Arquitetura
Arquitetura (português brasileiro) ou arquitectura (português europeu) é a disciplina que tem como finalidade a organização do espaço antropizado em que vive o ser humano. É a arte e a técnica de projetar, construir e decorar abrigos, edifícios e estruturas distinguindo-se das habilidades associadas à construção. É tanto o processo quanto o produto de esboçar, conceber, planear, projetar e construir edifícios ou outras estruturas, de acordo com as suas aspirações, possibilidades técnicas contemporâneas e visões estéticas. É a arte de moldar e criar espaços utilizáveis para as necessidades humanas. O termo em latim: architectūra; em grego clássico: ἀρχιτέκτων ; em grego clássico: ἀρχι- em grego clássico: τέκτων.
A palavra Arquitetura tem origem do grego arkhitékton, onde αρχή [arkhé] significa "primeiro", "principal" ou "chefe", e τέχνη [tékhton] que significa que significa "engenheiro", "arquiteto-chefe" , "primeiro arquiteto" ou "arquiteto" propriamente dito. O termo assim originou tanto a palavra para se referir a obra feita pelo arquiteto quanto ao próprio profissional arquiteto, que seria, portanto, o "construtor principal" responsável pela obra. O termo grego passou para o latim como architectūra para se referir a profissão e architectus para se referir ao profissional, de onde originaram os termos em português. A palavra foi grafada como arquitetura até o Acordo Ortográfico de 1945. O primeiro termo, ἀρχή – ligado a ἀρχειν (árchein), “princípio”, “comandar” – expressa no grego antigo o significado de “empreendimento ”, “início”, “origem ”, “fundamento” ou “guia”. Introduzido por Anaximandro, ἀρχή encontra a sua primeira definição na Metafísica de Aristóteles (V, 1, 1012b-1013a), que foi preservada até os tempos modernos. Aristóteles distingue pelo menos seis significados do termo, que podem ser rastreados até os dois significados principais de ἀρχή, ou seja, primeiro em importância ou primeiro em ordem temporal. Quando a primazia dos valores e a primazia do tempo coincidem, ἀρχή expressa a divindade: Deus como o maior valor e a primeira causa de todas as coisas.
A profissão costuma ser simbolizada com o compasso e o esquadro, que são instrumentos comuns no projeto da arquitetura ao longo da história e representam retidão e precisão. Juntos, permitem criar retas e curvas, simbolizando a capacidade de criar do arquiteto. A maçonaria também usa esses símbolos (porém eles costumam faze-lo com um "G" ao centro, que representa a geometria), visto que a origem desse grupo e muitas das suas tradições vem das guildas medievais de construtores e pedreiros (maçon é pedreiro em francês). Outro símbolo comum é o pilar ou mesmo a fachada dos templos gregos.
O De architectura de Vitrúvio pode ser considerado o primeiro exemplo conhecido de historiografia arquitetónica, embora dificilmente se encaixe num gênero bem definido (um texto de literatura, história e costumes arquitetónicos do mundo grego e romano, um tratado teórico ou um manual prático). Partindo de Vitrúvio, portanto, é possível detectar uma série de textos manuscritos que oscilam ciclicamente entre simples guias técnico-descritivos, desde cadernos ou livros de estudo e levantamento com legendas (Livre de portraiture de Villard de Honnecourt, século XIII) ou com anotações críticas, até escritos sobre proporções e técnicas de perspectiva, para confluir (a partir dos séculos XV-XVI) na produção sistemática de obras ainda em formato de manuscrito ou impressa (os tratados de arquitetura) que se tornam progressiva e constantemente fontes interpretativas, inspiradoras ou assertivas para os fundamentos teóricos da arquitetura em várias épocas históricas. Após os tratados dos arquitetos humanistas dos séculos XV e XVI (desde De re aedificatoria de L. B. Alberti, considerado o primeiro tratado de arquitetura do Renascimento, até A ideia de uma arquitetura universal de V. Scamozzi de 1615, considerado conclusivo daquela fase cronológica), chegamos à redação de textos do período barroco (Opus architectonicum de F. Borromini; os tratados de arquitetura civil de G. Guarini, etc.) ou dos chamados 'iluministas' franceses, E. Boullée (Arquitetura, ensaio sobre a arte, 1793-99) e C. N. Ledoux (L'Architecture considérée sous le rapport de l'art, des moeurs, et de la legislation, 1804). Ao mesmo tempo, na Itália, destaca-se a prolífica