Record (rede de televisão)
Record é uma rede de televisão comercial aberta brasileira. Principal integrante do Grupo Record, tem sua programação nacional gerada nas cidades de São Paulo, onde está sediada, no Teatro Dermeval Gonçalves, e do Rio de Janeiro, no complexo Casablanca Estúdios, voltado à produção de suas telenovelas e outros formatos. É a segunda maior rede de televisão comercial do Brasil e a 28.ª maior no ranking mundial de 2012. Em 2010, foi eleita pelo mercado publicitário como a quinta maior emissora do mundo em faturamento e a oitava maior rede em estrutura física.
Proprietário junto a familiares das Emissoras Unidas, um conjunto de estações de rádio em São Paulo, o empresário Paulo Machado de Carvalho intermediou em 1948 o início da construção de um prédio para operação de televisão no bairro Indianópolis. Em 22 de novembro de 1950 Paulo obteve a outorga do canal 7 VHF, por onde seria transmitida a nova emissora, nomeada como TV Record — identificação baseada em uma das integrantes das Emissoras Unidas, a Rádio Record. Meses após a primeira transmissão experimental com o coral da Escola Normal Caetano de Campos e a orquestra da Força Pública de São Paulo, a TV Record foi oficialmente fundada na noite de 27 de setembro de 1953, tendo sido a terceira estação de televisão de São Paulo e a quarta do Brasil. O show de inauguração, apresentado por Blota Júnior e Sônia Ribeiro, contou com artistas como Dorival Caymmi, Inezita Barroso, Isaurinha Garcia e Adoniran Barbosa.
Telenovelas
A primeira telenovela produzida e exibida pela Record foi o folhetim A Muralha, de 1954. Entre 1954 e 1977, o canal havia produzido setenta e oito telenovelas. Nesse primeiro período, ainda na era de Silvio Santos e Paulo Machado de Carvalho, destacaram-se Os Deuses Estão Mortos e As Pupilas do Senhor Reitor, sendo que esta última, segundo a Unicamp, tornou-se a novela de maior audiência da história da Record.[carece de fontes?] A última produção da emissora nessa primeira fase foi Meu Adorável Mendigo de 1974, trama que encerrou o núcleo de teledramaturgia na emissora, que foi desmontado e os profissionais dispensados após este período. Em 1977, no entanto, a emissora exibiu O Espantalho, uma parceria com a autora Ivani Ribeiro, que havia começado no canal em 1954. Entre 1999 e 2004 foram produzidas de forma despretensiosa oito telenovelas adicionais, originárias de parcerias da Record com empresas independentes.[carece de fontes?]
Minisséries e séries
Até o momento a Record exibiu mais de 20 séries, seriados e minisséries em suas diferentes fases, desde a década de 1950. Também a partir da retomada do núcleo de teledramaturgia da emissora, em outubro de 2004, além das telenovelas, algumas séries e minisséries foram produzidas, em sua maioria com temática bíblica ou policial.
Nacional
Atualmente, a Record possui 15 emissoras próprias e 96 afiliadas, totalizando 111 emissoras. Foi uma das pioneiras no Brasil na transmissão digital.[carece de fontes?]
Internacional
Criada em 2002, a Record Internacional está presente em 150 países e leva programas que são sucesso no Brasil. A Record Internacional contém seis canais que levam sinal digital pelo mundo e 17 emissoras. A emissora é também afiliada à CNN International. Na África, a Record está em Moçambique, Uganda, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Madagascar. Em Moçambique, a TV Miramar, que faz parte da Record Internacional, tem 10 emissoras e tem diversos programas locais de grande sucesso. Adicionalmente, a emissora também transmite para toda a Ásia, sendo que essa cobertura é feita por dois satélites: Asiasat 2 e Jsat. Nos Estados Unidos, a cobertura é feita pelos satélites NSS-806 e EchoStar e é distribuída pela Comcast e pela Dish Network. Na Europa, a Record é a única televisão brasileira disponível sem nenhum pagamento de assinatura. A cobertura atinge todos os países do continente.
