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São Paulo (estado)

São Paulo é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Sudeste e tem por limites os estados de Minas Gerais a norte e nordeste, Paraná a sul, Rio de Janeiro a leste e Mato Grosso do Sul a oeste, além do Oceano Atlântico a sudeste. É dividido em 645 municípios e sua área total é de 248 219,481 km², o que equivale a 2,9% da superfície do Brasil, sendo pouco maior que o Reino Unido. Sua capital é o município de São Paulo e seu atual governador é Tarcísio de Freitas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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História

Em 1° de março de 1930, o presidente de São Paulo, o paulista Júlio Prestes, foi eleito presidente da república, mas não tomou posse, impedido pela Revolução de 1930, a qual também derrubou da presidência Washington Luís. São Paulo então passou a ser governado pelos vencedores da Revolução de 1930 e logo em seguida se revoltou contra essa situação protagonizando a Revolução de 1932. Júlio Prestes e Washington Luís foram exilados. Os jornais apoiadores do PRP foram destruídos. A década de 1930 em São Paulo caracterizou-se, do ponto de vista econômico, pelos esforços de ajustamento às novas condições criadas pela crise mundial de 1929 e pela derrocada do café. Do ponto de vista político, o período foi marcado pela luta em prol da recuperação da hegemonia paulista na federação, atingida pela Aliança Liberal e afinal aniquilada pela revolução de 1930. Esta submeteu o estado à ação dos interventores federais, que, de início, nem paulistas eram. Surgiram logo as reivindicações a favor de um governo paulista, o que, na versão dos vencedores da Revolução de 1930, era visto como tentativa de a restaurar os grupos hegemônicos paulistas, cujos interesses, tanto econômicos quanto políticos, estavam sendo prejudicados pela nova situação.

Primeiros povos

A região do atual estado de São Paulo já era habitada por povos ameríndios desde, ao menos, aproximadamente 10 000 a.C., conforme evidenciado por estudos feitos em antigos sítios arqueológicos em diferentes pontos do território paulista, tais como os sítios Caetetuba, Bastos, Boa Esperança II e Lagoa do Camargo. Existem mesmo registros, como estudos no sítio arqueológico Rincão I, que sugerem que a ocupação humana antiga já estava presente em São Paulo há 17 mil anos, durante o último máximo glacial. Existem, ainda, vários sítios arqueológicos na porção central do estado, tais como Caetetuba, Alice Boer e Rincão I, que compartilham padrões semelhantes de trabalhar as rochas em pontas de pedra e artefatos plano-convexos semelhantes entre si, de maneira que são vistos como integrantes de uma mesma antiga ancestral cultura, vinculada a indústria lítica Rioclarense. Estes antigos grupos humanos seriam caçadores-coletores, vivendo como nômades e seminômades no atual território paulista, vivendo diretamente do que podiam obter da terra local. Por volta do ano 1 000, se estima que o litoral paulista foi invadido por povos tupis procedentes da Amazônia.

Início da colonização europeia

No início do século XVI, o litoral paulista era visitado por expedições portuguesas e espanholas, que ali deixaram náufragos e degredados desses países. No entanto, a colonização oficial se iniciou em 1532, quando o fidalgo Martim Afonso de Sousa fundou, para garantir a posse da terra para Portugal, a vila de São Vicente, na qual se realizaram as primeiras eleições da história do continente americano, naquele mesmo ano, motivo pelo qual a cidade é conhecida como "berço da democracia nas Américas". Introduziu-se a cultura da cana-de-açúcar na região, mas não prosperou de forma efetiva como em outras capitanias. Em 1536, ocorreu, no litoral sul paulista, a Guerra de Iguape, devido a disputas entre Portugal e Espanha por causa de interpretações do Tratado de Tordesilhas.

Bandeiras

O surgimento das bandeiras ocorreu nas primeiras décadas após a fundação de São Paulo e se deve sobretudo à necessidade de mão-de-obra indígena para as lavouras paulistas. Vários fatores foram favoráveis a essas expedições, como as dificuldades econômicas da Capitania, a vocação sertanista, localização geográfica estratégica (São Paulo era um importante centro de circulação fluvial e terrestre) e espírito aventureiro. No início, as bandeiras tinham como objetivo a captura de ameríndios para escravizar, o bandeirantismo de aprisionamento, cujos nomes mais conhecidos são Raposo Tavares, Manuel Preto e André Fernandes. As condições peculiares de vida no planalto permitiram que os paulistas, nos séculos XVI e XVII, desfrutassem de considerável autonomia em setores como defesa, relações com os indígenas, administração eclesiástica, obras públicas e serviços municipais, controle de preços e mercadorias.

