Pesquisa · Mapa mental

A Cabana do Pai Tomás

Uncle Tom's Cabin; or, Life Among the Lowly, ou A Cabana do Tio Tom (PT) é um romance sobre a escravatura no Estados Unidos da escritora norte-americana Harriet Beecher Stowe. Publicado em 1852, o livro "ajudou a estabelecer as bases para Guerra Civil", segundo Will Kaufman.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
01

Publicação

Uncle Tom's Cabin foi publicado pela primeira vez, em forma de série semanal, durante 40 semanas, no The National Era, um jornal abolicionista, a 5 de Junho de 1851. Originalmente, seria uma narrativa curta prevista durar apenas umas semanas. No entanto, Stowe expandiu a história de forma muito significativa, e tornou-se instantaneamente muito popular, de tal forma que, quando ela falhou uma publicação, foram vários os protestos enviados para os escritórios do Era. Devido à popularidade da história, o editor, John P. Jewett, contactou Stowe propondo-lhe que a série passasse para o formato de livro. Enquanto Stowe se questionava sobre se alguém iria ler Uncle Tom's Cabin em livro, acabou por aceder à proposta de Jewett. Convencida de que o livro seria popular, Jewett decidiu, estranhamente para a época, que ele incluiria seis páginas totalmente ilustradas pelas gravuras de Hammatt Billings na primeira edição. Publicado em livro a 20 de Março de 1852, o romance vendeu 3 000 cópias no primeiro dia, e depressa esgotou a primeira edição. Foram efectuadas mais edições (incluindo uma de luxo em 1853, com 117 ilustrações de Billings).

02

Enredo

Eliza foge com o seu filho; Tom é vendido e "levado através do rio"

O livro começa com um agricultor do Kentucky chamado Arthur Shelby perante a perda da sua quinta por causa de dívidas. Mesmo acreditando que ele e a sua esposa Emily Shelby têm um relacionamento amável com os seus escravos, Shelby decide arranjar o dinheiro necessário vendendo dois deles—Uncle Tom, um homem de meia-idade com mulher e filhos, e Harry, filho da criada de Emily Shelby, Eliza—a um comerciante de escravos. Emily Shelby é contra esta ideia porque tinha prometido à sua criada que o seu filho nunca seria vendido; o filho de Emily, George Shelby, detesta a ideia de ver Tom a ir embora pois olha para ele como seu amigo e mentor. Quando Eliza escuta o Sr. e a Sra. Shelby a falar sobre os planos para vender Tom e Harry, Eliza decide fugir com o seu filho. A história estabelece que Eliza escolheu assim pois teme perder a sua única criança sobrevivente (já havia perdido dois filhos). Eliza parte nessa mesma noite, deixando um bilhete com um pedido de desculpas à sua patroa.

A família de Eliza é perseguida; Tom e a sua nova vida com os St. Clare

Durante a fuga de Eliza, ela encontra-se com o seu marido George Harris, que já andava fugido. Ambos decidem tentar chegar ao Canadá. Contudo, são perseguidos por um caçador de escravos chamado Tom Loker. Loker e os seus homens acabam por apanhar Eliza e a sua família, e George dispara contra o caçador. Preocupado com o facto de Loker poder morrer, Eliza convence George a levar o caçador de escravos a uma colónia Quaker ali próxima para procurar ajuda médica. Entretanto, em Nova Orleãs, St. Clare fala da escravatura com a sua prima do Norte Ophelia a qual, embora seja contra a escravatura, tem preconceitos em relação aos negros. St. Clare, no entanto, acredita não ser tendencioso, apesar de ser um dono de escravos. Tentando mostrar a Ophelia que os pontos de vista dela sobre os negros estão errados, St. Clare compra Topsy, um jovem escravo negro, e pede a Ophelia que o eduque.

