Assuristão
Assuristão, Assurestão, Assoristão, Assorestão ou ainda Bete Aramaia e Balade Anabate na Crônica de Sirte, era a província do Império Sassânida na Babilônia entre os montes Hanrim e a Mesena. É conhecida da inscrição Feitos do Divino Sapor do xá Sapor I (r. 240–270) na forma grega Assyrian; na inscrição de Paiculi de Narses I (r. 293–302); na Criação Original; como empréstimo do armênio; na Épica dos Reis de Ferdusi na forma tardia Surestão (Sūrestān); e em transcrições chinesas. O adjetivo pálavi āsōrīg significa "babilônio". O siríaco Āṯōr significa "Assíria" e é dele que surge a confusão do Assuristão e a Assíria, como notado, por exemplo, em Amiano Marcelino e que se mantém entre estudiosos modernos. Era a província mais rica do Império Sassânida e foi chamada de del-e Ērānšahr.
O Assuristão, em aramaico chamado Bete Aramaia (Bēṯ Aramāyē), correspondia quase identicamente ao antigo país da Babilônia. Suas fronteiras estavam, a oeste, no rio Eufrates e, no leste, numa faixa de terra a leste do rio Tigre. Sua fronteira norte é de todo incerta, mas talvez corria junto da linha de Anata para Tacrite. Hira foi provavelmente o ponto mais meridional, com a fronteira então seguindo à porção norte dos pântanos de Uacite. A província de Mesena estava ao sul. Uma importante via corria junto do Eufrates rio abaixo para Perisapora (Ambar), onde virou para oeste à Selêucia-Ctesifonte. Outra importante via seguiu o Tigre rio acima de Uacite para Tacrite. A região também fez grande uso do tráfico fluvial e foi cortada por vários canais, usados sobretudo à irrigação. Suas principais cidades foram enumeradas por Amiano Marcelino, que também inclui várias cidades que, na verdade, pertenciam a Mesena. Ele cita Babilônia (em ruínas desde o tempo parta), Selêucia e Ctesifonte, que diz que foi fundada por Vardanes (indivíduo desconhecido) e depois fortificada por Pácoro I (filho de Orodes II). Hira, no sul, é citada no pálavi Catálogo das Capitais Provinciais como fundada por Sapor I.
A divisão administrativa durante o período sassânida usou vários termos, que divergiam de tempo em tempo e segundo o uso local. No Assuristão o termo para província era xar (šahr). O maior distrito era chamado cora (kūra) ou ostã (ōstān) e o menor era chamado rustaque (rustāk), com cada rustaque subdividido em quatro taçuques (tasūks). A menor unidade era a vila (deh); no siríaco a terminologia era atra (ʾaṯrā), cora, rustaca (rustāqā), querita (qerītā; vila), não havendo termo correspondente aos taçuques. Na administração sassânida tardia, rustaque e taçuque parecem ter mudado de lugar, com o último denotando o distrito maior.
A população do Assuristão era mista. Os gregos citadinos, ainda muito presentes no período parta, foram absorvidos pelos semitas (arameus, judeus e árabes) na época sassânida. Os árabes eram nômades nas cercanias do deserto; os judeus eram sobretudo fazendeiros, mas alguns também viveram nas cidades como Sura, Pumbedita e sobretudo Neardeia; os arameus, a maioria da população, eram falantes de dialetos arameus orientais como os judeus. Os iranianos compunham as altas classes, como os cortesões, oficiais militares, serventes civis, juízes e senhores feudais e viviam parcialmente no campo, parcialmente em Ctesifonte, onde tinham casas. A maioria aramaica era cristã e sempre foi reconhecida como não confiável, porém o governo pouco fez para criar súditos leais. O mesmo pode ser dito dos árabes, que tornaram-se hostis após a abolição do Reino Lácmida de Hira no final do século VI. Tal hostilidade permitiu a rápida conquista pelos árabes muçulmanos após sua vitória na Batalha de Cadésia (635/36), com a população resistindo pouco ou nada aos conquistadores.


