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Sebastião da Rocha Pita

Sebastião da Rocha Pita foi um advogado, historiador e poeta luso-brasileiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Biografia

Imagem: Rodrigo_Soldon · BY-ND · Openverse

Nascido no ano de 1660 na Bahia, hoje cidade de Salvador, Sebastião da Rocha Pita foi um importante historiador e poeta do século XVII. É autor de, dentre outras, uma importante obra intitulada História da América Portuguesa (1730), produzida em um período em que a capacidade de contar a História de Portugal e do império luso-brasileiro compunha um quadro de preocupações centrais de um reino atribulado em legitimar-se frente a outras nações — onde o domínio da história e sua forma de escrita como iniciativa institucional congregaria em si essa função. Como um historiador de prestígio, compunha a ordem de letrados na Academia Real de História Portuguesa (1720-1736), ocupando o cargo de acadêmico supranumerário. No cenário brasileiro, foi membro e um dos fundadores da Academia Brasílica dos Esquecidos (1724) participando ativamente como poeta e historiador nas atividades realizadas nessa congregação, que pode ser concebida como um local privilegiado para se pensar e formular a história da América Portuguesa, em um período no qual “ o movimento academicista ajudou a desencadear uma nova percepção sobre o estatuto político do território colonial, estimulando assim, a reflexão sobre a natureza dos laços que prendiam a América ao Reino: amarras simultaneamente jurídicas, familiares, linguísticas, econômicas e culturais." Formado na Escola de Jesuítas da Bahia e mestre em Artes, o nome de Rocha Pita figura na lista de nomes de brasileiros formados na Universidade de Coimbra elaborada por Francisco Morais, tendo ido aos 16 anos. A formação em Portugal era um costume daqueles que tinham um prestígio social na ´colônia e que compunham assim, o quadro de letrados brasileiros. Ostentou ainda o título de coronel do regimento privilegiado de ordenanças, foi fidalgo da casa real, cavaleiro da ordem de Cristo e vereador em Salvador. Pai de três filhos, com Ana Cavalcanti, morre em 1738, na cidade de Cachoeira, onde desde o casamento fixou residência.

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Rocha Pita e sua importância para a História da Historiografia Brasileira

Compreendendo a Historiografia Brasileira como um ramo da disciplina da História que dedica-se ao estudo sistemático das formas pela quais a história foi pensada, sistematizada e trabalhada ao longo dos anos - não restringindo-se somente ao cenário brasileiro, mas visando o alcance de uma tradição da língua portuguesa — a importância de Rocha Pita como historiador e poeta é manifesta. Pita compunha um quadro amplo de homens letrados,tanto em Portugal quanto no Brasil. Segundo o Padre Rafael Bluteau, em seu importante dicionário Vocabulario Portuguez e Latino: “República das letras se chamam coletivamente todas as pessoas doutas, & aplicadas ao estudo das ciências, de cujas obras se faz menção em uns livrinhos, que nos vêm de Holanda, também chamados República das letras”. Nesse sentido, Rocha Pita figura no quadro dos letrados que “adquiriam reconhecimento como fieis súditos prestadores de real serviço” e ainda ocupava o lugar no “rol dos varões ilustres por armas, letras ou por virtudes” como um acadêmico, uma vez que fazia parte da Academia Real de História Portuguesa.

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Biografia na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB)

A biografia de Rocha Pita foi escrita no século XIX pelo historiador João Manuel Pereira da Silva e publicada na revista do IHGB em 1849. Nesse sentido, nota-se a importância de Pita, lido no século XIX em um Instituto que reunia em si, principalmente "a tarefa de pensar o Brasil segundo os postulados próprios de uma história comprometida com o desvendamento do processo de gênese da Nação que se entregam os letrados reunidos em torno do IHBG" Assim, vislumbra-se o projeto de escrita da história nacional, e nesse intuito as “qualidades e deveres para o estudo e a escrita da história”. Dessa maneira, “na biografia de Sebastião da Rocha Pita, composta por João Manuel Pereira da Silva, a fórmula seria utilizada para ressaltar as suas qualidades e, ao mesmo tempo, atenuar as graves objeções que pesavam sobre a sua História da América Portuguesa.” Tantos e tão variados acontecimentos, que mais ou menos importavam a seu paiz, não tiveram forças para arrancarem do seu ocio ditoso a Sebastião da Rocha Pita, dedicado exclusivamente a solidão da vida intima.

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O poeta

Imagem: Rodrigo_Soldon · BY-ND · Openverse

Embora concebido muitas vezes por uma falta de rigor em suas obras poéticas e como “poeta ocasional” alguns recentes estudos preocupam-se em resgatar a importância de Rocha Pita como poeta, a fim de ressaltar a sua importância tanto como poeta quando como historiador. Segundo Temístocles Cézar: “nem sempre ser poeta ou romancista era incompatível com ser historiador; e ir de um gênero ao outro era uma opção, não uma impossibilidade intelectual”. Neste sentido, é importante que se compreenda a poesia de Rocha Pita inserida em uma preocupação mais ampla da Academia Brasílica dos Esquecidos em estimular uma produção poética entre os acadêmicos. Por outro lado, Afrânio Coutinho nos faz considerar entre seus poemas não àqueles escritos em honra de pessoas ilustres, como notoriamente o fez, porém mas os de "temas evidentemente ridículos e antilíricos cultivados com certo humor", os quais seriam "verdadeiros jogos literários" para demonstrar "habilidade de expressão" senão "técnica versificatória"]]. .

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Apreciação moderna

Imagem: Rodrigo_Soldon · BY-ND · Openverse

Explica o historiador Pedro Puntoni na página na internet em que a Universidade de São Paulo, em sua coleção Brasiliana, disponibiliza a versão integral da História da América Portuguesa: «Cultivava as letras, tendo publicado dois trabalhos: o «Breve compêndio e narração do fúnebre espetáculo que na cidade da Bahia se viu na morte Del-rei D. Pedro II de Portugal» (Lisboa, Valentim Deslandes, 1709) e o «Summario da vida e morte da exma. sra. d. Leonor Josepha de Vilhena e das exéquias que se celebraram a sua memória na cidade da Bahia» (Lisboa, oficina de António Pedroso Garlrão, 1721). Textos encomiásticos que reportam o desempenho da sociedade colonial nas homenagens ao falecido rei e à esposa de D. Rodrigo da Costa, governador do Brasil (1702-1708). A homenagem fora feita por encomenda da esposa de Gonçalo Ravasco Cavalcante e Albuquerque, secretário do Estado do Brasil e sobrinho do padre António Vieira. Gonçalo, como Manuel Botelho, era colega de letras e outras aventuras de Rocha Pita, e também arriscou-se na poesia, mas pouco publicou. Com estes dois pequenos textos Rocha Pinta tornou-se o segundo homem nascido no Brasil a ver suas letras impressas.» Conclui Puntoni: «Em 1724, Rocha Pita colaborou na formação da Academia Brasílica dos Esquecidos – associação de ilustrados, dispostos a avançar no conhecimento do Brasil e no cultivo das letras e da história. Seguiam, em certo sentido, o programa da Academia Real de História Portuguesa, criada em 1720. Grêmio de curta duração, foi encerrada depois de apenas 11 meses.»

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