Heinrich Himmler
Heinrich Luitpold Himmler foi um Reichsführer das Schutzstaffel, e um dos principais líderes do Partido Nazi (NSDAP) da Alemanha Nazi. Posteriormente, Adolf Hitler nomeou-o Comandante do Exército de Reserva e General Plenipotenciário para toda a administração do Reich. Himmler foi um dos homens mais poderosos da Alemanha Nazi e um dos principais responsáveis diretos pelo Holocausto.
Heinrich Luitpold Himmler nasceu em Munique no dia 7 de outubro de 1900 no seio de uma família de classe média, conservadora e católica. O seu pai, Gebhard Himmler (17 de maio de 1865 – 29 de outubro de 1936), era professor, e a sua mãe, Anna Maria Himmler (nascida Heyder; 16 de janeiro de 1866 – 10 de setembro de 1941), era uma católica devota. Heinrich teve dois irmãos: Gebhard Ludwig (29 de julho de 1898 – 1982) e Ernst Hermann (23 de dezembro de 1905 – 2 de maio de 1945). O primeiro nome de Himmler, Heinrich, foi uma homenagem ao seu padrinho, o príncipe Heinrich da Baviera, membro da família real bávara, que havia tido Gebhard Himmler como tutor. O seu segundo nome, Luitpold, foi uma homenagem ao príncipe regente, Luitpold da Baviera. Himmler frequentou a escola primária em Landshut, onde o seu pai era o delegado principal. Apesar de ter bom aproveitamento nas disciplinas teóricas, tinha dificuldade nas actividades desportivas. A sua saúde era frágil, sofrendo de problemas de estômago ao longo da sua vida, entre outras doenças. Na sua juventude, treinava diariamente com pesos para ficar mais forte. Alguns colegas seus da escola lembram-no como muito estudioso e estranho no relacionamento social.
Ativismo Nazi
Himmler entrou para o Partido Nazi (NSDAP) em agosto de 1923; o seu número de membro era o 14 303. Como membro da unidade paramilitar de Röhm, Himmler desempenhou um pequeno papel no Putsch de Munique—uma tentativa de golpe de Estado mal-sucedido, liderado por Hitler e pelo NSDAP - como porta-estandarte. Este acontecimento seria o ponto de partida para a vida política de Himmler. Foi questionado pela polícia sobre o seu papel no putsch, mas acabou por não ser acusado de nada por falta de provas. Contudo, perdeu o seu emprego, não conseguiu arranjar trabalho como agrónomo e teve que mudar de residência. Frustrado com todos estes acontecimentos, tornou-se um homem cada vez mais irritável, agressivo e afastado tanto dos seus amigos como da família.
Depois da saída do comandante das SS, Erhard Heiden, em janeiro de 1929, Himmler assumiu a posição de Reichsführer-SS com a aprovação de Hitler;[nota 1] em simultâneo, continuou a cumprir com as suas funções na propaganda. Uma das suas primeiras responsabilidades foi organizar os participantes das SS nos Comícios de Nuremberga em Setembro. Durante o ano seguinte, Himmler transformou as SS passando-a de uma pequena força de 290 homens, para cerca de 3 mil. Em 1930, Himmler conseguiu convencer Hitler a gerir as SS como uma organização independente apesar de, oficialmente, continuar subordinada às SA. Para ganhar poder político, o NSDAP aproveitou a queda da economia durante a Grande Depressão. O governo de coligação da República de Weimar não conseguiu melhorar a economia e, desta forma, muitos votantes viraram-se para a o outro extremo político, que incluía o NSDAP. Hitler usou a retórica populista, fazendo dos judeus bode-expiatórios, culpando-os pelas dificuldades económicas. Na eleição de 1932, os nazis receberam 37,3% dos votos e 230 lugares no Reichstag. Hitler foi nomeado Chanceler da Alemanha pelo Presidente Paul von Hindenburg em 30 de janeiro de 1933, e liderou uma breve coligação entre o Partido Nazi e o Partido Popular Nacional Alemão. O novo gabinete incluía, de início, apenas três membros do NSDAP: Hitler, Hermann Göring como ministro sem pasta e ministro do Interior para a Prússia, e Wilhelm Frick como ministro do Interior do Reich. Menos de um mês depois, o edifício do Reichstag foi incendiado. Hitler aproveitou a ocasião para forçar Von Hindenburg a assinar o Decreto do Incêndio do Reichstag, o qual suspendia