Associação Galega da Língua
A Associaçom Galega da Língua (AGAL) é uma associação linguística e cultural galega fundada em 31 de outubro de 1981. Os seus objetivos são a promoção e normalização do galego, entendendo-o como sendo a mesma língua que o português. É a principal entidade do movimento reintegracionista e a encarregada, através da sua Comissom Linguística, da codificação da norma internacional do galego, convergente com a usada no português.
Em maio de 1981 houve várias reuniões em Santiago de Compostela que deram como principal conclusão que cumpria aproveitar as novas condições políticas, nomeadamente a aprovação do Estatuto de Autonomia de Galiza, para dar resposta aos problemas da língua galega. Para isso, decidiu-se constituir uma associação que teria como objetivo «conseguir umha substancial reintegraçom idiomática e cultural do galego, especialmente nas manifestaçons escritas, na área lingüística e cultural que lhe é própria: a galego-luso-africano-brasileira» (excerto dos primeiros Estatutos da AGAL). A 9 de junho desse ano foi redigida na Corunha a Ata Fundacional, em que apareciam como membros Xavier Alcalá, António Gil Hernández, Manuel Miragaia, José Maria Monterroso e Joám Carlos Rábade. A 2 de outubro, a associação foi legalizada, e a 31 de outubro de 1981 teve lugar a assembleia fundacional, efeméride que definiria o nascimento oficial da AGAL. No dia 19 de dezembro foi elegido na sede de D. Bosco, em Santiago de Compostela, o primeiro Conselho, órgão coordenador da associação.
Em 2023, ao mesmo tempo que começava o seu labor o novo Conselho da AGAL encabeçado por Jon Amil como presidente, a língua galega entrava num momento de inflexão. Os dados de uso do galego do Instituto Galego de Estatística mostraram que o uso e conhecimento da língua na infância e na mocidade estava em mínimos históricos. Devido a isso, o foco da AGAL mudou precisamente à procura de novas maneiras de promover a língua nessas faixas etárias, com uma aposta decidida polas redes sociais e as novas formas de comunicação na internet, e recursos específicos para crianças tendo em conta o seu ponto de vista e necessidades. Outro dos desafios que a nova presidência percebeu é que o reintegracionismo tinha um problema de implantação na sociedade, tendo dificuldades para chegar a pessoas mais afastadas dos círculos do ativismo linguístico, para dar resposta às necessidades comunicativas das pessoas. Por isso, entre outras medidas, Jon Amil quer dar voz ao coletivo LGBT+ e dar apoio técnico e linguístico às propostas de linguagem não-binária em galego-português.
A AGAL, como Observador Consultivo da CPLP, participa nas comissões temáticas de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa; Educação, Ciência e Tecnologia; e Assuntos Culturais. A associação também faz parte do Observatorio da Lusofonia "Valentín Paz-Andrade", organismo pertencente à Junta da Galiza, no qual participa na Comissão de Análise da Situação da Língua Portuguesa na Galiza e na Comissão de Projeção Institucional da Galiza no Âmbito da Lusofonia.
Durante a história moderna do galego, foram vários os autores que usaram uma ortografia mais ou menos convergente com a usada no português. Porém, foi em 1983, com a publicação do Estudo Crítico das “Normas Ortográficas e Morfolóxicas do Idioma Galego”, que isso cristalizou numa norma unificada. Mais tarde, outras obras como Prontuário Ortográfico Galego (1985), o Relatório sobre o til de nasalidade (1989), a Atualizaçom da Normativa Ortográfica da Comissom Lingüística da AGAL conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (2010) e o O Modelo Lexical Galego (2012) acabaram de concretizar esta norma de maneira sólida. Já no ano 2015 houve no reintegracionismo galego um ponto de inflexão devido à chamada confluência normativa. Até esse ano, havia certas diferenças entre as pessoas que queriam usar uma norma mais nitidamente galega, e as pessoas que queriam converger de maneira total com o Acordo Ortográfico. A solução foi juntar todas as normas prévias, e mais todas as opções totalmente convergentes com o Acordo Ortográfico, e fazer uma única obra de referência para todas as pessoas reintegracionistas da Galiza.
