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Batalha de Austerlitz

Batalha de Austerlitz, também conhecida como a Batalha dos Três Imperadores, foi uma batalha que resultou numa das maiores vitórias de Napoleão Bonaparte, onde o Império Francês derrotou a Terceira Coligação. No dia 2 de dezembro de 1805, um exército francês, sob o comando de Napoleão, derrotou um exército austro-russo, liderado pelo czar Alexandre I da Rússia e pelo imperador Francisco II, após uma difícil luta de cerca de nove horas. A batalha teve lugar perto de Austerlitz, a cerca de 10 km a sudeste de Brno na Morávia, na altura uma região da Império Austríaco. A batalha é vista como uma obra-prima em termos tácticos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Prólogo

A Europa estava num tumulto constante desde o início das guerras revolucionárias francesas em 1789. Em 1797, depois de cinco anos de guerra, a República Francesa derrotou a Primeira Coligação. No ano seguinte, foi formada uma Segunda Coligação mas, em 1801, esta também foi vencida, ficando a Grã-Bretanha como o único adversário do Consulado Francês. Em março de 1802, a França e a Grã-Bretanha acordaram pôr fim às hostilidades através do Tratado de Amiens. Pela primeira vez em dez anos, toda a Europa estava em paz. No entanto, persistiam alguns problemas entre as duas partes, dificultando cada vez mais a implementação do tratado. O governo britânico tinha ficado contrariado por ter de entregar grande parte das suas conquistas coloniais realizadas desde 1793. Napoleão estava zangado pelo facto de as tropas britânicas não terem saído da ilha de Malta. Esta tensão em que se vivia foi agravada quando Napoleão enviou uma força expedicionária para acabar com a Revolução Haitiana. Em 18 de maio de 1803, a Grã-Bretanha declarou guerra à França, pondo fim ao tratado de paz.

A Terceira Coligação

Em dezembro de 1804, um acordo anglo-sueco levou à criação da Terceira Coligação. O primeiro-ministro inglês William Pitt passou 1804 e 1805 em agitação diplomática para tentar formar a nova coligação contra a França e, em abril de 1805, a Grã-Bretanha e a Rússia assinaram uma aliança.[nota 4] Depois ter sido derrotada duas vezes pela França, e de querer vingança, a Áustria juntou-se à coligação alguns meses mais tarde.

Exército Imperial Francês

Antes da formação da Terceira Coligação, Napoleão havia formado uma força designada por "Exército de Inglaterra" na região de Bolonha, no Norte da França. Ele pretendia utilizar esta força para invadir a Inglaterra, e estava tão confiante do sucesso que mandou fazer medalhas comemorativas para celebrar a conquista de Inglaterra. Embora essa força nunca tenha levado a cabo a invasão, as tropas de Napoleão receberam treino específico para qualquer operação militar. O tédio instalou-se entre os homens, mas Napoleão efectuou várias visitas às suas tropas e realizou várias paradas militares para aumentar o moral. Os homens de Bolonha formavam o núcleo daquilo que Napoleão mais tarde designaria por Grande Armée. No início, este exército francês contava com cerca de 200 000 homens divididos em sete corpos, unidades de grande dimensão, com cerca de 36 a 40 canhões cada um, e que tinham autonomia suficiente para executar acções independentes até que outro corpo chegasse. Um único corpo (devidamente situado em posição defensiva) podia resistir a um dia inteiro de ataques, sem apoio, dadas as várias opções tácticas e estratégicas do Grande Armée em campanha. No topo destas forças, Napoleão criou uma cavalaria de reserva de 22 000 homens, organizados em duas divisões de cuirassiers (couraceiros), quatro divisões de dragões montados, uma divisão de dragões desmontados e uma de cavalaria ligeira, todos apoiados por 24 peças de artilharia. Em 1805, o Grande Armée havia crescido para uma força de 350 000 homens.

Exército Imperial Russo

O exército russo à data de 1805 tinha muitas características da organização do Antigo Regime; não havia uma formação regular acima do nível do regimento, os oficiais seniores eram recrutados entre a aristocracia (sendo, muitas vezes, escolhidos aqueles com mais influências e não pela sua competência), e o soldado russo passava por uma formação dura, sofrendo castigos físicos para "serem disciplinados", tal como acontecia no século XVIII. Além disso, muitos oficiais inferiores tinham um treino deficiente e dificuldades em levar os seus homens a efectuar manobras complexas numa batalha. No entanto, os russos tinham uma artilharia eficaz, manuseada por soldados que lutavam de maneira a que as suas armas não caíssem em mãos inimigas.

