Artur Carlos de Barros Basto
Artur Carlos de Barros Basto OC • OA foi um militar de carreira, mas também um escritor e um filósofo que publicou várias obras relacionadas com o Judaísmo. Foi um importante líder judaico e impulsionador da criação da comunidade Judaica do Porto, cujo nome oficial é Comunidade Israelita do Porto e da edificação da Sinagoga Kadoorie. Ajudou ao retorno dos criptojudeus ao Judaísmo e os refugiados judeus na Segunda Guerra Mundial.
Quando ainda jovem, Barros Basto ouviu de seu avô paterno falar pela primeira vez da história da sua família, bem como da história e doutrina dos Judeus em Portugal. Este apenas teve conhecimento da existência de Judeus em Portugal em 1904 quando leu um artigo de jornal, referente à inauguração da sinagoga Shaaré Tikva, em Lisboa. Convenceu-se de que ele próprio tinha ascendência judaica, apesar de tal não ser sequer provável através de investigação genealógica. Anos mais tarde, iniciou a sua vida militar e, quando o exército o mandou frequentar um curso na Escola Politécnica de Lisboa, o jovem Barros Basto dirigiu-se à sinagoga da cidade, para junto da comunidade judaica de Lisboa, numa tentativa de ser aí admitido como membro. Os dirigentes da sinagoga não permitiram e não foi aceite, mas Barros Basto não desistiu. Quando foi implantada a República a 5 de Outubro de 1910, Barros Bastos foi aquele que hasteou a bandeira republicana na cidade do Porto.
No seguimento de uma petição apresentada à Assembleia da República, pela sua neta Isabel Ferreira Lopes, a 31 de Outubro de 2011, o nome de Barros Basto foi reabilitado a 29 de Fevereiro de 2012. A petição, aprovada por unanimidade por todos os partidos políticos veio concluir que Barros Basto, ao ser afastado do exército foi vítima de segregação político-religiosa pelo facto de ser judeu. «Barros Basto foi separado do Exército devido a um clima genérico de animosidade contra si motivado pelo facto de ser judeu» — pode ler-se no documento a que a Agência LUSA teve acesso. Por sua vez, a Resolução da Assembleia da República n.º 119/2012, de 10-08, recomendou ao governo que procedesse a uma reintegração simbólica de Barros Basto no Exército, a título póstumo, «em categoria nunca inferior àquela a que o militar em causa teria direito se sobre o mesmo não tivesse sido instaurado o processo que levou ao seu afastamento.»


