Partido Trabalhista (Reino Unido)
Partido Trabalhista é um partido político social-democrata de centro-esquerda do Reino Unido. É um dos três principais partidos do país. Sob a liderança de Tony Blair, ganhou as eleições gerais de 1997 e formou, desde então, o primeiro governo trabalhista desde 1979. Em 2001, manteve a sua posição no governo. Em abril de 2010, o líder do partido era Gordon Brown, que, depois das eleições gerais de 6 de maio, abandonou o cargo. É o atual partido governante do Reino Unido desde 2024.
O partido retornou ao governo em 1940 como parte da coalizão de guerra. Quando Neville Chamberlain se afastou na primavera de 1940, o novo primeiro-ministro Winston Churchill decidiu reunir os partidos em uma coalizão semelhante àquela formada na Primeira Guerra Mundial. Clement Attlee foi nomeado "lorde do selo privado" e membro do gabinete de guerra, eventualmente vindo a se tornar o primeiro vice-primeiro-ministro da história do país. Outros trabalhistas proeminentes ocuparam postos importantes no governo: o líder sindicalista Ernest Bevin, como ministro do trabalho, dirigiu a economia do país e a alocação da força de trabalho durante o período de guerra; Herbert Morrison tornou-se Secretário de Estado para os Assuntos Internos e, posteriormente, presidente da Comissão de Comércio; Hugh Dalton se tornou ministro da economia de guerra; e A. V. Alexander terminou sua participação no anterior governo trabalhista como chefe político da Marinha Real Britânica.
Fundação
O Partido Trabalhista surgiu no final do século XIX, atendendo à demanda por um novo partido político que representasse os interesses e necessidades dos trabalhadores urbanos, que haviam crescido em número. Muitos destes só haviam ganho direito ao sufrágio após a aprovação do ato de representação do povo de 1884. Alguns sindicalistas tiveram a intenção de adentrar na esfera política e, após ampliações do direito de voto em 1867 e 1885, o Partido Liberal (Reino Unido) abrigou algumas candidaturas apoiadas pelos sindicatos. A primeira candidatura liberal-trabalhista foi a de George Odger na eleição de 1870 em Southwark. Muitos grupos socialistas se formaram nessa época com a intenção de entrar na esfera política: por exemplo, o Partido Trabalhista Independente, a Sociedade Fabiana (formada por intelectuais e pela classe média), a Federação Social Democrática (marxista) e o Partido Trabalhista Escocês.
Comitê de Representação Trabalhista
Em 1899, um membro de Doncaster da Sociedade Unida de Ferroviários, Thomas R. Steels, propôs que a Trades Union Congress (TUC) fizesse uma conferência que reunisse todas as organizações de esquerda numa única organização, que patrocinaria candidatos ao parlamento. A proposta foi aceita pela TUC e a conferência foi realizada no Memorial Hall, na rua Farringdon, em 26 e 27 de fevereiro de 1900. Um largo espectro de entidades trabalhistas e de esquerda participou do evento. Um terço dos delegados da TUC foi composta por sindicalistas. Após um debate, os 129 delegados aprovaram a proposta de Hardie de criar "um grupo trabalhista próprio no parlamento, que terá seus próprios whips, e chegará a um acordo acerca de sua política, que incluirá a prontidão em cooperar com qualquer partido engajado em promover legislação de direto interesse do trabalho". Isso criou uma associação chamada Comitê de Representação Trabalhista (Labour Representation Committee, LRC), que tinha, por objetivo, coordenar o apoio a parlamentares patrocinados pelos sindicatos, bem como representar a classe trabalhadora. A organização não tinha um líder único: com isso, Ramsay MacDonald, do Partido Trabalhista Independente, foi eleito secretário. Ele teve a difícil tarefa de manter unidas as diferentes correntes de opinião que formavam a organização. A eleição de 1900 veio cedo demais para a organização poder promover uma campanha efetiva: as despesas totais de campanha chegaram apenas a 33 libras esterlinas. Apenas quinze candidaturas foram patrocinadas, mas duas foram vitoriosas: Keir Hardie em Merthyr Tydfil e Richard Bell em Derby.
Anos iniciais
Na eleição de 1910, o partido conseguiu eleger 42 de seus membros para a Câmara dos Comuns do Reino Unido, numa vitória significativa já que, um ano antes, a Câmara dos Lordes aprovara a lei Osborne, que proibia os sindicatos de financiar campanhas eleitorais e de pagar os salários de parlamentares. Em 1913, sob pressão dos sindicatos, o governo liberal aprovou o Ato das Disputas Trabalhistas, permitindo que os sindicatos voltassem a pagar os salários dos parlamentares. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Partido Trabalhista se dividiu entre apoiadores e opositores ao conflito, mas a oposição à guerra cresceu no partido ao longo do tempo. Ramsay MacDonald, um notável oposicionista à guerra, renunciou ao posto de líder do partido no parlamento e Arthur Henderson se tornou a figura principal do partido. Ele foi logo aceito no gabinete de guerra do primeiro-ministro Herbert Henry Asquith. Foi o primeiro membro do partido a participar de um governo.
