Portal (jogo eletrônico)
Portal é um jogo de ação/puzzle em primeira pessoa desenvolvido pela Valve. O jogo foi lançado em um pacote chamado The Orange Box para Microsoft Windows e Xbox 360 em 9 de outubro de 2007 e para PlayStation 3 em 11 de dezembro do mesmo ano. A versão para Windows do jogo é também disponível separadamente via o sistema de distribuição de conteúdo da Valve, Steam, e foi lançado como um produto autônomo de varejo em 9 de abril de 2008. Uma versão separada intitulada "Portal: Still Alive" foi lançada no sistema Xbox 360 Live Arcade em 22 de outubro de 2008; esta versão inclui 14 fases bônus. Em 12 de maio de 2014 a Nvidia lançou uma versão do jogo em Android exclusivamente para seu console portátil Nvidia Shield. Em fevereiro de 2022, uma coleção com o jogo e a sua sequência, Portal 2, intitulado de Portal: Companion Collection foi anunciado para o console Nintendo Switch.
Em Portal, o jogador controla a protagonista, Chell, de uma perspectiva de primeira-pessoa durante o seu desafio de passar por uma série de salas usando a "Aperture Science Handheld Portal Device" ("ASHPD" ou "Portal Gun"; em português, "Arma de Portais"). A Arma de Portais é capaz de criar dois fins distintos de portais, um laranja e um azul. Os portais criam uma conexão visual e física entre dois locais diferentes no espaço tridimensional. Um portal é a entrada e/ou saída do outro portal, e vice-versa; todos os objetos que passam por um portal irão sair pelo outro. Um aspecto importante da física do jogo é o "redirecionamento do movimento linear"("Momentum"). Isto faz com que um objeto que passa por um portal saia na mesma direção e da mesma maneira pelo outro portal. Isto faz com que seja possível pular em um portal e emergir movendo-se em direções diferentes pela sala. Por exemplo, uma manobra comum é pular em um portal que está no chão e emergir pelo outro pela parede, sobrevoando uma fenda ou outro obstáculo (vide ilustração). Isto permite que o jogador lance objetos ou a própria Chell em grandes distâncias, ambos vertical e horizontalmente, o que é referido pela Valve como "flinging" (em português, "arremesso"). E como GLaDOS fala: "Em termos de leigos, coisinha rápida entra, coisinha rápida sai". Se os portais não estão em planos paralelos, o personagem quando passa por eles é reorientado para sair de pé, sempre respeitando a gravidade após sua saída.
Personagens
O jogo possui somente dois personagens: a protagonista controlada pelo jogador chamada Chell, e GLaDOS ("Genetic Lifeform and Disk Operating System"; em português, "Forma de vida Genética e Sistema Operacional em Disco"), um computador de inteligência artificial que monitora e direciona o jogador. Na versão em inglês, GLaDOS é dublada por Ellen McLain. A única informação apresentada sobre Chell é dada por GLaDOS; a credibilidade dos fatos apresentados, como o de Chell ter sido adotada, uma órfã e não ter amigos, é questionável ao máximo já que GLaDOS eventualmente admite ser mentirosa e a torreta como ataque.
Época
Portal se ambienta no "Centro de Enriquecimento" dos "Laboratórios Aperture", também conhecido como "Aperture Science", a corporação de pesquisas responsável pela criação do Aperture Science Handheld Portal Device (ou "Arma de Portais"). Informação sobre a empresa é revelada durante o jogo e através de um website oficial específico. De acordo com o website da Aperture Science, a empresa foi fundada em 1953 por Cave Johnson para o único propósito de fabricar cortinas de chuveiro para o exército estadunidense. Contudo, após tornar-se mentalmente instável devido a intoxicação por mercúrio em 1978, Johnson criou um plano de Pesquisa e Desenvolvimento de três áreas para fazer a sua organização bem sucedida. As duas primeiras áreas, "Heimlich Counter-Maneuver" (em português, "Contra-Manobra de Heimlich"; uma manobra designada para assegurar o estrangulamento) e a "Take-A-Wish Foundation" (em português, "Fundação Tome-Um-Desejo"; um programa que toma os desejos de crianças à beira da morte e os realiza para adultos totalmente saudáveis e não relacionados), foram falhas comerciais e levou a empresa a ser investigada pelo Senado dos Estados Unidos. Contudo, quando o comitê investigativo ouviu falar do sucesso da terceira área, o "túnel quântico ad-hoc de tamanho de homem através do espaço físico com possíveis aplicações como cortina de chuveiro", eles cessaram a investigação permanentemente e deram ao Aperture Science um contrato sem data de término para que ele pudesse continuar as suas pesquisas. O desenvolvimento de GlaDOS, uma "assistente de pesquisa e sistema operacional em disco artificialmente inteligente", começou em 1986 em resposta ao trabalho semelhante na tecnologia de portais da Black Mesa. Uma apresentação vista durante o jogo revela que GLaDOS foi também inclusa em uma oferta proposta para degelar linhas de combustíveis, incorporada como um "disco de sistema operacional completamente funcional" que é "indiscutivelmente viva", ao contrário da proposta da Black Mesa que "inibe gelo, nada mais". Quase treze anos depois, o trabalho em GlaDOS foi completada e a IA não testada foi ativada durante o primeiro dia anual de "traga a sua filha para o trabalho" da empresa. Os registros terminam neste ponto com uma nota positiva.