os direitos básicos e permitia detenções sem julgamento. A Lei de Concessão de Plenos Poderes, emitida pelo Reichstag em 1933, atribuiu ao Gabinete — na prática, a Hitler — total poder de legislação, e o país tornou-se, de facto, uma ditadura. Em 1 de agosto de 1934, o gabinete de Hitler redigiu uma lei que estipulava que, após a morte de Von Hindenburg, o cargo de presidente seria abolido, e os seus poderes fundidos com os do chanceler. Von Hindenburg morreu na manhã seguinte, e Hitler passou a acumular as funções de Chefe-de-Estado e do Governo com o título de Führer und Reichskanzler (líder e chanceler).
Consolidação do poder
No início de 1934, Hitler e outros líderes nazis começaram a ficar preocupados com os rumores de que Röhm estava a planear um golpe de estado. Röhm tinha uma perspectiva socialista e populista, e acreditava que que a verdadeira revolução ainda não tinha começado. Ele achava que as SA — cujo número de elementos ascendia a três milhões, muito acima do exército—deviam ser a única organização armada do estado, e que o exército devia ser integrado nas SA sob a sua liderança. Röhm pressionou Hitler a nomeá-lo para ministro da Defesa, um cargo ocupado pelo general conservador Werner von Blomberg. Göring tinha criado uma força policial secreta prussiana, a Geheime Staatspolizei ou Gestapo, em 1933, e nomeou Rudolf Diels para seu director. Göring, preocupado com o facto de Diels não ser suficientemente duro para usar a Gestapo de forma eficaz para se contrapor ao poder das SA, passou o seu controlo para Himmler em 20 de abril de 1934. Também nesta data, Hitler escolheu Himmler para chefe de toda a polícia alemã fora da Prússia. Esta medida distanciava-se radicalmente do sistema actual em que as forças policiais eram da responsabilidade do Estado e das autoridades locais. Heydrich, escolhido para chefe da Gestapo por Himmler em 22 de abril de 1934, também continuou como responsável da SD.
Conflitos com a igreja
Para Himmler, uma das principais missões das SS era a de "agir como a vanguarda contra o Cristianismo e restaurar o 'modo de vida germânico'" para a preparação do conflito iminente entre "humanos e sub-humanos". O biografo de Himmler, Peter Longerich, escreveu que, enquanto o movimento nazi, como um todo, se direccionou contra os judeus e os comunistas, "ligando a des-Cristianização à re-Germanização, Himmler forneceu às SS uma missão e um objectivo muito próprios". Himmler opunha-se frontalmente à moralidade sexual e ao princípio da misericórdia cristãs", ambas as quais ele achava serem obstáculos perigosos à sua batalha planeada contra os "sub-humanos". Em 1937, Himmler afirmou:
Quando Hitler e os chefes dos seus exércitos pediram um pretexto para a invasão da Polónia em 1939, Himmler, Heydrich e Heinrich Müller planearam e levaram a cabo um projecto de bandeira falsa com o nome de código Operação Himmler. Soldados alemães vestiram-se com o uniforme polaco e realizaram alguns ataques com o intuito de sugerir que se tratava de um ataque da Polónia contra a Alemanha. Os incidentes foram utilizados napropaganda nazi para justificar a invasão daquele país, acto que marcou o início da Segunda Guerra Mundial. No começo da guerra contra a Polônia, Hitler autorizou a morte de civis polacos, incluindo judeus e e cidadãos de etnia polaca. Os Einsatzgruppen (grupos de intervenção das SS) tinham sido criadas por Heydrich para controlar os documentos e os gabinetes governamentais nas zonas tomadas pelos alemães antes da Segunda Guerra Mundial. Autorizados por Hitler, sob a coordenação de Himmler e Heydrich, as unidades dos Einsatzgruppen — agora designadas por esquadrões da morte — seguiram o Heer (exército terrestre) na invasão da Polónia, e por volta do final de 1939 já tinham executado 65 000 intelectuais e outros civis. As milícias e as unidades do Heer também participaram nos assassinatos. Sob as ordens de Himmler, com base no RSHA, estes esquadrões também tinham a missão de reunir os judeus, e outros, para os colocar em guetos e campos de concentração.