Ciclo do ouro, decadência e restauração da capitania

Com a descoberta de ouro em Minas Gerais, no final do século XVII, muitos moradores de São Paulo e outras vilas do Planalto se dirigiram para as jazidas auríferas. Isso gerou uma ruptura demográfica, aliada a fatores geográficos já mencionados (a serra do Mar), ocasionou uma queda da produtividade agrícola, bem como o declínio de outras atividades, o que acentuou a pobreza do povo no decorrer do século XVIII. Como descobridores das minas de ouro, os paulistas exigiam o monopólio na extração do minério, mas foram derrotados na Guerra dos Emboabas em 1710. Com isso, muitos tiveram que abandonar as jazidas auríferas de Minas Gerais, ora voltando para o Planalto, ora assentando-se no sul de Minas ou procurando por ouro no Centro-Oeste do Brasil, onde seriam descobertas jazidas na região de Cuiabá (1718) e Cidade de Goiás (1727). Em 1709, foi criada pela Coroa a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, sediada na vila de São Paulo, que recebeu o título de cidade em 1711. Em 1720, essa divisão da colônia foi dividida nas Capitanias de São Paulo e de Minas Gerais.

Ciclo do café e imigração estrangeira

Em 1817, foi fundada a primeira fazenda de café de São Paulo, no vale do rio Paraíba do Sul e, após a Independência do Brasil, o cultivo de café ganhou força nas terras da região do Vale do Paraíba, enriquecendo rapidamente cidades como Guaratinguetá, Bananal, Lorena, Pindamonhangaba e Taubaté. O Vale enriqueceu-se rapidamente, gerando uma oligarquia rural e escravocrata, porém o restante da província continuava dependente da cana-de-açúcar e do comércio que ia se estabelecendo na cidade de São Paulo, impulsionado pela fundação de uma Faculdade de Direito em 1827. Entretanto, a exaustão dos solos do Vale do Paraíba e as crescentes dificuldades impostas ao regime escravocrata levaram a uma decadência no cultivo do café a partir de 1860 e o Vale foi se esvaziando economicamente enquanto o cultivo do café migrou em direção a outras partes do interior paulista, substituindo o cultivo da cana-de-açúcar, resultando em grandes mudanças econômicas e sociais. A proibição do tráfico negreiro, em 1850, levou à necessidade de busca de nova forma de mão de obra e a imigração de europeus passou a ser incentivada pelo governo Imperial e provincial. O escoamento dos grãos passou a ser feito via porto de Santos, o que levou à fundação da primeira ferrovia paulista, a São Paulo Railway, inaugurada em 1867, ligando Santos a Jundiaí, passando por São Paulo, que começava a se transformar em importante entreposto comercial entre o litoral e o interior cafeeiro. O café foi adentrando paulatinamente o oeste paulista; em 1870, a penetração da cultura encontra os férteis campos de cultivo de terras roxas do nordeste paulista, nos arredores de Ribeirão Preto, onde surgiram as maiores e mais produtivas fazendas de café do mundo. O sul paulista (Vale do Ribeira e região de Itapeva) não atraíram o cultivo do café e sofreram com litígios de divisa entre São Paulo e Paraná, sendo, portanto, postos à margem do desenvolvimento do resto da província, tornando-se, até os dias atuais, a região mais pobre do território paulista.

República Velha

A história do republicanismo em São Paulo se inicia em 1873, quando a elite paulista, em sua maioria cafeicultores, se reuniu em Itu em uma convenção, na qual foi criada o Partido Republicano Paulista (PRP). Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, São Paulo se tornou um estado. O estado esteve inicialmente sob o governo de uma junta provisória, até a posse do primeiro governador, Prudente de Morais, que logo renunciou. Com o novo regime, afirmava-se claramente o predomínio econômico do estado bandeirante. Se o Brasil era o café, o café era São Paulo. Em 1894, assumiu o primeiro presidente civil do Brasil, Prudente de Morais (1894-98), o qual foi sucedido por dois presidentes consecutivos de origem paulista: Campos Sales (1898-1902) e Rodrigues Alves (1902-06). No novo regime federativo, São Paulo tinha ampla autonomia, na prática uma verdadeira soberania.

