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Antropologia

Antropologia é o estudo científico da humanidade, que tem como objeto de estudo o comportamento humano, biologia humana e a evolução, bem como a análise da culturas, sociedades e da linguística, tanto no presente quanto no passado.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/06/2026
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Divisões e campo

A divisão clássica da antropologia distingue a antropologia cultural da antropologia física (ou biológica), já a divisão norte-americana, conhecida como Four Fields ("quatro campos"), divide a antropologia em arqueologia, linguística, antropologia física e antropologia cultural. Cada uma destas, em sua construção, abrigou diversas correntes de pensamento. Primeiramente, foi considerada como a história natural e física do ser humano e do seu processo evolutivo, no espaço e no tempo. Se por um lado essa concepção vinha satisfazer o significado literal da palavra, por outro restringia o seu campo de estudo às características físicas do ser humano. Essa postura marcou e limitou os estudos antropológicos por largo tempo, privilegiando a antropometria, ciência que trata das mensurações das propriedades físicas do ser humano. A antropologia, sendo a ciência da humanidade e da cultura, tem um campo de investigação extremamente vasto: abrange, no espaço, toda a terra habitada; no tempo, pelo menos dois milhões de anos e todas as populações socialmente e devidamente organizadas. Divide-se em duas grandes áreas de estudo, com objetivos definidos e interesses teóricos próprios: a antropologia física (ou biológica) e a antropologia cultural, para alguns autores sinônimo de antropologia social, que focaliza, talvez, o principal conceito desta ciência, a cultura. Segundo o Museu de Antropologia Cultural da Universidade de Minnesota, a antropologia cultural abrange três tópicos gerais que por sua vez subdivide-se e constituem-se como especialidades: etnografia / etnologia, linguística aplicada à antropologia e arqueologia. A cultura e a mitologia correspondem ao desejo do ser humano de conhecer a sua origem, ou produzem um modo de autoconhecimento que é a identidade, diferenciando os grupos em função de suas idiossincrasias e adaptação em ambientes distintos.

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Considerações

Para pensar as sociedades humanas, a antropologia preocupa-se em detalhar, tanto quanto possível, os seres humanos que as compõem e com elas se relacionam, seja nos seus aspectos físicos, na sua relação com a natureza, seja na sua especificidade cultural. Para o saber antropológico o conceito de cultura abarca diversas dimensões: o universo psíquico, os mitos, os costumes e rituais, suas histórias peculiares, a linguagem, valores, crenças, leis, relações de parentesco, política, economia, arte, entre outros tópicos. Embora o estudo das sociedades humanas remonte à Antiguidade Clássica, a antropologia nasceu, como ciência, efetivamente, da grande revolução cultural iniciada com o iluminismo.

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História

Embora a grande maioria dos autores concorde que a antropologia se tenha definido enquanto disciplina só depois da revolução iluminista, a partir de um debate mais claro acerca de objeto e método, as origens do saber antropológico remontam à Antiguidade Clássica, atravessando séculos. Enquanto o ser humano pensou sobre si mesmo e sobre sua relação com o "outro", pensou antropologicamente. A Antropologia é o estudo do ser humano como ser biológico, social e cultural. Sendo cada uma destas dimensões por si só muito ampla, o conhecimento antropológico geralmente é organizado em áreas que indicam uma escolha prévia de certos aspectos a serem privilegiados como a “antropologia física ou biológica” (aspectos genéticos e biológicos do ser humano), “antropologia social” (organização social e política, parentesco, instituições sociais), “antropologia cultural” (sistemas simbólicos, religião, comportamento) e “arqueologia” (condições de existência dos grupos humanos desaparecidos). Além disso podemos utilizar termos como antropologia, etnologia e etnografia para distinguir diferentes níveis de análise ou tradições acadêmicas.

Primórdios

Homero, Hesíodo e os filósofos pré-socráticos já se questionavam a respeito do impacto das relações sociais sobre o comportamento humano; ou vendo este impacto como consequência dos caprichos dos deuses, como enumera a Odisseia de Homero e a Teogonia de Hesíodo, ou como construções racionais, valorizando muito mais a apreensão da realidade no dia a dia da experiência humana, como preferiam os filósofos pré-socráticos. Foi, sem dúvida, na Antiguidade Clássica que a "medida Humana" se evidenciou como centro da discussão acerca do mundo. Os gregos deixaram inúmeros registros e relatos acerca de culturas diferentes das suas, assim como os chineses e os romanos. Nestes textos nascia, por assim dizer, a antropologia, e no século V a.C. um exemplo disto se revela na obra de Heródoto, que descreveu minuciosamente as culturas com as quais seu povo se relacionava. Da contribuição grega fazem parte também as obras de Aristóteles (acerca das cidades gregas) e as de Xenofonte (a respeito da Índia).