Tom é vendido a Simon Legree

No entanto, antes ainda de St. Clare prosseguir com a libertação de Tom, é assassinado à facada junto a uma taberna. A sua esposa, contrariamente à vontade de St. Clare, vende Tom num leilão a um perverso proprietário de uma plantação chamado Simon Legree. Legree (natural do Norte) leva Tom e Emmeline (a qual Legree também comprou na mesma altura) para o Louisiana, onde conhecem os outros escravos. Legree começa a odiar Tom quando este se recusa a obedecer à suas ordem de chicotear um outro escravo. Legree bate em Tom brutalmente e decide abandonar a sua crença em Deus. Apesar da crueldade de Legree, Tom recusa deixar de ler a sua Bíblia e de car conforto aos outros escravos o melhor que pode. Na plantação, Tom conhece Cassy, uma escrava de Legree. Cassy tinha sido separada do seu filho e da sua filha quando estes foram vendidos; incapaz de suportar a dor de ver outra criança vendida, decide matar o seu terceiro filho.

Final

Na sua viagem de barco para a liberdade, Cassy e Emmeline encontram a irmã de George Harris e acompanham-na até ao Canadá. Cassy descobre que Eliza é a sua filha de quem há muitos anos se encontrava separada, e que tinha sido vendida em pequena. Agora que a sua família se encontra de novo junta, viajam para França e depois para a Libéria, a nação africana criada para receber os antigos escravos americanos. George Shelby regressa à quinta do Kentucky e liberta todos os seus escravos. George diz-lhes que se lembrem do sacrifício de Tom e da sua crença no verdadeiro sentido do Cristianismo.

03

Personagens principais

Uncle Tom

Uncle Tom, a figura central da história, era inicialmente identificado como um escravo de personalidade nobre, sofredor e cristão. Mais recentemente, contudo, o seu nome tornou-se um sinónimo de afro-americanos acusados de se "venderem" aos brancos. Stowe pretendia que Tom fosse um "nobre herói" e uma pessoa louvável. Ao longo do livro, longe de se permitir ser explorado, Tom defende abertamente as suas crenças ideais sendo, por mesmo a ser admirado, a contragosto, pelos seus inimigos.

Eliza

Eliza é uma escrava e dama-de-companhia de Mrs. Shelby que foge para o Norte com o seu filho de cinco anos de idade, Harry, depois de este ser vendido a Mr. Haley. O seu marido, George, acaba por encontrar Eliza e Harry em Ohio e emigra com eles para o Canadá, depois para França e, finalmente, para a Libéria. A personagem Eliza foi inspirada por uma história contada no Lane Theological Seminary em Cincinnati por John Rankin ao marido de Stowe, Calvin, um professor nessa escola. Segundo Rankin, em Fevereiro de 1838, uma jovem escrava, Eliza Harris, tinha fugido pelo gelado rio Ohio para a cidade de Ripley com a sua criança nos braços tendo ficado na casa dele a caminho do norte.

Eva

Evangeline St. Clare é a filha de Augustine St. Clare. Eva é introduzida na narrativa quando Uncle Tom se encontra em viagem de barco-a-vapor para Nova Orleães para ser vendido, e salva a pequena menina de cinco ou seis anos de idade de morrer afogada. Eva pede ao seu pai que compre Tom, e este acaba por ser o cocheiro principal na casa de St. Clare. Tom passa muito do seu tempo com a angelical Eva. A menina fala muitas vezes sobre o amor e o perdão, e está convencida que a pequena e rebelde escrava Topsy merece amor. Chega mesmo a tocar no íntimo da sua tia Ophelia. Eva fica muito doente. Antes de morrer, entrega um pedaço do seu cabelo a cada um dos escravos, dizendo-lhes que se devem tornar cristãos para poderem se ver no Paraíso. No seu leito de morte, convence o seu pai a libertar Tom, mas por causa das circunstâncias que se seguiriam, a promessa nunca seria cumprida.

