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Alfredo Stroessner

Alfredo Stroessner Matiauda OIC • OCIII foi um militar, ditador e político paraguaio sem partido, inicialmente filiado ao Partido Colorado, que atuou como Presidente do Paraguai sob um governo autoritário a partir de 15 de agosto de 1954, até que uma insurreição militar o tirou em 3 de fevereiro de 1989. Sua ditadura, de quase trinta e cinco anos, que também recebeu a denominação histórica de El Stronato, foi o segundo período mais longo em que uma única pessoa ocupou a sede do governo de um país sul-americano em modo contínuo, depois de Dom Pedro II do Brasil (1840-1889) e o terceiro maior da América Latina depois de Fidel Castro, em Cuba e Pedro II no Brasil.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/06/2026
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Primeiros anos

Alfredo Stroessner Matiauda nasceu em 3 de novembro de 1912, em Encarnación, no sul do Paraguai, na fronteira com Posadas, Argentina. Seu pai, Hugo Strössner, era um imigrante alemão natural do dorf bávaro de Hof, que chegou ao Paraguai por volta de 1895 e trabalhava numa cervejaria. Sua mãe, Heriberta Matiauda, cresceu em uma família paraguaia de classe alta, descendente de espanhóis crioulos.

Carreira militar

Aos 17 anos, seu tio Vicente Matiauda o ajudou a entrar no Exército, onde alcançou o posto de tenente dois anos depois. Participou da Guerra do Chaco (1932-1935) contra a Bolívia. Em 1948, aos 36 anos de idade, alcançou o posto de general de brigada, tornando-se o general mais jovem da América do Sul. Neste mesmo ano, em uma fracassada tentativa de golpe, Stroessner fugiu para a embaixada brasileira de Assunção no porta-malas de um carro, o que lhe rendeu a alcunha de "coronel do porta-malas". Em 1951, ingressou no Partido Colorado e foi nomeado Comandante Chefe das Forças Armadas.

Família

Alfredo Stroessner casou-se com Eligia Mora, mais conhecida como Ligia Stroessner. A data do casamento não é exata, mas ocorreu em meados de 1945. Eles tiveram três filhos: Gustavo, Hugo Alfredo e Graciela. Alfredo Domínguez Stroessner, filho de Graciela, foi senador. O casal foi separado à força após o exílio: ela fugiu para os EUA, enquanto ele recebeu asilo no Brasil. Embora mantivessem contato por telefone e ocasionalmente se encontrassem, não puderam viver juntos, e nem Stroessner nem seu filho conseguiram retornar ao Paraguai para o funeral dela. Stroessner também manteve casos extraconjugais antes e durante sua presidência. Segundo diversas fontes, alguns desses relacionamentos envolveram adolescentes de até 13 anos, e ele pode ter tido mais de 30 filhos ilegítimos. Os casos vieram à tona após sua queda, danificando ainda mais sua reputação.

Ascensão ao poder

Stroessner participou da Revolução de Pynandí ("pés descalços" em guarani), uma guerra civil na qual a classe trabalhadora de Assunção foi massacrada, encerrando o governo liberal e colocando o Partido Colorado no poder. Em 1954, foi promovido à divisão geral e, em maio do mesmo ano, liderou um golpe de estado que derrubou o presidente Federico Chaves de seu mesmo partido. O Conselho de Administração do Partido Colorado o elegeu candidato a presidente. Em 11 de julho de 1954, foi eleito presidente sem oposição e, em 15 de agosto, assumiu a presidência do Paraguai. Ele foi reeleito em oito legislaturas, nas quais também participaram candidatos do Partido Liberal, Partido Liberal Radical Autêntico e do Partido Revolucionário Febrerista.