1924: primeiro governo trabalhista
A eleição geral de 1923 foi centrada no debate em torno das propostas protecionistas dos conservadores. Embora os conservadores tenham ganho a maior parte dos votos, eles não conquistaram a maioria no parlamento e tiveram de formar um governo que apoiava o livre-comércio. Com o apoio dos liberais de Herbert Henry Asquith, Ramsay MacDonald se tornou o primeiro primeiro-ministro trabalhista do Reino Unido em janeiro de 1924, formando o primeiro governo trabalhista, embora o partido tivesse apenas 191 cadeiras no parlamento (menos de um terço da Câmara dos Comuns). Como o partido necessitava do apoio dos liberais, ele não conseguiu aprovar nenhuma lei radical. A sua conquista mais significativa foi a aprovação do Ato de Moradia Wheatley em 1924, que iniciou a construção de 500 000 casas a serem alugadas a trabalhadores com baixos salários. Também foram aprovadas leis sobre educação, desemprego, previdência social e proteção ao inquilino. Embora não tenha conseguido nenhuma mudança social significativa, o governo demonstrou que o partido era capaz de governar.
1929-1931: segundo governo trabalhista
Na eleição geral de 1929, o partido, pela primeira vez, se tornou o mais numeroso na Câmara dos Comuns, com 287 cadeiras e 37,1% dos votos. Entretanto, MacDonald ainda dependia do apoio liberal para formar o governo. O governo de MacDonald indicou a primeira mulher ministra do país: Margaret Bondfield, ministra do trabalho. O segundo governo de MacDonald era mais forte no parlamento do que o primeiro. Em 1930, ele conseguiu aprovar a ampliação da proteção no desemprego, dos salários e das condições de trabalho na indústria do carvão (que haviam sido as principais reivindicações da greve de 1926) e uma lei que visava à urbanização de favelas. O governo, porém, cedo se viu envolvido em crise: a Terça-Feira Negra e a Grande Depressão irromperam assim que o partido chegou ao poder, e a queda no comércio mundial atingiu duramente o país. No final de 1930, o desemprego havia dobrado, atingindo mais de 2,5 milhões de pessoas. O governo não tinha respostas efetivas contra a crescentemente deteriorada situação financeira. Em 1931, havia muito medo de que o orçamento do país ficasse desequilibrado, o que havia sido sugerido por um relatório independente do Comitê Nacional de Despesas, e que gerou uma crise de confiança e uma corrida para se comprar libras esterlinas. O governo permaneceu indeciso quanto a que decisão tomar: muitos membros influentes do governo não estavam dispostos a efetuar cortes no orçamento (em particular, cortes na proteção no desemprego), os quais eram, no entanto, reclamados pelos funcionários públicos de carreira e pelos partidos de oposição. O ministro das finanças Philip Snowden se recusou a considerar défice público ou taxas alfandegárias como soluções alternativas. Quando os votos dos ministros foram contados, verificou-se que o gabinete estava dividido em 11 votos contra 9, e muitos políticos proeminentes como Arthur Henderson e George Lansbury preferiam se demitir a aprovar os cortes. A insolúvel divisão do gabinete provocou a demissão do governo em 24 de agosto de 1931. O rei Jorge V do Reino Unido encorajou, então, MacDonald a formar um governo nacional com todos os partidos para lidar com a crise.
Década de 1930: oposição
Arthur Henderson perdeu seu assento no parlamento na eleição de 1931. Em consequência, a liderança do partido passou para George Lansbury, que conseguira manter seu assento no parlamento. O partido sofreu uma nova divisão em 1932, quando o Partido Trabalhista Independente, que, por alguns anos, esteve em crescente desacordo com a liderança do Partido Trabalhista, optou por se desfiliar do partido, dando início a um longo período de declínio. Lansbury renunciou ao posto de líder em 1935 após desentendimentos quanto à política externa. Ele foi prontamente substituído por Clement Attlee, que lideraria o partido por duas décadas. O partido se recuperou na eleição de 1935, ganhando 154 cadeiras e 38% dos votos, a maior votação que o partido já havia obtido.
O Partido Trabalhista é considerado um partido de esquerda. Foi formado inicialmente como um meio de o movimento sindical ter representação no parlamento britânico. Só se tornou comprometido com o socialismo a partir da promulgação da constituição do partido em 1918, especialmente quanto à cláusula quatro da constituição, que pregava a nacionalização dos meios de produção, distribuição e troca. Embora aproximadamente 1/3 da indústria britânica tenha passado para as mãos do estado após a Segunda Guerra Mundial, e tenha assim continuado até a década de 1980, a direita do partido já questionava a manutenção dessa política no final da década de 1950. Influenciado pelo livro "O futuro do socialismo" (1956), de Anthony Crosland, o círculo ao redor do líder do partido Hugh Gaitskell achava que essa política devia ser abandonada. Em 1959, uma tentativa de remover a cláusula quatro da constituição foi mal-sucedida. Tony Blair e seus "modernizadores" achavam que a cláusula tirava votos do partido nas eleições, e acabaram conseguindo removê-la da constituição em 1995 com pouca oposição interna.
O partido sempre foi tradicionalmente associado à cor vermelha, cor do socialismo e do trabalhismo. Antes do logotipo da bandeira vermelha, no entanto, o partido usou uma versão modificada do clássico símbolo de 1924 com a pá, tocha e pena. No ano de 1924, em uma competição destinada a escolher o símbolo do partido, foi vitorioso o símbolo que acrescentou, à pá, tocha e pena, a palavra "liberdade". A conferência do partido em 1931 aprovou as cores vermelha e dourada como as cores oficiais do partido. Em 1986, o partido adotou a rosa vermelha, o símbolo da social-democracia, no seu esforço de rebranding. O hino oficial do partido desde seu início é "A bandeira vermelha", que é cantado no final de cada conferência e em ocasiões especiais, como em fevereiro de 2006 no parlamento para comemorar os cem anos de fundação do partido. Durante o Novo Trabalhismo, foi tentado diminuir a importância do hino, porém ele ainda continua sendo usado. A conhecida canção "Jerusalém", baseada em um poema de William Blake, também é frequentemente cantada.