Exército Imperial Austríaco

O arquiduque Carlos da Áustria-Teschen, irmão do imperador austríaco, iniciou uma reforma no exército em 1801 tirando poder ao Hofkriegsrat, o conselho militar e político responsável pelas decisões nas forças armadas da Áustria. Carlos era o melhor comandante de campo da Áustria, mas não era muito popular junto da corte, perdendo assim, muita da sua influência quando, contra o seu conselho, a Áustria decidiu entrar em guerra com a França. Karl Mack tornou-se o novo comandante principal do exército austríaco, reformando a infantaria na véspera da guerra, implicando regimentos constituídos por quatro batalhões de quatro companhias ao invés da antiga organização de três batalhões de seis companhias. Esta súbita alteração não foi acompanhada de treino aos oficiais e, como resultado, estas novas unidades não foram tão bem lideradas como deveriam ter sido. A cavalaria austríaca era tida como a melhor na Europa, mas o destacamento de muitas unidades de cavalaria para junto das formações de infantaria reduzia a sua eficácia contra a sua equivalente das forças francesas.

Primeiros movimentos

Em agosto de 1805, Napoleão, agora com o título de "imperador da França" desde dezembro do ano anterior, muda o seu exército do canal da Mancha para o rio Reno, de forma a fazer frente às novas ameaças por parte da Áustria e da Rússia. Em 25 de setembro, depois de uma intensa marcha e grande segredo, 200 000 homens do exército francês iniciam a travessia do Reno numa frente de 260 km. O general Karl Mack havia reunido a maior parte do exército austríaco na fortaleza de Ulm, na Baviera. Napoleão alterou a direcção das suas tropas para sul, numa manobra circular que lhe permitiu colocar-se na retaguarda dos austríacos. A manobra de Ulm foi bem executada e, a 20 de outubro, o general Mack e 23 000 soldados austríacos renderam-se, elevando o número de austríacos presos na campanha para 60 000. Embora tenha sido uma vitória espectacular, ela foi assombrada pela derrota da frota franco-espanhola na batalha de Trafalgar no dia seguinte. No entanto, o sucesso francês em terra continuou, com a queda de Viena em novembro, e com a captura de 100 000 mosquetes, 500 canhões e as pontes sobre o rio Danúbio intactas.

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A batalha

Napoleão reuniu 72 000 homens e 157 peças de artilharia para a batalha iminente, embora cerca de 7 000 homens de Davout estivessem muito a sul, na direcção de Viena. Os aliados tinham cerca de 85 000 soldados, 70% dos quais eram russos, e 318 peças. Assim, o Exército Francês era inferior em número. De início Napoleão não estava totalmente convencido da sua vitória. Numa carta escrita ao ministro das Relações Exteriores, Talleyrand, Napoleão solicitou que este não dissesse a ninguém da batalha para não preocupar a imperatriz Joséphine. De acordo com Frederick C. Schneid, a principal preocupação de Napoleão não era a tranquilidade de Joséphine; o imperador francês preocupava-se mais em como iria explicar à imperatriz a derrota do do seu exército.

O campo da batalha

A batalha teve lugar a cerca de 10 km a sudeste da cidade de Brno, entre esta cidade e Austerlitz (em checo: Slavkov u Brna), na actual (2012) região da República Checa. A norte do campo de batalha ficavam as colinas Santon (210 m de altitude) e Zuran (Žuráň) (270 m de altitude), ambas próximas da importante via Olomouc/Brno , orientada a este/oeste. A oeste das colinas situava-se a localidade de Bellowitz (Bedřichovice) e, entre as duas, o curso de água Bosenitz (Roketnice) corria para sul ligando ao ribeiro Goldbach (Říčka); este corria a montante das localidades de Kobelnitz (Kobylnice), Sokolnitz (Sokolnice) e Telnitz (Telnice). O ponto fulcral desta área era as colinas de Pratzen (Prace), com uma inclinação suave (10 a 12 m de altitude). Um assessor observou que Napoleão, repetidamente, dizia aos seus marechais: "Meus Senhores, observem este terreno com muito cuidado, irá ser um campo de batalha; vocês farão parte dele."