Controle de Edir Macedo
A venda da Record em 1989 para o empresário Edir Macedo até hoje é motivo de controvérsias: a Polícia Federal realizou uma investigação na qual descobriu que parte do dinheiro usado por Macedo para a compra da estação consistia em empréstimos sem juros de sua Igreja Universal. O líder da IURD foi condenado a pagar uma multa por não ter declarado esse dinheiro. No ano de 1992, os estúdios da emissora, ainda localizados na Moema, sofreram um novo incêndio onde vários documentos relativos a venda da Record se perderam, fazendo com que a transação devesse mais explicações satisfatórias. No ano de 1992, Edir Macedo foi preso logo após ter realizado um culto no Templo Maior da Igreja Universal no bairro de Santo Amaro em São Paulo sob a acusação de charlatanismo, estelionato e lesão à crendice popular". O então novo dono da Record ficou preso durante 11 dias e foi solto por falta de provas, posteriormente livrando-se das acusações. No final de 1995, Macedo seria mais uma vez alvo de polêmica ao aparecer em um vídeo gravado em 1990 por um ex-integrante da IURD e veiculado na TV Globo onde o líder espiritual aparecia ensinando outros pastores a convencer fiéis a doar dinheiro para a sua igreja. Com a viralidade do vídeo na internet, Macedo tentou pedir a justiça para que cópias da reportagem da Globo saíssem do YouTube, mas teve seu pedido negado.
Relação com a Igreja Universal
Segundo a investigação, ao menos 50 empresas, como emissoras de rádio e TV (em especial a Rede Record), gráficas e agências de turismo controladas direta ou indiretamente por integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus são beneficiadas por doações feitas por fiéis da IURD em todo o país. A Igreja Universal, juntamente com a Record e a Folha Universal, principais meios de comunicação ligados à Universal, também já tiveram inúmeros conflitos editorias com vários outros meios de comunicação no Brasil, entre eles o portal UOL, a revista Veja, o jornal Folha de S.Paulo e em especial a Rede Globo. Edir Macedo afirmou ao site da IstoÉ que a emissora carioca é um dos maiores inimigos da Universal.
Chute na santa
Na madrugada do feriado de 12 de outubro de 1995, dia de Nossa Senhora Aparecida comemorada pelos católicos, foi exibido na Rede Record o programa O Despertar da Fé, produzido pela Igreja Universal liderada por Edir Macedo, dono da emissora. Durante a transmissão, o então bispo e televangelista Sérgio von Helder desferiu diversos pontapés e golpes numa imagem da Santa que ele mesmo havia comprado. Além de ter praticados agressões contra a imagem, Sérgio afirmou que "Deus não poderia ser comparado a um 'boneco' tão feio, tão horrível e tão desgraçado". O ocorrido foi noticiado pelo Jornal Nacional da concorrente Rede Globo no dia seguinte, causando grande repercussão nacional. O fato foi visto com amplas críticas não só pelos católicos, como também por outras religiões, sendo relatado como intolerância religiosa. Na época, Edir Macedo chegou a oferecer espaço na Record para alguns líderes católicos como um pedido de desculpas, sendo recusado pelos mesmos. Posteriormente, Macedo afirmou que estava sofrendo perseguição religiosa da mídia, em especial da TV Globo, chegando a afirmar que a emissora de Roberto Marinho havia lhe transformado em um "monstro".
Acusações de viés político
Como nos governos anteriores, Edir Macedo se posicionou pró-governo, quando Bolsonaro entrou em primeiro lugar nas intenções de voto em 2018. A Folha de S.Paulo apurou, junto a outros jornalistas da Record, que estavam ocorrendo conflitos na linha editorial de jornalismo da mesma para favorecer Bolsonaro a partir de informações com viés político. Até aquele momento, nem a emissora, nem o setor de jornalismo apoiavam oficialmente o político. Devido a isso, ainda em 2018, a diretora do Jornal da Record pediu demissão. Escrevendo para o The Intercept Brasil, João Filho questionou o aumento da entrada de dinheiro público na RecordTV e outras emissoras nas quais os donos aparecerem ao lado de Bolsonaro. Antes do atual governo, era gasto mais dinheiro com as emissoras a partir da audiência das mesmas, mas o método foi cancelado sem motivo.
Disseminação de desinformação
Segundo o balanço do Radar Aos Fatos de 26 de fevereiro de 2021, a Record e outros veículos de comunicação ajudaram a impulsionar desinformação sobre a pandemia de Covid-19 ao publicar entrevistas com médicos no YouTube defendendo drogas sem eficiência comprovada ou com críticas ao uso de máscaras.


