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Americanos brancos

Americanos brancos, Norte-americanos brancos ou Estadunidenses brancos são pessoas dos Estados Unidos que são consideradas, ou se consideram, brancas. O United States Census Bureau define pessoas brancas como aquelas que "têm origem em qualquer um dos povos originários da Europa, do Oriente Médio e do Norte da África. Isso inclui as pessoas que indicaram sua raça(s) como 'branca' ou relataram suas ascendências como de irlandeses, alemães, italianos, libaneses, árabes, marroquinos ou caucasianos" e, por isso, é um grupo mais amplo do que o dos estadunidenses europeus. Como todas as categorias raciais oficiais dos Estados Unidos, "White" tem um componente de "hispânicos ou latinos brancos", que consiste principalmente de mexicano-estadunidenses brancos e de cubano-estadunidenses brancos. O termo "caucasiano" é muitas vezes usado como sinônimo de "branco", embora os termos não sejam sinônimos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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História

Período Colonial

No século XVII, aproximadamente 175.000 ingleses imigraram para os Estados Unidos colonial. Mais da metade de todos os colonos europeus na América colonial dos séculos XVII e XVIII chegaram para trabalhar sob o sistema de servidão, ou seja, trabalhavam de graça, sem receber salários até que quitassem sua dívida com o dono da terra pelo valor da passagem de navio paga por ele. Historiadores estimam que menos de um milhão de imigrantes europeus —talvez menos de 400.000—foram para os Estados Unidos nos século XVII e XVIII. Embora no século XVII a população branca das Treze Colônias fosse essencialmente inglesa, no século XVIII a imigração de outros povos europeus tornou a sociedade colonial heterogênea. Por volta de 1775, descendentes de ingleses perfaziam cerca de 65% da população branca e pouco mais da metade da população total. Os outros grupos europeus vinham principalmente de outras regiões das Ilhas Britânicas, especialmente da região do Ulster no norte da Irlanda, mas também das planícies da Escócia e do sul do País de Gales. Os colonos vindos do Ulster, conhecidos como "escoceses-irlandeses", se estabeleceram densamente na Pennsylvania, no interior das colônias do sul e em New Hampshire. Provavelmente cerca de 250.000 deles chegaram à colônia. Os galeses se fizeram mais notáveis no leste da Pennsylvania e os escoceses nas Carolinas e no leste de Jersey. Na década de 1680 começaram a chegar colonos de língua alemã oriundos da região do Vale do Reno e da Suíça, imigração esta que durou até cerca de 1755. Por volta de 1775, aproximadamente 250.000 pessoas nos Estados Unidos eram de origem alemã, a maioria deles na Pennsylvania. Os holandeses chegaram na década de 1620, mas nunca ultrapassaram os 5% da população, se concentrando em Nova Iorque e em Nova Jérsei.

Séculos XIX e XX

A imigração europeia nos Estados Unidos cresceu exponencialmente no século XIX. Entre 1790 e 1819 entraram nos EUA apenas 250.000 imigrantes. Por outro lado, entre 1820 e 1860, entraram 5 milhões, entre 1861 e 1880 5,1 milhões e entre 1881 e 1920, 23,4 milhões. No período 1820-1855 o maior grupo de imigrantes foi de irlandeses, seguidos por alemães, em particular da Prússia. Imigrantes das mais diversas partes da Europa (assim como do México e da China) também se fizeram presentes. Depois de 1885, a maioria dos imigrantes eram provenientes do sul da Europa e do leste europeu, principalmente italianos e judeus da Rússia. Estes últimos imigrantes se concentraram nos centros urbanos, onde havia ofertas de emprego e onde sinagogas, igrejas, bairros, e sociedades de mútuo socorro estavam estabelecidas, amenizando a experiência imigratória.

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Formação da população branca

Por volta de 1/3 dos estadunidenses brancos possuiriam ancestralidade africana, de acordo com um estudo autossômico de 2003. A média de contribuição africana para esse 1/3 da população branca americana ficou em 2,3%, mas havendo variações individuais em que a contribuição africana chega a até mais de 20%. Levando-se em conta toda a população branca americana, a média de contribuição africana cai para o percentual de 0,7%. Já em um estudo de 2010, 52% dos americanos brancos (a maioria, portanto) teriam ancestralidade europeia inferior a 95%. De acordo com outro estudo, americanos que se autodeclararam como de ascendência europeia revelam ancestralidade europeia, em média, de 93,20%. Estudos sociológicos feitos anteriormente já demonstravam uma possível existência de miscigenação na população 'branca' americana. Um estudo genético de 2015, conduzido pela empresa genômica 23andMe com 160 mil norte-americanos, mostrou que a miscigenação na população branca dos Estados Unidos é bastante residual. O americano branco médio tem 98,6% de ancestralidade europeia, 0,19% africana e 0,18% ameríndia. Para o pesquisador Razib Khan, é "chocante" o altíssimo grau de ancestralidade europeia dos americanos brancos para uma população com mais de 400 anos de raízes nas Américas. Apenas 5% dos americanos brancos possuem alguma ancestralidade africana e/ou indígena e, mesmo dentro desse grupo, a maioria tem uma mistura bastante pequena. Isso mostra que a população indígena teve um pequeno impacto demográfico, enquanto a grande população negra não penetrou a população branca, que manteve-se essencialmente europeia na sua origem. Por outro lado, o americano negro médio possui 73,2% de ancestralidade africana, 24% europeia e 0,8% ameríndia.

