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Caso Carlinhos

Caso Carlinhos foi o sequestro do menino Carlos Ramires da Costa, ocorrido em 1973, no Rio de Janeiro, e permanece sem solução.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 31/08/2026
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História

Sequestro

Por volta das 20h35min da noite chuvosa da quinta-feira de 2 de agosto de 1973, no bairro de Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, Carlinhos, à época com 10 anos, foi sequestrado. No momento do crime, vestia apenas uma bermuda azul-marinho e assistia a novela Cavalo de Aço, na Rede Globo, juntamente a sua mãe e quatro de seus seis irmãos (Vera Lúcia, de 15 anos; Carmem, de 14; Eduardo, de 13; e João, de 11), quando a luz da casa foi cortada. O sequestrador, um jovem negro vestindo uma blusa vermelha e com cabelo estilo black power, invadiu a residência, pediu "a criança menor que estava em casa" e trancou a mãe e os irmãos de Carlinhos no banheiro. O pai, que fazia uma entrega em Copacabana, chegou ao local pouco depois, juntamente aos outros dois irmãos de Carlinhos (Luciana, de 3 anos; e Roberto, de 8).

Investigação

No dia 4 de agosto de 1973, os policiais deram início a investigação, interrogando diretores da clínica médica Dr. Filizzola, localizada ao lado da casa de Carlinhos, pois um deles, Mário Filizzola, oferecera Cr$ 60 mil para comprar o imóvel, o que foi encarado pela polícia como um possível motivo para o crime. O primeiro suspeito preso, Kleber Ramos, trabalhava como marceneiro na clínica e teria sido contratado para o crime a fim de forçar a venda do imóvel pelo preço estipulado. Sua prisão foi baseada nos relatos de Vera Lúcia, a irmã mais velha de Carlinhos, que recebeu o bilhete das mãos do sequestrador. Como álibi, Kleber alegou ter saído da clínica por volta das 20 horas, em companhia de 3 mulheres, em direção à Praça Mauá, de onde tomou um ônibus com destino a sua casa, no bairro do Éden. Esta versão foi confirmada à polícia por uma das mulheres. Kleber foi libertado após 3 dias de detenção, por um habeas corpus expedido pelo juiz Santiago Dantas, da 14.ª Vara Criminal.

Inquérito policial

O inquérito policial para apurar o sequestro de Carlinhos só foi aberto oficialmente em 26 de março de 1977, três anos e meio depois de o fato ter ocorrido. Antes disso, só existia um procedimento investigatório. Os delegados Jorge Gomes Sobrinho e Rogério Marchezini, da Delegacia de Roubos e Furtos, foram designados para o cargo. Os policiais ouviram todos os suspeitos, além de João Mello e seus ex-funcionários. A conclusão do inquérito foi divulgada em 25 de novembro de 1977. Quatro anos após o sequestro, Vera Lúcia relatou à polícia que reconheceu Sílvio Azevedo Pereira, funcionário do laboratório do pai, como sequestrador. No dia do crime, Vera Lúcia afirma ter sentido um cheiro forte, semelhante ao dos produtos farmacêuticos manipulados no laboratório de João Mello. Sílvio chegou a ser condenado na 17.ª Vara Criminal a 13 anos de prisão, em 30 de dezembro de 1985, mas seus advogados recorreram da sentença e ele foi absolto.

Indícios

A pessoa seria conhecida da família, pois os três cães, Negrinho, Claise, e Suzi, não tiveram nenhuma reação ao invasor. Também conhecia o local onde estava situada a caixa de luz da casa. O portão lateral da casa, que normalmente ficava fechado, estava aberto e foi por onde o sequestrador teria entrado. A residência escolhida não possuía telefone para o contato com sequestradores e, de fato, não houve contato após o crime. Os pais de Carlinhos estavam praticamente separados na época.

Contradições

Abel Alves da Silva declarou ter visto Carlinhos e o sequestrador entrarem em um táxi Volkswagen vermelho, de 4 portas, parado próximo à casa do menino. O veículo teria partido em seguida. Contou também que, pouco antes, havia visto um desconhecido descer do táxi e entrar no matagal, o homem supostamente perseguido pelo patrão. João Mello, a mulher e os filhos negaram ter visto um táxi perto de casa quando o sequestrador saiu com o menino. Além disso, ao avisar os policiais sobre o caso, Abel apresentou-se como vizinho de João Mello, quando, na verdade, residia em Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

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Fontes consultadas

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