Maranhão
O Maranhão é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Encontra-se situado a oeste da região Nordeste. Possui como limites: ao norte, com o oceano Atlântico. A leste, com o Piauí. Ao sul e a sudoeste, com o Tocantins. E a oeste, com o Pará. Abriga uma superfície de 331 937,450 km², com cerca de sete milhões de moradores. São Luís é a capital. Conta com 217 municípios. São Luís, Imperatriz, São José de Ribamar, Timon, Caxias, Paço do Lumiar, Codó, Bacabal e Açailândia são as principais cidades.
Os tupinambás povoavam primeiramente a região, estes se achavam herdeiros do grande ancestral e herói “Maíra”, dessa forma o topônimo “Mairi”, empregado para representar o território tupinambá (hoje estados brasileiros do Maranhão, Pará e Amapá), com procedência no nheengatu, quereria dizer inicialmente a “terra dos filhos de Maíra” ou “território de Maíra”. Mas esta divindade foi relacionada aos “homens brancos” e, em especial, aos navegantes gauleses, denominados de “Maíras” ou “Mair”, e assim a região de “Mairi” começou a representar o “local dos franceses”. Segundo o historiador Francisco de Assis Barbosa, uma das várias etimologias propostas é o tupi-guarani para, “mar”, na, ana, “parecido”, e nhã, “partir, dirigir-se, descer”. Ou seja, o rio Marañón (“caju” em espanhol) era similar a um oceano que desce. Conforme o filólogo, linguista e lexicógrafo Antenor Nascentes, são inúmeras as etimologias sugeridas, todas elas não apropriadas e presume:
Período pré-cabralino
Os indícios mais remotos da ocupação humana no espaço maranhense remontam a cerca de 9 mil anos. Nos primeiros séculos de povoamento humano, a área interiorana do Maranhão era habitada por agrupamentos de caçadores e coletores, enquanto a faixa litorânea era ocupada pelos sambaquieiros e também por caçadores e coletores. Quando se iniciou a dominação europeia, o território maranhense era povoado por variadas etnias indígenas, como os tupinambás, tremembés, amanaiés, guajajaras, timbiras, gamelas e barbados, que foram vítimas de um extermínio durante a colonização, fazendo com que muitas nações desaparecessem. Nos séculos XVII e XVIII, com a colonização do Piauí, diversas tribos que habitavam aquela região deslocaram-se para o interior maranhense. Na atualidade, residem em áreas maranhenses as seguintes comunidades indígenas: guajajaras, guajás, caapores, tembés e timbiras (canelas, cricatis, gavião do Oeste e pucobié-gavião).
Primeiras expedições exploradoras
O primeiro europeu a desbravar o litoral maranhense teria sido o português Duarte Pacheco Pereira, em 1498, não havendo informações se ele teria desembarcado. Em 1500, o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón explorou todo o litoral setentrional brasileiro, entre Pernambuco e o delta do Amazonas. Desde 1524, a costa maranhense foi movimentada ilegalmente pelos franceses. Em 1531, Martim Afonso de Sousa exigiu que Diogo Leite desbravasse o litoral setentrional brasileiro. Ele veio para a embocadura do rio Gurupi, onde é hoje a divisa entre Maranhão e Pará. Na divisão da América em capitanias hereditárias, em 1534, o Maranhão foi fragmentado em dois quinhões. Um era concedido para Fernando Álvares de Andrade e outro para João de Barros e Aires da Cunha. A expedição organizada pelos três donatários em 1535, para começar a conquistar e povoar suas terras, fracassou, em um naufrágio próximo à ilha de Upaon-Açu. Em função disso, a capitania foi entregue para o monarca.
Período colonial
Em meados do século XVI, os franceses frequentaram o litoral do Maranhão e tentaram a colonização da região em 1612, ao criar a França Equinocial e fundar a cidade de São Luís, assim batizada em homenagem ao rei Luís XIII da França. No ano de 1615, o exército de Portugal derrotou essa colônia e, anos mais tarde, a chegada de portugueses vindos dos Açores fortaleceu finalmente o domínio português. Desde então, em função do grande desenvolvimento da região e dos desafios de conexão em relação ao resto do Estado do Brasil, em 1621, o então Estado do Maranhão foi criado pelos lusitanos, sendo subordinado diretamente ao Reino de Portugal, liderados pelo militar Jerônimo de Albuquerque, que desalojaram os franceses, com seu território se estendendo do Ceará até o Amazonas. Foi desmembrado do Estado do Brasil e pertencia diretamente ao Reino de Portugal.