A Através Editora é o selo editorial da AGAL. Nasceu em 2009, sendo uma evolução da anterior Área Editorial da associaçom, tendo assim uma maior entidade e autonomia. A sua missão é criar um catálogo de obras produzidas na Galiza que contribua a conhecer melhor a sociedade e a língua galegas, e a divulgar obra literária que forneça valor acrescentado. Centra-se na potencialidade da filosofia reintegracionista e por isso edita em galego internacional para os mercados de Portugal e da Galiza.
O Portal Galego da Língua (PGL) é o portal de novas da AGAL. Nasceu no ano 2002 com a intenção de ser um portal de referência para a língua galega, o movimento reintegracionista e o conjunto da lusofonia.
O Dicionário Eletrónico Estraviz é uma das maiores obras lexicográficas da nossa língua, com mais de 151.400 verbetes e um conjugador verbal. O seu criador e diretor é Isaac Alonso Estraviz, quem já o editara em versão impressa décadas antes. Porém, em 2005 a AGAL fez-se cargo da sua digitalização e disponibilização em linha, primeiro como parte do Portal Galego da Língua e mais tarde com domínio próprio na rede. Devido ao imenso trabalho que supõe a sua manutenção e atualização, hoje em dia a AGAL e o Estraviz contam com a colaboração da Academia Galega da Língua Portuguesa, a Fundaçom Meendinho e um enorme grupo de pessoas.
O Topogal é uma ferramenta informática para poder comprovar a grafia dos topónimos da Galiza segundo a ortografia internacional do galego. A primeira versão data de 2003 e foi desenvolvida para os sistemas Windows mais velhos. Uma nova ferramenta web, atualizada a sistemas modernos e com as grafias dos topónimos revisadas, está disponível em versão beta e pode ser acessada em linha.
A revista Agália foi uma publicação de caráter científico, periodicidade semestral, língua e âmbito galego-português, e impacto e referencialidade internacionais dentro dos estudos da cultura. Nasceu em 1985 com o subtítulo "Publicaçom Internacional da Associaçom Galega da Língua" para informar trimestralmente das atividades da AGAL, para contribuir à coexão da sua base associativa e para intervir desde o reintegracionismo no campo académico galego, sustentando a sua proposta normativa (atualizada em 2010 conforme o acordo ortográfico de 1990) e procurando visibilidade e retroalimentação no e com o restante espaço lusófono. No ano 2002 mudou o seu subtítulo por "Revista de Ciências Sociais e Humanidades" e posteriormente, em 2011, por "Revista de Estudos na Cultura". Finalmente, no ano 2016, depois dum total de 114 números públicados, a revista deixou de ser editada e todos os números passaram a estar disponíveis em aberto em formato pdf no seu sítio web.
A AGAL conta com uma área dedicada à formaçom. O seu objetivo é, bem ensinar um modelo de galego convergente com o português no mundo, bem fazer cursos de português padrão para poder obter os diplomas necessários de nível de idioma. Destacam duas modalidades:
Cursos aPorto
Os aPorto são cursos de português realizados pola AGAL em colaboração com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Decorrem todos os anos no verão na cidade do Porto, tendo uma parte de docência na aula e outra de imersão linguística e cultural na cidade.
Ateliês OPS! (O Português Simples)
Os OPS! são ateliês de português dirigidos a centros de ensino. O objetivo é mostrar a estudantes de primário ou secundário a facilidade que têm de poder entender e participar no mundo lusófono desde o primeiro momento, sem conhecimento prévio, só a partir do seu galego. Normalmente são realizados em parceria com os próprios centros de ensino ou com organismos públicos, como câmaras municipais ou deputações provinciais.