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Geografia

São Paulo é uma das 27 unidades federativas do Brasil, localizado a sudoeste da região Sudeste. Com grande parte de seu território acima do Trópico de Capricórnio, ocupa uma área de 248 222 km², sendo a décima segunda unidade da federação em área do Brasil (2,917% do território nacional) e a segunda do Sudeste, depois de Minas Gerais. Banhado pelo Oceano Atlântico, limita-se com os estados de Minas Gerais a norte e nordeste, Paraná a sul, Rio de Janeiro a leste e Mato Grosso do Sul a oeste, tendo 3 671 km de linha divisória. A distância linear entre os seus pontos extremos norte e sul é de 611 km e 923 km de leste a oeste. São Paulo segue o horário de Brasília, que é três horas atrasado em relação ao Meridiano de Greenwich.

Geomorfologia

São Paulo apresenta um relevo relativamente elevado, possuindo 85% de sua superfície na faixa de 300 a 900 m de altitude, 8% abaixo dos 300 m e os 7% restantes acima de 900 m. Seu ponto culminante é a Pedra da Mina, na Serra da Mantiqueira, cujo pico está a 2 798 m de altitude, um dos cinco mais altos do Brasil. Por outro lado, Campos do Jordão é o município cuja sede municipal é a mais alta do Brasil, com altitude de mais de 1 600 m. O território paulista está localizado majoritariamente sobre um grande planalto que se estende por cerca de 600 km na direção sudeste-noroeste, em cuja porção leste é delimitado por uma estreita faixa de planície costeira, que é cortada por uma escarpa íngreme conhecida como Serra do Mar, com altitudes que variam entre 800 e 1100 metros. O relevo do estado é em cinco principais áreas: a planície litorânea, a Serra do Mar, o planalto cristalino, a depressão periférica e o planalto ocidental.

Hidrografia

São Paulo possui seu território dividido em 21 bacias hidrográficas, inseridas em três regiões hidrográficas, sendo a maior delas a do Paraná, que cobre grande parte do território estadual. Destaca-se o Rio Grande, que nasce em Minas Gerais e separa este de São Paulo ao norte e, ao se juntar com o Rio Paranaíba, forma o Rio Paraná, que separa São Paulo de Mato Grosso do Sul. Dois importantes rios paulistas, afluentes da margem esquerda do Rio Paraná, são o Paranapanema, com 930 km de extensão e um divisor natural entre São Paulo e Paraná na maior parte do seu curso, e o Tietê, maior rio totalmente paulista, que possui uma extensão de 1 136 km e percorre o território estadual de sudeste a noroeste, desde sua nascente, em Salesópolis, até a foz, entre os municípios de Castilho e Itapura.

Clima

No estado de São Paulo, ocorrem sete tipos diferentes de clima. O clima tropical de altitude (Cwa, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger) é o dominante nas regiões central, leste e oeste. Essa variação é caracterizada pelo inverno seco e ameno, com temperatura média inferior a 18 °C, e verão úmido e quente, com temperatura média superior a 18 °C. Nas regiões norte e noroeste paulista o clima se torna tropical de savana (Aw), com invernos amenos e secos e verões quentes e úmidos, porém a temperatura média do mês mais frio é superior a 18 °C. Enquanto isso, no sul e sudoeste do estado há dominância do clima subtropical (Cfa), com invernos frios, verões quentes e o mês mais seco com precipitação média acima de 30 mm.

Meio ambiente

São Paulo possui seu território inserido, em sua maior parte, no bioma da Mata Atlântica, cuja formação inicial cobria pouco mais de dois terços do território paulista e hoje se encontra apenas espalhada em vários fragmentos, restando hoje 32,6% dos remanescentes originais, a maior parte nas encostas da Serra do Mar. No bioma do cerrado, típico de áreas do centro-oeste paulista, este número é ainda menor, de apenas 3%. No litoral existem pequenas áreas de dunas, com espécies vegetais adaptadas ao calor e à salinidade, além das restingas e dos manguezais, este último na foz dos rios. Por se situar no encontro das zonas tropical e temperada do planeta, São Paulo possui sua fauna e floras constituída por espécies de regiões tanto tropicais quanto subtropicais, parte delas endêmicas.

