Pesquisa · Mapa mental

Barry Goldwater

Barry Morris Goldwater foi senador pelo estado de Arizona pelo Partido Republicano e candidato a presidente na eleição de 1964 nos Estados Unidos da América. Era também Major-General da Força Aérea de Reserva dos Estados Unidos Nos anos de 1960 a 1964, era conhecido como "Sr. Conservador". Goldwater é o político a quem se dá mais crédito pelo início da ressurgência do movimento político conservador americano nos anos de 1960. Teve também um impacto substancial sobre o movimento libertário.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
01

Início de vida

Goldwater nasceu em 1909 em Phoenix, então Território do Arizona, de Baron Goldwater e da sua esposa Hattie Josephine ("JoJo") Williams. A família judia do seu pai tinha fundado a "Goldwater's", o maior supermercado de Phoenix. O nome da família tinha sido mudado de Goldwasser para Goldwater pelo menos antes do censo de 1860 em Los Angeles, Califórnia. Os seus avós paternos, Michel e Sarah (Nathan) Goldwater casaram-se na Grande Sinagoga de Londres. A mãe de Goldwater vinha de uma tradicional família Yankee que incluía o famoso teólogo Roger Williams de Rhode Island. Os seus pais tinham casado numa igreja episcopal de Phoenix. Durante toda a sua vida Goldwater pertenceu à Igreja Episcopal dos Estados Unidos, apesar de, em raras ocasiões, ter referido a si próprio como judeu. Apesar de não frequentar regularmente a igreja afirmou que: "Se um homem age de maneira religiosa, eticamente, então é realmente religioso - isso não tem muito a ver com a frequência com que entra numa igreja".

02

Carreira política

Goldwater entrou para a vida política de Phoenix em 1949, ao ser eleito para a Assembleia Municipal, como parte dum grupo de candidatos independentes focado em "limpar" situações escandalosas de prostituição e jogo ilegal. Como republicano, ganhou um lugar no Senado dos Estados Unidos. Em 1952, derrotando o democrata veterano e líder da maioria no senado, Ernest McFarland. Voltou a derrotar McFarland em 1958, com um bom resultado na sua primeira reeleição em um ano em que os democratas ganharam mais de treze lugares no senado. Deixou o senado em 1964 para se dedicar à campanha presidencial.

Opinião e ação política

Goldwater ficou rapidamente associado à reforma sindical e ao anticomunismo; foi um apoiante activo da coligação conservadora no congresso. No entanto, rejeitou o movimento anticomunista. Em 1956, defendeu no Senado a redação final do projeto de lei da saúde mental no Alasca, apesar da oposição considerar a lei uma conspiração para estabelecer campos de concentração no estado. Manifestou-se a favor de reformas contra a corrupção e enfrentou a campanha da AFL-CIO, uma organização sindical, contra a sua reeleição em 1958. Goldwater votou contra a censura ao senador Joseph McCarthy em 1954, mas ele próprio foi mais moderado que McCarthy, nunca acusando nenhum indivíduo de ser agente soviético ou comunista. Em 1960 enfatizou a sua forte oposição à expansão mundial do comunismo no seu livro A Consciência de um Conservador. O livro tornou-se referência nos círculos políticos conservadores.

Eleições

Em 1964 disputou e ganhou a litigada corrida à nomeação do Partido Republicano para candidato às presidenciais. O seu maior rival foi o governador do Estado de Nova Iorque, que derrotou por uma curta margem na disputada primária da Califórnia. À sua nomeação opunham-se os republicanos liberais, que pensavam que o desejo de Goldwater de levar a cabo a rollback, a derrota da União Soviética, levaria a uma guerra nuclear. Dois livros foram publicados para promover Goldwater: A Choice, Not An Echo de Phyllis Schlafly e A Texan looks at Lyndon: A Study in Illegitimate Power - Um texano olha para Lyndon: Um estudo sobre poder ilegítimo do historiador texano J. Evetts Haley. Ambos foram best-sellers mas não conseguiram melhorar a sua perspectiva eleitoral.

Aposentadoria

Goldwater ponderou seriamente reformar-se em 1980 antes de se decidir a concorrer à reeleição. Diz-se que Peggy Goldwater esperasse que o mandato de seu marido, que acabaria em 1981, fosse o seu último. Goldwater decidiu concorrer, planeando fazer deste mandato o seu último no senado. Acabou por enfrentar uma batalha surpreendentemente dura pela reeleição. Muitos consideravam-no já ultrapassado por várias razões; especialmente porque planeara retirar-se em 1981, Goldwater não tinha visitados muitas áreas do Arizona exceto Phoenix e Tucson. Foi também desafiado por um formidável opositor, Bill Schultz, um democrata que havia antes sido republicano e um rico agente imobiliário. Schulz usou quantias maciças da sua fortuna na campanha.

Relacionamentos políticos

Goldwater ficou pesaroso com o assassinato de John Kennedy e desapontado pelo facto de o seu oponente nas eleições não ser Kennedy mas o seu vice-presidente, o antigo líder da maioria democrata no senado Lyndon B. Johnson, do Texas. Goldwater não gostava de Johnson (dizia que este "usava todos os truques sujos do saco"), nem de Richard Nixon da Califórnia (a quem chamou mais tarde "o indivíduo mais desonesto que conheci na minha vida"). Goldwater, na altura de novo senador, defendeu a demissão de Nixon no clímax do escândalo Watergate, avisando que menos que dez senadores votariam contra a sua condenação depois de uma moção de censura (impeachment) da Câmara dos Representantes. O termo "momento Goldwater" tem sido usado desde então para descrever situações em que membros influentes do congresso discordam tão fortemente com um presidente do seu partido que se manifestam e se lhe opõem.

Goldwater e o ressurgimento do conservadorismo americano

Apesar de Goldwater não ter sido tão importante como Ronald Reagan para o movimento conservador dos Estados Unidos após 1965, moldou e definiu o movimento entre o final dos anos 50 e 1964. O senador do Arizona John McCain sumarizou deste modo o seu legado:"Transformou o partido republicano de uma organização elitista do Este no solo fecundo para a eleição de Ronald Reagan". O colunista George Will comentou após a eleição presidencial de 1980 que se tinha demorado 16 anos a contar os votos de 1964, e que Goldwater tinha ganho. O partido republicano recuperou do desaire de 1964, ganhando 47 lugares na câmara dos representantes nas eleições intercalares de 1966. Seguiram-se mais sucessos republicanos, incluindo o regresso de Goldwater ao senado em 1968. Em Janeiro desse ano, Goldwater escreveu um artigo na National Review afirmando que não se opunha aos liberais (esquerdistas no vocabulário dos Estados Unidos), que estes eram necessários para contrabalançar o conservadorismo, e que tinha em mente um grande liberal como Max Lerner."

Últimos anos

Nos anos 80, com Ronald Reagan como presidente e o crescente envolvimento da direita religiosa na política conservadora, revelaram-se as opiniões liberais de Goldwater nos assuntos individuais; achava serem estas parte do verdadeiro conservadorismo. Goldwater considerava o aborto como uma questão de escolha pessoal, na qual o governo não deveria intervir. Como defensor apaixonado da liberdade pessoal viu as opiniões da direita religiosa como uma ataque à privacidade e às liberdades individuais. Na sua campanha de reeleição para o senado de 1980 recebeu apoio dos conservadores religiosos mas nesse seu último mandato votou consistentemente para manter a legalidade do aborto e, em 1981, discursou sobre a sua zanga acerca dos ataques de organizações religiosas aos políticos, dizendo que os combateria o mais que pudesse. Goldwater também discordou da administração Reagan em certos temas da política externa, opondo-se por exemplo ao minar de portos da Nicarágua. Apesar das suas divergências com o presidente Eisenhower, Goldwater disse numa entrevista em 1986 ter sido aquele o melhor presidente dos sete com quem trabalhara.

03

Hobbies e interesses

Rádio amadora

Goldwater foi operador de rádio amador desde os anos 20, com os indicativos 6BPI, K3UIG e K7UGA. O último é usado agora por um clube do Arizona em sua memória, como chamada comemorativa. Durante a guerra do Vietname passou muitas horas dando a possibilidade aos soldados lá destacados de comunicar com suas famílias através do Military Affiliate Radio System (MARS). Goldwater foi também um porta-voz proeminente da rádio amadora e dos seus entusiastas. A partir de 1969 e até à sua morte apareceu em muitos filmes educacionais e promocionais acerca do hobby que foram produzidos pela American Radio Relay League (a associação representante dos interesses das rádios amadoras nos Estados Unidos) por produtores como Dave Bell (W6AQ), John R. Griggs (W6KW), Diretor a ARRL do sudoeste, Alan Kaul (W6RCL), Forest Oden (N6ENV) e o já falecido Roy Neal (K6DUE). Da primeira vez apareceu no programa de Dave Bell "O mundo da rádio amadora", onde discutiu a história do hobby e demonstrou um contacto ao vivo com a Antártida. A última vez que apareceu no ecrã a respeito da rádio amadora foi em 1994, explicando o que era um satélite para a rádio amadora que seria lançado em breve.

Bonecos Kachina

Em 1916 Goldwater visitou a reserva índia dos Hopi com o arquiteto de Phoenix John Rinker Kibby, e conseguiu o seu primeiro boneco kachina. A sua coleção acabou por incluir 437, e foi oferecida em 1969 ao museu Heard em Phoenix.

04

Morte

Imagem: SpeakerBoehner · BY-NC · Openverse

As aparições públicas de Goldwater cessaram no final de 1996, quando sofreu um acidente vascular cerebral. Os seus familiares revelaram que ele estava na fase inicial da doença de Alzheimer. Faleceu a 29 de maio de 1998, com 89 anos em Paradise Valley, Arizona, de AVC - Acidente Vascular Cerebral. Os seus restos mortais foram cremados.

05

Parentes

Imagem: SpeakerBoehner · BY-NC · Openverse

O seu filho, Barry Goldwater, Jr., serviu como congressista pela Califórnia entre 1969 e 1983. Foi o primeiro congressista a servir estando o seu pai ao mesmo tempo no senado. O sobrinho de Goldwater, Don Goldwater, tentou a nomeação do partido republicano do Arizona para concorrer às eleições para governador do estado em 2006, mas foi derrotado por Len Munsil.

06

Edifícios e monumentos

Entre os edifícios e monumentos a que foi dado o nome de Goldwater estão: o terminal Barry M. Goldwater do Aeroporto Internacional de Phoenix Sky Harbor, o parque memorial Goldwater em Paradise Valley, Arizona, o centro de visitantes Barry Goldwater da Academia da Força Aérea dos Estados Unidos, e a escola secundária Barry Goldwater no norte de Phoenix.

07

Documentário

Imagem: Gage Skidmore · BY-SA · Openverse

A sua neta, CC Goldwater, co-produziu com a sua amiga e produtora de filmes independentes Tani L. Cohen um documentário sobre a vida de Goldwater, chamado Mr. Conservative: Goldwater on Goldwater, transmitido pela primeira vez no canal HBO a 18 de Setembro de 2006.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Saiba mais — fontes confiáveis na web

Continue pesquisando