Arthur Lira
Arthur César Pereira de Lira é um advogado, agropecuarista, empresário e político brasileiro, filiado ao Progressistas (PP). Serviu como o 112.º Presidente da Câmara dos Deputados no período de 2021 a 2025. Exerce o quarto mandato de deputado federal por Alagoas. É reconhecido como uma das principais lideranças do bloco suprapartidário conhecido como "centrão".
Arthur Lira nasceu em Maceió, filho de Benedito de Lira, importante político de Alagoas, e Ivanete Pereira de Lira. Formado em Direito pela Universidade Federal de Alagoas (1988-1993), é advogado, agropecuarista e empresário. Casou-se em 1996 com Jullyene Cristiane Santos Lins, com quem teve dois filhos. De acordo com a ex-esposa, o estopim para a separação do casal, em maio de 2006, foi a descoberta de um relacionamento extraconjugal de Lira que resultou em uma filha fora do casamento. Atualmente, Arthur Lira é casado com Angela Maria Gomes de Almeida Lira, com quem tem uma filha. Em julho de 2021, a esposa de Lira foi nomeada pelo governador de Roraima, Antonio Denarium, como secretária-adjunta da Representação Estadual no Distrito Federal, com salário líquido mensal de R$ 14 mil.
Acusação de agressões e estupro
Em 2007, a primeira esposa de Arthur Lira, Jullyene Lins, acusou o político de agressão. De acordo com Lins, em novembro de 2006 o ex-marido teria ido a seu apartamento e a agredido física e verbalmente por 40 minutos, além de tê-la ameaçado de morte. Inicialmente o caso tramitou na justiça comum, mas Lira ganhou foro privilegiado após ser eleito como deputado federal em 2010 e o caso foi para a Procuradoria-Geral da República. Lira foi inocentado em 29 de setembro de 2015 pelo Supremo Tribunal Federal por cinco votos a três por ausência de provas, pela prescrição do crime, pela mudança dos depoimentos e pela suposta não-comprovação das lesões em contexto de violência doméstica, sendo apontado pelo ministro Teori Zavascki que elas eram leves e que Jullyene as teria inventado para criminalizar Lira.
Foi eleito vereador em Maceió em 1992, reelegendo-se em 1996. Em 1998 foi eleito deputado estadual, reeleito em 2002 e 2006. Já havia sido filiado ao Partido da Frente Liberal (PFL) (1991-1995), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) (1995-2001), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) (2001-2003), Partido Progressista (PP) (2003-2005) e Partido da Mobilização Nacional (PMN) (2005-2009). Filiou-se ao Partido Progressista (PP) em 2009 e elegeu-se deputado federal em 2010, sendo reeleito em 2014 com 98.231 votos, o quarto mais votado de seu estado. Foi líder de seu partido na Câmara entre fevereiro de 2012 e outubro de 2013. Licenciou-se do mandato na legislatura 2011-2015, para tratar de interesses particulares, a partir de 11 de dezembro de 2013. Reassumiu em 12 de abril de 2014. Arthur Lira era considerado um dos principais aliados de Eduardo Cunha na Câmara, tendo sido inclusive indicado por ele, em fevereiro de 2015, para presidir a Comissão de Constituição e Justiça, uma das mais importantes do parlamento brasileiro. Mesmo após ser afastado do mandato de deputado, Cunha indicou Lira para presidir a Comissão de Orçamento em maio de 2016.
Presidente da Câmara dos Deputados
Em seu primeiro ato de gestão, Lira anulou a inscrição do bloco de partidos que apoiou Baleia Rossi, em função de considerar que o registro da chapa foi intempestivo. A decisão possibilitou hegemonia ao grupo de Lira no comando da Câmara, que passou a ter direito a 5 das 6 vagas da mesa diretora da casa; anteriormente o grupo do emedebista teria direito a 3 das 6 cadeiras na Mesa em função do previsto no Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RICD), ainda que muitos do grupo de Baleia tivessem dado votos à Lira. Após isso a situação ficou insustentável, já que Arthur Lira desagradou 10 partidos e cerca de 200 parlamentares, e para negociar sua agenda, o presidente recém eleito teve de conversar com os parlamentares e redistribuiu os cargos da Mesa Diretora.[carece de fontes?] Finalmente, depois de mais de 10 formatos diferentes de propostas, os partidos chegaram a um acordo e a eleição para o restante da mesa ocorreu. O bloco de Baleia, que a princípio teria direito a três cadeiras e após a anulação só teria uma, passou a ter direito a duas cadeiras, um meio termo.
Defesa do semipresidencialismo
Desde que assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2021, Arthur Lira se posicionou em diversas oportunidades em favor da adoção formal de um semipresidencialismo no Brasil, com a criação do cargo de primeiro-ministro para atuar como chefe de governo do país. Com a opinião, Arthur Lira negou querer favorecer os parlamentares, defendendo que o semipresidencialismo busca proteger o próprio presidente da República de instabilidades políticas.