Independência e Império
Inicialmente, o Maranhão não aderiu imediatamente à Independência do Brasil, por ter mais relações comerciais com Lisboa do que com o Rio de Janeiro. A aristocracia rural do interior maranhense aderiu primeiro às ideias independentistas e articulou um movimento para isolar São Luís, que era contrária à Independência. Com a ajuda de tropas mercenárias, lideradas pelo Lord Cochrane, o Maranhão aderiu à independência do Brasil em 28 de julho de 1823, quase 11 meses após o Grito do Ipiranga. Em 1824, os chefes cearenses da Confederação do Equador, que se encontravam no Maranhão com as tropas expedicionárias, fundamentais no processo da independência, mandaram emissários aos maranhenses, na certeza de que seu liberalismo os motivasse a fazer parte da revolta. Em 1829, foram reconhecidas declarações republicanas em Pastos Bons, à época o centro do movimento republicano e secessionista do estado, que daria origem à efêmera República de Pastos Bons.
Período republicano
Entre a declaração da república no Brasil, em 1889, ano em que o Maranhão foi promovido à condição de estado, e a Revolução de 1930, período conhecido na história do Brasil como República Velha, a região experimentou um princípio discreto de industrialização, com o progresso especialmente do segmento de tecidos e da transformação de cana-de-açúcar e arroz. A expansão tímida aconteceu sobretudo na Primeira Guerra Mundial, porque o Maranhão produzia óleo de babaçu para exportação. Entre 1930 e 1947, o Maranhão permaneceu sob intervenção federal, com interrupções em 1935 e 1937. Nessa época, penetraram no estado enormes multidões do Ceará, Piauí e de outros estados do nordeste do Brasil, as quais se fixaram nos vales dos rios Pindaré e Mearim, onde desenvolveram a rizicultura.
De relevo aplainado, o Maranhão possui 75% do território aquém de 200 m. Somente dez por cento do território do estado se encontram além de 300 m. Duas unidades compõem o quadro geomorfológico: a baixada litorânea, ao norte, e o planalto, ao sul. Prepondera na baixada um relevo de tabuleiros e morros, cortados em arenitos subordinados à série Barreiras. Em determinadas porções costeiras, principalmente na ilha de Upaon-Açu, localizada no centro do conhecido Golfão Maranhense, esse relevo alcança a linha costeira. Nas demais partes, se encontra isolado do oceano Atlântico por um cinturão de planícies aplainadas, expostas às enchentes durante a época chuvosa. É a baixada costeira em sentido estrito, que, no fundo do golfão, recebe o título de Perizes. A leste do Golfão Maranhense, essas terras apresentam uma característica de grandes areões com formações dunares. Estas pertencem ao litoral dos Lençóis, até a baía de Tutoia.
Clima
Na categorização meteorológica de Köppen-Geiger, o conjunto meteorológico predominante do estado do Maranhão é o tropical (classe A em Köppen), que no território se separa em duas modalidades, sendo elas, sucessivamente: o clima de monções (Am), que exibe um período mensal menos úmido (que geralmente ocorre no ou logo após o ápice invernal) com pluviosidade inferior a 60 mm, mas correspondente a mais de 4% da pluviosidade anual integral; no Maranhão, o clima de monções localiza-se na parte noroeste do estado, na fronteira com o Pará; e o clima de savana (Am/As), que mostra um período árido na estação fria (Aw) ou na estação quente (As), onde o período mensal menos úmido apresenta pluviosidade abaixo de 60 mm e corresponde a menos de 4% da pluviosidade anual integral. Essa é a modalidade meteorológica dominante no Maranhão, onde na faixa costeira o período árido ocorre na estação quente (As) e nas demais áreas do estado acontece na estação fria (Aw).