atividade literária de Francesco Milizia, que, em particular, com seu Principj di Architettura Civile (1781) contribuiu para difundir aqueles critérios tipológicos e funcionais (universidades, bibliotecas, academias, colégios, hospitais, bancos, bolsas de valores, cemitérios, etc.) constantemente repropostos ou criticados por arquitetos e diversas correntes historiográficas nos séculos seguintes. Além de tratados, dicionários e biografias, (a partir do final do século XIX) os próprios arquitetos desenvolveram textos teóricos com foco em diversos temas inerentes à arquitetura e a cidade (LH Sullivan, G. Semper, C. Sitte, A. Loos, B. e M. Taut, MJ Ginzburg, FL Wright , W. Gropius, Le Corbusier , G. Pagano Pogatschnig, EN Rogers, P. e A. Smithson, R. Venturi, R. Koolhaas etc.). O desenvolvimento de uma indústria editorial setorial (revistas, boletins, anais, cadernos, etc.) amplia os limites da produção literária e historiográfica: exemplares para a Itália são as revistas Domus, Casabella, L'architettura. Cronache e Storia, Controspazio, Lotus etc., enquanto a nível internacional surgem iniciativas como L'Architecture d'aujourd'hui, o Journal of Architectural Historians, a Architectural Review. Desde o Renascimento, a historiografia sobre a arte tem tido um tratamento comum com a arte; Durante o século XX, e particularmente na Itália, isso foi acompanhado por uma historiografia mais estritamente especializada (S. Giedion, N. Pevsner, B. Zevi, L. Benevolo, M. Tafuri, R. Banham, J. Ackerman etc.).
A arquitetura enquanto atividade é um campo multidisciplinar, incluindo em sua base a matemática, as ciências, as artes, a tecnologia, as ciências sociais, a política, a história, a filosofia, entre outros. Sendo uma atividade complexa, é difícil concebê-la de forma precisa, já que a palavra tem diversas acepções e a atividade tem diversos desdobramentos. Durante a história, várias tentativas de definir a arquitetura, suas particularidades e teorias surgem, e os seus conceitos modificam-se. A filosofia da arquitetura é um ramo da estética, que lida com o valor estético da arquitetura, sua semântica e relações com o desenvolvimento da cultura. De Platão a Michel Foucault, Gilles Deleuze, Robert Venturi e muitos outros filósofos e teóricos, distinguem arquitetura ('technion') de construção ('demiorgos'), atribuindo a primeira a traços mentais e a segunda ao divino ou natural. A Casa Wittgenstein é considerada um dos exemplos mais importantes de interações entre filosofia e arquitetura. Construída pelo renomado filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, a casa foi objeto de uma extensa pesquisa sobre a relação entre suas características estilísticas, a personalidade de Wittgenstein e sua filosofia.
A obra de Vitrúvio
De architectura é obra escrita sobrevivente mais antiga sobre arquitetura. Foi escrita pelo arquiteto romano Marcos Vitrúvio Polião no início do século I a.C. Está dividida em dez volumes, cada qual abordando um aspecto específico da arquitetura. Nessa obra, Vitrúvio já cita que um arquiteto deveria ser bem versado em campos diversos como a música e a astronomia. A filosofia, em particular, destaca-se: de fato quando alguém se refere à "filosofia de determinado arquiteto" quer se referir à sua abordagem do problema arquitetônico. O racionalismo, o empirismo, o estruturalismo, o pós-estruturalismo e a fenomenologia são algumas das direções da filosofia que influenciaram os arquitetos ao longo da história. Assim como seus sucessores teóricos, ele propõe uma definição de arquitetura:.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Definições através da história
Leon Battista Alberti, que elabora as ideias de Vitrúvio em seu tratado, De Re Aedificatoria, via a beleza principalmente como uma questão de proporção, embora o ornamento também tivesse seu papel. Para Alberti, as regras de proporção eram as que governavam a figura humana idealizada: a proporção áurea. O aspecto mais importante da beleza era, portanto, uma parte inerente de um objeto, e não algo aplicado superficialmente, e baseava-se em verdades universais e reconhecíveis. A noção de estilo nas artes não foi desenvolvida até o século XVI, com a escrita de Vasari: no século XVIII, suas Le vite de' più eccellenti pittori, scultori e architettori foram traduzidas para italiano, francês, espanhol e inglês.