Operação Taturana
Em 16 de dezembro de 2011, o juiz Helestron Costa, da 17.ª Vara da Fazenda Pública de Maceió, determinou o afastamento dos cargos públicos de Arthur Lira, na época deputado estadual, dos também deputados estaduais João Beltrão e Cícero Ferro, do prefeito de Roteiro, Fábio Jatobá, do ex-deputado estadual Celso Luiz Brandão, ex-prefeito de Canapi, e da filha de João Beltrão, Jully Beltrão, como desdobramento da Operação Taturana, deflagrada em 2007. Além disso, o magistrado decretou o bloqueio dos bens de todos eles. No entanto, pouco depois o Tribunal de Justiça de Alagoas decidiu suspender os efeitos de decisão após analisar os recursos impetrados pela defesa do parlamentar. O presidente do Tribunal, desembargador Sebastião Costa Filho, entendeu que Arthur Lira não poderia atrapalhar o andamento do processo.
Enriquecimento ilícito
Em 2016, o jornalista Chico de Gois, do jornal O Globo, lançou um livro chamado Os Ben$ que os Políticos Fazem, que atinge diretamente Arthur Lira e seu pai Benedito de Lira. O livro traz 10 casos de políticos brasileiros que enriqueceram durante o exercício do mandato. Entre eles, levanta o enriquecimento de três filhos de políticos que, apesar de jovens, têm uma fortuna maior do que a de seus pais, que estão há anos na política. Além de Arthur Lira, foram citados João Henrique Caldas e Wilson Filho. De acordo com a publicação, Arthur tinha um patrimônio declarado de R$ 79 mil no ano de 1996. Em 2006, após 10 anos, esse valor havia pulado para R$ 695 mil. Em 2010, após 14 anos e três mandatos (dois de deputado estadual e um de federal), seu patrimônio evoluiu para mais de R$ 2 milhões. Apesar deste crescimento, ele teria deixado de declarar bens como, por exemplo, um apartamento no bairro da Jatiúca, em Maceió. Junto com o pai, teria deixado de informar que são sócios na empresa D’Lira Agropecuária e Eventos, criada em 2007. O livro relata também as acusações de que o deputado foi integrante de um esquema de desvio de recursos da Assembleia Legislativa de Alagoas, dentro da chamada Operação Taturana, pelo qual chegou a ser preso, identificado pela Polícia Federal como um político "sem limites para usurpar dinheiro público", o que não o impediu de conseguir se eleger deputado federal em 2010.
Operação Lava Jato
No dia 4 de setembro de 2015, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou denúncias ao Supremo Tribunal Federal contra o deputado federal Arthur Lira e seu pai, senador Benedito de Lira, por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. Nas denúncias, Janot pede a condenação dos dois pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Durante as investigações, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, em delação premiada, que repassou R$ 1 milhão, por intermédio do doleiro Alberto Youssef, para a campanha de 2010 ao Senado de Benedito de Lira. O valor, segundo Costa, teria saído da "cota" destinada ao PP no esquema de corrupção e seria decorrente de sobrepreços em contratos da Petrobras. No caso do deputado Arthur Lira, Youssef afirmou, também em delação premiada, que teria pago despesas de campanha do parlamentar em 2010. O doleiro também disse que soube que um assessor do deputado recebeu R$ 100 mil em espécie, mas que ele teria sido detido com o dinheiro no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ainda de acordo com o doleiro, o deputado recebia repasses mensais entre R$ 30 mil e R$ 150 mil da "cota" do PP. Em relatório enviado ao Supremo, a Polícia Federal apontou ainda que o empresário Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, também afirmou em depoimentos de delação premiada que os dois foram beneficiados com dinheiro desviado da Petrobras. No dia 1º de setembro a PF já havia enviado relatório ao STF no qual apontava indícios de corrupção passiva dos dois parlamentares e pedia, como uma medida cautelar em procedimento separado, o afastamento dos dois dos cargos públicos.
No dia 16 de setembro de 2025, Lira votou a favor da PEC 3/2021, conhecida como PEC da Blindagem. A proposta dificulta a abertura de processos criminais e prisões contra senadores e deputados, restringindo a prisão em flagrante de parlamentares. Congressistas favoráveis à PEC afirmam que ela volta às regras ao texto da Constituição de 1988. Mas, na verdade, o texto acrescenta novas blindagens, como a votação secreta para prisão de parlamentares. No caso de prisão em flagrante por crime inafiançável, por exemplo, os autos serão enviados à Câmara ou ao Senado dentro de 24 horas para que, pelo voto secreto da maioria de seus membros, se autorize ou não prisão do parlamentar.


