Fundição Ipanema
A Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema, ou Fundição Ipanema, foi uma siderúrgica que operou entre 1810 e 1926 na Fazenda Ipanema, hoje parte integrante da Floresta Nacional de Ipanema, no interior do estado de São Paulo, área compartilhada pelos municípios de Araçoiaba da Serra, Capela do Alto e Iperó. O sítio histórico se localiza neste último, no distrito de Bacaetava,
Este importante empreendimento industrial foi o resultado de um longo planejamento da Coroa Portuguesa. Foi precedido pelas experiências de fabricação de ferro no morro de Araçoiaba, que começaram ainda no século XVI, com Afonso Sardinha (pai e filho). Ali, no que se chamava vale das Furnas (atual Ribeirão do Ferro), fizeram instalar um forno e duas forjas para fabricação de ferro pelo método direto, reconhecidos como a primeira tentativa de fabricação de ferro em solo americano. A partir da reforma da Universidade de Coimbra, o professor de Química Domingos Vandelli incentivou muitos de seus alunos a estudar mineralogia e metalurgia. A Coroa Portuguesa enviou vários de seus ex-alunos para viagens de conhecimento na Europa. José Álvares Maciel esteve por ano e meio em Birmingham, Inglaterra, e José Bonifácio de Andrada e Silva e Manuel Ferreira da Câmara percorreram França, Alemanha, Itália e Suécia por 8 anos. Ao voltar da viagem, Bonifácio foi encarregado de restabelecer a Fábrica de ferro de Foz d'Alge, em Portugal, para onde contratou o engenheiro metalurgista Friedrich Ludwig Wilhelm Varnhagen (pai de Francisco Adolfo de Varnhagen) e o geólogo e mineralurgista Wilhelm Ludwig von Eschwege.
D. Rodrigo de Sousa Coutinho, ministro de D. João VI, encarregou Varnhagen e Martim Francisco de Andrada e Silva de projetar uma Fábrica de Ferro moderna que aproveitasse o minério de Araçoiaba. O projeto foi concluído em julho de 1810, orçado em 60 contos de réis. A proposta enfatizava a necessidade de trazer técnicos europeus experientes na técnica siderúrgica. A empresa foi criada através de Carta Régia de 4 de dezembro de 1810, como uma sociedade de capital misto, com treze ações pertencentes à Coroa Portuguesa e 47 a acionistas particulares de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia. Para implantá-la foi trazida para a região uma equipe de técnicos sueca, contratada em dezembro de 1809, liderada por Carl Gustav Hedberg. Além da presença de jazidas de magnetita, foram decisivos para a escolha do local, a abundância de madeira que alimentaria os fornos, e de água captada no Rio Ipanema, força motriz por excelência até meados do século XIX.
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Em 1895 a propriedade foi transferida para o Ministério da Guerra e se transformou em quartel e depósito. A partir de 1926 foi iniciada a exploração de apatita no Morro de Ipanema, perdurando até 1943. Na década de 1950 iniciou-se a exploração de calcário para produção de cimento, cujas atividades foram encerradas no fim da década de 1970. Toda a área foi transferida para o Ministério da Agricultura em 1937 e o Centro de Ensaios e Treinamento de Ipanema (CETI/CENTRI) iniciou os estudos com sementes e máquinas agrícolas. O Centro Nacional de Engenharia Agrícola (CENEA) foi criado em 1975 e deu continuidade às atividades do CETI/CENTRI, sendo desativado no início da década de 1990. Considerada o berço da siderurgia nacional, a fábrica conserva menos de 20% de seu conjunto original. Os seus altos-fornos geminados existem até hoje e encontram-se sob a guarda do ICMBio, por meio da Floresta Nacional de Ipanema, localizada em Bacaetava, município de Iperó. Os três altos fornos foram escaneados interna e externamente em 2015 (por equipe da Universidade de Ferrara, Itália) e em 2016 (por equipe da Universidade de São Paulo), permitindo uma análise do vazio interior de cada um deles.