O plano Aliado para a batalha

A 1 de dezembro teve lugar um conselho aliado para discutir as propostas para a batalha. A maioria dos estrategas tinha duas ideias fundamentais: fazer contacto com o inimigo e controlar o flanco sul onde estava a linha de comunicações para Viena. Embora o czar e os seus assessores insistissem em que se devia partir já para a batalha, o imperador Francisco da Áustria mostrava-se mais cauteloso e, como mencionado, ele era aconselhado por Kutuzov, o comandante-chefe dos Russos e das tropas aliadas. No entanto, a pressão exercida pelos nobres russos e pelos comandantes austríacos era muito forte, e os aliados acabaram por escolher o plano austríaco de Franz von Weyrother. De acordo com o plano, deveria ser efectuado um ataque ao lado direito das forças francesas, que os aliados consideravam ser mais desprotegido, e pequenos ataques ao flanco esquerdo para fazer convergir as tropas francesas para esse lado. Os aliados dispuseram a maioria das suas tropas em quatro colunas para atacar a direita dos Franceses. A Guarda Imperial Russa estava de reserva enquanto as tropas russas, sob o comando de Pyotr Bagration, davam apoio ao flanco direito aliado. Para além disso, o czar russo desautorizou o comandante-chefe Kutuzov e entregou o comando a Franz von Weyrother. Na batalha, Kutuzov apenas comandava o IV Corpo do exército aliado, embora fosse, oficialmente, o comandante, pois o czar tinha receio de ficar responsável caso o seu plano falhasse.

O plano francês para a batalha

Napoleão esperava que as forças aliadas atacassem e, para as encorajar, enfraqueceu deliberadamente o seu flanco direito. A 28 de novembro, Napoleão reuniu-se com os seus marechais no quartel-general imperial onde estes o informaram das suas preocupações acerca da batalha. Chegaram a sugerir uma retirada, mas Napoleão desprezou as suas reclamações. O plano de Napoleão previa que os aliados iriam utilizar um número muito elevado de homens para atacar o seu flanco direito com o objectivo de cortar as linhas de comunicação francesas desde Viena. Como resultado, o flanco esquerdo e a zona central dos aliados ficariam expostos e vulneráveis. Para os levar a efectuar o ataque, Napoleão até se retirou da posição estratégica em Pratzen, para reforçar a simulação da fraqueza das suas tropas e do seu próprio nervosismo. Entretanto, a força principal de Napoleão estaria escondida num terreno oposto ao das colinas. De acordo com o plano, as tropas francesas atacariam e tomariam Pratzen, e daí lançariam o grande e decisivo ataque ao centro do exército aliado, destruindo-o e cercando-o pela sua retaguarda.

A batalha

A batalha tem início às oito horas da manhã, com a primeira coluna aliada a atacar Telnitz, a qual era defendida pelo regimento de 3ª Linha. Este sector do campo de batalha assistiu a grande ação nos primeiros momentos, com várias cargas aliadas a empurrar os franceses para fora da localidade, forçando-os a passar para o outro lado de Goldbach. Os primeiros homens do Corpo de Davout chegaram neste momento e tiraram os aliados de Telnitz antes de também eles serem atacados pelos hussardos, abandonando a vila. Outros ataques dos aliados fora de Telnitz foram assinalados pela artilharia francesa. As colunas aliadas deram início aos primeiros ataques ao flanco direito dos Franceses, não tão rápido como desejado, e, assim, os franceses conseguiram conter os ataques. De facto, as manobras das forças aliadas não foram as correctas e efectuaram-se fora de tempo: a cavalaria, sob o comando de Liechtenstein, do flanco esquerdo aliado, tinha que estar situada no lado direito e, na manobra, foram de encontro a uma parte mais lenta da segunda coluna de infantaria que avança na direcção do flanco direito francês. Naquele momento, os estrategistas aliados pensaram que era o desastre mas, mais tarde, de facto até os ajudou. Entretanto, a vanguarda da segunda coluna estava a atacar a vila de Sokolnitz, que era defendida pelo 26º Regimento Ligeiro e pelos tirailleurs franceses. Os primeiros ataques aliados não obtiveram grande sucesso e o general Langeron deu ordens para bombardear a vila. Estes ataques, muito destruidores, forçaram os Franceses a sair e, pela mesma altura, a terceira coluna atacou o castelo de Sokolnitz. Porém, os Franceses contra-atacaram reconquistando a vila, apenas para serem de novo expulsos. A luta nesta posição terminou, temporariamente, quando a divisão de Friant (parte do III Corpo) reconquistou a localidade. Sokolnitz terá sido a zona em que ocorreu mais acção no campo de batalha, mudando de mãos várias vezes, ao longo de vários dias.

