncipe havia sido preso por traição. Em março de 1854, o Reino Unido e a Rússia envolveram-se na Guerra da Crimeia. Alberto elaborou um plano para vencer a guerra, cercando Sebastopol a fim de fragilizar a Rússia economicamente, que se tornou a estratégia aliada quando o czar decidiu lutar puramente de forma defensiva. O inicial otimismo britânico logo esvaneceu quando foi relatado que as tropas estavam mal equipadas e foram mal organizadas por generais velhos e com táticas antigas. O conflito se estendeu já que os russos estavam tão mal equipados quanto seus oponentes. George Hamilton-Gordon, 4.º Conde de Aberdeen, o primeiro-ministro, renunciou e Palmerston assumiu o cargo. Um acordo posteriormente encerrou o conflito no Tratado de Paris. Durante a guerra, Alberto arranjou o casamento de sua filha Vitória, então com quatorze anos, com o príncipe Frederico Guilherme da Prússia, apesar de adiar o matrimônio até que a Princesa Real completasse dezessete. Ele esperava que a filha e o genro fossem uma influência liberal na expansão do Estado prussiano.
Alberto teve sérias dores de estômago em agosto de 1859. Durante uma viagem a Coburgo em 1860, ele estava andando de carruagem sozinho quando seus quatro cavalos se assustaram. Eles galoparam em direção de uma carroça parada em frente a trilhos de trem e o príncipe saltou para se salvar. Um dos cavalos morreu na colisão e Alberto ficou muito abalado, apesar de seus machucados terem sido apenas cortes e arranhões. Ele contou ao seu irmão e à sua filha mais velha que sentia que seu fim estava próximo. A Duquesa de Kent, mãe de Vitória e tia de Alberto, morreu em 1861 e a rainha ficou muito aflita. O príncipe assumiu várias funções da esposa, apesar de ele mesmo estar doente, com problemas crônicos no estômago. O último evento público que ele presidiu foi a abertura dos Jardins Reais Horticulturais, em junho de 1861. Em agosto, Vitória e Alberto visitaram um campo de treinamento militar, na Irlanda, onde o Príncipe de Gales servia o exército. Lá, o jovem conheceu uma atriz chamada Nellie Clifden.
A dor de Vitória foi enorme e os sentimentos tépidos que o público anteriormente havia sentido por Alberto foram substituídos por simpatia. A rainha usou preto em luto pelo resto de sua vida, e os quartos de Alberto em todas as suas casas foram mantidos do jeito que estavam, até mesmo com água quente sendo trazida de manhã e toalhas de linho sendo substituídas diariamente. Tais práticas não eram incomuns nas casas dos ricos. Vitória retirou-se da vida pública e sua reclusão corroeu alguns dos trabalhos do príncipe na sua tentativa de remodelar a monarquia como uma instituição nacional que estabelece exemplos morais e políticos. Alberto é creditado por apresentar o princípio de que a família real britânica deve permanecer acima da política. Vitória apoiava os whigs antes de se casar; por exemplo, no início de seu reinado ela conseguiu frustrar a formação de um governo tory por sir Robert Peel ao se recusar a aceitar as substituições que Peel queria fazer em suas damas-de-companhia.
Brasão
Ao se casar com a rainha Vitória em 1840, o príncipe Alberto recebeu seu próprio brasão, que era o brasão real de armas do Reino Unido diferenciado por um lambel de três pés com uma cruz vermelha no centro, em quartel com o brasão da saxônia. O brasonamento é: esquartelado, 1º e 4º, as armas reais, com uma lambel argente de três pés com uma cruz central goles; 2º e 3º, barry de dez em or e sable, uma coroa de lamento vert em banda. O peculiar brasão do príncipe foi um "exemplo singular do esquartelamento diferenciado de brasões, [que] não está de acordo com as regras da heráldica, e é em si uma contradição heráldica". Antes do casamento, ele usava o brasão do pai sem diferenciação.


