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Capital financeiro

Capital financeiro pode ser entendido como o capital representado por títulos, obrigações, certificados e outros papéis negociáveis e rapidamente conversíveis em dinheiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Início dos estudos sobre o capital financeiro

Imagem: Marcio Cabral de Moura · BY-NC-ND · Openverse

Um dos primeiros teóricos a pensar sobre o capital financeiro foi John Hobson (1858-1940), que, em seu livro “A Evolução do Capitalismo Moderno” (1894), fala sobre as mudanças no capitalismo na segunda metade do ´século XIX. Para Hobson, o capitalismo, que antes era pautado na livre concorrência, estava se tornando cada vez mais monopolizado. As empresas estavam ficando cada vez maiores, fazendo com que necessitassem cada vez mais de financiamento, por parte dos bancos, para continuarem seus investimentos e se tornarem mais competitivas. Por causa dessa maior importância do financiamento, as empresas, que costumavam estar totalmente centradas na produção, precisaram de pessoas que gerenciassem essas relações bancárias, de modo que, com o passar do tempo, a parte financeira da empresa acabou se tornando mais importante que a própria unidade produtiva. Assim, quanto mais as empresas industriais cresciam e monopolizavam mercados, maior era a sua dependência da sua ala financeira da empresa e dos bancos. Dessa forma, Hobson percebe a formação de uma “classe financista”, uma parte superior da classe capitalista que, por controlar as operações bancárias essenciais para as grandes empresas, acaba tendo o controle dos rumos da empresa.

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Desenvolvimento da teoria do capital financeiro

Imagem: Marcio Cabral de Moura · BY · Openverse

Apesar de ter sido estudado por Hobson, o termo “capital financeiro” surgiu com Rudolf Hilferding (1877-1941), que em seu livro “Das Finanzkapital”, ou “O Capital Financeiro” (1910), assim como Hobson, estuda a monopolização da economia o surgimento de uma “classe financista” no capitalismo do final do século XIX. Hilferding concorda com Hobson sobre a formação de um capitalismo monopolista, no qual o capital financeiro adquire cada vez mais importância, surgindo, assim, um “capitalismo financeiro” em oposição ao “capitalismo industrial”, quando o capital industrial era o mais importante. Para Hilferding, o capital financeiro seria a união do capital bancário ou monetário com o capital industrial (estando incluído dentro deste o capital comercial). O capital bancário, em forma de dinheiro, compraria as ações das empresas industriais, tornando-se, assim, capital industrial. Esse capital bancário que se torna industrial, é, para Hilferding, o capital financeiro.

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O capital financeiro e o imperialismo

Imagem: Marcio Cabral de Moura · BY · Openverse

Tanto Hobson quanto Hilferding descreveram a interação do capital financeiro com o Estado. Hobson, por exemplo, disse que as empresas, pelo fato de serem monopolistas, corriam o risco de uma superprodução, e, por isso, precisariam expandir seus mercados. Para isso, a classe financista influenciaria o Estado, de modo a promover políticas imperialistas de conquista de colônias, tendo ele mesmo presenciado a Segunda Guerra dos Bôeres na África do Sul. Porém, Hobson afirmou que essas guerras não eram predominantes. O fato de que grande parte das pessoas, não importando a nacionalidade seria coproprietária das empresas monopolistas restringiria a capacidade de atuação dos financistas, e estes seriam levados a consolidar a paz, de modo que não houvesse possíveis empreitadas extremamente arriscadas que prejudicassem os investidores. Ou seja, mesmo que algum financista fomentasse uma guerra por interesse próprio, esse não era o padrão.

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Financiamento da economia

Imagem: Rodrigo_Soldon · BY · Openverse

Em termos simplificados, a lógica financeira consiste em 'fazer dinheiro a partir de dinheiro', sem necessariamente passar pela esfera da produção. O predomínio crescente dessa lógica, de caráter rentista - isto é, que não tem como finalidade a produção mas a remuneração do detentor de um ativo - na economia mundial, ocorre desde pelo menos o início dos anos 1980. Entre 1980 e 2006, a riqueza financeira mundial (incluindo ações e debêntures, títulos de dívida privada e da pública e aplicações bancárias) cresceu mais de 14 vezes, enquanto o PIB mundial cresceu menos de cinco vezes. Trata-se, portanto, de um capital fictício - ou seja, não vinculado à esfera produtiva - e que efetivamente acabou por comandar a economia como um todo. Desde 1971, o governo dos Estados Unidos, durante a administração de Richard Nixon, cancelou unilateralmente os acordos de Bretton Woods (1944), acabando com a conversibilidade do dólar americano em ouro, embora a moeda americana se mantivesse como meio de pagamento internacional geral e moeda hegemônica. De fato, o dólar americano continua sendo a moeda constitutiva de mais de 70% das reservas internacionais.

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