Conceitos modernos
O famoso arquiteto do século XIX, Louis Sullivan, promoveu um preceito primordial ao projeto arquitetônico: "A forma segue a função". Embora a noção de que considerações estruturais e estéticas devam estar inteiramente sujeitas à funcionalidade tenha sido recebida com popularidade e ceticismo, ela teve o efeito de introduzir o conceito de "função" no lugar da "utilidade" de Vitrúvio. A "função" passou a ser vista como abrangendo todos os critérios de uso, percepção e prazer de um edifício, não apenas práticos, mas também estéticos, psicológicos e culturais. Nunzia Rondanini declarou: "Por meio de sua dimensão estética, a arquitetura vai além dos aspectos funcionais que tem em comum com outras ciências humanas. Por meio de sua maneira particular de expressar valores, a arquitetura pode estimular e influenciar a vida social sem presumir que, por si só, promoverá o desenvolvimento social. Restringir o significado do formalismo (arquitetônico) à arte em prol da arte não é apenas reacionário; também pode ser uma busca sem propósito pela perfeição ou originalidade, que degrada em forma em uma mera instrumentalidade".
Estilo e linguagem
Quando se pensa em algum tipo de classificação dos diferentes produtos arquitetônicos observados no tempo e no espaço, é muito comum, especialmente por parte de leigos, diferenciar os edifícios e sítios através da ideia de que eles possuem um estilo diverso um do outro. Tradicionalmente, a noção de estilo envolve a apreensão de um certo conjunto de fatores e características formais dos edifícios: ou seja, a definição mais primordial de estilo é aquela que o associa à forma da arquitetura, e principalmente seus detalhes construtivos. A partir desta noção, parte-se então, naturalmente, para a ideia de que diferentes estilos possuem diferentes regras. E, portanto, estas regras poderiam ser usadas em casos específicos. A arquitetura, enquanto profissão, segundo este ponto de vista, estaria reduzida a uma simples reunião de regras compositivas e sua sistematização.
O "olhar arquitetônico"
A arquitetura, ao contrário de outras formas de arte, não se apresenta de maneira "completa" para o espectador: por exemplo, uma pintura é feita para ser vista em pé na frente dela, uma escultura pode exigir que você se vire , mas em uma arquitetura, você pode ter apenas impressões parciais do todo: por exemplo, apenas a fachada do edifício, apenas uma sala de cada vez, apenas uma vista em planta. Somente com um esforço intelectual podemos avaliar o conjunto real de um complexo arquitetônico. Sobre esse aspecto da experiência "parcial" do observador, algumas vezes alguns arquitetos e artistas também se aproveitaram, como o notório exemplo do Palazzo Spada, em Roma, onde Francesco Borromini deformou os elementos arquitetônicos para dar a ideia de uma grande profundidade que não existe.
Volume e espaço
A avaliação do volume construído, que é a maneira de organizar e relacionar os edifícios no espaço, surge como um dos fatores constitutivos da arquitetura. Assim, temos dois extremos, entre os quais há uma ampla gama de possibilidades: Por espaço se entende a criação de um espaço "artificial" criado pela construção, que é finito, ordenado e protegido, diferentemente do espaço natural aberto. Um exemplo de arquitetura de apenas volume é uma forma pura como a das pirâmides, cuja estrutura é ditada pela forma externa e é quase completamente desinteressada no espaço interior. Um caso oposto da arquitetura erguida a partir do espaço pode ser o de uma basílica cristã, na qual a construção externa pode ser vista como um simples envelope determinado pelo espaço interno. Um exemplo de interpenetração intermediária pode ser o do templo grego, onde espaços vazios e cheios são determinados por relações precisas, com alguns elementos de volume independente, como colunas, e outros que, em vez disso, perderiam significado se isolados do contexto do edifício ao qual eles pertencem.
Enquanto a Europa vivia sua Idade Média, as civilizações originais da América experimentavam seus próprios avanços em várias áreas, incluindo a arquitetura. A maioria dos povos tinha uma arquitetura vernacular com técnicas e materiais locais, enquanto algumas civilizações atingiram uma grande sofisticação em suas construções. Por exemplo, a arquitetura maia deixou diversos edifícios e cidades como Chichén Itzá. Apesar de não usar tecnologias como veículos com rodas ou metal, os maias já dominavam um material similar ao cimento, de maneira parecida com os romanos da antiguidade. Ao norte, o Império Azteca tinha como destaque sua capital, Tenochtitlán, uma das maiores cidades do mundo em seu tempo, sendo que outras cidades já haviam surgido na região séculos antes. A cidade tinha um traçado urbano formado em cima de um lago, com ruas e aquedutos, e foi parcialmente mantido após a conquista espanhola, se tornando a Cidade do México.