História
A história de Portal é contada ao jogador via mensagens de áudio proferidas por GLaDOS e por escrituras nas paredes de salas escondidas nos últimos estágios. O jogo se inicia com Chell acordando de uma cama de êxtase ouvindo instruções e advertências de GLaDOS sobre o teste experimental do qual Chell logo irá participar. Esta parte do jogo envolve diversas "câmaras de teste" que, em sequência, vai introduzindo aos jogadores as mecânicas do jogo. Os anúncios de GLaDOS servem não somente para instruir Chell e ajudá-la no seu progresso pelo jogo, mas também para criar uma atmosfera e desenvolver a IA como um personagem. É prometido a Chell um bolo e terapia como recompensa, caso ela consiga completar todas as câmaras de teste.
Conceito
Portal é o sucessor espiritual de Nabacular Drop, um jogo independente de 2005 lançado por estudantes do DigiPen Institute of Technology; A equipe original que trabalhou no Nabacular Drop agora está empregada na Valve. A Valve demonstrou interesse em Nabacular Drop durante um evento anual que acontece na DigiPen; Robin Walker, um dos desenvolvedores da Valve, viu o jogo na feira e mais tarde entrou em contato com a equipe para dar alguns conselhos e oferecer uma chance de mostrar o jogo nos escritórios da Valve. Após a apresentação o presidente da Valve, Gabe Newell, ofereceu todos os trabalhos da equipe na Valve para que eles pudessem desenvolver ainda mais o jogo. Newell comentou mais tarde que ficou impressionado com a equipe da DigiPen e como "eles realmente tinham levado o conceito além", pois já teriam incluído a interação entre portais e as físicas, completando a maior parte do trabalho que a equipe da Valve teria que fazer por conta própria. Alguns elementos foram mantidos de Nabacular Drop, tais como os sistemas de identificação dos dois pontos finais dos portais com as cores laranja e azul. Uma diferença fundamental entra as mecânicas dos portais dos dois jogos, porém, é que a arma de portais de Portal não é capaz de criar um portal através de um portal existente ao contrário de Nabacular Drop. A história do jogo original de uma princesa tentando escapar de uma masmorra foi substituída pela Aperture Science. Portal levou aproximadamente dois anos e quatro meses para ser concluído depois que a equipe da DigiPen foi trazida para a Valve, e menos de 10 pessoas estavam engajadas em seu desenvolvimento. O escritor de Portal, Erik Wolpaw que, juntamente com o colega escritor Chet Faliszek, foi contratado pela Valve para o jogo, afirmou que "Sem restrições, Portal não seria um jogo tão bom".
Design
As definições do jogo começaram a ser criadas por testadores que passaram muito tempo tentando completar os puzzles utilizando elementos decorativos, mas não funcionais. Como resultado, eles foram redefinidos para serem minimizados e fazer os aspectos de utilização de um puzzle ser mais fácil de detectar, usando uma sensação clínica semelhante a do filme A Ilha (2005). Além das câmaras de teste e demais, houve planos para adicionar uma terceira área no jogo, tratava-se de um espaço de escritórios que estaria localizado logo após as áreas de manutenção da instalação da Aperture, porém a equipe do jogo acabou ficando sem tempo para incluí-lo. Eles também abandonaram a ideia da introdução do doutor Doug Rattmann, o personagem responsável por fazer as pichações nas paredes das zonas de manutenção, para evitar que a narrativa do jogo ficasse em excesso, contudo, este personagem conseguiu ser apresentado em uma história em quadrinhos tie-in intitulada "Lab Rat" ("Rato de Laboratório", no Brasil) que liga a história de Portal a Portal 2. De acordo com o líder de projetos do jogo, Kim Swift, a batalha final com GLaDOS passou por várias iterações, como por exemplo: tendo o jogador sendo perseguido por lasers dos filmes do James Bond (mecânica que foi parcialmente acrescentada nas turrets), um Portal Kombat onde o jogador teria que redirecionar foguetes enquanto evitava ser alvejado por turrets e também uma sequência de perseguição envolvendo a GLaDOS. Eventualmente, eles descobriram que testadores do jogo gostaram e avaliaram bastante um simples puzzle que possuia uma contagem regressiva próxima ao fim; Swift notou, "A pressão imposta pelo tempo faz as pessoas pensarem que algo é muito mais complicado do que realmente é", e Wolpaw admitiu: "Foi muito barato fazer [o gás de neurotoxina]" a fim de simplificar o diálogo durante a batalha.