O século XVIII

Até o século XVIII, o saber antropológico esteve presente na contribuição dos cronistas, viajantes, soldados, missionários e comerciantes que discutiam, em relação aos povos que conheciam, a maneira como estes viviam a sua condição humana, cultivavam seus hábitos, normas, características, interpretavam os seus mitos, os seus rituais, a sua linguagem. Só no século XVIII, a Antropologia adquire a categoria de ciência, partindo das classificações de Carlos Lineu e tendo como objeto a análise das "raças humanas". O legado desta época foram os textos que descreviam as terras (a fauna, a flora, a topografia) e os povos "descobertos" (hábitos e crenças). Algumas obras que falavam dos indígenas brasileiros, por exemplo, foram: a carta de Pero Vaz de Caminha ("Carta do Descobrimento do Brasil"), os relatos de Hans Staden, "Duas Viagens ao Brasil", os registros de Jean de Léry, a "Viagem a Terra do Brasil", e a obra de Jean-Baptiste Debret, a "Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Além destas, outras obras falavam ainda das terras recém-descobertas, como a carta de Cristóvão Colombo aos Reis Católicos. Toda esta produção escrita levantou uma grande polémica acerca dos indígenas. A contribuição dos missionários jesuítas na América (como Bartolomeu de las Casas e José de Acosta) ajudaram a desenvolver a denominada "teoria do bom selvagem", que via os índios como detentores de uma natureza moral pura, modelo que devia ser assimilado pelos ocidentais. Esta teoria defendia a ideia de que cultura mais próxima do estado "natural" serviria de remédio aos males da civilização.

O século XIX

No século XIX, por volta de 1840, Boucher de Perthes utiliza o termo humano pré-histórico para discutir como seria sua vida cotidiana, a partir de achados arqueológicos, como utensílios de pedra, cuja idade se estimava bastante remota. Posteriormente, em 1865, John Lubbock reavaliou numerosos dados acerca da Cultura da Idade da Pedra e compilou uma classificação em que enumerava as diferenças culturais entre o Paleolítico e Neolítico. Com a publicação de dois livros, A Origem das Espécies, em 1859, e A descendência do homem, em 1871, Charles Darwin principia a sistematização da teoria evolucionista. Partindo da discussão trazida à tona por estes pesquisadores, nascia a antropologia física ou biológica.

O século XX

Inicialmente centrada na denominada "Etnologia", a Antropologia Francesa arranca, como disciplina de ensino, no Instituto de Etnologia do Museu do Homem, em Paris, a partir de 1927. No início, a disciplina se vinculara ao Museu de História Natural, porque se considerava a antropologia como uma subdisciplina da História Natural. O grupo de Durkheim visava constituir uma ciência propriamente social. O debate francês se inspira sobre a tradicional questão de saber como ocorre o processo de diferenciação social nas sociedades industriais no contexto de organização das sociedades nacionais e das instituições republicanas, questão que recebeu inúmeros desdobramentos nas obras de Marcel Mauss — que publica com Henri Hubert, em 1903, a obra Esboço de uma teoria geral da magia, na qual forja o conceito de mana — Denise Paulme, Germaine Tillion, Germaine Dieterlen, Lucien Lévy-Bruhl, Marcel Griaule, Maurice Leenhardt e Michel Leiris.

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Áreas de estudo

Etnohistória é o estudo de culturas etnográficas e costumes indígenas por meio do exame de registros históricos. É também o estudo da história de vários grupos étnicos que podem ou não existir hoje. Etnohistória usa dados históricos e etnográficos como sua base. Seus métodos e materiais históricos vão além do uso padrão de documentos e manuscritos. Os praticantes reconhecem a utilidade de materiais como mapas, música, pinturas, fotografia, folclore, tradição oral, exploração de locais, materiais arqueológicos, coleções de museus, costumes duradouros, linguagem e nomes de lugares. A antropologia da religião envolve o estudo das instituições religiosas em relação a outras instituições sociais e a comparação das crenças e práticas religiosas entre as culturas. A antropologia moderna pressupõe que toda religião é um produto cultural, criado pela comunidade humana. Também contemplam estudos sobre a noção de magia, símbolos religiosos, laicidade e a atuação religiosa na esfera pública.

Arte, mídia, música e imagem

Um dos problemas centrais da antropologia da arte diz respeito à universalidade da arte como fenômeno cultural. Vários antropólogos notaram que as categorias ocidentais de pintura, escultura ou literatura, concebidas como atividades artísticas independentes, não existem, ou existem de uma forma significativamente diferente, na maioria dos contextos não ocidentais. Os antropólogos da arte se concentraram em características formais em objetos que, sem serem exclusivamente "artísticos", têm certas qualidades "estéticas" evidentes. Arte primitiva de Boas, A via das máscaras, de Claude Lévi-Strauss (1982) ou "'Arte como sistema cultural" de Geertz (1983) são alguns exemplos de trabalhos neste campo.