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Demografia

São Paulo é o estado mais populoso do Brasil pelo menos desde 1940, quando superou Minas Gerais. No censo demográfico de 2022, a população do estado era de 44 420 459 habitantes e a densidade demográfica de 178,96 hab./km2. De acordo com censo demográfico de 2022, 96,8% dos habitantes viviam na zona urbana e apenas 3,2% na zona rural. Ao mesmo tempo, 51,8% eram do sexo feminino e 48,2% do sexo masculino, tendo uma razão sexual de aproximadamente 92 homens para cada cem mulheres. Entre 2000 e 2010, São Paulo registrou um crescimento populacional de 11,61%, levemente acima da média do Sudeste (11,15%), mas um pouco abaixo da média brasileira (12,48%). Entre 2010 e 2022, seguindo a tendência nacional de diminuição da taxa de natalidade, embora ainda em crescimento geral, a população do estado cresceu 7,6% e representa 21,8% da população nacional. Em 2022, dos 645 municípios paulistas, nove possuíam população superior a 500 mil habitantes (que concentravam 42,38% da população estadual), sendo três deles acima de um milhão: São Paulo, a capital e o município mais populoso do Brasil, com 11 253 503 habitantes (25,7% dos habitantes do estado); Guarulhos (1 221 979 habitantes) e Campinas (1 080 113), os dois municípios não capitais mais populosos do país. Outros 80 tinham a população maior que 100 mil, sendo 38 cidades com população entre 100 mil e 200 mil, 16 entre 200 001 e 300 mil e dez entre 300 001 e 400 mil habitantes (0,08%), sendo Borá, com apenas 928 habitantes, o menos populoso do estado e o terceiro menos populoso do país, embora ocupara a primeira posição nacional entre os menores no ano anterior.

Regiões metropolitanas e aglomerações urbanas

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), também conhecida como Grande São Paulo, foi instituída pela lei complementar federal nº 14 de 1973 e é formada por 39 municípios paulistas, alguns deles em conurbados com a cidade-núcleo, São Paulo, formando uma grande mancha urbana contínua. É a região metropolitana mais populosa do Brasil e uma das maiores do mundo, com uma população estimada em aproximadamente 22 milhões de habitantes em 2016, quase metade da população estadual. É na RMSP que se encontram os municípios com maior densidade populacional do estado de São Paulo: Diadema (12 519,1 hab./km²), Taboão da Serra (12 049,90 hab./km²) e Carapicuíba (10 680,1 hab./km²) e Osasco (10 411,80 hab./km²).

Composição étnica e fluxos migratórios

Conforme pesquisa de autodeclaração do Censo 2022, 57,78% da população paulista eram brancos, 32,96% pardos, 7,99% pretos, 1,16% amarelos e 0,11% indígenas e 0,01% sem declaração. A população paulista descende principalmente de imigrantes europeus (sobretudo portugueses, italianos, espanhóis e alemães). Também há grandes comunidades de povos do Oriente Médio (libaneses, sírios, judeus e armênios) e Ásia Oriental (japoneses, coreanos e chineses), além de um grande número de pardos e pretos. A forte imigração no final do século XIX e início do século XX, trouxe ao estado pessoas de todas as partes do mundo. Dos mais de cinco milhões de imigrantes que desembarcaram em território brasileiro, boa parte se fixou em território paulista.

Religiões

Segundo o censo 2022, da população do estado acima de 10 anos, 52,24% declararam-se como católicos apostólicos romanos, 27,33% como evangélicos, 10,46% como irreligiosos, 2,90% como espíritas, 1,47% como umbandistas e candomblecistas, 0,03% como adeptos de tradições indígenas, 5,40% como adeptos de outras religiões e 0,18% não declarou ou não sabe sua fé. Na Igreja Católica, o estado de São Paulo pertence à Regional Sul I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e seu território abrange seis províncias eclesiásticas, cada uma delas formada por uma arquidiocese com suas dioceses sufragâneas. Essas arquidioceses são: Aparecida, Botucatu, Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São Paulo e Sorocaba, que juntas possuem mais de trinta dioceses sufragâneas.