Simon Legree

Simon Legree é um dono de escravos muito cruel—nascido no Norte—cujo nome se tornou sinónimo de ganância. É o antagonista principal da história. O seu objectivo é desmoralizar Tom e afastá-lo da sua fé religiosa; acaba por dar ordens para chicotear Tom até à morte por não conseguir quebrar a sua fervorosa fé em Deus. A história revela que, quando jovem, abandonou a sua mãe doente e partiu para uma vida no mar, ignorando uma carta onde ela lhe pede para o ver uma última vez antes de morrer. Legree explora sexualmente Cassy, que o despreza, e, mais tarde, passa a abusar de Emmeline. Não se sabe ao certo se Legree é uma personagem baseada em alguém real. Notícias surgidas depois da década de 1870 mostram que Stowe tinha em mente um rico proprietário de uma plantação de açúcar e algodão chamada Meredith Calhoun, que se tinha instalado no rio Vermelho a norte de Alexandria. No entanto, as características de Calhoun ("muito educado e de modos requintados") não se assemelham à brutalidade e indiferença de Legree. Calhoun até tinha o seu próprio jornal, publicado em Colfax (nome inicial: Calhoun's Landing), o qual mudou de designação para The National Democrat depois da morte de Calhoun. Contudo, os empregados de Calhoun deveriam seguir os mesmos métodos e ideias de violência de Legree.

04

Outras personagens

Algumas das outras personagens, secundárias ou menos significativas, são:

05

Temas principais da história

Uncle Tom's Cabin é dominado por um único tema: o mal e a imoralidade da escravatura. Embora Stowe fale sobre outros subtemas ao longo da história, como a autoridade moral da maternidade e das possibilidades de redenção oferecida pelo Cristianismo, a autora destaca as ligações entre este assunto e os horrores da escravatura. Por vezes, Stowe altera a voz da história por forma a dar uma "homilia" sobre a natureza destrutiva da escravatura (como quando uma mulher branca no navio-a-vapor que leva Tom mais para sul diz: "A parte mais terrível da escravidão, em minha opinião, é o ultraje de sentimentos e afectos—a separação de familiares, por exemplo".). Uma das formas como Stowe mostrou o mal da escravatura foi como esta "peculiar instituição separa à força familiares uns dos outros. Um dos subtemas presentes na história é a moderação, a sobriedade. Stowe apresenta-o de uma maneira subtil e, em alguns casos, integra-o em eventos que ajudam a apoiar o tema dominante. Um exemplo disto é quando Augustine St. Clare é morto: ao tentar parar uma discussão entre dois homens bêbedos num café, é esfaqueado. Outro exemplo, é a morte da mulher escrava, Prue, que foi chicoteada até à morte por se encontrar constantemente alcoolizada; no entanto, as razões porque o fazia tinham a ver com a perda do seu bebé. No início do romance, o destino de Eliza e do seu filho são tema de discussão entre os donos dos escravos enquanto estes bebem vinho. Considerando que Stowe pretendia que este fosse um subtema, esta cena pode adivinhar situações futuras em que o álcool é o principal culpado para fins trágicos.

06

Estilo

Uncle Tom's Cabin está escrito no estilo sentimental e melodramático comum nos romances do século XIX e da ficção doméstica (também designada por ficção para mulheres). Estes géneros eram os mais populares na época de Stowe, havia a tendência para ter personagens principais femininas e um estilo de escrita que tocava nas emoções e na simpatia dos leitores. Embora o romance de Stowe seja diferente de outros sentimentais ao focar-se num tema de grande peso como a escravatura, e por ter um homem como figura central, da mesma forma ela tenta criar um ambiente de grandes sentimentos nos seus leitores.O poder deste tipo de escrita pode ser observado na reacção dos leitores contemporâneos. Georgiana May, uma amiga de Stowe, escreveu uma carta à autora onde dizia: "Fiquei acordada ontem à noite até muito depois da uma da manhã a ler e a terminar Uncle Tom's Cabin. Não conseguia deixá-lo tal como não podia deixar uma criança morrendo". Outro leitor estava tão obcecado pelo livro que chegou a pensar mudar o nome da sua filha para Eva. A morte da pequena Eva afectou muitas pessoas naquele tempo pois, em 1852, 300 bebés do sexo feminino tinham recebido aquele nome.

