Thomas Cochrane, 10.º Conde de Dundonald
Thomas Cochrane, 10.º Conde de Dundonald e Marquês do Maranhão GCB ODM IOC GCMC foi um oficial naval e político britânico que desempenhou um papel importante nas histórias militares do Reino Unido, Chile, Brasil e Grécia. Filho de um aristocrata escocês, Cochrane entrou na Marinha Real Britânica ainda jovem e destacou-se rapidamente como um bom navegador e estrategista.
Thomas Cochrane nasceu no dia 14 de dezembro de 1775 em Annsfield, Escócia, Grã-Bretanha, o filho mais velho de lorde Archibald Cochrane, 9º Conde de Dundonald, e sua esposa Anne Gilchrist. Ele tinha três irmãos: William Erskine Cochrane, que serviu no Exército Britânico, Archibald Cochrane, que se tornou oficial da Marinha, e Basil Cochrane, que serviu tanto na marinha quanto no exército. Seu pai herdou as dívidas da família assim que se tornou conde, em 1778, sendo incapaz de enviar os filhos para qualquer escola. Além disso Archibald Cochrane estava muito mais interessado em suas pesquisas químicas do que com a educação dos filhos. Foi a avó materna de Cochrane, Ann Roberton, quem conseguiu reunir dinheiro suficiente para a contratação de tutores, porém aparentemente nenhum deles se mostrou satisfatório. Os irmãos adquiririam apenas conhecimentos básicos das aulas formais e acabaram crescendo principalmente ao ar livre.
Cochrane entrou oficialmente na Marinha Real Britânica em 28 de julho de 1793, sendo designado para a fragata HMS Hind, comandada por seu tio. Ele tornou-se pupilo do primeiro-tenente John Larmour, a quem Cochrane posteriormente creditaria por ter lhe ensinado como ser um bom marinheiro. Os dois foram transferidos em outubro para a fragata HMS Thetis, que estava designada para o mar do Norte e oceano Atlântico. Cochrane foi promovido a tenente interino em janeiro de 1795, porém só foi tornar-se tenente oficialmente em 24 de maio de 1796, quando "completou" seis anos de serviço a bordo de navios e passou no teste de oficiais. Ele participou da captura de três embarcações francesas na costa dos Estados Unidos no verão de 1795. Foi transferido para o navio de linha HMS Resolution, a capitânia britânica na América do Norte, no verão de 1796. Cochrane viu pouca ação, com o Resolution passando a maior parte de seu tempo ancorado em Halifax ou na baía de Chesapeake. Ele às vezes costumava ir para terra, ficando horrorizado com tratamento dos escravos nas plantações norte-americanas. Em novembro de 1798 foi transferido sucessivamente para dois navios comandados por lorde George Elphinstone, 1º Barão Keith: o HMS Foudroyant e em seguida o HMS Barfleur. Este esquadrão estava designado no mar Mediterrâneo.
Em fevereiro de 1814 começaram a circular rumores sobre a morte de Napoleão. As alegações foram aparentemente confirmadas por um homem com uniforme vermelho de oficial do estado-maior identificado como coronel de Bourg, ajudante de campo de William Cathcart, 1º Conde Cathcart, o embaixador britânico na Rússia. Ele chegou a Dover vindo da França em 21 de fevereiro trazendo a notícia de que Napoleão havia sido capturado e morto pelos cossacos. Os preços das ações subiram acentuadamente na Bolsa de Valores em reação às notícias e à possibilidade de paz, particularmente nos voláteis títulos do governo parcialmente pagos chamados Omniums, que subiram de 26+1⁄2 para 32. No entanto logo ficou claro que a notícia da morte de Napoleão era uma farsa. A Bolsa de Valores estabeleceu um subcomitê para investigar, o qual descobriu que seis homens haviam vendido quantidades substanciais de ações da Omnium durante o boom de valor. O comitê presumiu que todos os seis eram responsáveis pela farsa e pela fraude subsequente. Cochrane havia se desfeito de toda a sua participação de £ 139 000,00 na Omnium (equivalente a £ 10 340 000,00 em 2021), que ele havia adquirido apenas um mês antes, e foi delatado por um dos seis conspiradores, assim como seu tio Andrew Cochrane-Johnstone e seu corretor da bolsa, Ricardo Butt. Em poucos dias um informante anônimo disse ao comitê que o coronel de Bourg era um impostor, sendo na verdade aristocrata prussiano chamado Charles Random de Berenger. Ele também foi visto entrando na casa de Cochrane no dia da farsa.