Indicadores socioeconômicos

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado de São Paulo é considerado muito alto conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Em 2024, o seu valor era 0,838, estando na segunda colocação a nível nacional (a primeira considerando os estados), depois do Distrito Federal (0,850), e na primeira a nível regional. Considerando-se o índice de longevidade, seu valor é de 0,854 (1.º), o valor do índice de educação é 0,828 (2.º) e o de renda 0,796 (5.º). Em São Paulo se situam 59 dos cem municípios com o melhor IDH a nível nacional, inclusive os dois primeiros colocados: São Caetano do Sul (0,862) e Águas de São Pedro (0,854), e Santos em 6.º, segundo dados do último Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, divulgado em 2013 com dados referentes a 2010. Por outro lado, o município com o menor IDH a nível estadual (e na 3312.ª colocação no país) era Ribeirão Branco (0,639), no Vale do Ribeira, a região mais pobre do estado de São Paulo, com indicadores sociais inferiores às médias estaduais.

Segurança pública e criminalidade

São Paulo, assim como os demais estados do Brasil, conta com dois tipos de corporações policiais para realizar a segurança pública em seu território, a Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), a maior polícia do Brasil e a terceira maior da América Latina em efetivo, com 138 mil militares, e a Polícia Civil do Estado de São Paulo, que exerce a função de polícia judiciária e é subordinada ao governo do estado. O número de homicídios de São Paulo caiu de 39,7 para 14,9 por 100 mil habitantes no período entre 1998 e 2008. O estado, que ocupava o 5.º lugar entre os estados mais violentos do país em 1998, passou a ocupar a 25.ª posição em 2008, atrás apenas do Piauí e de Santa Catarina, apresentando uma queda acima de 62% no número de assassinatos durante o período pesquisado. Segundo o "Mapa da Violência 2016", a taxa de homicídios era a segunda menor do Brasil, com 8,2 assassinatos a cada grupo de 100 mil habitantes, havendo uma redução de 57,7% no período de dez anos (2004 a 2014).

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Governo e política

De acordo com a constituição do estado de São Paulo, promulgada em 5 de outubro de 1989 e alterada por posteriores emendas constitucionais, são poderes do estado, independentes e harmônicos entre si, o executivo, o legislativo e o judiciário. São símbolos oficiais oficiais do estado a bandeira, o brasão e o hino. O poder executivo paulista é exercido pelo governador, que é eleito em sufrágio universal pelo voto direto e popular para um mandato de quatro anos, podendo ser reeleito para mais um mandato. Sua sede é o Palácio dos Bandeirantes, que abriga o governo paulista desde 19 de abril de 1964, quando substituiu o Palácio dos Campos Elíseos. O poder legislativo é unicameral, constituído pela assembleia legislativa, localizada no Palácio 9 de Julho e constituída por 94 deputados estaduais. No Congresso Nacional, São Paulo possui a maior representação dentre as unidades federativas do Brasil, com setenta deputados federais, além de três senadores.

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Subdivisões

Depois de Minas Gerais (853), São Paulo é o estado brasileiro com mais municípios, totalizando 645, muitos deles criados por desmembramento, sendo os mais recentes criados pela lei estadual 9 330, de 27 de dezembro de 1995, e instalados oficialmente em 1997. Iguape, no litoral sul do estado, é o maior município paulista em extensão territorial, e Águas de São Pedro, enclave de São Pedro, o menor. Para fins estatísticos, os municípios são agrupados pelo IBGE em regiões geográficas imediatas. O território estadual é dividido em 53 regiões imediatas. As regiões imediatas, por sua vez, são agrupadas em onze regiões geográficas intermediárias. Desde 1970, por sucessivas leis estaduais, foram criadas e alteradas regiões administrativas e regiões de governo, estabelecidas com o objetivo de centralizar as atividades das secretarias estaduais. Seus limites nem sempre coincidem com as microrregiões e mesorregiões.

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Economia

O produto interno bruto (PIB) de São Paulo é o maior do país, destacando-se na área de prestação de serviços. De acordo com dados relativos a 2023, o PIB paulista era de 3,445 trilhões de reais (representando 31,1% da economia nacional), enquanto o PIB per capita era de 70 471 reais. Se o estado de São Paulo fosse um país independente, seu PIB poderia ser classificado na 21.ª posição entre as maiores economias do mundo (dados de 2020). O estado possui uma economia diversificada. As indústrias metalmecânica, de álcool e de açúcar, têxtil, automobilística e de aviação; os setores de serviços e financeiro; e o cultivo de laranja, cana de açúcar e café formam a base de uma economia que responde por cerca de um terço do PIB brasileiro, algo em torno de 550 bilhões de dólares na paridade de poder de compra. Além disso, o estado oferece boa infraestrutura para investimentos, devido às boas condições das rodovias. A B3 é a segunda maior bolsa de valores do mundo, em valor de mercado.