Reacção mundial e contemporânea

Uncle Tom's Cabin indignou as pessoas do Sul dos Estados Unidos. O famoso escritor sulista William Gilmore Simms declarou que a história era totalmente falsa, enquanto outros disseram que o romance era criminoso e calunioso. As reacções tomaram diversas formas desde um livreiro de Mobile, Alabama, forçado a deixar a sua cidade para ir vender o livro, a cartas ameaçadoras enviadas a Stowe (incluindo um pacote contendo a orelha decepada de um escravo). Muitos escritores sulistas, como Simms, escreveram os seus próprios livros com versões opostas à de Stowe. Alguns críticos salientaram o pouco conhecimento de Stowe em relação à vida sulista, o que, segundo eles, deu origem a descrições distorcidas da região. Por exemplo, ela nunca visitou uma plantação do Sul. Contudo, Stowe sempre disse que criou as personagens do seu livro em histórias que lhe foram contadas por escravos em fuga em Cincinnati. Sabe-se que "ela assistiu a vários incidentes em primeira-mão que a levaram a escrever [o] famoso romance anti-escravatura. Cenas que ela observou no rio Ohio, incluindo ver um marido e a sua esposa a serem vendidos separadamente, tal como entrevistas em jornais e revistas, contribuíram para o conteúdo da história".

Crítica e significado literário

Sendo o primeiro romance de natureza política mais lido nos Estados Unidos, Uncle Tom's Cabin influenciou de forma significativa não apenas a literatura americana, mas também a literatura de protesto em geral. Outros exemplos que devem muito ao livro de Stowes são The Jungle de Upton Sinclair e Silent Spring de Rachel Carson. Apesar deste indiscutível significado, Uncle Tom's Cabin tem sido designado por "uma mistura entre fábulas infantis e propaganda". O romance também tem sido subvalorizado pelos críticos como "apenas um romance sentimental", ao passo que o crítico George Whicher refere no seu Literary History of the United States que "Nada atribuível à Sra. Stowe ou a sua obra pode explicar a enorme popularidade da novela; os recursos do seu autor como fornecedor de ficção para a Escola Dominical não eram notáveis. Ela tinha, no máximo, um conjunto pronto de melodramas, humor e pathos, e desses sentimentos populares ela concebeu o seu livro".

07

Criação e popularização de estereótipos

Académicos e leitores modernos criticaram o livro por acharem que contém descrições racistas condescendentes das personagens negras do livro, especialmente no que diz respeito às aparências, fala e seu comportamento, bem como a natureza passiva do Uncle Tom ao aceitar seu destino. A utilização no romance de estereótipos comuns sobre os afro-americanos é significativo porque Uncle Tom's Cabin foi o livro mais vendido no mundo durante o século XIX. Como resultado, o livro (juntamente com as suas ilustrações e produções teatrais associadas) desempenharam um papel importante na formação permanente desses estereótipos na mente americana. Entre os estereótipos dos negros em Uncle Tom's Cabin podem encontrar-se: o"escurinho feliz" preguiçoso e despreocupado Sam; o mulato trágico de pele clara como objecto sexual (nas personagens de Eliza, Cassy e Emmeline); a mãe afectuosa e de pele escura (como Mammy, uma cozinheira na plantação dos St. Clare); o pickaninny, uma criança negra (como Topsy); o Uncle Tom, um afro-americano desejoso de agradar aos brancos. Stowe tinha a intenção de Tom ser um "nobre herói". O seu estereótipo de "tolo subserviente que se inclina perante os brancos", terá resultado da encenação Tom Shows, sobre a qual Stowe não tinha qualquer controlo.

08

Literatura anti-Tom

Em resposta à Cabana do Tio Tom, escritores do Sul dos Estados Unidos produziram uma série de livros para refutar o romance de Stowe. Esta chamada literatura anti-Tom assumiu, de forma geral, um ponto de vista pró-escravatura, argumentando que as questões da escravidão, tal como descritas no livro de Stowe, eram exageradas e incorrectas. As novelas deste género tendiam a incluir um mestre patriarcal branco bondoso e uma esposa pura, que supervisionavam escravos infantis numa plantação de estilo familiar de bons-princípios. As histórias sugeriam ou afirmavam directamente que os afro-americanos eram pessoas infantis incapazes de viver as suas vidas sem serem supervisionados directamente pelos brancos. Dentre os livros anti-Tom mais famosos estão The Sword and the Distaff de William Gilmore Simms, Aunt Phillis's Cabin de Mary Henderson Eastman e The Planter's Northern Bride de Caroline Lee Hentz, sendo que a última autora era amiga de Stowe quando as duas viveram em Cincinnati. O livro de Simms foi publicado uns meses depois do romance de Stowe, e contém várias secções e discussões pondo em causa o livro de Stowe e a sua visão da escravatura. O romance de Hentz de 1854, muito lido na época, mas actualmente esquecido, faz uma defesa da escravatura através dos olhos de uma mulher do norte—a filha de um abolicionista—que casa com um proprietário de escravos sulista.