Origens e arquitetura vernacular
A construção evoluiu primeiro da dinâmica entre necessidades (como abrigo, segurança, culto, ) e meios (materiais de construção disponíveis e habilidades auxiliares). À medida que as culturas humanas se desenvolviam e o conhecimento começava a ser formalizado por meio de tradições e práticas orais, a construção se tornou um ofício, e "arquitetura" foi o nome dado às versões mais formalizadas e respeitadas desse ofício. É amplamente assumido que o sucesso arquitetônico foi o produto de um processo de tentativa e erro, com progressivamente menos tentativas e mais replicação, à medida que os resultados do processo se mostraram cada vez mais satisfatórios. O que é chamado de arquitetura vernacular foi e ainda é a arquitetura de diversos povos durante a história, cada um com suas particularidades, e ela continua sendo produzida em muitas partes do mundo. De fato, edifícios vernáculos compõem a maior parte do mundo construído que as pessoas experimentam todos os dias. Os primeiros assentamentos humanos eram principalmente rurais. Devido a um excedente de produção, a economia começou a se expandir, resultando em urbanização, criando áreas urbanas que cresceram e evoluíram muito rapidamente em alguns casos, como o de Çatal Höyük na Anatólia e o Moenjodaro da civilização do vale do Indo no atual Paquistão.
Antiguidade oriental e clássica
Em muitas civilizações antigas, como as do Egito e da Mesopotâmia, a arquitetura e o urbanismo refletiam o constante envolvimento com o divino e o sobrenatural, e muitas culturas antigas recorriam à monumentalidade na arquitetura para representar simbolicamente o poder político do governante, da elite dominante, ou do próprio estado. A arquitetura e o urbanismo das civilizações clássicas, como a grega e a romana, evoluíram de ideais cívicos, em vez de religiosos ou empíricos, e surgiram novos tipos de construções. O "estilo" arquitetônico foi desenvolvido sob a forma de ordens clássicas. A arquitetura romana foi influenciada pela arquitetura grega, tendo incorporado muitos elementos de origem grega em suas práticas construtivas.
Antiguidade asiática
Os primeiros escritos asiáticos sobre arquitetura incluem o Kao Gong Ji da China, dos séculos VII a V a.C.; os Shilpa Shastras da Índia; Manjusri Vasthu Vidya Sastra do Sri Lanka e Araniko do Nepal. A arquitetura das diferentes partes da Ásia se desenvolveu seguindo linhas diferentes da Europa; arquiteturas budista, hindu e sikh evoluíram cada uma com características distintas. A arquitetura budista, em particular, mostrou grande diversidade regional. A arquitetura dos templos hindus, que se desenvolveu por volta do século III a.C., é governada por conceitos estabelecidos nos Shastras e preocupa-se em expressar o macrocosmo e o microcosmo. Em muitos países asiáticos, a religião panteísta levou a formas arquitetônicas projetadas especificamente para aprimorar a paisagem natural.
Arquitetura medieval europeia
Na Europa, durante o período medieval, as guildas foram formadas por artesãos para organizar seus negócios e os contratos escritos sobreviveram, principalmente em relação aos edifícios eclesiásticos. O papel do arquiteto era geralmente o do mestre pedreiro, ou Magister lathomorum, como às vezes são descritos em documentos contemporâneos. Os principais empreendimentos arquitetônicos foram os edifícios de abadias e catedrais. A partir de 900, os movimentos de clérigos e comerciantes levaram conhecimento arquitetônico por toda a Europa, resultando nos estilos românico e gótico, que atingiram toda a Europa. Além disso, parte significativa do patrimônio arquitetônico da Idade Média são numerosas fortificações em todo o continente. Dos Balcãs à Espanha e de Malta à Estônia, esses edifícios representam parte importante do patrimônio europeu.
Arquitetura islâmica
A arquitetura islâmica começou no século VII, incorporando formas arquitetônicas do antigo Oriente Médio e Bizâncio, mas também desenvolvendo recursos para atender às necessidades religiosas e sociais da sociedade. Exemplos podem ser encontrados em todo o Oriente Médio, norte da África, Espanha e subcontinente indiano.
Arquitetura africana
A África também viveu seu desenvolvimento durante o período anterior a colonização europeia. Enquanto ao norte, sua região islâmica desenvolvia seu estilo particular, as outras regiões se desenvolviam social, política e economicamente. Madagascar, por exemplo, foi influenciada por povos indonésios, desenvolvendo uma arquitetura própria em relação ao continente. Desde a antiguidade, arquiteturas complexas eram vistas não apenas no Egito, mas em outros reinos da África, que na Idade Média abrigavam enormes cidades com diferentes estilos, principalmente baseados em arquiteturas vernaculares.