Marinha Chilena
Lord Cochrane deixou o Reino Unido em desgraça oficial, mas isso não encerrou sua carreira naval. Em 1817 ele colocou um aviso em um dos principais jornais de Londres informando que estava disponível para ir e servir às nações recém tornadas independentes na América ou em outros países. Em 1818, em Londres, ele foi recebido pelo representante enviado pelo general José de San Martín, José Antonio Álvarez Condarco, que o convenceu em maio a se juntar à causa da independência hispano-americana e ir ao Chile junto com vários oficiais britânicos. que também queriam ser contratados. Acompanhado por Lady Cochrane e seus dois filhos ele chegou a Valparaíso em 28 de novembro de 1818, momento em que o Chile estava organizando rapidamente sua nova marinha para a guerra de independência.
Marinha Imperial Brasileira
A convite do Império do Brasil, através do Decreto Imperial de 21 de março de 1823, Cochrane assumiu a patente de Primeiro-almirante, caso único na história do país em que uma patente foi concedida a um estrangeiro. José Bonifácio de Andrada e Silva, ministro do Interior e Relações Exteriores do Brasil, em carta datada de 13 de setembro de 1822, convidou "em nome do povo brasileiro" Lord Cochrane a entrar a serviço do Brasil. Cochrane assumiu imediatamente o comando-em-chefe da Esquadra, embarcando na nau Pedro I. Tomou parte nas lutas da independência da Bahia e do Maranhão em 1823 e recebeu de D. Pedro I o título de Marquês do Maranhão em 25 de novembro do mesmo ano.
Marinha Real Grega
Em agosto de 1825 Cochrane foi contratado pela Grécia para apoiar sua luta pela independência do Império Otomano, que havia implantado um exército formado no Egito para reprimir a rebelião grega. Ele teve um papel ativo na campanha entre março de 1827 e dezembro de 1828, mas teve sucesso limitado. Seu subordinado, o capitão Hastings, atacou as forças otomanas no Golfo de Lepanto, o que indiretamente levou à intervenção do Reino Unido, França e Rússia. Eles conseguiram destruir a frota turco-egípcia na Batalha de Navarino, e a guerra foi encerrada sob a mediação das Grandes Potências. Ele renunciou à sua comissão no final da guerra e voltou para a Grã-Bretanha.
Lord Cochrane herdou seu título de nobreza após a morte de seu pai em 1º de julho de 1831, tornando-se o 10º conde de Dundonald. Ele foi restaurado à lista da Marinha Real em 2 de maio de 1832 como Contra-almirante do Azul. O retorno total de Lord Dundonald, como era agora conhecido, ao serviço da Marinha Real foi adiado por sua recusa em assumir o comando até que seu título de cavaleiro fosse restaurado, o que levou 15 anos. Ele continuou a receber promoções na lista de oficiais, como segue: Ele continuou a receber promoções na lista de oficiais de bandeira, como segue: Em 22 de maio de 1847 a Rainha Vitória o renomeou como Cavaleiro da Ordem do Banho. Ele voltou para a Marinha Real, servindo como Comandante-em-Chefe da Estação da América do Norte e Índias Ocidentais de 1848 a 1851. Durante a Guerra da Criméia o governo o considerou para um comando no Báltico, mas decidiu que havia uma grande chance dele arriscar a frota em um ataque ousado. Em 6 de novembro de 1854 foi nomeado para o posto honorário de Contra-Almirante do Reino Unido, que manteve até sua morte.
Morreu em Londres em 1860 aos 85 anos durante uma cirurgia para extração de cálculos renais. Sua sepultura na Abadia de Westminster tem dimensões somente igualadas por outras duas, também no eixo central da nave: a sepultura dos Soldados Desconhecidos e, ao meio da nave, a do doutor David Livingstone. Mas a de Cochrane é a primeira de frente ao altar e fica no centro da nave.
José de San Martín o chamava de "Lord Filibusteiro" nas suas cartas a pessoas que realmente queriam uma América livre. A Marinha Real inclui Cochrane entre os doze heróis navais na sua história, dizendo que "Cochrane, cedo, estabeleceu reputação como um dos mais audazes e temidos comandantes".