Litoral e fauna
A costa do estado do Maranhão constitui a segunda maior do Brasil, com 640 km de extensão, superando unidades federativas como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. O litoral tem vários recortes, especialmente entre a divisa Pará-Maranhão e o golfão maranhense, onde se localiza a ilha de Upaon-Açu. Suas paisagens mais importantes são, no sentido leste-oeste: ilhas do Caju, no delta do Parnaíba, do Paulino, Grande, baía de Tutóia, ilha de Santana, b. de São José, i. de Upaon-Açu, baías de São Marcos, de Cumã, de Mangunça. Ilha Campelo, São João, baía de Turiaçu, ponta da Mutuoca, i. da Trauíra e Dois Irmãos. A fauna estadual é abundante e rica. Na região dos Lençóis Maranhenses, por exemplo, existem diversas aves, como garças, tetéus, paturis, marrecas-de-asa-azul e gaivotas. Fundado em 2 de junho de 1981, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, situado entre as cidades de Primeira Cruz e Barreirinhas, constitui um paraíso ambiental. Possui 155 mil hectares de dunas de até 20 m de altura (denominados de “morrarias” pelos moradores da região), manguezais e lagoas.
A população do Maranhão no censo demográfico de 2022 era de 6 776 699 habitantes, sendo a 12.ª unidade da federação mais populosa do país, centralizando cerca de 3,34% da população brasileira e apresentando uma densidade demográfica de 20,63 moradores por quilômetro quadrado (a 16.ª maior do Brasil). Ao mesmo tempo, 50,9% eram mulheres e 49,1% homens, tendo uma razão de sexo de 96,58. A taxa de urbanização era de 70,93%. Em dez anos, o estado apresentou uma taxa de crescimento populacional de 0,25%. Dos 217 municípios maranhenses, somente um possuía população superior aos quinhentos mil: São Luís, a qual é capital. Outros oito possuíam entre 100 001 e 500 000 (Imperatriz, São José de Ribamar, Timon, Caxias, Codó, Paço do Lumiar, Açailândia e Bacabal), treze entre 50 001 e 100 000, 68 entre 20 001 e 50 000, 89 entre 10 001 e 20 000, 32 entre 5 001 e 10 000, 6 entre 2 001 e 5 000 e cinco até dois mil (São Raimundo do Doca Bezerra, Nova Colinas, Nova Iorque, São Pedro dos Crentes, São Félix de Balsas e Junco do Maranhão). São Luís, sozinha, possuía 15,4% do total de habitantes, além de ter a mais alta densidade demográfica quanto aos outros municípios (1 779,87 hab./km²), enquanto Alto Parnaíba, no noroeste, detinha a mais baixa (1,00 hab./km²).
Religião
A religião no Maranhão é marcada pela diversidade e sincretismo, refletindo a rica mistura de influências indígenas, africanas e europeias que compõem a história e a cultura do estado. O catolicismo continua sendo a fé predominante, fortemente presente nas festas religiosas tradicionais como o Festejo de São José de Ribamar (padroeiro do estado), Festa de São Raimundo Nonato dos Mulundus, Festejo de Nossa Senhora da Conceição e o Círio de Nazaré, que mobilizam milhares de fiéis todos os anos. A Província Eclesiástica de São Luís, encabeçada pela Arquidiocese de São Luís, lidera oito dioceses: Caxias, Zé Doca, Viana, Bacabal, Brejo, Coroatá, Pinheiro, Carolina, Balsas, Grajaú e Imperatriz.
Composição étnica, migração, povos indígenas e racismo
Os caucasianos, pardos, afro-brasileiros e povos indígenas compõem basicamente a população do Maranhão. No Brasil colonial, os povoadores franceses eram os primeiros que iniciaram a colonização no território maranhense. O Maranhão foi povoado por portugueses e acolheu imigrantes latino-americanos (cubanos, colombianos e peruanos), europeus (neerlandeses e italianos), africanos (angolanos, guineanos, togoleses, ganeses e beninenses) e asiáticos (sírios, libaneses, paquistaneses, japoneses e chineses). Segundo o Censo 2022, a população indígena no Maranhão era de cerca de 55 mil indivíduos, divididos em dezesseis grupos, que abrangem área de 1 908 089 hectares de extensão. Destes, merece destaque o mais extenso, a reserva indígena Alto Turiaçu, que compreende os municípios de Centro Novo do Maranhão, Maranhãozinho, Centro do Guilherme, Zé Doca, Santa Luzia do Paruá e Araguanã. Segundo dados divulgados por John Hemming, existiam mais de 1 milhão de indígenas no Maranhão durante o Descobrimento do Brasil, em 1500.