"Um golpe forte e a guerra acaba"

Às 8h45, satisfeito com a situação de inferioridade da área central do inimigo, Napoleão perguntou a Soult quanto tempo demoraria para que os seus homens chegassem a Pratzen, tendo este respondido, "Menos de 20 minutos, Senhor." Cerca de 15 minutos depois, Napoleão deu ordens para atacar, acrescentando: "Um golpe forte e a guerra acaba". Um denso nevoeiro ajudou a esconder o avanço da divisão de Saint-Hilaire mas, à medida que iam subindo a colina, o lendário "Sol de Austerlitz" apareceu por entre a neblina, encorajando-os a avançar. Os comandantes e os soldados russos no topo da colina ficaram espantados ao ver tantas tropas francesas a virem na sua direcção. Os comandantes aliados podiam agora utilizar alguns dos destacamentos mais atrasados da quarta coluna na batalha. Mais de uma hora de confronto destruiu grande parte desta unidade. Os outros homens da segunda coluna, na sua maior parte austríacos sem experiência, também participaram da luta, fazendo frente a uma das melhores forças do exército francês, forçando-os a dispersar colina abaixo. No entanto, levados pelo desespero, os homens de Saint-Hilaire atacaram de novo, conseguindo tirar os aliados da colina. A norte, a divisão do general Vandamme atacou uma zona designada por Staré Vinohrady ("Velhas Vinhas"), provocando a destruição de alguns batalhões aliados.

O fim

Entretanto, a área mais a norte do campo de batalha passava por um combate muito intenso. A cavalaria pesada de Liechtenstein iniciou o ataque à cavalaria ligeira de Kellerman depois de chegarem ao local correcto no terreno. Inicialmente, tudo parecia correr bem para o lado francês, mas as forças de Kellerman esconderam-se atrás da divisão de infantaria do general Caffarelli assim que se tornou claro que o número de tropas russas era muito grande. Os homens de Caffarelli conseguiram bloquear os ataques russos permitindo que Murat enviasse duas divisões de couraceiros (uma comandada por d'Hautpoul e a outra por Nansouty) para o combate para acabar com a cavalaria russa. O combate que se seguiu foi duro e demorado, mas os Franceses conseguiram vantagem. Lannes atacou, então, com o seu V Corpo, os homens de Bagration e, depois de uma luta terrível, conseguiu empurrar para fora do terreno o experiente comandante russo. Ele quis continuar, mas Murat, que controlava o sector, era contra a ideia.

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Consequências da batalha

Ao nível militar e político

No geral, as vítimas do lado aliado ascenderam a 27 000, de um total de 73 000. Do lado francês, verificaram-se 9 000 vítimas em 67 000. Os aliados também perderam 180 canhões e 50 bandeiras. A grande vitória foi recebida de forma efusiva e em êxtase em Paris; alguns dias antes a nação encontrava-se abalada devido ao colapso financeiro. Napoleão escreveu a Joséphine, "Derrotei o exército austro-russo comandado pelos dois imperadores. Estou um pouco apreensivo....Um abraço."[nota 5] O czar Alexandre resumiu o mau bocado pelo qual os aliados estavam a passar, dizendo: "Somos bebés nas mãos de um gigante." A França e a Áustria assinaram um acordo de paz a 4 de dezembro e o Tratado de Pressburg a 26 de dezembro. A Áustria reconheceu os territórios capturados pelos franceses através dos tratados de Campoformio (1797) e Lunéville (1801); cedeu território à Baviera, Wurttemberg e Baden, aliados de Napoleão; pagou 40 milhões de francos em indemnizações de guerra; e Veneza foi oferecida ao Reino de Itália. O exército russo teve permissão para regressar a casa. Os Franceses instalaram-se na região sul da Alemanha. O Sacro Império Romano-Germânico foi extinto, definitivamente, em 1806. A 12 de julho de 1806, Napoleão criou a Confederação do Reno, um conjunto de 16 estados alemães que serviam de barreira entre a França e o Reino da Prússia. Por seu lado, a Prússia recebeu estas exigências como uma afronta ao seu status de potência principal da Europa Central, entrando em guerra com a França em 1806.

