Amadora
A Amadora é uma cidade portuguesa localizada na Área Metropolitana de Lisboa. Tem uma área urbana de 23,79 km2 e 171.500 habitantes em 2021, donde uma densidade populacional de 7.195 habitantes por km2.
O município da Amadora situa-se no norte da Área Metropolitana de Lisboa sendo limitado a oeste pelo município de Lisboa (freguesias de Benfica e, em parte, Carnide). O município de Oeiras (Carnaxide e Queijas, a sul e Barcarena, a sudoeste) situa-se a sul, enquanto que toda a faixa oeste e parte do norte do município são limitados por Sintra (Queluz, Belas e Casal de Cambra, respetivamente). Por fim, o município de Odivelas (Pontinha e Famões) restringe a vertente norte-ocidental da Amadora. O seu relevo, de altitudes moderadas, desenvolve-se maioritariamente entre os 50 e 200 metros de altitude, com um nível de rugosidade entre os 30 e 60%. É possível identificar, em traços gerais, três áreas morfológicas distintas no município, duas delas correspondentes às áreas mais elevadas (a norte e sul) e a terceira, uma depressão que ocupa a zona central e é confinada por estas áreas. Uma classificação mais detalhada permite a divisão em cinco unidades morfológicas. A primeira corresponde à Serra da Mira, de forma elíptica, localizada no extremo norte do município (Mina de Água) e confinada pelo rio da Costa e pela ribeira de Carenque. Desenvolve-se de nordeste para sudoeste, num total de 4 km de comprimento por 2 km de largura, e é atravessada por falhas que apresentam esta mesma direção e também nor-noroeste–su-sudeste. Geologicamente, compõe-se de formações carbonatadas e detríticas do Cretácico Inferior. É aqui que se encontra o ponto de maior altitude do município, de 273 metros.
Freguesias
O município da Amadora possui desde 2013 as seguintes seis freguesias:
Hidrografia
A Amadora é considerada um município de montante, visto que o seu território abrange os troços iniciais das quatro bacias hidrográficas que o drenam. A rede de drenagem concelhia é de pequena dimensão e reduzidos afluentes (baixa densidade), com um padrão tipicamente dendrítico e ângulos de confluência agudos. Todas as bacias que atravessam o município pertencem à Região Hidrográfica do Tejo, sendo os cursos de água tributários desse rio e desaguando no seu estuário após atravessar solos geralmente pouco permeáveis. Os cursos de água apresentam vários sentidos de escoamento, sendo que na metade ocidental e sul-oriental o sentido dominante é norte–sul e nas restantes áreas é noroeste–sudeste.
Clima
À escala da Peninsula Ibérica, e segundo a classificação climática de Köppen, o município da Amadora enquadra-se nos climas temperados de tipo mediterrâneo, encontrando-se numa área de transição entre dois subtipos climáticos mediterrâneos (Csa e Csb) com um pequeno ascendente de influências marítimas. A temperatura média anual situa-se nos 16.ºC e a precipitação média anual é de cerca de 740 mm. Deste modo, integra a Região Pluviométrica do Sul.
Pré-história
A área que hoje integra o município da Amadora foi ocupada continuamente desde o Paleolítico, dada a diversidade dos recursos cinegéticos, da fertilidade dos seus solos e da abundância de água. Um dos expoentes máximos desta ocupação remonta ao Calcolítico, com a Necrópole de Carenque. Estas grutas artificiais representam um novo tipo de sepulcro destinado à inumação coletiva abertos em rocha calcária branda, tendo paralelismos com as Grutas da Quinta do Anjo, de Alapraia e de São Pedro do Estoril. Entre os materiais encontrados no local encontram-se diversos objetos de cerâmica (como taças, copos canelados e taças campaniformes), artefactos elaborados em osso (agulhas e botões) e objetos líticos (lisos e decorados e elaborados em calcário, como enxós, cinchos; bem como placas de xisto e lúnulas) e metálicos (pontas de seta, lâminas e punhais). Estes objetos acompanhavam os mortos, ao lado de quem eram colocavadas armas e utensílios da usados durante a vida, recipientes com alimentos e objetos de adorno e simbolismo religioso. Atualmente, as suas réplicas integram a Mala Didáctica Municipal, destinada às escolas primárias do município. Alguns destes materiais permitem aferir que esta ocupação se tenha dado entre os IV e III milénios a. C..
Idade Antiga
A zona foi habitada continuamente e, pelos séculos II e III, os romanos já haviam deixado vestígios no município. O mais destacável é o Aqueduto Romano de Amadora, com origem na Barragem Romana de Belas. Também foram feitos outros achados, como a Vila Romana da Quinta da Bolacha, a Necrópole de Moinho do Castelinho e objetos de cerâmica (como púcaras).
Idade Média
Após o domínio árabe, durante a Idade Média, a região da Amadora ter-se-à mantido como um território de cariz rural, produzindo alimentos que abasteciam a cidade de Lisboa. Foi também explorado pelos seus recursos geológicos e serviu durante vários séculos de estância de veraneio para famílias abastadas de Lisboa.