Hierarquia urbana e regiões metropolitanas
Exceto o extremo oeste do estado, pertencente à região influenciada por Belém, todo o território do Maranhão integra a área de polarização do Recife. A ação econômica da metrópole pernambucana é desempenhada no Maranhão por interferência de São Luís, para boa parte do território do estado, e de Teresina, cidade-sede do governo piauiense, para certas cidades localizadas perto da divisa Maranhão-Piauí, como Timon, Caxias, Matões e Coelho Neto. A RIDE da Grande Teresina foi fundada pela Lei Complementar Federal do Brasil n.º 112, de 19 de setembro de 2001, e estabelecida pelo Decreto Federal do Brasil n.º 4367, de 9 do mesmo mês de 2002. Por uma emenda constitucional de 1989, foi criada a primeira RM do estado: a Região Metropolitana de São Luís, que passou a existir mediante à ECE n.º 42, de 2 de dezembro de 2003. A Lei Complementar Estadual do Maranhão n.º 89, de 17 de novembro de 2005, criou a mais nova RM do Maranhão até então, a Região Metropolitana do Sudoeste Maranhense, cuja maior cidade em população é Imperatriz, na divisa Maranhão-Tocantins.
Segurança pública e criminalidade
No Exército Brasileiro, o Maranhão pertence ao Comando Militar do Norte (Belém) e, com o Pará, o Tocantins e o Amapá, integra a 8.ª Região Mil., tendo sede no estado o 24.º Batalhão de Infantaria Leve (São Luís). Na Marinha do Brasil, o Maranhão faz parte do 4.º Distrito Naval (o qual possui matriz em Belém), atuando no território estadual a Capitania dos Portos do Maranhão. Na Força Aérea Brasileira, o Maranhão conta com o Centro de Lançamento de Alcântara, a segunda base do gênero no Brasil e a única no estado. Segundo a Constituição Federal de 1988 e a Estadual de 1989, os órgãos reguladores da segurança pública no estado do Maranhão são a Polícia Militar do Maranhão, o Corpo de Bombeiros do Maranhão e a Polícia Civil do Maranhão.
O estado do Maranhão, da mesma forma que uma república, é administrado por três poderes, totalmente sediados na capital, São Luís. São eles: o executivo, constituído pelo governador do Maranhão. O legislativo (Assembleia Legislativa do Maranhão). E, por fim, o judiciário (Tribunal de Justiça do Maranhão e outros tribunais, e juízes). São símbolos do Maranhão a bandeira, o brasão e o hino. O poder executivo maranhense é desempenhado pelo governador do Maranhão. Este é sucedido, em seus impedimentos, pelo vice-governador do Maranhão, e assessorado pelos secretários estaduais. A matriz do governo estadual, o Palácio dos Leões, foi construída pelo capitão Jerônimo de Albuquerque e arquitetado por Francisco Frias de Mesquita, no forte de São Luís, edificado pelos franceses em 1612. A partir do início da república, tomou posse pela primeira vez do governo do estado Pedro Augusto Tavares Júnior, que se encontrava no poder de 17 de dezembro de 1889 a 3 de janeiro de 1890. Foi somente no ano de 1947, quando foi empossado o primeiro governador eleito pela população, Sebastião Archer da Silva.
