Anschluss
Anschluß ou Anschluss é uma palavra do idioma alemão que significa conexão, anexação, afiliação ou adesão. É utilizada em História para referir-se à anexação político-militar da Áustria por parte da Alemanha em 1938.
A Áustria, na tradição do Império Austro-Húngaro, era uma nação multiétnica e multicultural. Em Viena e nas principais cidades austríacas viviam pessoas que falavam línguas diversas (alemão, húngaro, checo, croata, iídiche etc.) e praticavam as mais diferentes religiões (católicos - cerca de 73,6% da população, luteranos, judeus, cristãos ortodoxos). O imperador da Áustria tinha sido a figura política que tinha dado coesão à sociedade multicultural do Império Austro-Húngaro. Esse papel centralizador não tinha então um correspondente na nova sociedade austríaca. Muitas famílias judaicas, por exemplo, recordavam com saudade esses tempos idos. A nova sociedade austríaca vivia sob o signo do antissemitismo/antijudaísmo e das dificuldades da coexistência multi-cultural. Muitos austríacos, aqueles que eram de origem germânica (como Adolf Hitler) aspiravam a uma nação livre destas outras etnias, que eles desdenhavam. Aos olhos de Hitler, ele próprio de origem austríaca, o ideal a seguir era o do pangermanismo: uma nação com uma só língua e etnia. Desde 1933, com a subida dos nazis ao poder, a Áustria encontrou-se sob crescente pressão política da Alemanha.
O novo chanceler, Kurt Schuschnigg, convocado por Hitler, aceita uma trégua (de facto um ultimato) com o líder nazista em Berchtesgaden em fevereiro de 1938. O acordo impõe a entrada dos nazistas no governo e anistia para os seus crimes em troca de uma não intervenção alemã na crise política; a Áustria seria assimilada no sistema económico alemão. Schuschnigg perde o controle do país e vê como último recurso organizar um referendo, para beneficiar-se da legitimidade popular, que se realizaria a 13 de Março. Não o chega a fazer: o exército alemão entra na Áustria a 12 de março e coloca como chanceler o advogado nazi Arthur Seyss-Inquart. Sem disparar um tiro e não encontrando qualquer oposição, o exército germânico é recebido entusiasticamente pela maioria da população austríaca, o que surpreende até os próprios alemães. A 13 de março de 1938 a Alemanha anuncia oficialmente a anexação da república austríaca e a converte numa província do Terceiro Reich, com o nome Ostmark. Em 10 de abril, um referendo, desta vez da sua iniciativa, avaliza a anexação com 99% de aprovação da população. Embora, sem dúvida, o resultado tenha sido manipulado e viciado, e houvesse a considerável pressão para aceitar um facto consumado, existia de facto um apoio genuíno maciço a Hitler.
As forças de Hitler reprimiram toda a oposição. Antes mesmo de o primeiro soldado alemão atravessar a fronteira, Heinrich Himmler e alguns oficiais das SS desembarcaram em Viena para prender destacados representantes da Primeira República, tais como Richard Schmitz, Leopold Figl, Friedrich Hillegeist e Franz Olah. Durante as poucas semanas que decorreram entre o Anschluss e o plebiscito, as autoridades reuniram social-democratas, comunistas, outros potenciais dissidentes políticos e judeus austríacos, e prenderam-nos ou enviaram-nos para campos de concentração. A 12 de Março, só em Viena, já 70 000 pessoas tinham sido presas. A perseguição aos judeus começou imediatamente após o Anschluss. As suas casas e lojas foram saqueadas. Homens e mulheres judeus foram forçados a lavar slogans pró-independência pintados nas ruas de Viena antes do falhado plebiscito de 13 de Março. Estes acontecimentos atingiram o clímax no pogrom da Noite de Cristal de 9-10 de Novembro de 1938. Quase todas as sinagogas e casas de oração em Viena foram destruídas, assim como noutras cidades austríacas, como Salzburgo. A maioria das lojas judaicas foram pilhadas e encerradas. Mais de 6000 judeus foram presos durante a noite, tendo a maioria sido deportada para o campo de concentração de Dachau nos dias seguintes.