09

Adaptações artísticas

Espectáculos de Tom

Apesar de Uncle Tom's Cabin ter sido um best-seller do século XIX, foram mais os americanos que viram a história através do teatro ou de um espectáculo musical do que aqueles que leram o livro. Eric Lott, no seu livro Uncle Tomitudes: Racial Melodrama and Modes of Production, estima que pelo menos três milhões de pessoas terão visto as peças de teatro, cerca de dez vezes mais do que os livros vendidos no primeiro ano da sua edição. Dadas as fracas leis dos direitos de autor da época, as peças de teatro baseadas em Uncle Tom's Cabin—"Tom shows"—surgiram quando o romance estava a ser publicado como uma série. Stowe recusou autorizar a dramatização do seu livro pois não via com bons olhos esta forma de arte (embora tenha acabado por ir ver a versão de George L. Aiken e, de acordo com Francis Underwood, ficou "deliciada" pela representação de Caroline Howard no papel de Topsy). A produção teatral de Aiken continuou como "a peça de teatro mais popular em Inglaterra e na América durante setenta e cinco anos". A recusa de Stowe em autorizar uma dada versão teatral do seu trabalho deixou a porta aberta para qualquer adaptação, algumas delas colocadas em prática por várias razões políticas, e outras como simples projectos teatrais comerciais.

Em palco

Todos os espectáculos de Tom incorporaram elementos de melodrama e menestréis de caras pintadas de negro. Estas actuações variavam muito as suas políticas—algumas mostravam fielmente a perspectiva emocional e anti-escravatura de Stowe, enquanto outras eram mais moderadas, ou mesmo pró-escravatura. Muitas das produções apresentavam caricaturas raciais e pejorativas dos negros, enquanto outras incluíam canções de Stephen Foster (como My Old Kentucky Home, Old Folks at Home e Massa's in the Cold Ground). Os espectáculos mais conhecidos de Tom eram aqueles os de George Aiken e H.J. Conway. A versão de Aiken é uma das adaptações teatrais mais conhecidas, realizada apenas alguns meses depois da publicação do romance. Este gigante de seis actos também estabeleceu um precedente importante ao ser o primeiro show na Broadway em cena sozinho, sem a realização de outros entretenimentos ou qualquer peça posterior. Grande parte do diálogo de Aiken é uma cópia directa da história de Stowe e incluía quatro números musicais escritos pelo produtor, George C. Howard. Um outro legado desta adaptação é a representação de locais muito diferentes, todos retratados no mesmo palco. Esta representação implicou grandes cenários e marcou um precedente para os futuros dias do cinema. Ao concentrar-se nas situações pouco usuais e desesperadas das suas personagens, Aiken apelou às emoções da sua audiência. Combinando esta abordagem melodramática com o conteúdo do romance de Stowe, Aiken ajudou a criar uma mensagem visual acusatória contra o sistema da escravatura.

Adaptações para cinema

Uncle Tom's Cabin tem sido adaptado várias vezes para cinema. Muitos destes filmes foram criados durante a época dos filmes mudos (Uncle Tom's Cabin foi dos livros mais adaptados nesta época). Devido à contínua popularidade tanto do livro como dos espectáculos de Tom, as audiências já estavam familiarizadas com as personagens e o enredo, tornando o filme fácil de ser entendido sem palavras audíveis. A primeira versão cinematográfica de Uncle Tom's Cabin foi uma das primeiras longas-metragens no mundo do cinema (embora o termo longa-metragem, na época, significasse entre 10 a 14 minutos). Este filme de 1903, realizado por Edwin S. Porter, fez uso da blackface nos atores principais, enquanto os atores negros são apenas figurantes. Esta versão era evidentemente semelhante a muitos dos "Shows de Tom" de décadas anteriores, e apresentava vários estereótipos raciais.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando