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Berta Zemel

Berta Zemelmacher, nome artístico Berta Zemel,, foi uma atriz, produtora teatral, professora de interpretação e teatro, diretora de teatro e tradutora brasileira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Biografia

Primeiros anos

Berta Zemel era filha de imigrantes judeus poloneses. Sua mãe, Rajzla Szulman, nasceu em Varsóvia, e seu pai é de uma cidadezinha limítrofe entre a Polônia e a Rússia chamada Myszyniec, que quando os russos invadiam se transformava em Myshinetz. O local mudava de nome a cada invasão da Rússia e da Polônia e assim o povoado sobrevivia. Os nomes deles Rajzla (a mãe) e Naftula (o pai) tem origem hebraica e no Brasil passaram a ser chamados de Rosa e Nathan. Seus pais se conheceram em São Paulo, no carnaval de 1933, e casaram-se alguns meses depois. Do casamento, nasceu Berta, no Instituto Baronesa de Limeira, na Rua Frei Caneca, em São Paulo, no dia 6 de agosto de 1934. Teve uma infância pobre.

Teatro

Já adulta, trabalhou em um escritório, fazendo contabilidade e datilografando correspondências até que optou pela carreira de atriz ao assistir, no TBC, a peça O Mentiroso, de Carlo Goldoni, com Sérgio Cardoso. Esse mesmo ator lhe sugerir seu nome artístico quando ela saiu da Escola de Arte Dramática e foi trabalhar ao lado dele no Teatro Bela Vista. O ator perguntou se ela iria ficar com o nome Bertha Zemelmacher. Disse que era muito comprido e sem eufonia "e nos cartazes de publicidade fica maior que o meu", brincou. A atriz lhe perguntou o que deveria fazer. "Berta Zemel ou Zemél" (...). O Zemel foi o escolhido, Berta Zemel. Berta Zemel cursou, então, a Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (EAD/USP) e estreou profissionalmente com a peça Hamlet, Princípe da Dinamarca, de Shakespeare, que marcou a inauguração do Teatro Bela Vista no dia 15 de maio de 1956. Depois da morte do ator em 1972 o Teatro passou a se chamar Teatro Sérgio Cardoso.

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O Gosto por Contar Histórias

O pai de Berta gostava de contar histórias. "Quando faltava livros contava a sua própria vida, as vezes fantasiosa". Ao final de uma história contada ele dizia: "Quem tem fé e acredita em si mesmo será jovem a vida inteira!" Berta diz que levou o maior susto quando nas cenas finais da novela Água na Boca, sua personagem Maria Bellini fala a mesma frase que seu pai lhe dizia há setenta anos. As histórias que o pai contava influenciaram sobretudo o futuro da atriz no Teatro. Quando construiu Vitória Bonneli, da novela de mesmo nome, se inspirou na mãe e outras mulheres lutadoras do bairro onde morava.

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A Escola de Teatro

Imagem: Universo Produção · BY-NC-ND · Openverse

Berta e a mãe iam a uma pensão perto de casa almoçar, o filho do dono da pensão era Durval de Souza, que foi ator, comediante, locutor, dublador e pioneiro na apresentação de programas infantis na televisão brasileira. Nos almoços na pensão mãe e filha encontravam Durval. Um dia a mãe de Berta apresentou a filha a Durval que à época já trabalhava na TV. Perto da pensão havia o Teatro Brasileiro de Comédia - TBC. Na parte de cima do TBC ficava a Escola de Arte Dramática, onde Durval de Souza também era aluno. Berta nem sabia que existia um teatro perto da casa dela. Num almoço anterior Dona Rosa já havia falado com Durval : "Minha filha quer muito trabalhar". Trabalho ele não arrumou, pois não fazia rádio e na TV nada para uma menina da idade de Berta. Mas falou em outro almoço de mãe e filha sobre a Escola de Arte Dramática. Deu-lhe dois ingressos e disse "se você gostar eu te ensino a fazer o teste da Escola (EAD)".

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Televisão

Na TV, participou de várias peças do Grande Teatro Tupi dirigida, entre outros, por Sérgio Brito, a partir de 1955 até o começo da década de 60. O Morro dos Ventos Uivantes, novela baseada no livro de Emily Brontë, marcou sua primeira aparição em televisão. Com Fernanda Montenegro fez, para a TV, À Margem da Vida, de Tennessee Williams, em dezembro de 1958. Em 1965, fez o papel de uma tia meio louca do personagem de Vicente Celestino em O Ébrio, na TV Paulista, a atual TV Globo São Paulo. Foi uma brevíssima aparição representando a personagem Adélia. Entre 1972 e 1973, Berta protagonizou a novela Vitória Bonelli, escrita por Geraldo Vietri. A novela fez estrondoso sucesso chegando a alterar o horário de missas e de sessões de cinema entre setembro de 1972 e julho de 1973. É considerado seu melhor trabalho para a TV. Entre 1993 e 1996 o Núcleo de Teledramaturgia do SBT cogitou produzir um remake de Vitória Bonelli. À época, Nilton Travesso havia chegado ao SBT para remontar o núcleo de dramaturgia e os remakes eram a aposta inicial. Vietri morreu em 1996, o que prejudicou um provável remake de Vitória Bonelli no SBT.

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Cinema

A estreia no cinema foi em O Quarto, filme de 1968 escrito e dirigido por Rubem Biáfora. No longa, Berta interpreta Júlia. A atriz teve muita dificuldade de passar do teatro para o cinema. Havia uma frase que era difícil para ela: "Quanto menos você fizer é melhor. O menos é mais". A atriz aparece no filme apenas uma vez. "Foi um dos bons filmes daquela época." Em 1977, no filme Que Estranha Forma de Amar, baseado no romance Iaiá Garcia, de Machado de Assis, volta à trabalhar com Geraldo Vietri, diretor das novelas Vitória Bonelli e Renúncia. Em Desmundo, de 2002, dirigido por Alain Fresnot, deu vida à dona Branca e acabou conquistando o Troféu Candango de melhor atriz coadjuvante na 35ª edição do Festival de Brasília. Em O Casamento de Romeu e Julieta, de Bruno Barreto, gravado em 2004 e lançado em 2005 interpretou a Nenzica. Em A Casa de Alice, de 2007, fez Dona Jacira, a mãe da protagonista Alice.

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Morte

Morreu em 25 de fevereiro de 2021, aos 86 anos de idade, de broncopneumonia.

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