Idade Contemporânea
O actual território da Amadora nasceu da divisão da antiga freguesia de Benfica, cortada pela Estrada da Circunvalação aquando da redefinição dos limites de Lisboa, em 1885-1886. A freguesia extramuros, chamada Benfica (Extramuros), ficou a pertencer ao concelho de Oeiras. O principal núcleo da freguesia era lugar da Porcalhota, então situado ao longo de um dos mais antigos e importantes eixos viários da região, a Estrada Real que ligava Lisboa a Sintra, e provido mais tarde de uma estação ferroviária. No entanto, o município possuía vários casais, entre eles os da Amadora, Venteira e Falagueira, próximos da Porcalhota. Em 1907, a população local pediu ao rei D. Carlos que permitisse a mudança de nome, situação a que o Ministério do Reino deu despacho, ordenando que todos estes núcleos urbanos tivessem a designação de Amadora em 28 de outubro de 1907.
O município de Amadora mantém desde 2021 a maior densidade populacional de Portugal com 7 637 habitantes por quilómetro quadrado. (Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)
Aqueduto das Águas Livres
Com o objetivo de suprir a falta de água que há muito existia em Lisboa foi construído, por ordem do Rei D. João V, o Aqueduto das Águas Livres que, captando a água de diversas nascentes a conduzia para Lisboa. As obras iniciaram-se em 1731 e foram concluídas em 1748. Este projeto inspirou-se na antiga Lisboa romana que, ao que tudo indica, era abastecida por um aqueduto alimentado por uma barragem na zona de Belas, cujas ruínas, tanto da barragem como do aqueduto, ainda hoje subsistem. Na Amadora, o Aqueduto é alimentado por uma série de aquedutos subsidiários, na sua maioria subterrâneos, e entre as principais estruturas do monumento contam-se: a Mãe-de-Água Nova, o Aqueduto de São Brás, o Aqueduto das Galegas, as Arcarias na Damaia e o Aqueduto das Francesas. O Aqueduto, durante o século XVIII, apenas transportava a água para Lisboa, havendo apenas um chafariz na Amadora na aldeia da Falagueira. No século XIX foram construídos mais chafarizes, alimentados pelo Aqueduto, para servir as povoações locais na Damaia (1826), em Carenque (1836) e na Porcalhota (1850). O Aqueduto Geral das Águas Livres, com os seus inúmeros aquedutos subsidiários, condicionou toda a ocupação subsequente na Amadora, incluindo a configuração da linha de caminho de ferro, cuja inauguração da estação da Porcalhota ocorreu em 1887.
O município da Amadora é administrado por uma câmara municipal (o órgão executivo do município) composta por um presidente e 10 vereadores, e por uma assembleia municipal (o órgão deliberativo do município), constituída por 39 deputados municipais (dos quais 33 eleitos diretamente). O cargo de presidente da Câmara Municipal é atualmente ocupado por Vítor Manuel Torres Ferreira, que assumiu a presidência em julho de 2024, após a renúncia ao mandato de Carla Maria Nunes Tavares, que havia sido reeleita nas eleições autárquicas de 2021 pelo Partido Socialista, tendo maioria absoluta de vereadores na câmara (7). Existem ainda três vereadores eleitos pela coligação Dar Voz à Amadora (PPD/PSD.CDS-PP.A.MPT.PDR) e um pela CDU (PCP-PEV). Na Assembleia Municipal, o partido mais representado é novamente o PS, com 15 deputados eleitos e 6 presidentes de Juntas de Freguesia (maioria absoluta), seguindo-se a coligação Dar Voz à Amadora (9 - 7 do PSD e 2 do CDS), a CDU (4; 0), o BE (2; 0), o CH (2; 0) e o PAN (1; 0). O Presidente da Assembleia Municipal é António Ramos Preto, do PS.
O município encontra-se inserido nos Transportes Metropolitanos de Lisboa. Os passes públicos acessíveis são o Navegante Municipal (30 €), válido em todos os transportes coletivos de passageiros dentro dos limites do município, e o Navegante Metropolitano (40 €), válido em todos os transportes coletivos de passageiros dentro da Área Metropolitana de Lisboa. No transporte rodoviário, a Amadora é servida por dois serviços: a Carris, que opera algumas ligações ao município de Lisboa, e a Carris Metropolitana, que assegura as ligações dentro do município e aos municípios vizinhos de Lisboa, Odivelas, Oeiras e Sintra. Em termos de infraestruturas, as principais artérias rodoviárias consistem na A9 (CREL), A16 (IC16), A36 (CRIL), A37 (IC19) e EN117 (Recta dos Cabos Ávila). As infraestruturas ferroviárias que atravessam o município consistem na Linha Azul do Metropolitano de Lisboa e na Linha de Sintra, da rede de comboios urbanos de Lisboa da CP. Existem três estações de metro: Reboleira, Amadora Este e Alfornelos. Existem três estações de comboio: Estação Ferroviária de Santa Cruz-Damaia, Estação Ferroviária da Reboleira e Estação Ferroviária de Amadora.