As políticas raciais nazistas, incluindo a ideia de que aquelas pessoas consideradas como racialmente inferiores não tinham direito a viver, datam dos primeiros dias do partido; Hitler discute esta ideia em Mein Kampf. Por altura da declaração de guerra aos Estados Unidos em dezembro de 1941, Hitler decidiu, por fim, que os judeus da Europa deviam ser "exterminados". Heydrich organizou uma reunião, em 20 de janeiro de 1942, em Wannsee, um subúrbio de Berlim. Com a presença de oficiais superiores nazis, a reunião serviu para delinear os planos para a "solução final da questão judaica". Heydrich descreveu como é que aqueles judeus aptos para trabalhar trabalhariam até à morte; os incapazes para o trabalho seriam mortos de imediato. Heydrich calculou que o número de judeus a abater seria de onze milhões, e disse aos presentes na conferência que Hitler tinha nomeado Himmler para coordenar o plano.
Discurso de Posen
Em 4 de outubro de 1943, durante uma reunião secreta com oficiais de topo das SS na cidade de Poznań (Posen), e a 6 do mesmo mês, num discurso à elite do partido — os líderes das Gau e do Reich — Himmler referiu-se, de forma explícita, ao "extermínio" (em alemão: Ausrottung) do povo judeu. Excerto do discurso de 4 de Outubro: Aqui entre nós devemos confessar com franqueza - mas nunca o mencionaremos em público - que, tal como, em 30 de Junho de 1934 nao hesitámos em cumprir o dever que nos ordenaram de encostar à parede camaradas trânsfugas e de fuzilá-los, nunca falámos desse caso, também nunca falaremos deste. Refiro-me à eliminação dos judeus, ao extermínio da raça judaica. É uma dessas coisas de que é fácil falar - «A raça judia está a ser exterminada...é o nosso programa e estamos a cumpri-lo.» E depois aparecem oitenta milhões de bons alemães e cada um deles possui o seu judeu bonzinho. Claro, os outros são vérmina, mas aquele judeu particular, nosso conhecido, é um excelente sujeito... A maior parte de vós deve saber qual o aspecto de cem cadáveres estendidos lado a lado, ou de quinhentos, ou até mil. Ter abatido essa gente toda de uma só vez (pondo de parte as excepções motivadas pela fraqueza humana) e mantermo-nos pessoas decentes foi isso que nos fortaleceu. Essa é uma página de glória como nunca foi escrita nem voltará a escrever-se na nossa história.[nota 2]
Germanização
No papel de Comissário do Reich para a Consolidação da Nacionalidade (RKFDV) com o incorporado VoMi, Himmler encontrava-se profundamente envolvido no programa de germanização para o Leste, em particular para a Polónia. Tal como estabelecido no Plano Geral para o Leste, o objectivo era escravizar, expulsar ou exterminar a população local e transformar o território em Lebensraum ("espaço para viver") para o Volksdeutsche (alemães étnicos). Himmler continuou os seus planos de colonização a leste, mesmo quando muitos alemães se mostraram relutantes em irem viver para lá, e apesar dos efeitos negativos no esforço de guerra. Os agrupamentos raciais de Himmler tiveram início com a Volksliste, a classificação de pessoas consideradas de sangue alemão. A lista incluía alemães que tinham colaborado com a Alemanha antes da guerra, e também aqueles que se consideravam alemães mas que tinham uma posição neutra; aqueles que eram parcialmente polacos mas que podiam ser "germanizados"; e alemães que tinham nacionalidade polaca. Himmler deu ordem para que aqueles que se recusassem a ser classificados como alemães étnicos fossem deportados para campos de concentração, os seus filhos retirados ou irem para trabalhos forçados. A crença de Himmler em que "está na natureza do sangue alemão resistir", levou à sua conclusão de que os bálticos e os eslavos que resistiram à germanização eram os mais compatíveis com os racialmente superiores. Ele declarou que não se perderia, ou deixaria para trás, uma gota do sangue alemão que pudesse misturar com uma "raça exterior".