A arquitetura, enquanto área multidisciplinar, se estende por várias escalas, desde o interior de uma residência até a macroescala do planejamento urbano e regional. Nessas escalas, diferentes áreas influenciam nas diretrizes dos projetos, desde aspectos de conforto ambiental até características socioculturais, e naturalmente a especialização para cada área é inevitável. Assim, apesar de se dizer arquitetura se estender por todas as áreas, os projetos de edificações são a área de arquitetura propriamente dita, enquanto outros tipos de projeto são de suas especializações, como o urbanismo. Em comum, os projetos costumam ser representados através do desenho arquitetônico - com plantas dos mais diversos tipos, como as plantas baixas, vistas de cortes e fachadas, elevações - e outros recursos como mapas, planilhas, gráficos, diagramas, desenhos, maquetes físicas e eletrônicas e imagens renderizadas para transmitir as informações do projeto para o leitor, seja o cliente, as autoridades, a população ou outros profissionais, como os engenheiros e os responsáveis pela execução. Apesar do desenho a mão ainda ser usado nas etapas de esboço, os projetos atuais usam de recursos de tecnologia como o desenho arquitetônico assistido por computador, os softwares de modelagem tridimensional, os softwares de renderização, os softwares de modelagem da informação da construção, entre outros.
Projeto arquitetônico
O projeto arquitetônico, ou seja, projetar edificações, é uma das principais áreas da arquitetura, e pode ser considerada sua área central. Com diversas etapas, que vão desde a concepção criativa até a entrega do projeto executivo, o projeto é a concepção de uma obra e precede toda construção. Por sua complexidade, sua duração pode ser de meses ou até anos. Projetos podem variar em tamanho e escala, desde uma pequena residência até um grande conjunto habitacional, e podem ter usuários, objetivos e temáticas variados. Existem arquiteturas voltadas ao uso público, ao privado e a ambos ao mesmo tempo. Existem arquiteturas de luxo, voltadas a classes abastadas, e arquiteturas voltadas a classes sociais mais vulneráveis, como as habitações de interesse social. Existem arquiteturas utópicas que não tem por objetivo serem construídas de fato, arquiteturas influenciadas por limitações financeiras, socioculturais ou geográficas, e arquiteturas que trabalham com objetivos específicos como o conforto bioclimático, entre muitas outras. Cada projeto tem suas próprias características.
Projeto de interiores
Também conhecido como design de interiores, trata-se de um projeto voltado para a composição e decoração de ambientes internos usando de técnicas cenográficas e de conforto ambiental, ergonômico e visual, procurando conciliar conforto, praticidade e beleza. É o braço da arquitetura que confere comodidade e qualidade aos espaços ocupando-se das técnicas e normas que envolvem a acústica, a iluminação, os requisitos elétricos, a imagem e a ergonomia, que são projetados dentro de espaços interiores, sejam eles particulares comerciais. O projeto de interiores muitas vezes é oferecido a parte do curso de arquitetura nas universidades, apesar das profissões serem próximas, e não é incomum o profissional trabalhar como autônomo, dada a escala menor.
Paisagismo
O paisagismo é a criação de projetos de áreas externas, englobando tudo que interfere na paisagem externa as edificações. Em geral, é associado a parques e vegetação em geral, mas inclui todo o desenho urbano externo - pode estar relacionado ao projeto arquitetônico ou ao urbanístico, ou a ambos, dependendo da escala. O projeto de paisagem pode variar desde a criação de parques e vias públicas até o planejamento de campi e parques corporativos, desde o projeto de jardins até o gerenciamento de grandes áreas selvagens ou a recuperação de paisagens degradadas como minas ou aterros sanitários.
Restauração
A restauração é um conjunto de atividades que visam a restabelecer danos decorrentes do tempo em, por exemplo, edificações históricas. Relacionado diretamente a história, o restauro atual tende a preservar ao máximo a integridade dos edifícios históricos sempre e quando eles tem um valor artístico e cultural. Por suas características particulares, um projeto de restauro e/ou intervenção é mais lento e requer mais paciência e delicadeza do profissional, com uma pesquisa histórica refinada e um cuidado com patologias, danos e a manutenção do material original quando possível.