Setor primário

O setor primário é o menos relevante para a economia paulista, apesar de o estado destacar-se como um dos maiores produtores do país em diversos setores agrícolas. Em 2023, o agronegócio representava 18,9% do valor total adicionado à economia de todo o estado. Segundo o IBGE, naquele ano, o estado possuía um rebanho de 205 686 533 galináceos, 10 768 360 bovinos, 2 512 113 codornas, 1 587 613 suínos, 353 325 equinos, 295 389 ovinos, 119 030 bubalinos e 49 008 caprinos. Além disso, o estado produziu 1 511 847 mil de litros de leite de 861 906 vacas e 5 561 856 kg de mel-de-abelha; e 1,4 bilhão de dúzias de ovos de 54 583 130 galinhas em 2024, sendo o maior produtor nacional de ovos, concentrando 26% de toda a produção nacional.

Setor secundário

São Paulo possui o maior parque industrial do país; em 2021, tinha um PIB industrial de 518,3 bilhões de reais, equivalente a 26% da indústria nacional e 23,1% da estadual, empregando 3 292 749 trabalhadores na indústria. Os principais setores industriais são: Construção (16,7%), Alimentos (12,5%), Químicos (9,9%), Serviços Industriais de Utilidade Pública, como Energia Elétrica e Água (9,3%), e Derivados de petróleo e biocombustíveis (8,2%). Estes 5 setores concentram 56,6% da indústria do estado. Outros setores relevantes são os de Veículos automotores (5,4%), Máquinas e equipamentos (4,9%), Farmacêuticos (3,9%), Borracha e material plástico (3,6%) e Metalurgia (2,6%).

Setor terciário

O setor terciário é o maior e mais relevante setor da economia paulista: em 2011, a participação dos serviços representava 70,46% do valor total adicionado à economia de todo o estado. Em 2021, 52% das atividades financeiras no país eram representadas por São Paulo, enquanto, em seu PIB, esse setor tem um peso de 10%. Em São Paulo, existiam, em 2021, 5 193 agências (instituições financeiras), que renderam 2 464 955 652 102 mil reais em operações a crédito, 130 091 336 437 mil reais em depósitos à vista do governo, 63 578 709 mil reais em depósitos à vista privados, 325 739 438 658 mil reais em poupança, 1 029 348 681 505 mil reais em depósitos a prazo e 1 472 186 852 mil reais em obrigações por recebimento. De acordo com o Mapa de Empresas, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), havia 5 994 192 empresas no estado (2023), e 17 047 181 trabalhadores trabalhavam para todas essas empresas, com salário médio geral superior a 3 salários-mínimos.

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Infraestrutura

Saúde

De acordo com uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2013, 71,8% da população paulista avaliam sua saúde como boa ou muito boa — posicionando o Estado entre aqueles com maiores proporções de pessoas que declararam autoavaliação de saúde positiva; a média nacional foi de 66,1%. Em 2008, 72,7% da população afirmou realizar consulta médica periodicamente; 45,2% dos habitantes consultam o dentista regularmente e 6,5% da população esteve internado em leito hospitalar nos últimos doze meses. 33,7% dos habitantes declararam ter alguma doença crônica e apenas 40,1% tinham plano de saúde. Outro dado significante é o fato de 28,9% dos habitantes declararem necessitar sempre do Programa Unidade de Saúde da Família — PUSF.

