Dominância (genética)
A dominância genética, conceito central nas leis de Gregor Mendel, descreve a propriedade de certos alelos, os dominantes (representados por letras maiúsculas, como 'A'), de se manifestarem no fenótipo mesmo na presença de alelos recessivos (representados por letras minúsculas, como 'a'). Isso significa que a característica codificada pelo alelo dominante será expressa, 'mascarando' a do alelo recessivo.
Pontos-chave
- A dominância é a manifestação fenotípica de um alelo dominante mesmo na presença de um alelo recessivo.
- Alelos dominantes são convencionalmente representados por letras maiúsculas e recessivos por minúsculas.
- Gregor Mendel estabeleceu o modelo de dominância através de experimentos com plantas de ervilha.
- Existem exceções à dominância simples, como codominância e dominância incompleta.
- Um alelo dominante não é necessariamente mais comum ou prevalente na população.
Gregor Mendel, o pai da genética, realizou experimentos meticulosos com plantas, cruzando-as por várias gerações para obter linhagens puras. Ao cruzar plantas de flores púrpuras com plantas de flores brancas, ele observou que a primeira geração (F1) produzia apenas flores púrpuras. No entanto, ao cruzar duas plantas da F1, a segunda geração (F2) apresentava uma proporção de 75% de flores púrpuras e 25% de flores brancas. Para explicar esses resultados, Mendel propôs que cada indivíduo possui duas 'informações' (alelos) para cada característica (sendo diploide). Após autocruzamentos, essas informações tornam-se idênticas. Durante a formação dos gametas, apenas uma dessas informações é transmitida (sendo haploide). A combinação de gametas paterno e materno reconstitui o indivíduo diploide. Indivíduos com alelos idênticos são homozigotos, e com alelos diferentes, heterozigotos.
A genética vai além da dominância simples, apresentando outras relações alélicas importantes. A codominância ocorre quando o indivíduo heterozigoto manifesta características de ambos os alelos simultaneamente. Já na dominância incompleta, o heterozigoto exibe um fenótipo intermediário entre os fenótipos dos alelos dominante e recessivo. A classificação de um alelo como dominante ou outra relação pode depender do nível de observação. Por exemplo, em nível molecular, um alelo 'recessivo' sempre é expresso, indicando codominância. Contudo, em uma observação macroscópica, as diferenças de cor causadas pelo alelo dominante justificam o conceito de dominância.
É um equívoco comum pensar que um alelo dominante é necessariamente mais comum ou prevalente em uma população. A dominância refere-se apenas à forma como o alelo se expressa no fenótipo, não à sua frequência. Um exemplo claro é a doença de Huntington, uma condição genética grave causada por um alelo dominante que, apesar de sua dominância, é raro na população humana. Isso demonstra que a prevalência de um alelo na população não está diretamente ligada à sua característica de dominância.