Evolução territorial, regiões geográficas intermediárias e imediatas
O Maranhão era uma espécie de “mãe” para os estados do Piauí, Pará e Amazonas, outrora subordinados ao Estado do Grão-Pará e Maranhão. Este compreendia boa parte da Amazônia Legal, da região norte do Brasil e do Meio-Norte. Era conhecido por Maranhão, porque o rio Amazonas, que banha toda essa grande extensão de terra, em 1621, era chamado de Maranhão pelos indígenas. O Estado do Maranhão e Piauí surgiu como unidade política em 1772 com cinco vilas, sendo a mais antiga, São Luís, fundada em 1612. A última desse período foi Guimarães, criada em 1758. Com a Independência do Brasil, a província do Maranhão foi organizada em 1823 e naquele ano o território já se dividia em sete vilas. Do Império até a República, passou de sete vilas para 217 municípios. Constitui o décimo estado com o maior número e o quarto da região nordeste, atrás da Paraíba.
Entre as maiores empresas se destacam: Hiper Mateus, Cemar, Ferrovia Norte-Sul, Gera Maranhão, Viena, Frigotil e Gusa. O Maranhão é a 17.ª unidade federativa mais rica do Brasil, possuindo 1,4% da economia do país. O estado também é um grande exportador. Em 2019, foi a décima-terceira maior unidade federativa brasileira em exportação. Perde somente para Mato Grosso do Sul (2,4%), Goiás (2,9%) e Espírito Santo (3,4%). Depois vêm Santa Catarina (4%), Pará (7,6%), Paraná (7,2%), Mato Grosso (7,7%), Rio Grande do Sul (8,2%), Minas Gerais (11,2%), Rio de Janeiro (12,4%) e São Paulo (21,5%). O Maranhão participa com 1,6% do total. Seus produtos mais exportados foram, em 2022, soja (35%), óxido de alumínio (24%), celulose (13%) e milho não moído (10%).
Setor primário
O setor primário constitui o mais relevante e maior da economia maranhense ao nível nacional. No ano de 2013, a agropecuária respondia só por 2,7% do valor total adicionado à economia de todo o Brasil. A maior região agrícola do Maranhão é o meio-norte, em que estão situados os rios Mearim, Pindaré e Itapecuru. Ali está centralizada a maioria das atividades agrárias, criatórias e extratoras. A cotonicultura dominou o vale do rio Itapecuru nos séculos XVIII e XIX. No segundo semestre do século XX, começou a prevalecer nessa região a rizicultura, seguida da milhocultura, da mandiococultura, da feijocultura e da cotonicultura. O vale do Itapecuru é o maior cultivador de arroz do estado. Além disso, é ainda o principal plantador de coco de babaçu e possui a segunda maior criação de bois do estado. Os imigrantes nordestinos recolonizaram os sertões do Pindaré e do Mearim e igualmente o mameluco do Maranhão. Tais povos ocuparam-se da cultura do arroz. Depois, com tal esforço, o cultivo ultrapassou a casa dos milhares aos milhões de sacas. E a espécie Oryza sativa voltou a ser exportada ao restante do Brasil.
Setor secundário
O setor secundário constitui o menos relevante e menor da economia maranhense ao nível nacional. No ano de 2013, a indústria respondia só por 1,0% do valor total adicionado à economia de todo o Brasil. A disponibilidade de energia elétrica do estado procede da usina hidrelétrica de Boa Esperança, com 105 000 kW de potência implantada. Situada no Parnaíba, na unidade federativa do Piauí, perto da divisa Maranhão-Piauí, esta usina sucedeu integralmente às termelétricas em operação antes da década de 1970. A oferta de energia elétrica no estado cresceu com a entrada em funcionamento da usina hidrelétrica de Tucuruí, na entidade federada do Pará.
Setor terciário
O setor terciário constitui o segundo mais relevante e maior da economia maranhense ao nível nacional. No ano de 2013, os serviços respondiam só por 1,3% do valor total adicionado à economia de todo o Brasil. No primeiro semestre de 2024, o Maranhão registrou exportações no valor de 603,7 milhões de dólares e importações de 117,2 milhões de dólares. Já em 2023, as exportações somaram 1.679,1 milhões de dólares, enquanto as importações totalizaram 534 milhões de dólares. São Luís constitui o mais importante centro de turismo da unidade federativa. Possui quase 50% de sua superfície urbanizada catalogada (preservada e protegida contra mudanças) pelo IPHAN. Com tudo isso, a capital do Maranhão representa uma cidade de ruas curtas e históricos sobrados, dotados de fachadas de azulejo português.