Em 20 de julho de 1944, um grupo de oficiais alemães liderados por Claus von Stauffenberg, incluindo alguns das hierarquias mais altas das forças armadas alemãs, tentaram assassinar Hitler, sem resultado. No dia seguinte, Himmler organizou uma comissão especial que deteve mais de cinco mil suspeitos e oponentes ao regime conhecidos. Hitler deu ordens para se efectuarem represálias brutais que resultaram na execução de mais de 4 900 pessoas. Embora Himmler tenha ficado embaraçado por não ter conseguido detectar a conspiração, viu os seus poderes e autoridade aumentados. O general Friedrich Fromm, comandante-chefe do Exército de Reserva (Ersatzheer) e imediato superior de Stauffenberg, foi um dos implicados na conspiração. Hitler retirou Fromm do seu posto e nomeou Himmler como seu sucessor. Como o Exército de Reserva consistia de dois milhões de homens, Himmler viu uma oportunidade para preencher alguns lugares com membros das Waffen-SS. Escolheu Hans Jüttner, director do Gabinete Principal da Liderança das SS, para seu delegado, e começou a preencher alguns postos do Exército de Reserva com homens das SS. Em novembro de 1944, Himmler já tinha juntado o departamento de recrutamento de oficiais do exército com o respectivo das Waffen-SS, conseguindo ainda um aumento nas quotas de recrutamento para as SS.
Em 6 de junho de 1944, as forças Aliadas desembarcaram no Norte da França durante a Operação Overlord. A reacção alemã foi a criação do Grupo de Exército dos Alto-Reno (Heeresgruppe Oberrhein) para fazer frente ao avanço do 7.º Exército dos Estados Unidos (chefiado pelo general Alexander Patch) e do 1.º Exército francês (liderado pelo general Jean de Lattre de Tassigny) na região da Alsácia ao longo margem ocidental do Reno. No final de 1944, Hitler nomeou Himmler comandante-e-chefe do Grupo de Exércitos do Alto-Reno. Em 26 de setembro de 1944, Hitler ordenou a Himmler que criasse várias unidades especiais do exército, os Volkssturm ("Exércitos do Povo"). Todos os homens com idades compreendidas entre os 16 e os 60 anos seriam recrutados para esta milícia, decisão que teve os protestos do Ministro do Armamento Albert Speer, o qual notou que estavam a ser retirados trabalhadores especializados da produção de armamento. Hitler acreditava que podiam ser recrutados seis milhões de homens, e que as novas unidades iriam "dar início a uma guerra do povo contra o invasor". Estas esperanças eram por demais optimistas. Em outubro de 1944, crianças com 14 anos de idade estavam a ser recrutadas. Por causa da falta de armamento e equipamento, e da falta de treino, os membros dos Volkssturm não estavam minimamente preparados para o combate, e cerca de 175 000 deles perderam a vida nos últimos meses da guerra.