Economia e desenvolvimento

A antropologia econômica tenta explicar o comportamento econômico humano em seu mais amplo escopo histórico, geográfico e cultural. Tem uma relação complexa com a disciplina de economia, da qual é altamente crítica. Suas origens como um subcampo da antropologia começam com Bronisław Malinowski e Marcel Mauss, sobre a natureza da troca de presentes (ou reciprocidade) como uma alternativa à troca de mercado. A Antropologia Econômica permanece, em grande parte, focada na troca. A escola de pensamento derivada de Marx e conhecida como Economia Política concentra-se na produção, em contraste. Os antropólogos econômicos abandonaram o nicho primitivista ao qual foram relegados pelos economistas e se voltaram para examinar corporações, bancos e o sistema financeiro global de uma perspectiva antropológica.

Parentesco, família, gênero e sexualidade

O parentesco pode se referir tanto ao estudo dos padrões de relações sociais em uma ou mais culturas humanas, quanto aos próprios padrões de relações sociais. Ao longo de sua história, a antropologia desenvolveu uma série de conceitos e termos relacionados, como "descendência", "grupos de descendência", "linhagens", "afins", "cognatos" e até mesmo "parentesco fictício". De modo geral, os padrões de parentesco podem ser considerados como incluindo pessoas relacionadas tanto por descendência (relações sociais durante o desenvolvimento), e também parentes por casamento. No parentesco, você tem duas famílias diferentes. As pessoas têm suas famílias biológicas e são as pessoas com as quais compartilham DNA. Isso é chamado de relações consanguíneas ou "laços de sangue". As pessoas também podem ter uma família escolhida, na qual escolheram quem querem que faça parte de sua família.

Corpo, saúde, nutrição e alimentação, emoções, cognição e comportamento

A antropologia médica é um campo interdisciplinar que estuda saúde e doença humana, sistemas de saúde e adaptação biocultural. Ele se concentra nos seguintes seis campos básicos: 1) o desenvolvimento de sistemas de conhecimento médico e assistência médica; 2) a relação médico-paciente; 3) a integração de sistemas médicos alternativos em ambientes culturalmente diversos; 4) a interação de fatores sociais, ambientais e biológicos que influenciam a saúde e a doença tanto do indivíduo quanto da comunidade como um todo; 5) a análise crítica da interação entre os serviços psiquiátricos e as populações migrantes ("etnopsiquiatria crítica"); 6) o impacto da biomedicina e tecnologias biomédicas em ambientes não ocidentais. Outros assuntos que se tornaram centrais para a antropologia médica em todo o mundo são a violência e o sofrimento social, bem como outras questões que envolvem danos físicos e psicológicos e sofrimento que não são resultado de uma doença. Por outro lado, existem campos que se cruzam com a antropologia médica em termos de metodologia de pesquisa e produção teórica, como a psiquiatria cultural e a psiquiatria transcultural ou etnopsiquiatria.

Política e leis

A antropologia política diz respeito à estrutura dos sistemas políticos, vistos a partir da estrutura das sociedades. A antropologia política se desenvolveu como uma disciplina preocupada principalmente com a política em sociedades sem Estado, um novo desenvolvimento começou na década de 1960 e ainda está se desenvolvendo: os antropólogos começaram a estudar cada vez mais configurações sociais mais "complexas" em que a presença de Estados, burocracias e mercados compunham relatos etnográficos e análise de fenômenos locais. A virada para as sociedades complexas significou que os temas políticos foram tratados em dois níveis principais. Em primeiro lugar, os antropólogos continuaram a estudar a organização política e os fenômenos políticos que estavam fora da esfera regulada pelo Estado (como nas relações patrono-cliente ou na organização política tribal). Em segundo lugar, os antropólogos começaram lentamente a desenvolver uma preocupação disciplinar com os Estados e suas instituições (e sobre a relação entre as instituições políticas formais e informais). Uma antropologia do estado se desenvolveu, e é um campo muito próspero hoje. O trabalho comparativo de Geertz sobre Negara, o estado balinês, é um exemplo antigo e famoso.

Natureza, ciência e tecnologia

Como a antropologia e, mais especificamente, a etnologia sempre estudaram suas sociedades nativas como um todo interdependente, afirma Bruno Latour, urge fazer o mesmo entre os modernos. Ao invés de se concentrar nas margens dos grandes centros da modernidade, a antropologia deveria proceder do mesmo modo que fazia com povos não-modernos, ou seja, indo direto ao centro da sociedade em questão. Entre os modernos, ele declara, este centro é a ciência e a tecnologia. Uma parte fundamental dos estudos CTS, a antropologia da ciência e da tecnologia ressalta o caráter etnográfico da teoria ator-rede, produzindo etnografias que retratam a sociedade "moderna" a partir daquilo que ela mesma considera como sua pedra angular: o conhecimento "científico". Surge, assim, a etnografia de laboratório. O exemplo talvez mais famoso deste tipo de literatura é A Vida de Laboratório de Bruno Latour e Steve Woolgar.

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Nota

Partes que integram este artigo derivam de traduções ou adaptações do texto publicado na página correspondente em inglês, cujo título é Anthropology.==Referências==

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Fontes consultadas

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