Urbanismo, planejamento urbano e regional
O urbanismo é a área de estudos relacionada com estudo, regulação, controle e planejamento das cidades, sendo o planejamento urbano sua aplicação projetual, através de processos de produção, estruturação e apropriação do espaço urbano, levando em conta que a própria cidade e seus processos interferem no seu planejamento. Apesar de existirem diferenças de definição entre urbanismo e planejamento urbano, a divisão dos dois termos são pouco claras na prática, sendo muitas vezes considerados ambíguos.
Embora a arquitetura trate do projeto de paredes, colunas, pisos, tetos e outros elementos construtivos tal qual a engenharia, seu objetivo é criar espaços significativos onde os seres humanos possam desenvolver todo tipo de atividades. É nesse "sentido" que a arquitetura (como arte) pode ser distinguida da mera construção. É assim que é capaz de condicionar o comportamento do homem no espaço, tanto física quanto emocionalmente. Embora atualmente se considere que a principal atividade da arquitetura é o projeto de espaços para o abrigo, somente a partir do século XIX os arquitetos começaram a se preocupar com o problema da acomodação, habitabilidade e a higiene das casas e estender seu escopo de ação além dos monumentos e edifícios representativos. A evolução para a especialização e a separação das áreas de trabalho é semelhante à de outras profissões. A especialização no espaço interno e na criação de objetos utilizados em edifícios, como móveis, resultou no nascimento da profissão de design industrial e no design de interiores. Os profissionais que projetam e planejam o desenvolvimento de sistemas urbanos são urbanistas e planejadores urbanos - em alguns países, estes são ensinados de forma separada, enquanto em outros suas atribuições são desenvolvidas por arquitetos e engenheiros, em conjunto ou independentemente. O mesmo ocorre com os profissionais restauradores e paisagistas. No Brasil, por exemplo, os cursos de graduação incluem - e são chamados de - arquitetura e urbanismo, e as outras áreas estão abrangidas dentro do curso. Mas há também especializações e cursos separados, especialmente de design de interiores. Já em Portugal, arquitetura é um curso separado de outras áreas como a arquitetura de interiores ou o urbanismo.
Entidades
A entidade máxima da arquitetura mundial, reconhecida pelas Nações Unidas, é a União Internacional de Arquitetos (UIA). Essa entidade realiza congressos mundiais a cada três anos: é o Congresso Mundial de Arquitetos, o mais prestigiado encontro de profissionais do mundo. Portugal sediou o 3º Congresso, em 1953, quando aconteceu em Lisboa, e o Brasil sediou o 27º Congresso, que aconteceu no Rio de Janeiro em 2021. Ainda existem entidades nas áreas específicas, como a Federação Internacional de Arquitetos Paisagistas (IFLA). Regionalmente, existem entidades como a Federação Pan-americana de Associações de Arquitetos (FPAA), a União Africana de Arquitetos (AUA) e o Conselho dos Arquitetos da Europa (CAE).
O prêmio mais famoso e prestigiado da arquitetura, considerado equivalente ao Nobel da profissão, é o Pritzker, criado em 1979 pela Fundação Hyatt, gerida pela família Pritzker. Outros prêmios mundiais importantes incluem a Medalha de Ouro da União Internacional de Arquitetos, que é dada cada três anos em seu Congresso, e ainda o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza, o Prêmio de Arquitetura Contemporânea Mies van der Rohe e o Praemium Imperiale, entre outros.
Atualmente o Dia Mundial da Arquitetura é celebrado na primeira segunda de outubro, junto com o Dia Mundial do Habitat. Essa data foi estabelecida pela União Internacional de Arquitetos (UIA) em 2005, sendo que antes era celebrado no dia 1º de julho - data ainda lembrada em alguns países - por ser o dia da fundação da própria UIA em 1947. Outras áreas relacionadas a arquitetura também têm suas datas, como o Dia Mundial do Urbanismo, celebrado no dia 8 de novembro. No Brasil, o dia do arquiteto, antes comemorado no mesmo dia que o do engenheiro, 11 de dezembro - visto que nesta data tanto engenharia quanto arquitetura foram regulamentadas no país - é desde 2011 celebrado no dia do nascimento do mais conhecido arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer: 15 de dezembro. Em Portugal, o dia do arquitecto é celebrado no dia 3 de Julho, data de publicação do Estatuto da Ordem dos Arquitectos em 1998 e da revogação do Decreto n.º 73/1973 com a publicação da Lei 31, que estabelece a qualificação profissional exigível aos profissionais, em 2009.


