Aneurisma da aorta abdominal
Aneurisma da aorta abdominal (AAA), é uma dilatação anómala na porção abdominal da artéria aorta de tal modo que o diâmetro ultrapassa os 3 cm ou atinge um diâmetro 50% maior do que o normal. A maioria dos pacientes são assintomáticos, excepto quando o aneurisma se rompe. Ocasionalmente pode provocar dor abdominal, nas costas ou nas pernas. Os aneurismas de grandes dimensões, por vezes, podem ser sentidos pressionando o abdómen. A sua principal complicação é a ruptura que pode provocar uma forte dor abdominal ou nas costas, pressão arterial baixa ou uma súbita perda de consciência. O sangramento para dentro da cavidade abdominal, é muitas vezes fatal. Estes casos graves requerem cirurgia imediata.
Imagem: Senado Federal · BY · Openverse
Entre os principais factores para o desenvolvimento do aneurisma de aorta abdominal estão o tabagismo, aterosclerose, idade avançada, sexo masculino e história familiar. Nos USA, cerca de 15,000 pessoas morrem todos os anos vítimas duma ruptura dum aneurisma da aorta, com uma clara propensão em homens do que em mulheres. O pico de incidência no sexo masculino ocorre por volta dos 70 anos de idade, no entanto vários estudos têm demonstrado que prevalência de aneurisma da aorta abdominal em homens com 60 anos é de cerca de 2-6%, divergindo consideravelmente entre os fumadores e os não fumadores (8 a 1) e entre pessoas do sexo masculino e feminino (4-6 a 1). A ruptura dum AAA ocorre em 1-3% dos indivíduos do sexo masculino com idade igual ou superior a 65 anos, com um índice de mortalidade de 70-95%.
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A aorta é a maior artéria do corpo humano e por ela passa sangue rico em oxigênio que é bombeado pelo coração. Da aorta abdominal saem ramos que levam sangue oxigenado e rico em nutrientes para os órgão abdominais (fígado, pâncreas, baço, estômago, rins e intestinos) e para a parte inferior do corpo. No abdome, a aorta abdominal divide-se em duas artérias principais – as artérias ilíacas comuns – que levam sangue para a região pélvica e os membros inferiores. O diâmetro de uma aorta normal é de aproximadamente 2 cm. A pressão exercida pela passagem do sangue pode provocar a dilatação de parte da parede da aorta, diminuindo a sua espessura e tornando-a mais frágil e passível de ruptura. O aneurisma é justamente essa dilatação localizada da parede da artéria, formando uma bolsa de tamanho variável. A ruptura de um aneurisma pode causar uma grave hemorragia interna, que pode levar a um choque hemorrágico fatal.
Ruptura de aneurisma de aorta abdominal
O primeiro sintoma de um aneurisma da aorta pode surgir apenas quando ele se rompe. A ruptura do aneurisma abdominal é um quadro muito grave e costuma evoluir com a tríade de massa abdominal pulsátil, hipotensão e dor abdominal de início súbito. Ela pode evoluir rapidamente para morte súbita. Isso faz com que o aneurisma da aorta seja considerado uma doença silenciosa, e é importante que se faça o diagnóstico quando ainda não há sintomas.
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O diagnóstico do aneurisma da aorta abdominal é suspeitado com base no exame físico e história clínica do paciente. A confirmação é feita com ultra-sonografia do abdome, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Geralmente o aneurisma é diagnosticado em pacientes assintomáticos, porém pode ser diagnosticado em pacientes com ruptura do aneurisma.
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Algumas sociedades médicas recomendam que seja realizado rastreamento do aneurisma de aorta abdominal em pacientes masculinos entre os 65 e 75 anos que já tenham fumado pelo menos uma vez na vida. O rastreamento geralmente é realizado uma única vez, com a utilização de ultrassonografia abdominal.
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Nem todos os pacientes com aneurisma de aorta abdominal precisam ser tratados cirurgicamente. Geralmente são indicados para cirurgia os casos em que o aneurisma causa sintomas, é muito grande (>5,5 cm) ou está em crescimento progressivo (>1 cm por ano). Os demais casos podem ser acompanhados regularmente através de ultrassonografias de abdômen periódicas. Os pacientes com ruptura de aneurisma de aorta abdominal necessitam de tratamento cirúrgico imediato.
Tratamento clínico
Podem ser utilizados medicamentos para diminuir a frequência cardíaca, como beta-bloqueadores. Deve-se também suspender o tabagismo.
Tratamento cirúrgico
O médico especialista no tratamento cirúrgico do aneurisma de aorta abdominal é chamado de cirurgião vascular. A técnica clássica (reparo aberto) é feita através de um procedimento cirúrgico com uma incisão no abdome, abertura do aneurisma e colocação de uma prótese (tubo de material sintético) no interior do vaso, para aliviar a pressão do sangue sobre a parede enfraquecida. A técnica endovascular, mais recente, consiste na introdução de um enxerto intravascular (tubo em V) através de um cateter pela virilha, controlado por raios-X, sem necessidade de abrir o abdome. Essa técnica foi usada pela primeira vez em 1990 pelo cirurgião argentino Juan Carlos Parodi, e trazida ao Brasil em 1994 pelo cirurgião Pedro Puech, professor da Universidade de São Paulo.