Recompensas

As palavras de Napoleão dirigidas às suas tropas depois da batalha foram de elogio: Soldats! Je suis content de vous ("Soldados! Estou contente convosco"). O imperador premiou com dois milhões de francos em ouro os oficiais superiores e com 200 francos cada soldado, e com pensões de montante significativo às viúvas dos soldados mortos na batalha. Os filhos órfãos foram adotados por Napoleão e foi-lhes permitido acrescentar o nome do imperador ao seu próprio nome. Napoleão nunca entregou nenhum título nobiliárquico aos seus comandantes, tal como era costume depois de uma grande vitória. A razão mais provável é a de que ele considerava a vitória em Austerlitz como um triunfo pessoal, e não de algum dos seus comandantes.

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A Batalha de Austerlitz na cultura popular

Mitologia

A Batalha de Austerlitz está rodeada de histórias e lendas sobre acontecimentos que se verificaram antes e durante o confronto. Na noite do dia 1 de dezembro, véspera da batalha, Napoleão partiu para o terreno, juntamente com a sua comitiva para examinar as posições frontais. No campo da batalha, os soldados da divisão de Vandamme reconheceram-no, e pouco depois todo o exército tinha acendido velas para celebrar o aniversário da sua coroação. As forças aliadas deram-se conta do que se estava a passar e pensaram que os Franceses se preparavam para retirar. Outra história tem como elemento principal um soldado francês que tentava fugir dos cossacos; subiu para uma chaminé para se esconder, mas os cossacos encontraram-no e acabaram por matá-lo. Noutro episódio, alguns soldados russos estavam a olhar para a comida dos cavalos de uma camponesa. Os soldados gritavam Babo, ovsa ("Avozinha, dá-nos a nossa aveia"), mas a mulher, que era idosa e teria problemas de audição, pensou que eles estavam a dizer Hopsa ("Salta") e, assim, a senhora começou aos pulos. Os soldados acabaram por perceber que ela não os entendia, e apontaram para os cavalos e começaram a mastigar; a mulher acabou por entender e deu-lhes a aveia que eles queriam. Uma outra história conta que um grupo de artilheiros franceses tentou queimar uma estátua de madeira da Virgem Maria atirando-a para uma fogueira, mas aquela não ardeu.

Guerra e Paz

A Batalha de Austerlitz é um dos cenários principais da obra de Liev Tolstói, Guerra e Paz. Perto do início da guerra, o príncipe André, um dos personagens principais, pensa que o dia que se aproxima "[será] o seu Toulon ou a sua Arcole". referência às anteriores vitórias de Napoleão. André espera a glória, mesmo pensando para ele, "Marcharei sempre para a frente e acabarei com tudo o que estiver à minha frente". Mais tarde, na batalha, no entanto, André cai nas mãos do inimigo e chega a encontrar-se com o seu herói, Napoleão. Mas o seu entusiasmo inicial tinha sido deitado abaixo; ele já não pensa em Napoleão, "parecia-lhe tão mesquinho o seu herói, com aquelas miseráveis vaidades e alegria pela vitória, em comparação com o céu alto, justo e bondoso que tinha visto e finalmente compreendido". Tolstói retrata Austerlitz como um teste para a Rússia, teste este que acaba mal pois os soldados lutaram por coisas irrelevantes como a glória ou o reconhecimento, em vez de lutarem pelas grandes virtudes que produzem, de acordo com Tolstoi, uma vitória como a de Borodino durante a a invasão da Rússia em 1812.

Perspetivas históricas

Napoleão não conseguiu derrotar o exército aliado de forma mais consistente como desejava, mas os historiadores reconhecem que o plano original forneceu uma vitória significativa. Por esta razão, Austerlitz é, por vezes, comparada a outras grandes batalhas tácticas como a de Canas ou Blenheim. Alguns historiadores acham que Napoleão teve tanto sucesso em Austerlitz que perdeu a noção da realidade, e aquilo que era a "política externa francesa" tornou-se "a política de Napoleão" depois da batalha. Na História da França, Austerlitz é descrita como uma vitória militar impressionante e, no século XIX, quando o fascínio com o Primeiro Império atingia o seu auge, a batalha era venerada por aqueles que gostavam de Victor Hugo, o qual "nas profundezas dos [seus] pensamentos" ouvia o "ruído de canhões pesados em direcção a Austerlitz". No bicentenário da batalha, no entanto, instalou-se a controvérsia porque nem o presidente francês Jacques Chirac nem o primeiro-ministro Dominique de Villepin, estiveram presentes na comemoração. Por outro lado, alguns cidadãos dos departamentos franceses protestaram contra o que consideravam a "comemoração oficial de Napoleão", argumentando que Austerlitz não devia ser celebrada pois achavam que Napoleão tinha cometido genocídio contra cidadãos coloniais.

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Fontes consultadas

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