Conflito russo-checheno
O conflito russo-checheno foi um conflito étnico, muitas vezes armado, entre o governo russo e diversas forças nacionalistas e islâmicas chechenas. As hostilidades formais remontam a 1785, embora os elementos do conflito possam ser rastreados mais para trás.
O Norte do Cáucaso, uma região montanhosa que inclui a Chechênia, se estende ou se encontra perto de importantes rotas comerciais e de comunicação entre a Rússia e o Oriente Médio, o controle dos quais têm sido disputado por várias potências por milênios. A entrada da Rússia na região seguiu a conquista do czar Ivan, o Terrível dos canatos de Kazan e Astracã da Horda de Ouro em 1556, dando início a uma longa disputa pelo controle das rotas do norte do Cáucaso com outras potências contemporâneas, incluindo a Pérsia, o Império Otomano e o Canato da Crimeia. As divisões internas impediram a Rússia de efetivamente projetar o seu poder na região até o século XVIII; no entanto, os cossacos aliados dos russos começaram a se estabelecer nas planícies do norte do Cáucaso após as conquistas de Ivan, o que provocou tensões e confrontos ocasionais com os chechenos, que neste momento estavam cada vez mais se estabelecendo nas planícies devido às mudanças climáticas adversas[a] em seus redutos tradicionais de montanha.
Revolta de Xeque Mansur e consequências (1785-1794)
Por esta altura, o Xeque Mansur, um imame checheno, começou a pregar uma versão purificada do Islã e incentivar os vários povos das montanhas do Cáucaso do Norte para se unirem sob a bandeira do Islã, a fim de se proteger de novas invasões estrangeiras. Suas atividades foram vistas pelos russos como uma ameaça aos seus interesses na região, e em 1785, uma força foi enviada para capturá-lo. Falhando em fazê-lo, em vez disso queimaram a sua aldeia natal desocupada, porém a força foi emboscada pelos seguidores de Mansur em sua viagem de retorno e aniquilada, iniciando a primeira guerra checheno-russa. A guerra durou vários anos, com Mansur empregando principalmente táticas de guerrilha e os russos conduzindo outras incursões punitivas contra aldeias chechenas, até a captura de Mansur em 1791. Mansur morreu em cativeiro em 1794.
Guerras do Cáucaso e da Crimeia (1817-1864)
Após a derrota das forças napoleônicas francesas à Rússia na guerra de 1812, o czar Alexandre I voltou as suas atenções mais uma vez para o Norte do Cáucaso, designando um de seus generais mais famosos, Aleksey Petrovich Yermolov, para a pacificação da região. Em 1817, as forças russas sob o comando de Yermolov embarcaram na conquista do Cáucaso. As táticas brutais de Yermolov, que incluíam guerra econômica, punição coletiva e deportação forçada, foram inicialmente bem-sucedidas, mas foram descritas como contraproducente, uma vez que terminou eficazmente a influência russa na sociedade e cultura chechena e assegurou uma inimizade duradoura dos chechenos. Yermolov não seria destituído do comando até 1827.
Após a Revolução Russa, os povos das montanhas do Cáucaso do Norte vieram a estabelecer a República das Montanhas do Cáucaso do Norte. Existiu até 1921, quando foram forçados a aceitar o domínio soviético. Josef Stalin realizou pessoalmente as negociações com os líderes do Cáucaso em 1921 e prometeu uma ampla autonomia dentro do Estado soviético. A República Socialista Soviética da Montanha foi criada naquele ano, mas só durou até 1924, quando foi abolida e seis repúblicas foram criadas. A República Autónoma Socialista Soviética da Checheno-Inguchétia foi criada em 1934. Confrontos entre os chechenos e o governo soviético surgiram no final de 1920 durante a coletivização. Diminuiu em meados da década de 1930 depois que os líderes locais foram presos ou mortos.
Segunda Guerra Mundial
A Alemanha nazista invadiu a União Soviética em junho de 1941. De acordo com fontes soviéticas, os chechenos se juntaram à Wehrmacht, embora esta afirmação seja discutível quanto às poucas evidências existentes. Em janeiro de 1943, a retirada alemã iniciou, enquanto o governo soviético começou a discutir a deportação dos povos chechenos e inguches longe do norte do Cáucaso. Em fevereiro de 1944, sob o comando direto de Lavrentiy Beria, quase meio milhão de chechenos e inguches foram retirados de suas casas e assentados forçosamente na Ásia Central. Estes foram postos em campos de trabalho forçado no Cazaquistão e na Quirguízia. Após a morte de Stalin em 1953, Nikita Khrushchev assumiu o poder e logo denunciou seu antecessor. Em 1957, os chechenos foram autorizados a voltar para suas casas. A República Autónoma Socialista Soviética da Checheno-Inguchétia foi restabelecida.
Confrontos étnicos (1958-1965)
A violência começou em 1958 após um conflito entre um marinheiro russo e um jovem inguche sobre uma garota, no qual o russo foi mortalmente ferido. O incidente rapidamente se deteriorou em tumultos étnicos em massa, visto que multidões eslavas atacaram chechenos e inguches e saquearam propriedades em toda a região durante quatro dias. Os confrontos étnicos continuaram até 1960 e em 1965 foram registrados cerca de 16 confrontos, tendo 185 feridos graves, 19 deles fatais. Ao final de 1960, a região se acalmou e o conflito checheno-russo chegou a seu ponto mais baixo até a dissolução da União Soviética e a erupção das guerras chechenas em 1990.
Guerras Chechenas
Em 1991, a Chechênia declarou independência e foi nomeada República Chechena da Ichkeria. Segundo algumas fontes, de 1991 a 1994, dezenas de milhares de pessoas de etnia não-chechena (principalmente russos, ucranianos e armênios) deixaram a república em meio a relatos de violência e discriminação contra a população não-chechena. Outras fontes não identificam o deslocamento como um fator significativo nos acontecimentos do período, em vez disso, focam a situação interna se deteriorando dentro da Chechênia, a política agressiva do presidente checheno, Dzhokhar Dudayev, e as ambições políticas domésticas do presidente russo Boris Yeltsin. As forças do exército russo invadiram Grozny em 1994, mas, depois de dois anos de intensos combates, as tropas russas se retiraram da Chechênia sob o Acordo de Khasavyurt. A Chechênia preservou a sua independência de facto até a segunda guerra eclodir em 1999.
Insurgência chechena em curso
Desde o fim da Segunda Guerra Chechena em maio de 2000, uma insurgência de baixo nível continuou, em especial na Chechênia, Inguchétia e Daguestão. As forças de segurança russas conseguiram capturar alguns de seus líderes, como Shamil Basayev, morto em 10 de julho de 2006. Desde a morte de Basayev, Dokka Umarov assumiu a liderança das forças rebeldes no norte do Cáucaso. Os radicais islâmicos da Chechênia e outras repúblicas do Cáucaso do Norte têm sido responsáveis por uma série de ataques terroristas em toda a Rússia, principalmente os atentados em edifícios russos em 1999, a crise dos reféns no teatro de Moscou em 2002, a crise de reféns da escola de Beslan em 2004, os atentados no Metrô de Moscou de 2010 e o atentado no Aeroporto Internacional de Domodedovo em 2011.