Educação e ciência

Contemplado por um expressivo número de renomadas instituições de ensino e centros de excelência, São Paulo é o maior polo de pesquisa e desenvolvimento do Brasil, responsável por 52% da produção científica brasileira e 0,7% da produção mundial no período compreendido entre os anos de 1998 e 2002. Sua capital é um dos principais centros de ciência de alto impacto mundial. A taxa de alfabetização indicada pelo censo demográfico do IBGE de 2025 foi de 98,1%, a 3.ª mais alta do país. A taxa de analfabetismo funcional era de 13,2% em 2010. Possui as mais altas classificações no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Entre as muitas instituições de ensino superior, destacam-se a Universidade de São Paulo (USP), classificada como a melhor da América Latina e frequentemente citada entre as melhores universidades do mundo, alcançando a 22.ª posição em 2021; a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), a maior produtora de patentes de pesquisa no Brasil; a Universidade Estadual Paulista (UNESP), a 485ª melhor universidade do planeta e a 16ª melhor da América Latina. As três universidades, todas mantidas pelo governo paulista, são mantidas por cerca de 10% arrecadação estadual advinda do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e por verbas advindas de instituições públicas de fomento à pesquisa, com destaque para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (antigo Conselho Nacional de Pesquisa, cuja sigla, CNPq, foi mantida). Em 2024, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) atingiu a marca histórica de mais de 80 mil alunos, tornando-se a maior universidade brasileira em quantitativo de alunos. Criada em 2012, a Univesp é uma instituição exclusivamente de educação a distância, mantida pelo governo do estado e vinculada à SCTI.

Eletricidade e saneamento

O fornecimento de energia elétrica em território paulista é feito por quatorze empresas, sendo a principal delas a Companhia Energética de São Paulo (CESP), a terceira maior do Brasil, responsável pela administração de três usinas hidrelétricas integradas ao Sistema Interligado Nacional (SNI): Jaguari, Paraibuna e Porto Primavera, sendo as duas últimas primeiras na região do Vale do Paraíba, dentro na bacia do rio Paraíba do Sul, e a última no rio Paraná, entre Rosana (SP) e Batayporã (MS). No curso do mesmo rio também ficam outras duas importantes hidrelétricas de São Paulo: Ilha Solteira (a maior do estado), entre os municípios de Ilha Solteira (SP) e Selvíria (MS), e Jupiá, entre Castilho (SP) e Três Lagoas (MS), ambas administradas pela GTC Brasil. Existem outras hidrelétricas menores, as principais ao longo dos rios Tietê, Grande e Paranapanema, todos afluentes do rio Paraná.

Transportes

O estado de São Paulo concentra a mais moderna infraestrutura em larga escala do país, sendo a única equivalente aos países desenvolvidos e a única que, por consequência, é capaz de fornecer diversidade industrial. Seu sistema rodoviário é o maior dentre as unidades federativas do Brasil. Em novembro de 2021, o estado tinha, entre rodovias federais, municipais e estaduais, uma rede de 199 975 km (176 675 km municipais, 22 219 km estaduais e 1 075 km federais) com 34 753 km pavimentados, e destes, 6 346 km são rodovias de pista dupla (2 faixas ou mais de tráfego em cada sentido). Com 654 km, a Rodovia Raposo Tavares (SP-270) é a mais extensa rodovia do estado de São Paulo e liga a capital, onde tem início no Butantã, ao oeste paulista, estendendo-se até a divisa com Mato Grosso do Sul em Presidente Epitácio.

Mídia

No campo da televisão, o estado de São Paulo foi pioneiro com a criação da primeira emissora do país, a TV Tupi, pelo empresário paraibano Assis Chateaubriand, em setembro de 1950. Outras emissoras paulistas que ganharam projeção nacional foram o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), da Rede Bandeirantes (pertencente ao Grupo Bandeirantes), Rede Record, TV Gazeta, RedeTV! e a TV Globo São Paulo (antiga TV Paulista), todas situadas na região metropolitana de São Paulo. Dois dos mais influentes jornais do país, a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, são paulistas e mantém suas sedes na capital. São Paulo também concentra um grande número de editoras que produzem algumas das principais publicações brasileiras, entre os quais a Editora Abril, que publica atualmente mais de cinquenta títulos com circulação de 188,5 milhões de exemplares, em um universo de quase 28 milhões de leitores e 4,1 milhões de assinaturas, sendo a maior do segmento na América Latina. Entre as principais publicações da editora está a Revista Veja, a revista com maior tiragem do país.

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Cultura

A cultura de São Paulo é diversa, sendo o estado berço da cultura e culinária caipira no interior e a caiçara no litoral, enquanto a capital tem um caráter multicultural, com influências locais e de diversos lugares do mundo. A Secretaria de Estado da Cultura é o órgão vinculado ao Governo do Estado de São Paulo responsável por atuar no setor de cultura do estado, que tem como secretário o administrador de empresas Andrea Matarazzo. São Paulo é sede de importantes monumentos e entidades culturais, como a Academia Paulista de Letras e o Instituto de História e Geografia de São Paulo. As principais danças folclóricas são o bate-pé, o caiapó, o corroiola, o cateretê e o cururu. O estado também acolhe importantes eventos culturais, como a Bienal Internacional de Arte de São Paulo, a Mostra Internacional de Cinema, o Festival Internacional de Artes Cênicas, a Festa de Nossa Senhora Aparecida, entre outros.