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Carreira política: Presidência do Paraguai (1954-1989)

Consolidação de seu mandato

Já no poder, com o objetivo de acabar com 50 anos do que ele chamou de anarquia, mas que realmente era uma sucessão controversa de presidentes constitucionalistas, incluindo o próprio presidente Federico Chaves, democraticamente eleito pelo Partido Colorado, que ele destruiu através de sua ditadura para transformá-lo em um simples grupo de bajuladores, Stroessner imediatamente aboliu as garantias constitucionais, manteve as atividades dos partidos políticos sob controle e exerceu severa repressão. Ele governou com o apoio do Exército e do Partido Colorado. Neste último, ele realizou uma série de expurgos que facilitaram seu controle, com o objetivo de permanecer no poder. O partido do governo também se tornou uma rede dedicada à distribuição de favores. A corrupção se espalhou dessa maneira no que é lembrado como "a trilogia" das forças armadas do partido do governo.

Direitos humanos e repressão

Embora Stroessner fosse um líder muito repressivo e autoritário, ao longo dos anos ele foi mais tolerante com os partidos da oposição, como o Partido Liberal Radical Autêntico. Ao todo, durante seu regime, 336 pessoas foram assassinadas, 9 862 pessoas foram presos de forma arbitrária, 18 772 foram torturadas e 3 470 foram forçados a se exilarem, devido às suas políticas repressivas, especialmente os comunistas. Para fazer isso, usou tortura, sequestro e assassinatos políticos. No aspecto religioso, e apesar de conservador, Stroessner não teve boas relações com a Igreja Católica e foi responsável por várias ações contra ela. Destacam-se os conflitos de 1967, 1969 e 1988. Em 25 de agosto de 1967, Stroessner elaborou uma nova constituição, que permitiu uma reeleição única para o presidente, aplicável apenas a partir do mesmo ano mas, em 1977, ele o modificou para ser reeleito indefinidamente.

Política externa

No exterior, Stroessner em 1960 rompeu relações com o governo de Fidel Castro em Cuba, que havia dirigido a Revolução Cubana no ano anterior. Ele fez várias visitas de Estado, incluindo o imperador japonês, Hirohito, o presidente americano Lyndon B. Johnson, o presidente francês Charles de Gaulle e várias visitas à Alemanha Ocidental, já que ele era conhecido como pró-alemão, embora as relações com esse país estivessem se deteriorando ao longo dos anos. Além disso, o Paraguai também desenvolveu relações bilaterais com a África do Sul nos anos 70. Da mesma forma, ele foi o primeiro presidente estrangeiro a visitar o Chile após o golpe militar do general Augusto Pinochet em 1973. Dessa maneira, ele elogiou sua ditadura e se tornou seu amigo pessoal. Durante o governo de Stroessner, nenhuma nação socialista tinha relações diplomáticas com Paraguai, com uma única exceção da não-alinhada Iugoslávia.

Política econômica

Quando Stroessner chegou ao poder, ele encontrou uma grande crise social e econômica. Seu desafio como novo presidente era limpar a economia, mas sem implementar medidas de liberalização econômica. O crescimento começou a dar efeito no final dos anos 50. Durante a década de 60, a economia apresentou crescimento positivo e cresceu em média 4,2% do PIB. O crescimento moderado continuou até meados da década de 70. De 1976 a 1981, ocorreu um boom na economia devido à construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que permitiu um crescimento de 11% no PIB, ao mesmo tempo em que a corrupção e contrabando cresciam astronomicamente. Stroessner assinou um tratado com a Argentina, Brasil e Uruguai para permitir ao Paraguai exportar seus produtos. Este tratado foi renomeado como Tratado do Rio da Prata. A partir de 1982, a economia começou a se deteriorar à medida que o país era cada vez mais deixado fora da comunidade internacional pelas violações dos direitos humanos. O crescimento se estabilizou a partir de 1986 e a economia cresceu entre 3 e 4% do PIB.

Queda e fim do governo

Durante os anos 80, Brasil, Argentina e Uruguai retornaram à democracia e o povo paraguaio aproveitou esse clima político para sair às ruas para se manifestar. Tais manifestações foram lideradas pelo Acordo Nacional (PLRA, Febrerista) e pelos sindicatos, mas foram violentamente reprimidas, apesar de serem pacíficas. Como resultado, Stroessner foi abandonado por seus ex-aliados, como os Estados Unidos, e a economia piorou. Em 1987, foi realizada a Convenção do Partido do Colorado e a facção stronista. Seu partido planejava escolher seu filho mais velho, Gustavo Stroessner, como candidato, devido a rumores de que o ditador já sofria de uma doença, mas eles o escolheram. Nas eleições fraudulentas de 1988 ele obteve 88,8% dos votos. Nesse mesmo ano, ele recebeu o Papa João Paulo II no Paraguai.