Saúde
O Maranhão possui questões de saúde pública de alguma intensidade. No campo, é verificada a ocorrência endêmica de ancilostomose, malária, esquistossomose, etc. A rede de hospitais do estado, em 2009, abrangia 2 621 estabelecimentos com uma totalidade de 12 064 leitos, 10 214 médicos, 2 346 cirurgiões-dentistas, 4 059 enfermeiros, 1 515 farmacêuticos, 5 357 auxiliares de enfermagem e 4 922 técnicos de enfermagem. Em 2005, da população, 61,3% dos maranhenses possuem acesso à rede de água, enquanto 49,5% são beneficiados pelo esgoto sanitário. Segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2008, 50,4% dos maranhenses avaliavam sua saúde como boa ou ótima; 63,1% realizavam consulta médica periodicamente; 28,5% dos habitantes consultavam o dentista regularmente e 6,3% estiveram internados em leito hospitalar nos doze meses anteriores. 21,5% declararam ter alguma doença crônica e apenas 6,9% tinham plano de saúde. Outro dado significante é o fato de 63,8% terem declarado necessitar do Programa Unidade de Saúde da Família — PUSF.
Educação
Em 2018, foram registradas matrículas de 1 178 949 discentes, nas 9 690 instituições educacionais de ensino fundamental em Maranhão, das quais 438 eram do estado, 11 907 do município, 1 157 da iniciativa privada e quatro da União. No que diz respeito ao corpo docente, era também formado por 66 762 professores, dos quais 438 ensinavam em instituições de ensino do estado, 58 em escolas da União, 62 712 nas do município e 8 933 nas da iniciativa privada. O ensino médio, em 2018, era lecionado em 18 107 estabelecimentos com 311 830 discentes registrados por matrícula, atendidos por 1 051 docentes.[nota 2] Em 2015, a taxa de alfabetização estadual era de 81,1%, a 2.ª mais baixa do Brasil. A taxa de escolarização na faixa etária de 8 a 14 anos é de 16,9%. Em 2008, 33,2% da população maranhense é de analfabetos funcionais. O IDH-educação do Maranhão é o 9.º mais baixo do Brasil (0,562).
Transportes
As estradas de rodagem, que atravessam a unidade federativa, totalizam 6 873 km, das quais 3 165 são da União, 3 708 do estado, dos municípios e transitórias. As mais importantes rodovias do Maranhão constituem a São Luís-Teresina; a BR-135, que conecta a capital estadual com o povoado de Orozimbo, entre os municípios de Paraibano e Pastos Bons; a BR-226, que interliga Timon a Porto Franco, atravessando Barra do Corda; os segmentos estaduais da Belém-Brasília, que corta Imperatriz, e da Transamazônica, que atravessa a região sul do estado, saindo da cidade de Floriano, no Piauí, e alcançando Porto Franco. Segundo o relatório da Confederação Nacional do Transporte (CNT), 58,4% das estradas de rodagem em território maranhense se encontram em estado ruim, péssimo ou regular. Segundo os dados, foram analisados cerca de 4,6 mil km de prolongamentos de vias federais e estaduais que atravessam o estado. O estudo da CNT sugere que o estado tem apenas 34,1% em bom estado e 7,5% de rodovias em ótimo. O relatório considera os estados de pavimentação, sinalização, os pontos críticos e a geometria das vias.
Serviços e comunicações
No Maranhão, há diversas empresas de abastecimento de água. Em 136 dos 217 municípios maranhenses, a empresa de água e saneamento básico é a CAEMA. No que diz respeito à energia elétrica, há uma empresa em território estadual, Equatorial Energia Maranhão. O estado dispõe de um sistema eficaz de abastecimento de energia, recorrendo à Subestação da Eletronorte localizada no Distrito Industrial do Município de Imperatriz, além de estar bem perto das hidrelétricas de Serra Quebrada (em projeto) e de Estreito (1 087 megawatts). O estado do Maranhão visa variar sua matriz energética e também dispõe de usinas apropriadas: quatro com quantidade total de 1 428 MW, usando gás natural (Complexo Termelétrico Paraíba); duas com 330 MW, empregando óleo combustível (a Usina Termelétrica Gera Maranhão, em Miranda do Norte); uma com 360 MW, utilizando carvão mineral (Usina Termelétrica Porto do Itaqui); uma com 254 MW, aplicando biomassa (Usina Termelétrica Suzano Maranhão, que pertence à empresa Suzano Papel e Celulose); uma usina hidráulica com 1 087 MW (Usina Hidrelétrica de Estreito); e o Complexo Eólico Delta 3 com 221 MW. Hoje, o estado é mais produtor de energia que consumidor.