Censos 2021 - Deslocações e Movimentos Pendulares
Cerca de 51 mil amadorenses, 32% da população, desloca-se diariamente para os municípios vizinhos para trabalhar ou estudar. A duração média desses movimentos pendulares é de cerca de 25 minutos. O principal destino é o município de Lisboa, para onde se deslocam 35 mil amadorenses, 20% da população. Os destinos seguintes dos amadorenses, longe desses valores, são Sintra, com 4 mil movimentos, e Oeiras, com 5 mil movimentos. Nas deslocações para Lisboa, 16 mil utiliza o automóvel (45%), 5 mil o autocarro (14%), 5 mil o metropolitano (14%) e 5 mil o comboio (14%). Considerando os movimentos para todos os municípios vizinhos, os meios mais utilizados são o automóvel (26 mil, 51%), o autocarro (10 mil, 20%), o comboio (7 mil, 14%) e o metropolitano (6 mil, 12%).
Expansão da Rede de Metropolitano de Lisboa na Amadora
O Plano de Expansão do Metropolitano de Lisboa 2010/2020, apresentado em 2009 pela então Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, apresentava o projeto de expansão da Linha Azul para o interior do concelho da Amadora, consistindo no prolongamento da linha em 2,5 km, com três novas estações: Atalaia, Amadora-Centro e Hospital.
Projeto do Metro Ligeiro de Superfície Algés - Loures
Em 2004 a secretaria de Estado dos Transportes anunciou o inicio do projeto do metro ligeiro de superfície entre Algés e a Falagueira (Amadora). A nova infra-estrutura visava reforçar a mobilidade na Grande Lisboa ao ligar as linhas ferroviárias de Cascais e de Sintra, assim como a ligação ao Metropolitano de Lisboa na Amadora-Este (Falagueira). A linha Algés – Falagueira contemplava 7 paragens em Oeiras, Algés (interface com a estação da CP), Algés-Centro, Algés-Norte, Algés-Miraflores, Miraflores, Outurela e Quinta do Paizinho, e 8 paragens na Amadora: Bairro do Zambujal, Alfragide, Alfragide/IC19, Damaia, Damaia (interface com a estação da CP), Venda Nova, Venda Nova Norte e Falagueira (interface com a linha azul do Metro na Amadora-Este). A distância média entre cada paragem seria de 530 metros e o tempo de viagem vinte minutos. Com o objectivo de ser criada uma circular de metro ligeiro de superfície, concluída esta etapa do projecto, a segunda fase seria a ligação entre a Falagueira (Amadora) e Odivelas \ Loures.
Em 2020 a Amadora ocupava a 9ª posição no ranking de incidência de crimes na Área Metropolitana de Lisboa. O Índice Criminal por 1000 habitantes passou de 41,3 crimes em 2013 para 27,2 crimes em 2020. Desde do ano 2000, a Polícia Municipal da Amadora é um serviço integrado na estrutura da autarquia da Amadora e tem como missão fiscalizar o cumprimento das leis e regulamentos municipais, cooperando com as forças de segurança na manutenção da ordem e tranquilidade públicas. Em 2022, o município da Amadora está coberto com 103 câmaras de videoproteção, distribuídas por cinco das seis freguesias do concelho em vários espaços públicos. Com vista a assegurar a cobertura integral do concelho, foi decidida a instalação de mais 38 câmaras na freguesia de Alfragide no decurso do ano 2023, passando o sistema a contar com um total de 141 câmaras. As câmaras funcionam ininterruptamente, 24 horas por dia, sem captação de som, e a sua gestão compete exclusivamente à Polícia de Segurança Pública.
Ao longo dos anos, a Amadora tem investido na construção e manutenção de diversos espaços verdes, pensados para passear ou simplesmente relaxar e desfrutar de um local aprazível e alternativo ao bulício da cidade típico do contexto urbano do município.
Como hospital público, a Amadora partilha com Sintra o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, também conhecido como Amadora-Sintra. Tem também no seu território três hospitais privados: o da Luz, o da Trofa e as Lusíadas.
Sendo uma cidade com uma forte componente residencial, a Amadora apresenta parques comerciais, indústrias e sedes de empresas relevantes e importantes a nível nacional. Como parques comerciais, tem o IKEA, Decathlon, Continente e o UBBO (um dos maiores centros comerciais de Portugal). A Amadora tem também as sedes de algumas empresas internacionais a operarem em Portugal como a Siemens, a Nokia e a Roche. Tem também as fábricas dos rebuçados Dr. Bayard , na freguesia da Venteira, e a fábrica de vidro da BA Glass, na freguesia da Falagueira-Venda Nova. A nível de administração pública, tem o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e Estado Maior da Força Aérea (EMFA) no seu território.