Negociações de paz
No início de 1945, o esforço de guerra alemão encontrava-se à beira da ruptura e a relação entre Himmler e Hitler tinha-se deteriorado. Himmler considerou, por si próprio, negociar um acordo de paz. O seu massagista, Felix Kersten, que tinha ido viver para a Suécia, serviu de intermediário nas negociações com o conde Folke Bernadotte, chefe da Cruz Vermelha. Foram trocadas cartas entre os dois homens, e foram marcadas reuniões por Walter Schellenberg do RSHA. Himmler e Hitler encontraram-se pela última vez em 20 de abril de 1945 — o aniversário de Hitler — em Berlim, e Himmler jurou total lealdade a Hitler. Numa reunião de natureza militar nesse dia, Hitler informou que não sairia de Berlim, apesar do avanço soviético. Tal como Göring, Himmler deixou a cidade rapidamente após a reunião. Em 21 de abril, Himmler esteve com Norbert Masur, um representante sueco do Congresso Mundial Judeu, para discutir a libertação de prisioneiros judeus dos campos de concentração. Como resultado desta negociação, cerca de 20 000 pessoas foram libertadas durante a Operação Autocarros Brancos. Durante as negociações, Himmler justificou, falsamente, que o crematório tinha sido construído para cremar os mortos que tinham sido vítimas de uma epidemia de tifo. Também afirmou que os campos de Auschwitz e Bergen-Belsen tinham altas taxas de sobrevivência, mesmo quando estas locais foram libertados e se tornou óbvio que as afirmações eram falsas.
Rejeitado pelos seus camaradas e procurado pelos Aliados, Himmler tentou esconder-se. Apesar de não ter preparado a sua fuga, equipou-se com um livro de pagamentos falsificado, sob o nome de sargento Heinrich Hitzinger. Com um pequeno grupo de companheiros, dirigiu-se para Friedrichskoog em 11 de maio, sem um destino final definido. Continuaram para Neuhaus, onde o grupo se separou. Em 21 de maio, Himmler, e dois ajudantes, foram detidos num posto de vigia formado por ex-prisioneiros de guerra soviéticos. Nos dois dias que se seguiram, passou por diversos campos acabando no 31.º Campo de Interrogatório de Civis britânico perto de Lüneburg, em 23 de maio. O oficial de serviço, o capitão Thomas Selvester, começou o interrogatório de rotina. Himmler admitiu quem era, e Selvester mandou revistá-lo. Himmler foi levado para o quartel-general do 2.º Exército britânico em Lüneburg, onde o doutor Wells lhe efectuou um exame médico. Wells tentou examinar o conteúdo da boca de Himmler, mas este não o queria fazer e afastou-se. Himmler mordeu, então, uma cápsula de cianeto e caiu no chão; passados 15 minutos estava morto. Pouco depois, o corpo de Himmler foi enterrado num local não identificado perto de Lüneburg. O local da sua sepultura continua desconhecido.