As manifestações artísticas destacadas no estado resultam das influências de brancos, indígenas e africanos que povoaram a região. Estes povos ajudaram a construir o que é conhecido como identidade cultural maranhense. As manifestações culturais e artísticas podem ser constatadas na música, no artesanato, na culinária, nas festividades religiosas populares, entre outros setores do cotidiano maranhense. O artesanato merece destaque como intensa e significativa expressão do folclore, colaborando para conferir uma característica singular do povo do Maranhão. Dentre os artigos manuais, podem ser encontrados os produtos fabricados com as fibras do buriti. Esta matéria-prima necessária é usada pelos artesãos para produzir bolsas, sandálias, chapéus, redes, etc. O estado também merece destaque pelas lindas cerâmicas, madeiras entalhadas, azulejaria, dentre outros artefatos. Os pratos mais importantes da culinária do Maranhão resultam da união da cultura da França, da Holanda, de Portugal, dos povos indígenas do Brasil e da África. Dentre os alimentos mais famosos, podem ser destacados, além de outras comidas menos importantes. São eles: o arroz de cuxá; a peixada ao leite de coco; o sorvete de bacuri. Os refrescos e musses de cupuaçu; a caldeirada de camarão e peixe. O licor de jenipapo; os vinhos de buriti. Os pudins e doces de buriti, bacuri, jenipapo, murici, caju, tamarindo, jaca, cupuaçu. Os frutos-do-mar como sururu, caranguejo, camarão, siri, robalo, pescada, curimbatá, tainha, surubim, mero, etc. A juçara; a panelada; a dobradinha, o sarrabulho, a carne-de-sol, mocotó, a galinha ao molho pardo, todos servidos com farinha-d'água. Bolos de tapioca e macaxeira; e o churrasco no sul do estado. O estado é berço de seu típico refrigerante, o Guaraná Jesus, criado pelo farmacêutico Jesus Norberto Gomes em 1927. A bebida se caracteriza pela combinação de cravo e canela, daí a cor rosa.
Acervo histórico e arquitetônico
O Maranhão abriga muitos monumentos históricos e arquitetônicos, vários deles catalogados por legislação federal. Serve como exemplo, o conjunto arquitetônico e paisagístico de Alcântara. Na capital, a Praça João Francisco Lisboa, a Praça Gonçalves Dias, e o largo próximo à igreja do Desterro. Há também o retábulo do altar-mor da catedral de Nossa Senhora da Vitória. A fonte do Ribeirão; a capela de São José e o portão da quinta das Laranjeiras; e o sambaqui do Pindaí. Outros monumentos famosos são, na capital, a pedra da Memória, honra ao coroamento de Pedro II do Brasil, a pirâmide do Bequimão. Há também as casas onde residiam os literatos maranhenses Graça Aranha, Artur Azevedo e Aluísio de Azevedo, as esculturas de João Francisco Lisboa e Gonçalves Dias. Podem ser citados também o palácio dos Leões, o Centro Histórico da Praia Grande e o palácio Arquiepiscopal. Em Alcântara, além dos inúmeros sobrados coloniais de azulejos portugueses, existe a praça Gomes de Castro, o forte de São Sebastião e o Farol. Em Caxias, a antiga indústria de tecelagem, convertida em centro cultural, e as ruínas do tempo da balaiada, no morro do Alecrim.
