Povos ameríndios
Os povos ameríndios são os habitantes originários das Américas antes da chegada dos europeus e os seus descendentes atuais. Seus ancestrais vieram da região do Nordeste da Ásia e Sibéria e chegaram às Américas há aproximadamente 20 mil anos, provavelmente pela travessia a pé da massa de terra da Beríngia, onde atualmente está o Estreito de Bering.
Origem
Os ancestrais dos povos indígenas da América se separaram dos povos da Ásia Oriental entre 35 e 25 mil anos atrás e migraram em direção ao norte, alcançando o leste da Sibéria, aonde se miscigenaram com os Antigos Eurasiáticos do Norte - uma população antiga da Sibéria e Ásia Central - em algum momento entre 20 e 25 mil anos atrás. Dessa mistura surgiram os ancestrais diretos das populações do extremo nordeste da Sibéria e dos povos indígenas da América (paleoíndios). A migração dos paleoíndios da Sibéria para a América do Norte ocorreu há cerca de 20 mil anos, provavelmente por meio da travessia da Beríngia, mas também é proposta uma rota alternativa por navegação próxima à costa. Rapidamente, ao longo dos milênios seguintes, os descendentes desses asiáticos seguiram ao sul, povoando o continente americano. A tese da origem siberiana dos ancestrais dos ameríndios já foi comprovada por diversos estudos genéticos.
Genética
De acordo com um estudo genético autossômico de 2012 e depois outros mais tarde, os ameríndios descendem de pelo menos três correntes provenientes do Leste e Nordeste da Ásia. Grande parte descende diretamente de uma única população ancestral, chamada "primeiros americanos". Contudo, os esquimós e aleútes do Ártico herdaram quase metade da sua ancestralidade de uma segunda corrente vinda do leste asiático, e os que falam as línguas na-dene por sua vez, herdaram a décima parte da sua ancestralidade de uma terceira corrente. O povoamento inicial seguiu uma expansão para o sul, pela costa, com pouco fluxo gênico posterior, especialmente na América do Sul. Uma exceção a isso são os chibchas, que têm ancestralidade tanto do norte como do sul da América.
Técnicas agrícolas
O desenvolvimento da agricultura das sociedades pré-colombianas pode se comparar ao europeu, pois esta era desenvolvida há mais de 7 000 anos, baseada nas culturas de milho, abóbora e feijão, todos naturais da América, além da mandioca, que era plantada nas áreas de floresta tropical. O desenvolvimento de outras culturas além destas foi limitado, pois havia poucos animais domesticáveis, como a lhama para puxar o arado. Isto fez com que o desenvolvimento de outras diversas culturas. Apesar de os viquingues, ou nórdicos, terem explorado e estabelecido bases nas costas da América do Norte a partir do século X e terem aí deixado marcas, como a runa de Kensington, estes exploradores aparentemente não colonizaram a América, limitando-se a tentar controlar o comércio de peles de animais e outras mercadorias da região. Por outro lado, a colonização europeia das Américas mudou radicalmente as vidas e culturas dos nativos americanos. Entre os séculos XV e XIX, estes povos viram as suas populações devastadas pelas privações da perda das suas terras e animais, por doenças e, em muitos casos por guerra. O primeiro grupo de nativos americanos encontrado por Cristóvão Colombo, estimado em 250 mil aruaques do Haiti, foram violentamente escravizados e apenas 500 tinham sobrevivido no ano 1550; o grupo foi extinto antes de 1650.
Tabus e crenças alimentares
Embora os ameríndios tivessem a disposição uma grande variedade de fontes de alimentos animais, vegetais e até minerais, alguns eram vedados em determinas circunstâncias. A proibição podia ser imputada ao sexo masculino ou feminino ou à idade da pessoa devido a: a algum rito de passagem; aos parentes com o nascimento ou falecimento de algum membro da família; em casos de doenças; nos períodos de parto, menstruação e gravidez; quando o animal é venenoso ou por ter um gosto ruim; por ser animal de estimação; pelo fato do animal ser fêmea grávida; a rituais de caça, pesca ou guerra e em várias outras situações. Nas suas atividades de caça, pesca, coleta e preparo de alimentos os indígenas das Américas obedeciam as regras ditadas pelas crenças e por tabus. Algumas dessas proibições tinham motivo lógico para existirem como, por exemplo, por se tratar de alimentos venenosos ou que causavam problemas no organismo. Contudo, muitos se enquadravam na classe de tabus mágicos ou crenças. É importante ressaltar que vários povos ao longo da história impunham e ainda impõe restrições e permissões alimentares, valendo lembrar que há vários exemplos na Bíblia como a proibição de vários alimentos que Moisés prescreveu ao seu povo. Alguns alimentos são entendidos como representativos de coisas e entidades como, por exemplo, o pão e o vinho que na liturgia da Igreja Católica são vistos respectivamente como a carne e o sangue de Jesus Cristo.
Puberdade e menstruação
Quando se entrava na puberdade havia um ritual chamado Kariamã entre os povos do baixo Rio Içana da Colômbia e Brasil. Nele a pessoa ficava cerca de quinze dias em reclusão, findo os quais era trazida para a casa do pai e colocada ao lado de um recipiente com beijus, outro com quinhampira, outro com dois tipos de peixe cozido, uma cabeça de peixe cru e uma minhoca. Alguém da família fazia um longo discurso permeado de conselhos, no fim do qual fazia o(a) iniciado(a) tocar com os dedos e depois com os lábios a cabeça de peixe e depois a minhoca. A pessoa podia então provar os alimentos dos recipientes, que lhe eram dados por quem fez o discurso. Outra pessoa adulta fazia novo discurso e nova prova dos alimentos. Por fim o pai servia um pouco do alimento à pessoa e depois a açoitava. Quando a iniciada era moça, podia, a partir deste dia, preparar e se alimentar de peixe e caça (embiara) sem sofrer nenhum mal. Os Kamaiurá do Mato Grosso ofereciam aos jovens na puberdade, que ficavam reclusos por dois ou três meses, apenas água, cauim (sem fermentar) e peixes não ofensivos.
Casamento, gravidez e parto
As mulheres casadas dos Guaicurus do Mato Grosso e Paraguai eram proibidas as carne de anta e capivara. Nativos da região acreditavam que as recém-casadas do rio Uaupés, que traiam o marido, à noite transformavam-se em antas e saiam para pastar, mas deixavam suas pernas na rede e voltavam de madrugada. Se o marido colocasse as pernas da esposa no lado oposto da rede, no outro dia a adúltera iria sentir fortes dores nos quadris. Índias dos Guayquirie da Venezuela eram submetidas por quarenta dias antes do casamento a uma ração diária de três frutos de palmeira, cerca de noventa gramas de um tipo de beiju de mandioca e um pequeno pote de água. No dia do casamento uma vasilha de comida era colocada na mata para que o espírito do mal não atrapalhasse a festa.