Himmler começou a interessar-se pelo misticismo e ocultismo desde pequeno. Juntava este seu interesse à sua filosofia racista, procurando evidências para a superioridade racial ariana e nórdica desde tempos idos. Promoveu um culto de adoração ancestral, particularmente entre membros das SS, como meio de manter a raça pura e fornecer imortalidade à nação. Concebendo as SS como uma "ordem" no contexto dos cavaleiros teutónicos, deixou-as apropriarem-se da Igreja da Ordem Teutónica de Vienna em 1939. Himmler começou o processo de substituição do Cristianismo por um novo código moral que rejeitava o humanitarismo e disputava o conceito de casamento cristão. A Ahnenerbe, uma sociedade de investigação criada por Himmler em 1935, conduziu uma pesquisa por todo o globo com objectivo de encontrar provas da superioridade e origens ancestrais da raça germânica. Todos os privilégios e uniformes da Alemanha Nazi, em particular aqueles das SS, incorporavam simbolismos na sua composição. Os raios estilizados do símbolo das SS foi escolhido em 1932. O símbolo é um par de runas de um conjunto de 18 runas Armanen criadas por Guido von List em 1906. A antiga runa Sowilō simbolizava o sol, mas foi redesignada como "Sig" (vitória) na iconografia de List. Himmler modificou vários símbolos existentes para dar ênfase ao elitismo e papel fulcral das SS; as tradicionais cerimónias de baptismo e casamento foram substituídas por outras das SS; para além da cerimónia cristã do funeral, tinha lugar uma cerimónia paralela das SS; e foi instituída uma celebração especial do solstício de Verão e Inverno das SS. O símbolo da Totenkopf (caveira), usado pelas unidades militares alemãs por centenas de anos, foi escolhida para as SS por Schreck. Himmler deu especial importância aos anéis da caveira; nunca deveriam ser vendidos, e deviam ser devolvidos a ele após a morte do seu proprietário. Ele interpretava o símbolo como solidariedade à causa e um compromisso com a morte.
Inicialmente como segundo comandante das SS e depois como Reichsführer-SS, Himmler tinha contacto regular com Hitler ao providenciar os seus guarda-costas; Himmler não estava envolvido nas decisões políticas do Partido Nazi nos anos que antecederam a chegada ao poder dos nazis. A partir do final da década de 1930, as SS ficaram independentes do controlo de outras agências ou departamentos governamentais, e ele apenas respondia perante Hitler. O estilo de liderança de Hitler baseava-se em dar ordens contraditórias aos seus subordinados e colocá-los em posições onde as suas funções e responsabilidades se sobrepunham às dos outros. Desta forma, Hitler fomentava a desconfiança, a competição, e as lutas internas entre os seus subordinados de maneira a consolidar e maximizar o seu próprio poder. O seu gabinete nunca mais se reuniu depois de 1938, e desencorajava os seus ministros a reunirem-se por sua iniciativa. Hitler não punha as suas ordens por escrito, antes transmitindo-as verbalmente em reuniões ou em conversas telefónicas; também se apoiava em Bormann para comunicar as suas instruções. Bormann usava a sua posição próxima do Führer para controlar o fluxo de informação e ter acesso a Hitler, ganhando, desta forma, inimigos, incluindo Himmler.
Himmler conheceu a sua esposa, Margarete Boden, em 1927. Sete anos mais velha que Himmler, exercia a profissão de enfermeira, também partilhava do seu interesse por medicina à base de ervas e homeopatia, e era proprietária de uma pequena clínica privada. Casaram-se em julho de 1928, e a sua única filha, Gudrun, nasceu em 8 de agosto de 1929. O casal também tinha adoptado um rapaz de nome Gerhard von Ahe, filho de um oficial das SS que tinha morrido antes da guerra. Margarete vendeu a sua parte da clínica e utilizou o dinheiro para comprar uma parcela de terreno em Waldtrudering, perto de Munique, onde construíram uma casa pré-fabricada. Como Himmler estava sempre longe de casa a tratar de assuntos do parti, a sua mulher fazia os possíveis — quase sempre sem sucesso — criar gado para vender. Também tinham um cão chamado Töhle. Depois de os nazis ascenderem ao poder, a família mudou-se para Möhlstrasse, em Munique, e em 1934 para o Lago Tegern, onde compraram uma casa. Mais tarde, Himmler conseguiu obter uma casa grande no subúrbio de Dahlem em Berlim, sem qualquer despesa, como residência oficial. O casal pouco tempo estava junto pois Himmler tornou-se totalmente dedicado ao trabalho. A sua relação era tensa. O casal juntava-se para situações sociais; eram convidados frequentes em casa de Heydrich. Margarete via como sua obrigação convidar as esposas dos oficiais superiores das SS para um café ou um chá às quarta-feiras à tarde.


