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António de Lisboa

Santo António (português europeu) ou Antônio (português brasileiro) de Lisboa ou de Pádua, foi um Doutor da Igreja que viveu na viragem do século XII para o século XIII. Foi batizado com o nome de Fernando, mas o seu sobrenome de família é incerto, embora seja comum referir-se de Bulhões.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Biografia

Primeiros anos

Santo António nasceu em Lisboa em data incerta, numa casa, assim se pensa, próxima da Sé, às portas da cidade, no local onde posteriormente se ergueu a igreja que lhe foi dedicada. A tradição indica 15 de agosto de 1195, mas não há documento fidedigno que confirme esta data. Também foi proposto o ano de 1191, mas, segundo um seu biógrafo, o padre Fernando Lopes, as contradições em sua cronologia só se resolveriam se ele tivesse nascido em torno de 1188. Tampouco se sabe quem foram seus pais. Nenhuma das biografias primitivas os nomeiam, e deles só se sabe, sem uma segurança definitiva, que viviam em boa condição económica e que seu pai seria pertencente à baixa nobreza (cavaleiro do rei de Portugal), ou seja, a família não seria composta por plebeus e tampouco por membros da alta nobreza. Somente no século XIV, a partir de tradições orais, é que se começou a atribuir ao pai o nome de Martim ou Martinho de Bulhões, e à mãe, o de Maria Teresa Taveira. Entretanto, parece certo que seu pai se chamasse Martinho ou Martim, pois o obituário de São Vicente de Fora recorda o falecimento de uma irmã do taumaturgo que era freira e que atendia pelo nome de Maria Martini ou Martins, que de acordo com as regras da onomástica da época deve ser interpretado como "Maria filha de Martinho".

A sua missão

Por essa altura, decidiu deslocar-se ele também a Marrocos, mas, lá chegando, foi acometido por grave doença, sendo persuadido a retornar. Fê-lo desalentado, já que não havia proferido um único sermão, não convertera nenhum mouro, nem alcançara a glória do martírio pela fé. No regresso, uma forte tempestade arrastou o barco para as costas da Sicília, onde encontrou antigos companheiros. Ali se quedou até a primavera de 1221, dirigindo-se com eles então para Assis a fim de participarem do capítulo da ordem — o último que seria feito com a presença do fundador. Em Assis encontrou-se com São Francisco de Assis e os seus primeiros seguidores, um evento de grande importância em sua carreira. Sendo designado para um eremitério em Montepaolo, na província da Romanha, ali passou cerca de quinze meses em intensas meditações e árduas disciplinas.

Últimos dias

Pouco depois da Páscoa de 1231 sentiu-se mal e deixou Pádua para dirigir-se ao eremitério de Camposanpiero, nos arredores da cidade. Outras versões dizem que terá sido hospedado pelo conde Tiso, devido ao estado de saúde precário. Percebendo que a morte estava próxima, pediu para ser levado de volta a Pádua, mas quando chegou ao convento das clarissas de Arcella, subúrbio de Pádua, ali morreu, a 13 de junho de 1231. As clarissas reclamaram seu corpo, mas a multidão acabou por saber da sua morte e levou-o para ser sepultado na Igreja de Nossa Senhora em Pádua. A sua fama de santidade era tamanha que, imediatamente após seu falecimento, o Papa criou uma comissão para proceder à sua canonização. Foi canonizado no ano seguinte, em 30 de maio, pelo papa Gregório IX, em cerimónia na Catedral de Espoleto, quando o novo santo foi elogiado em altos termos. A canonização dele em menos de um ano é a segunda mais rápida da história da Igreja Católica (atrás apenas de São Pedro de Verona). No seu processo, a Igreja considerou 53 relatos de milagres da época, coletados por meio de religiosos incumbidos de entrevistar populares em diversas regiões por onde andou António em vida.

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Pregação, escritos e presença contemporânea da sua obra

Entre as suas várias qualidades, chamou a atenção dos seus contemporâneos o seu admirável dom como pregador, com uma eficácia tanta que lhe foi dado o apelido de malleus hereticorum (o martelo dos heréticos). Muitas descrições de época referem o fascínio que a sua fala exercia sobre as multidões de pessoas simples e também sobre clérigos doutos, e embora o efeito da sua oração a viva voz já não possa ser recuperado, o seu estilo e os conteúdos que abordava podem ser conhecidos em parte através dos 77 sermões que sobreviveram e constam em sua obra publicada em edição crítica, Sermões Dominicais e Festivos, que são considerados autênticos, conforme disse José Geraldes Freire. São textos eloquentes, persuasivos, cheios de zelo messiânico, sendo frequentes a defesa do pobre e a reprimenda do egoísmo dos ricos, assim como o combate às heresias de seu tempo, como as dos albigenses e valdenses.

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Milagres

Diz a tradição que em sua curta vida operou muitos milagres. Seguem alguns exemplos.

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Iconografia e veneração

A sua representação iconográfica de longe mais frequente é a de um jovem tonsurado envergando o hábito dos frades franciscanos, segurando o Menino Jesus sobre um livro ou entre os braços, a quem contempla com expressão terna, e tendo uma cruz, ou um ramo de açucenas, na outra mão. Esses atributos podem ser substituídos por um saco de pão, que distribui entre pobres ou idosos. Em 2014 um grupo de investigadores, em colaboração com o Museu Antropológico da Universidade de Pádua, realizou um estudo, utilizando técnicas forenses, para reconstruir a aparência real da sua face a partir do seu crânio, que foi preservado. Os resultados foram sintetizados por Luca Bezzi numa imagem digital, ilustrada ao lado. O seu esqueleto também foi preservado, bem como sua famosa língua e suas cordas vocais, além de uma túnica que usava e um manto. Essas relíquias estão depositadas na basílica do santo em Pádua. Algumas são expostas em caráter permanente, como sua língua, instalada em um precioso relicário no principal altar da suntuosa Capela das Relíquias, projetada por Felipe Parodi em 1691, junto com seu queixo e outros objetos, mas o esqueleto completo só raramente é exposto; nos últimos quatro séculos o público só o viu oito vezes, quando formaram-se grandes romarias de devotos para vê-lo. A última exposição ocorreu em 2010, quando a Capela da Arca foi reformada e voltou a receber seus restos mortais. A ocasião anterior foi em 1981, para a comemoração dos 750 anos de sua morte.

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Tradição militar

É tido como patrono tanto do Exército Português como do Exército Brasileiro. Na cidade de Manatuto de Timor-Leste, Santo António tem o posto de coronel, com uma grande imagem dedicada a ele que também é padroeiro da cidade.

Portugal

Em 1668 o regente Dom Pedro ordenou que o santo fosse recrutado e assentasse praça como soldado raso no II Regimento de Infantaria em Lagos, sendo promovido sucessivamente a capitão e coronel. Durante as Guerras Napoleónicas, em 1810, Santo Antonio foi promovido ao posto de general, com a vitória portuguesa e a derrota do general Masséna, na Batalha do Buçaco, a sua imagem sempre acompanhava as tropas. Com o posto de tenente-coronel, a sua imagem foi levada pelo Regimento de Infantaria N.º 19 em Cascais à frente dos combates da Guerra Peninsular, recebendo depois uma condecoração.

Brasil

No Brasil foi onde recebeu mais títulos, recebendo inclusive soldo em vários locais até depois de proclamada a república. A tradição brasileira surgiu em 1595 na guerra contra os franceses na Bahia, após a vitória atribuída a Santo António, foi incorporado pela primeira vez ao Exército Português no posto de soldado raso, sentando praça no Regimento de Lagos, no reinado de Afonso VI. O ato incorria no pagamento de soldo equivalente pelo Tesouro Real, cujo valor se destinava a cobrir as despesas associadas ao culto e à festividade do primeiro santo do calendário junino. No século XVII na ocasião das invasões holandesas e a batalha contra o reduto de Palmares, foi-lhe atribuído o posto de Tenente da Fortaleza do Buraco, a que o havia promovido o governador d. Lourenço de Almeida. No início do século XVIII, em razão de uma nova tentativa francesa de invadir o Brasil, em 1710 por Duclerc e em 1711 por Duguay-Trouin, as forças luso-brasileiras repeliram a nova invasão, motivo pelo qual Santo António foi promovido ao posto de capitão, no mesmo dia da vitória, 18 de setembro de 1710, personificado na imagem existente no convento desta cidade e que fora colocado nos muros do convento, olhando para o sitio do combate.

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Festividades

Devido à sua enorme popularidade, o seu onomástico é comemorado com grandes festas em todos os locais do mundo onde a devoção se enraizou, movimentando romeiros, instituições sacras e profanas e também o comércio, e nas cidades onde os festejos são tradicionais e importantes enchem-se os hotéis, pousadas e restaurantes e as lojas oferecem recordações de variados tipos, que são vendidas aos milhares. Em Portugal, se destaca a festa em Lisboa, sua cidade natal. Conceição Lopes descreveu o cenário: No Brasil, o santo é comemorado com entusiasmo semelhante. Na região Nordeste, uma das maiores festas se dá em Barbalha, no estado do Ceará, durando vários dias. Inicia com a busca na mata de um pau que possa servir de mastro para a bandeira do santo, ocasião já cercada de ritualidade. Antes do corte, é feita uma oração que pede permissão à mata para a retirada e faz homenagem ao santo padroeiro, pedindo sua bênção para que o percurso aconteça sem acidentes. Quinze dias depois, abrem-se os festejos com a celebração de uma missa onde os devotos oferecem votos e presentes entre a cantoria dos repentistas, agradecendo as boas colheitas e a prosperidade, seguida de uma grande procissão onde se carrega o pau da bandeira até a frente da igreja matriz, quando a bandeira é hasteada entre fogos de artifício. Diz a tradição que as moças que tocarem no pau da bandeira casarão dentro de um ano. Em seguida, as ruas da cidade se enchem com um cortejo de manifestações folclóricas regionais, como o Reisado de Couro e de Bailes, a Lapinha, os Penitentes e o Reisado do Congo, com suas lutas de espadas, acompanhados de vaqueiros, quadrilhas, música de forró e danças de capoeira, maculelê, maneiro-pau e pau de fitas. A festa encerra no dia 13 de junho com outra procissão com a imagem do santo carregada em um carro decorado, que inclui o cortejo de vários outros santos venerados na região. Pela sua importância, a Festa de Santo Antônio de Barbalha foi inscrita no registro de bens do património imaterial mantida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

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Sincretismo

No sincretismo religioso, Santo António é relacionado no candomblé como Exu, o orixá da comunicação. Também é identificado com Ogum, deus da guerra, também capaz de abrir os caminhos.

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Fontes consultadas

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