A imigração europeia antiga

Os primeiros europeus a imigrarem em números significativos para os Estados Unidos foram os ingleses, no século XVII. A eles, se seguiu um fluxo razoável de colonos do País de Gales, seguido por fluxos consistentes da Escócia e do norte da Irlanda. Como estes colonos britânicos e irlandeses (protestantes) chegaram antes dos outros grupos de europeus, eles contribuíram de forma desproporcional para a cultura e as instituições da nova nação. Os descendentes desses primeiros colonos se enxergavam como o grupo-racial "nativo" ou mais autêntico do país. No início do século XIX, por outro lado, o caráter predominantemente britânico e protestante dos Estados Unidos começou a mudar. Entre 1815 e 1860, europeus do Norte (particularmente da Irlanda e da Alemanha) representaram a maioria dos 5 milhões de imigrantes que chegaram (2 milhões de irlandeses, 1,5 milhão de alemães e 750 mil ingleses, escoceses e galeses). A chegada de tantos imigrantes de fora da Grã-Bretanha, muitos deles católicos, causou incômodo em muitos norte-americanos descendentes dos primeiros colonos protestantes. Isso gerou o nascimento do sentimento "nativista", marcado pelo preconceito contra imigrantes.

A imigração europeia nova

A partir da década de 1890, outras regiões da Europa passaram a contribuir de forma crescente com a imigração para os Estados Unidos. No ano de 1896, os imigrantes do Norte da Europa foram superados em quantidade por imigrantes do Sul e do Leste Europeu (sobretudo Itália, Áustria-Hungria e Império Russo). Os participantes dessa "nova imigração", apesar de causarem estranheza por sua pele às vezes mais escura e a fisionomia diferente da maioria dos norte-americanos, eram vistos como "brancos" pela sociedade americana. Porém, muitos nativos frequentemente viam esses novos imigrantes como diferentes dos brancos da "velha imigração", principalmente pelas diferenças de cultura, religião e língua. A chegada desses imigrantes do Sul e do Leste Europeu preocupou os membros da etnia majoritária, que tinha receio que a civilização norte-europeia que havia moldado até então os Estados Unidos fosse ameaçada. O medo foi tão grande que, em 1924, o Congresso americano estabeleceu quotas de imigração, o que afetou diretamente a entrada desses novos imigrantes.

A imigração latino-americana

Os latino-americanos nos Estados Unidos formam um grupo bastante diversificado do ponto de vista racial. Porém, com a exceção dos imigrantes de Cuba e, em menor medida, da Colômbia, a maioria dos quais são brancos, o fluxo migratório latino-americano para os Estados Unidos é composto por mulatos e mestiços. Os latinos nos EUA provêm sobretudo do México, do norte da América Central, do norte da América do Sul e do Caribe. Visando evitar desagradáveis distinções internas entre latinos, os Estados Unidos classificam todos os falantes de língua espanhola como latinos ou hispânicos, sem levar em consideração aspectos raciais. Os hispânicos brancos que falam inglês sem sotaque são considerados brancos pela sociedade americana. Todavia, eles continuam com a prerrogativa de reivindicar os benefícios dos programas de ações afirmativas e outras proteções dadas pelo governo americano às minorias. Ou seja, latino-americanos brancos nos Estados Unidos (inclusive os brasileiros) ainda são tecnicamente qualificados como "minoria" racial em certas circunstâncias, assim como são os latinos de origem negra ou indígena. O mesmo acontece com os portugueses e espanhóis que, em certas circunstâncias, também são considerados minorias étnicas e podem ser beneficiados por programas de ações afirmativas.

A imigração árabe

Cerca de 2% da população branca norte-americana tem origens no Oriente Médio. Embora contados como brancos no censo norte-americano, muitos americanos não consideram os árabes ou pessoas do norte da África como tal, até porque muitos deles, no olhar americano, parecem ser afro-americanos de pele mais clara ou pessoas do sul da Ásia. Segundo o censo de 2000, 1.248.551 pessoas tinham origem árabe nos Estados Unidos, a maioria de origem libanesa, síria ou egípcia. Os árabes são frequentemente alvo de preconceito, sobretudo em razão da religião muçulmana. Por outro lado, os não árabes vindos do Oriente Médio são comumente vistos como brancos e nesse grupo estão os armênios, iranianos, turcos e israelitas.

Endogamia e miscigenação

A maioria dos americanos brancos são endogâmicos, ou seja, casam entre si. 97% dos brancos casam com brancos, segundo o censo. Isto porque a maioria dos brancos vivem em comunidades homogêneas, não tendo muita interação com outros grupos raciais. Assim, é pequena, se é que existe alguma, a oportunidade de contrair matrimônio exogâmico. Contudo, é previsível que, nas próximas décadas, os casamentos interraciais aumentarão nos Estados Unidos. Os casamentos entre brancos e negros são raros nos Estados Unidos, embora seja um pouco mais comum mulheres brancas casarem com homens negros. Ainda existe um grande estigma associado às uniões amorosas entre brancos e negros, em parte como consequência das marcas dos anos de escravidão e segregação racial.

Aspectos étnicos e sociais

Com o passar das gerações, os grupos étnicos europeus nos Estados Unidos foram perdendo suas características étnico-culturais e se assimilando no país. Hoje, a maioria deles só sabe falar inglês e está aculturada na sociedade majoritária. Alguns grupos perderam totalmente a sua identidade étnica, particularmente os ingleses e os alemães. Os ingleses porque foram os primeiros europeus a chegar lá e construíram as bases culturais dos Estados Unidos, não havendo como cultivar uma identidade separada. Os alemães, por outro lado, foram estigmatizados durante a I e a II Guerras Mundiais, o que contribuiu para que seus descendentes deixassem de cultivar elementos que denotassem a sua origem. Existem festivais étnicos alemães e celebrações de oktoberfest nos Estados Unidos, mas existe pouco senso de pertencimento étnico entre os descendentes de alemães.

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Fontes consultadas

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