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Exílio, pedidos de extradição e condenações

Imagem: Frank Scherschel · BY-SA · Openverse

Em 1992, Martín Almada, opositor da ditadura, do diário Noticias, através dos jornalistas Christian Torres, Zulia Giménez, Alberto Ledesma, José Gregor e entre outros, descobriram os chamados Arquivos do Terror, documentos que revelavam que Stroessner havia participado da Operação Condor, um acordo militar anticomunista para a perseguição de exilados, com o apoio das ditaduras militares da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador e Uruguai, que levaram à tortura, sequestro e assassinato de milhares de paraguaios e cidadãos dos países mencionados. Stroessner foi preso por alguns dias até ser exilado em Brasília, junto com sua filha Graciela, seu filho Gustavo e a esposa deste, María Eugenia Heikel; no ano de sua queda, 1989. No mês de setembro de 2000, um pedido de extradição foi despachado pelo juiz Rubén Dario Frutos, devido o desaparecimento e assassinato do médico Agustín Goiburú, conterrâneo de Alfredo Stroessner, em 1977; mas o Brasil se absteve de cumprir o pedido. Em 16 de outubro de 2003, Alfredo Stroessner foi convocado a retornar ao Paraguai após o juiz Arnaldo Fleitas determinar a sua prisão e solicitar que a Interpol fosse acionada pela polícia paraguaia para capturar o ex-presidente, no caso envolvendo o assassinato de Celestina Pérez, esposa do ativista de direitos humanos, Martín Almada. Além do ex-ditador, o antigo Ministro do Interior, Sabino Montanaro, então exilado nas Honduras, foi convocado para sua prisão.

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Morte e legado

Em 16 de julho de 2006, Stroessner foi submetido a uma operação em duas hérnias inguinais no Hospital Santa Lúcia de Brasília, com resultados satisfatórios nos primeiros dias, mas logo começou a sofrer uma complicação pulmonar que resultou em pneumonia e manteve o estado crítico até 16 de agosto de 2006, quando ele morreu por pneumonia, causada por estas complicações. Ele foi sepultado em 17 de agosto de 2006 no Cemitério Campo da Paz de Brasília, em uma cerimônia privada, onde apenas os seus familiares e amigos íntimos compareceram. Era planejado mudar os seus restos mortais ao Paraguai dentro de alguns meses, mas o governo paraguaio, presidido por Nicanor Duarte Frutos, anunciou que não iria receber o corpo de Stroessner com honras militares. Devido aos abusos eleitorais de Stroessner, a atual constituição do Paraguai limita o presidente a um único mandato de cinco anos, sem possibilidade de reeleição, mesmo que sem sucesso. A proibição de qualquer tipo de reeleição se tornou tão discutida na política paraguaia que, em 2017, quando um legislador debateu uma emenda que permitiria o então presidente Horacio Cartes concorrer à reeleição, protestos em massa obrigaram os colorados a abandonar esses planos. As violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura levaram em outubro de 2003, a promulgação da lei n° 2.225, que levou à criação da Comissão da Verdade do Paraguai, para investigar o paradeiro de pessoas desaparecidas e as violações dos direitos humanos. A má distribuição da terra faz que 5% dos proprietários possuem 80% da terra agrícola no Paraguai, um grande reflexo deixado pelo regime de Stroessner. Seu legado na sociedade paraguaia é controverso, com vários políticos elogiando seu trabalho pelo desenvolvimento do país, incluindo Mario Abdo Benítez e Jair Bolsonaro, ambos presidentes do Paraguai e Brasil, mas também inúmeras críticas da oposição, organizações não governamentais, a Igreja Católica e defensores dos direitos humanos.

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Fontes consultadas

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