Pesquisa · Mapa mental

Basílio de Cesareia

Basílio de Cesareia, também chamado São Basílio Magno ou Basílio, o Grande, foi o bispo de Cesareia, na Capadócia, e um dos mais influentes teólogos a apoiar o Credo de Niceia. Foi também adversário das heresias que surgiram nos primeiros anos do cristianismo como religião oficial do Império Romano, lutando principalmente contra o arianismo e os seguidores de Apolinário de Laodiceia. Sua habilidade em balancear suas convicções teológicas com suas conexões políticas fez de Basílio um poderoso advogado da posição nicena.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
01

História

Primeiros anos e educação

Basílio nasceu na rica família de Basílio, o Velho, um famoso retórico, e Emélia por volta de 330 em Cesareia na Capadócia. Seus pais eram conhecidos por sua piedade e sua avó materna era uma mártir, executada antes da conversão de Constantino. Entre os irmãos de Basílio, quatro são geralmente venerados como santos: Macrina, a Jovem, São Naucrácio, Pedro de Sebaste e Gregório de Níssa. Logo após o nascimento de Basílio, a família se mudou para as terras de sua avó Macrina, perto da cidade de Neocesareia. Lá, Basílio foi educado em casa por seu pai e pela avó, que havia sido aluna de Gregório Taumaturgo e acabou exercendo grande influência sobre ele. Após a morte de seu pai, ainda em sua adolescência, Basílio retornou para Cesareia para começar a sua educação formal. Lá, encontrou Gregório de Nazianzo, que se tornaria um amigo pela vida toda. Juntos, Basílio e Gregório foram estudar em Constantinopla, onde puderam ouvir as palestras de Libânio. Finalmente, os dois passaram quase seis anos em Atenas, começando por volta de 349, onde conheceram um companheiro de estudos que viria a se tornar o imperador romano Juliano, o Apóstata, grande inimigo do cristianismo.

Anexos

Após receber o sacramento do batismo, Basílio viajou em 357 para a Palestina, Síria e a Mesopotâmia para estudar o monasticismo e o ascetismo. Mesmo impressionado com a piedade dos ascetas eremitas, o ideal da vida de solitária contemplação tinha pouco apelo para ele. Por outro lado, ele se interessou muito pela vida religiosa comunitária. Após doar sua riqueza aos pobres, foi viver solitariamente por um curto período em Neocesareia no Íris. Basílio logo se cansou e, por volta de 359, juntou à sua volta um grupo de discípulos, incluindo seu irmão, Pedro. Juntos, fundaram um mosteiro nas terras da família perto de Anesos, no Ponto. Estavam ali também sua mãe, Emélia, já viúva, sua irmã Macrina e diversas outras mulheres que se dedicaram também à vida piedosa de oração e às obras de caridade. Eustácio de Sebaste já tinha trabalhado na região em prol da vida anacoreta e Basílio o reverenciou por isso, embora os dois divergissem sobre diversos pontos dogmáticos, o que gradualmente os separou.

Cesareia

Em 362, Basílio foi ordenado diácono pelo bispo Melécio de Antioquia. Ele foi convocado por Eusébio e foi ordenado presbítero da Igreja em 365, um ato que foi provavelmente o resultado de suas discordâncias com seus superiores eclesiásticos. Basílio e Gregório de Nazianzo passaram os anos seguintes combatendo a heresia ariana, que ameaçava dividir a região da Capadócia. Os dois amigos entraram num período de cooperação fraternal muito próxima conforme participavam de grandes debates e disputas retóricas causados pela chegada de habilidosos teólogos e retóricos arianos na região. Quase sempre presididos por agentes do imperador Valente, Gregório e Basílio emergiram vitoriosos, confirmando para ambos que o futuro para eles estava na administração da Igreja.

02

Obras

As principais obras teológicas de Basílio são "Sobre o Espírito Santo", um lúcido e edificante apelo às Escrituras e às tradições cristãs primitivas (para provar a divindade do Espírito Santo), e "Refutação da Apologia do Ímpio Eunômio", escrita em 363 ou 364, em três volumes contra Eunômio de Cízico, o principal defensor da forma mais extremada do arianismo conhecida como anomoeanismo. Famoso pregador, muitas de suas homilias, incluindo a série de palestras sobre a Grande Quaresma no Hexamerão ("Seis Dias"), e uma exposição sobre os Salmos foram preservadas. Algumas, como a contra a usura e a contra a carestia em 368, são valiosas pela história moral; outras ilustram a honra devida aos mártires e às relíquias; em Homilia aos jovens sobre o proveito que podem tirar da leitura dos autores profanos Basílio mostra que, além ter sido fortemente influenciado por sua educação, viu a importância ensinar a correção apreciação do escritores profanos, sobretudo, os gregos clássicos.

03

Legado

Contribuições litúrgicas

A maior parte das liturgias que trazem o nome de Basílio não são inteiramente obra do santo na forma atual, mas elas preservam, ainda assim, uma lembrança da atividade de Basílio na reformulação das orações litúrgicas e na promoção da música sacra. Acadêmicos patrísticos concluíram que a chamada "Litúrgia de São Basílio" "traz, inequivocamente, a mão, a pena, a mente e o coração de São Basílio Magno".

Influências no monasticismo

Através de seus exemplos e ensinamentos, Basílio promoveu uma notável moderação nas práticas austeras que eram características anteriores da vida monástica. A ele também se credita a coordenação das tarefas de trabalho e oração para assegurar um balanço correto entre os dois. Basílio é lembrado como o mais influente autor no desenvolvimento do monasticismo cristão. Não apenas ele é reconhecido como pai do monasticismo ortodoxo, mas historiadores reconhecem que o seu legado se estende também para a igreja ocidental, principalmente pela influência que ele teve sobre São Bento. Acadêmicos patrísticos, como Meredith, afirmam que o próprio Bento teria reconhecido esta influência quando ele escreveu no epílogo de sua "Regra" que seus monges, além da Bíblia, deveriam ler "as confissões dos Padres e seus institutos e suas vidas e a 'Regra de nosso Santo Padre, Basílio'".

04

Devoção

Há diversas relíquias de São Basílio por todo o mundo. Uma das mais importantes é a sua cabeça, que estaria preservada até hoje no Mosteiro da Grande Lavra, em Monte Atos, na Grécia. Sobre ele, assim se manifestou o papa Bento XVI: O papa João Paulo II, falando da vida monástica, escreveu:

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando