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Quiuí (ave)

Os quiuís ou quivis são um grupo de aves não voadoras endêmicas da Nova Zelândia, pertencentes ao gênero Apteryx, o único atual da família Apterygidae e ordem Apterygiformes. Os membros desse grupo são aproximadamente do tamanho de uma galinha doméstica, os quiuís são de longe as menores ratitas vivas. Possuem hábitos especialmente noturnos e olfato apurado, essas aves substituem os nichos ecológicos de mamíferos de pequeno porte na Nova Zelândia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Etimologia

A palavra maori kiwi é geralmente aceita como sendo de origem onomatopeica do chamado dessas aves. No entanto, alguns linguistas acreditam que a palavra deriva do proto-polinésio kiwi, que originalmente se referia ao maçarico-do-pacífico (Numenius tahitiensis), uma espécie de ave migratória da família dos maçaricos que passa o inverno nas ilhas tropicais do Pacífico. Com seu bico longo e curvo e corpo marrom, o maçarico lembra levemente o quiuí. Então, quando os primeiros colonos polinésios chegaram a ilha, eles podem ter aplicado o termo kiwi para a ave recém-descoberta. Na língua portuguesa kiwi é escrito como quiuí ou quivi por questões de grafias conforme o Acordo Ortográfico de 1990, sendo as consoantes "k" e "w" substituídas por "qui" e "uí" (ou "vi"). O nome do gênero Apteryx é derivado do grego antigo 'sem asa': a- (ἀ-), 'sem' ou 'não'; ptéryx (πτέρυξ), 'asa'.

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Taxonomia e sistemática

Embora tenha sido por muito tempo presumido que os quiuís estavam intimamente relacionados com as outras ratitas da Nova Zelândia, como as moas, estudos recentes de DNA identificaram que os parentes mais próximos dos quiuís são as extintas aves-elefante de Madagáscar, e que entre as ratitas existentes, estão mais intimamente relacionados com os casuares (casuariiformes) do que com as moas. Uma pesquisa publicada em 2013 sobre o gênero extinto Proapteryx, conhecido do Mioceno da Ilha Sul, descobriu que era menor do que os quiuís modernos e provavelmente era capaz de voar, apoiando a hipótese de que o ancestral comum dos apterigídeos chegou à Nova Zelândia independentemente das moas, que já eram grandes e não voavam quando o quiuí surgiu.

Espécies

São reconhecidas cinco espécies de quiuís, com várias subespécies.

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Descrição

As suas adaptações à vida terrestre são extensas: assim como todas as outras ratitas, não possuem quilha no esterno para ancorar os músculos das asas. As asas vestigiais são tão pequenas que são invisíveis sob as penas eriçadas, parecidas com pelos. Enquanto a maioria das aves tem ossos com interior oco para minimizar o peso e tornar o voo possível, o quiuí tem medula, assim como os mamíferos. Sem restrições de peso devido aos requisitos de voo, as fêmeas de quiuí carregam e põem um único ovo que pode pesar até 450 g. E como a maioria das outras ratitas, elas não têm glândula uropigial. Seu bico é longo, flexível e sensível ao toque, e seus olhos têm um pécten reduzido. Suas penas não possuem bárbulas, e possuem grandes vibrissas ao redor da bico. Portam de treze penas de voo, sem cauda e um pequeno pigóstilo. Sua moela é fraca e seu ceco é longo e estreito. O olho do quiuí é o menor em relação à massa corporal dentre todas as espécies de aves, resultando em um campo de visão igualmente menor. O olho tem pequenas especializações para um estilo de vida noturno, mas o quiuí depende mais de seus outros sentidos (sistema auditivo, olfativo e somatossensorial) do que de sua vista. A visão do quiuí é tão subdesenvolvida que espécimes completamente cegos foram observados na natureza, mostrando o quão pouco eles dependem da visão para sobreviver e forragear. Em um estudo, observou-se que um terço de uma população de A. rowi, sem estresse ambiental, apresentavam lesões oculares em um ou ambos os olhos. O mesmo estudo examinou três indivíduos específicos que apresentavam cegueira completa e descobriu que estavam em boas condições físicas fora das anormalidades oculares. Uma pesquisa de 2018 revelou que os parentes mais próximos do quiuís, as extintas aves-elefantes, também compartilhavam essa característica, apesar de seu grande tamanho.

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Comportamento e ecologia

Antes da chegada dos humanos no século XIII, os únicos mamíferos endêmicos da Nova Zelândia eram três espécies de morcegos, e os nichos ecológicos que em outras partes do mundo eram preenchidos por criaturas tão diversas quanto cavalos, lobos e camundongos eram ocupados por aves (e, em menor grau, répteis, insetos e gastrópodes). Os hábitos especialmente noturnos do quiuí podem ser resultado da invasão de seus habitats por predadores, incluindo humanos. Em áreas da Nova Zelândia onde os predadores introduzidos foram removidos, como santuários, o quiuí é frequentemente visto à luz do dia. Eles preferem podocarpos subtropicais e temperados e florestas de faias, mas estão sendo forçados a se adaptar a diferentes habitats, como bosques subalpinos, pastagens e montanhas. Possuem um olfato altamente desenvolvido, incomum para as aves, e são as únicas aves com narinas no final de seus longos bicos. Comem pequenos invertebrados, sementes, larvas e muitas variedades de vermes. Também podem comer frutas, pequenos lagostins, enguias e anfíbios. Como suas narinas estão localizadas no final de seus bicos, os quiuís podem localizar insetos e vermes no subsolo usando seu olfato apurado, sem realmente vê-los ou senti-los. Este sentido do olfato é devido a uma câmara olfativa altamente desenvolvida. É uma crença comum que o quiuí depende apenas de seu olfato para capturar presas, mas isso não foi cientificamente observado. Experimentos de laboratório sugeriram que A. australis pode usar apenas o olfato, mas essa tese não é consistente em condições naturais. Em vez disso, o quiuí pode contar também com sensores auditivos e vibrotáteis.

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Estado de conservação

Estudos nacionais mostram que apenas cerca de 5 a 10% dos filhotes de quiuí sobrevivem até a idade adulta sem manejo. Em 2018, mais de 70% das populações de quiuí não foram manuseadas. No entanto, em áreas onde houve o manejo ativo de pragas, as taxas de sobrevivência do quiuí-castanho-do-norte podem ser muito maiores. Por exemplo, mesmo antes da operação conjunta do veneno 1080 realizada pelo DOC e pelo Conselho de Saúde Animal na Floresta de Tongariro em 2006, 32 filhotes de quiuí haviam sido marcados com rádio, e 57% dos filhotes marcados com rádio sobreviveram até a idade adulta. Os esforços para proteger o quiuí tiveram algum sucesso e, em 2017, duas espécies foram rebaixadas de ameaçadas para vulneráveis ​​pela IUCN. Em 2018, o Departamento de Conservação divulgou seu atual Plano de Conservação do Quiuí.

Santuários

Em 2000, o Departamento de Conservação criou cinco santuários focados no desenvolvimento de métodos para proteger os quiuís e aumentar suas populações. Várias outras ilhas de conservação e santuários cercados têm populações significativas de quiuí, incluindo: O quiuí-castanho-do-norte foi introduzido no Cape Sanctuary em Hawke's Bay entre 2008 e 2011, que por sua vez forneceu filhotes criados em cativeiro que foram soltos de volta na floresta de Maungataniwha. Santuários para quiuís também são referidos como 'sítios kōhanga' da palavra maori para 'ninho' ou 'berçário'.

Operação Nest Egg

A Operação Nest Egg é um programa administrado pelo BNZ Save the Kiwi Trust — uma parceria entre o Banco da Nova Zelândia, o Departamento de Conservação e a Royal Forest and Bird Protection Society. Ovos e filhotes de quiuí são removidos da natureza e chocados e/ou criados em cativeiro até ficarem grandes o suficiente para se defenderem – geralmente quando pesam cerca de 1200 gramas. Eles são então devolvidos à natureza. Um exemplar da Operação Nest Egg tem 65% de chance de sobreviver até a idade adulta – em comparação com apenas 5% para filhotes nascidos e criados na natureza sem intervenções humanas. Esse meio é usado com todas as espécies de quiuí, exceto o quiuí-malhado-pequeno.

Veneno 1080

Em 2004, o ativista anti-1080 Phillip Anderton posou para a mídia da Nova Zelândia com um quiuí que ele alegou ter sido envenenado pelo uso do veneno para controle de espécies invasoras. Uma investigação revelou que Anderton mentiu para os jornalistas e o público. Ele usou na verdade um quiuí que foi pego em uma armadilha de gambá e estava debilitado. O monitoramento extensivo mostra que o quiuí não está em risco com o uso do veneno 1080 biodegradável.

Ameaças

Predadores mamíferos introduzidos, como arminhos, cães, furões e gatos, são as principais ameaças ao quiuí. A maior ameaça aos filhotes de quiuí são os arminhos, enquanto os cães são a maior ameaça aos indivíduos adultos. Os arminhos são responsáveis ​​por aproximadamente metade das mortes de filhotes em muitas áreas da Nova Zelândia. Os jovens são vulneráveis ​​à predação de arminhos até atingirem cerca de 1 a 1,2 kg de peso, momento em que geralmente podem se defender. Os gatos também podem atacar, porém em menor grau. Esses predadores podem causar grandes e abruptos declínios nas populações. Em particular, os cães acham o odor forte e distinto do quiuí (que lembra cogumelos) chamativo e fácil de detectar, de modo que podem pegá-los e matá-los em segundos. Os veículos motorizados são uma ameaça para todas as aves onde as estradas cruzam seus habitats, com riscos altos de atropelamento. Armadilhas de gambás mal colocadas geralmente matam ou mutilam quiuís.

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Relacionamento com humanos

Os maoris tradicionalmente acreditavam que o quiuí estava sob a proteção de Tāne Mahuta, o deus da floresta. Eles eram usados ​​como alimento e suas penas eram usadas para fazer kahu kiwi — mantos cerimoniais. Hoje, enquanto as penas ainda são usadas para rituais religiosos, elas são coletadas de exemplares que morrem naturalmente, por acidentes de trânsito ou predação, e de exemplares em cativeiro. Atualmente quiuís não são mais caçados e alguns maoris os consideram guardiões das aves.

Documentação científica

Em 1813, George Shaw nomeou o gênero Apteryx em sua descrição do quiuí-castanho-do-sul, que ele apelidou de "southern apteryx". O capitão Andrew Barclay, forneceu a Shaw um espécime coletado. A descrição de Shaw foi acompanhada por duas ilustrações, gravadas por Frederick Polydore Nodder; foram publicadas no volume 24 de The Naturalist's Miscellany.

Zoológicos

Em 1851, o Zoológico de Londres tornou-se o primeiro zoológico a manter quiuís em cativeiros. A primeira reprodução em cativeiro ocorreu em 1945. Em 2007, apenas treze zoológicos fora da Nova Zelândia possuem quiuís. O Zoológico de Frankfurt tem doze, o Zoológico de Berlim tem sete, o Walsrode Bird Park tem um, o Avifauna Bird Park na Holanda tem três, o Zoológico de San Diego tem cinco, o San Diego Zoo Safari Park tem um, o Zoológico Nacional em Washington, D.C. tem onze, o Smithsonian Conservation Biology Institute tem um, e o Columbus Zoo and Aquarium tem três.

Como símbolo nacional

O quiuí como símbolo apareceu pela primeira vez no final do século XIX em distintivos regimentais da Nova Zelândia. Mais tarde, foi representado nas insígnias do Batalhão de South Canterbury em 1886 e dos Voluntários do Rifle Hastings em 1887. Logo depois, apareceu em muitas insígnias militares; e em 1906, quando a marca de graxa de calçados Kiwi foi amplamente vendida no Reino Unido e nos EUA, o símbolo tornou-se mais conhecido. Durante a Primeira Guerra Mundial, o termo "kiwi" para os soldados neozelandeses entrou em uso geral, o uso se tornou tão conhecido que todos os neozelandeses no exterior e nacionalmente são agora comumente referidos como "kiwis".

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Fontes consultadas

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