Trilha sonora
A maior parte da trilha sonora presente no jogo, incluindo as músicas ambientes foi composta por Kelly Bailey e Mike Morasky, elas sempre tinham em essência algo sombrio e misterioso para que coincidissem com o humor dos ambientes. A canção dos créditos finais, "Still Alive", foi escrita por Jonathan Coulton e cantada por Ellen McLain interpretando a personagem GLaDOS. A música também está presente numa versão instrumental de samba em rádios em certos pontos dentro do jogo. Segundo Wolpaw, Colton foi convidado para a Valve um ano antes do lançamento de Portal, embora ainda não estivesse claro onde ele contribuiria. "Uma vez que Kim [Swift] e eu nos encontramos com ele, rapidamente tornou-se evidente que ele tinha a sensibilidade perfeita para escrever uma canção para a GLaDOS." A utilização da música nos créditos finais foi inspirada em um conceito similar ao do jogo God Hand, um dos favoritos de Wolpaw. No dia 1 de abril de 2008 a canção foi lançada e disponibilizada para download gratuito para o jogo musical Rock Band. A trilha sonora de Portal foi lançada como uma parte da The Orange Box Original Soundtrack.
Marketing
A popularidade do jogo e de seus personagens levou a Valve a desenvolver mercadorias de Portal que foram disponibilizadas para venda em sua própria loja virtual Steam. Alguns dos itens mais populares foram o Companion Cube, brinquedos e até dados de pelúcia. Quando lançado pela primeira vez, ambos foram vendidos em menos de 24 horas. Outros produtos disponíveis através da Steam incluem camisetas, canecas estilizadas com a Aperture Science e mercadorias relacionadas com a frase "O bolo é uma mentira", que tornou-se um meme de internet. Wolpaw afirmou que eles não esperavam que certos elementos do jogo fossem virar tão populares como estavam, enquanto outros elementos que eles tinham esperado que se tornassem modas foram ignorados, como por exemplo, um aro gigante observado durante a última cena do jogo que a equipe apelidou de "Hoopy".
Portal recebeu aclamação pela crítica, tendo ganhado mais elogios do que Half-Life 2: Episode 2 ou Team Fortress 2, os outros dois jogos incluídos na The Orange Box. Ele também foi elogiado pela sua jogabilidade única e sua narrativa cheia de humor negro. A Eurogamer citou que "a forma como o jogo progride de ser um simples conjunto de tarefas superficiais até virar uma parte da história de Half-Life é absolutamente genial", enquanto o GameSpy citou que "Portal carece de comprimento, mais do que compensa em alegria." O jogo foi criticado pelos seus ambientes esparsos, e ambos criticaram e elogiaram a sua duração curta. O Metacritic indicou uma pontuação geral de 90/100 para a versão para computadores baseando-se em 28 avaliações. Em 2011, a Valve afirmou que Portal já tinha vendido mais de quatro milhões de cópias, incluindo o jogo autônomo, a The Orange Box e a versão para a Xbox Live Arcade.
Swift afirmou que projetos futuros relacionados a Portal dependeriam da reação da comunidade, dizendo: "Até o momento nós ainda estamos discutindo se queremos adicionar um multiplayer, ou [começar o desenvolvimento de] Portal 2 ou liberar packs de mapas." Alguns rumores sobre uma sequência surgiram devido à chamadas para dubladores. Em 10 de março de 2010, Portal 2 foi anunciado para lançamento no final do ano; o anúncio foi precedido por um jogo de realidade alternativa feito com base em patchs inesperados de Portal que continham mensagem enigmáticas relacionadas a Portal 2, incluindo uma atualização para o jogo, que criou um final diferente para o destino de Chell. No final original Chell é deixada em um estacionamento de carros abandonado logo depois de destruir GLaDOS, porém a atualização alonga a cena final mostrando Chell sendo arrastada por um robô (que não é visto na cena) de volta para a instalação da Aperture Science.
Em fevereiro de 2013, foi relatado que J.J. Abrams estava em negociações com a Valve para desenvolver um filme baseado em Portal, e também em uma adaptação de Half-Life. Ambos os projetos estão em estado desconhecido de desenvolvimento sem nenhuma data de lançamento confirmada. No início de 2016, Abrams foi questionado se os filmes ainda estavam em desenvolvimento e ele confirmou que o projeto já tinha sido escrito por roteiristas, mas não comentou nenhum progresso.