Artes

O estado de São Paulo é o berço de importantes artistas brasileiros, como Alfredo Volpi, Atílio Baldocchi, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, cuja obra Abaporu inaugurou o movimento antropofágico nas artes plásticas, Candido Portinari, considerado um dos artistas mais prestigiados do Brasil e o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional, entre outros. No artesanato, as tradições locais são fruto de uma mistura entre técnicas trazidas ao Brasil pelos colonizadores europeus e técnicas realizadas pelos indígenas e negros, principais que habitavam o território brasileiro na época da colonização, além de esse artesanato ter sido enriquecido de forma significativa por pessoas de diversos lugares (migrantes).

Literatura e música

A literatura paulista começa quando os jesuítas, membros da Companhia de Jesus, chegaram à capital e lá começaram a escrever relatórios à coroa portuguesa, cujo assunto eram as terras recém-encontradas e os povos nativos, com poesias e músicas para o catecismo. Ao longo do século XX, São Paulo deu sua contribuição à literatura brasileira através de grandes manifestações, como a Semana de Arte Moderna (1922), e de escritores famosos, como Álvares de Azevedo, Vicente de Carvalho, Monteiro Lobato, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Lygia Fagundes Telles, ganhadora do Prêmio Camões em 2005 e primeira mulher brasileira indicada ao prêmio Nobel de Literatura.

Espaços teatrais e museus

Segundo historiadores, São Paulo teria sediado a primeira manifestação teatral de todo o Brasil. Na capital, principal polo cultural do estado, destacam-se o Teatro Municipal de São Paulo – espaço construído para atender o desejo da elite paulista da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grandes centros culturais da época, assim como para promover a ópera e o concerto; hoje é um dos mais importantes teatros de cidade e um dos cartões postais da capital paulista, tanto por seu estilo arquitetônico semelhante ao dos mais importantes teatros do mundo –, o Teatro Fernando de Azevedo – onde são sediadas diversas apresentações artísticas e teatrais, como as apresentações do projeto Adoniran Barbosa –, o Teatro Sérgio Cardoso – inaugurado em 1980, possui duas salas de apresentação e é sede de espetáculos e apresentações de grupos pouco ou não muito conhecidos em território brasileiro – e o Teatro São Pedro – construído pelo português Manuel Fernandes Lopes e inaugurado no dia 16 de janeiro de 1917 com a apresentação das peças A Moreninha e O Escravo de Lúcifer, mas depois foi abandonado e recuperado em 1998 – e o Teatro Oficina.

Esportes

No setor esportivo, o órgão do governo estadual responsável por atuar nessa área é a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude. O estado é sede de quatro dos maiores e mais vencedores clubes de futebol do Brasil, sendo eles Sport Club Corinthians Paulista, Sociedade Esportiva Palmeiras, São Paulo Futebol Clube e Santos Futebol Clube. O Campeonato Paulista de Futebol é organizado pela Federação Paulista de Futebol e realizado ininterruptamente desde 1902, sendo o mais antigo torneio de futebol organizado no Brasil. São Paulo abriga vários estádios de futebol, como o Pacaembu, o Morumbi, o Allianz Parque e a Arena Corinthians (todos na capital), o Brinco de Ouro da Princesa e o Moisés Lucarelli (em Campinas), a Arena Barueri (em Barueri), a Vila Belmiro (em Santos), o Santa Cruz (em Ribeirão Preto), o Teixeirão (em São José do Rio Preto), entre muitos outros. Em 2010, segundo a Confederação Brasileira de Futebol, o estado aparece na primeira colocação no ranking nacional das federações estaduais. A capital paulista é uma das doze capitais brasileiras que sediaram os jogos da Copa do Mundo de 2014.

Feriados

No estado de São Paulo, só há um feriado estadual: o dia 9 de julho, em homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932. Este feriado foi oficializado através da Lei n.º 710/1995, proposta pelo deputado estadual Guilherme Gianetti e aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, sendo sancionada depois pelo governador Mário Covas.

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Fontes consultadas

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