Museus, bibliotecas e turismo
São Luís comporta diversos museus. São eles: como o de Artes Visuais, com obras de pintores do Maranhão e azulejaria da Europa do século XIX. O da Cafuá das Mercês, antigo comércio de escravos. O Museu Histórico e Artístico do Maranhão; e o de Arte Sacra. Em Alcântara, existe um museu de arte sacra, com iconografia e móveis dos séculos XVIII e XIX. Há também o Museu do Folclore, com desenhos e bandeiras utilizadas na festa do Divino. O estado conta com 224 bibliotecas públicas, duas das quais em São Luís. Sobressaem a Biblioteca Pública Benedito Leite, a da Academia Maranhense de Letras e a da Faculdade de Direito da UFMA. A beleza da arquitetura colonial de São Luís e de Alcântara, os vários restaurantes típicos, as belas praias. O artesanato, a diversidade de parques nacionais e estaduais e a rede hoteleira contribuem para transformar o Maranhão em um dos estados brasileiros que mais recebem turistas. Além disso, tanto a capital como as cidades de Alcântara e Caxias compreendem um convidativo calendário de eventos. A Festa do Divino, promovida de maio a junho em Alcântara, é conhecida no Brasil inteiro. Em junho são realizadas as festas juninas, a festa folclórica Tambor da Crioula e o bumba-meu-boi.
Dança, música e teatro
A dança do lelê ou péla-porco constitui uma dança de salão de origem europeia, possivelmente francesa, apesar de possuir aspectos coreográficos da Península Ibérica. Embora seja uma dança pagã, ela pode ser apresentada em honra a determinado santo. A dança de São Gonçalo, originária de Portugal, é um bailado promovido em honra ao santo português São Gonçalo do Amarante, que vivia no século XIII. Já a dança do coco constitui uma coreografia de roda, entoada e complementada a partir de instrumentos musicais como pandeiro, ganzás, cuícas e palmas. Nasceu no interior do Maranhão, com a música dos trabalhadores nos babaçuais. O tambor de crioula, por seu turno, representa uma manifestação artística de origem afro-brasileira que contém coreografia, canto e percussão de tambores, sendo considerado patrimônio imaterial do Brasil pela Unesco e pelo IPHAN.
Festividades tradicionais e arquitetura
O Carnaval do Maranhão é caracterizado por uma imensa diversidade cultural, que apresenta manifestações africanas e indígenas, além do desfile das escolas de samba de São José de Ribamar e de São Luís. As festas de São João do estado também movimentam enorme quantidade de visitantes, com coreografia e culinária típica. Possivelmente trazida pela imigração açoriana no século XVII, a Festa do Divino Espírito Santo é outro costume, que normalmente se manifesta como um modo de sincretismo religioso. O patrimônio arquitetônico do Maranhão distingue-se pelo seu simples, uniforme e belo conjunto de casas. Legado do período colonial, os sobrados e solares são o reflexo dessas marcas herdadas pelo apogeu econômico no qual o algodão era produzido pelos senhores de engenho. A capital São Luís possui o mais extenso conjunto arquitetônico português da América Latina, sendo considerada pela Unesco, em 1997, como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Esportes
São filhos desta unidade federativa os medalhistas olímpicos Rayssa Leal, no Skate; José Carlos Moreira, no atletismo; e Nyeme Costa, no vôlei. Igualmente nasceu no estado Ana Paula, campeã internacional de Handebol em 2013. No futebol, o Maranhão marca bastante presença no âmbito nacional. Dentro do estado, todos os anos ocorre o Campeonato Maranhense, promovido pela Federação Maranhense de Futebol. O mais importante clube do estado é o Sampaio Corrêa, que ganhou três campeonatos nacionais, uma inédita Copa do Nordeste, além de ter vencido 37 títulos estaduais. Ao lado do Moto Club, organizam o Superclássico, tido como o maior clássico do Estado, com cerca de 316 confrontos, com jogos que se encontram dentre as mais altas médias de público nordestino.
Feriados
No Maranhão, há um único feriado estadual: o dia 28 de julho, data magna do estado, em homenagem à adesão da então província à independência do Brasil. Este feriado foi oficializado com o auxílio da Lei Estadual n.º 2.457, de 2 de outubro de 1964, alterada graças à Lei Estadual n.º 10.520, de 19 de outubro de 2016.


