Búlgaros
Os búlgaros são um grupo étnico eslavo, pertencente ao grupo dos eslavos do sul, geralmente associado com a República da Bulgária e a língua búlgara. Existem minorias búlgaras e comunidades imigrantes em diversos outros países também.
Geograficamente, a Bulgária está situada na cabeça de ponte entre a Europa e a Ásia. Os dados do DNA búlgaro sugerem que uma expansão demográfica humana ocorreu em sequência no Oriente Médio, atravessou a Anatólia e se espalhou para o resto da Europa (Bulgária incluída). A taxa de tempo estimada desta expansão abrange aproximadamente os últimos 50 000 anos, correspondendo à chegada dos humanos anatomicamente modernos à Europa. Do ponto de vista histórico, os búlgaros são descendentes de três principais grupos étnicos que se misturaram nos Bálcãs entre os séculos VI e X: tribos locais, que incluíam os trácios; invasores eslavos, dos quais os búlgaros herdaram a língua; e os protobúlgaros falantes de línguas túrquicas, dos quais o gentílico e a mais antiga condição de estado foram herdados. Na aparência física, a população búlgara é caracterizada pelas feições do tipo antropológico europeu meridional, com algumas influências adicionais. Geneticamente, os búlgaros são mais proximamente aparentados com as outras populações balcânicas (macedônios, gregos, romenos) que com as demais populações europeias. Por outro lado, eles são mais proximamente aparentados com algumas populações mediterrâneas e anatólias, como armênios, italianos, turcos, cretenses e sardos. Eles também são aparentados com bósnios e croatas. Do ponto de vista antropológico, os búlgaros são caracterizados por diferentes elementos étnicos que incluem uma estatura atlanto-mediterrânea de média para alta, cabelos parcialmente louros neo-danubianos, típico nariz arrebitado e uma aparência dinárica, com o resultado comum alpino, e turca asiática central braquicéfala ou tártara. O elemento básico é o atlanto-mediterrâneo, que provavelmente chegou antes do neolítico; o neo-danubiano foi provavelmente introduzido pelos eslavos e úgricas, embora alguns deles sejam mais antigos; o nórdico pode ter várias origens, incluindo a trácia; o dinárico é simplesmente o resultado da mescla com elementos locais na Macedônia do Norte; o turco é encontrado principalmente na Bulgária oriental, majoritariamente entre os habitantes das cidades e pastores, mas não entre agricultores. Destes elementos variados, os dois primeiros são os mais importantes.
A maioria dos búlgaros vive na República da Bulgária. Há significantes minorias tradicionais búlgaras na Moldávia e na Ucrânia (búlgaros bessárabes), assim como pequenas comunidades na Romênia (búlgaros banatos), Sérvia (as Províncias Ocidentais), Grécia, Macedônia do Norte, Albânia e Hungria. Muitos búlgaros também vivem em diáspora, formada por representantes e descendentes das emigrações antiga (antes de 1989) e nova (depois de 1989). A emigração antiga foi feita por 160 000 emigrantes por motivos econômicos e por dezenas de milhares de emigrantes políticos, e foi dirigida em sua maior parte para Estados Unidos, Canadá, Argentina, Brasil e Alemanha. A emigração mais recente é estimada em 700 000 pessoas e pode ser dividida em duas: a emigração permanente no começo da década de 1990, direcionada principalmente para Estados Unidos, Canadá, Áustria e Alemanha e a emigração trabalhista do final da década de 1990, direcionada em sua maior parte para Grécia, Itália, Reino Unido e Espanha. As migrações para o Ocidente foram fortalecidas no final da década de 1990 e começo do século XXI, conforme as pessoas continuam a se deslocar para países como Estados Unidos, Canadá e Austrália. A maioria dos búlgaros que vivem nos Estados Unidos pode ser encontrada em Chicago, Illinois. Todavia, de acordo com o censo norte-americano de 2000, a maioria dos búlgaros vive nas cidades de Nova Iorque e Los Angeles, e o estado com mais búlgaros nos Estados Unidos é a Califórnia. As maiores populações urbanas de búlgaros estão em Sófia (1 236 000), Plovdiv (341 000) e Varna (335 000). O número total de búlgaros assim alcança entre 7 e 8 milhões, dependendo apenas das estimativas usadas para a diáspora.
Os símbolos nacionais dos búlgaros são a bandeira da Bulgária e o brasão de armas da Bulgária. A bandeira nacional da Bulgária é um retângulo com três cores: branco, verde e vermelho, posicionadas horizontalmente de cima para baixo. As três faixas são da mesma forma e mesmo tamanho. O brasão de armas da Bulgária é um símbolo de soberania e independência do povo e do estado búlgaros. Ele representa um leão dourado exuberante coroado num fundo vermelho escuro com a forma de um escudo. Sobre o escudo, há uma coroa modelada segundo as coroas dos imperadores do Segundo Império Búlgaro, com cinco cruzes e uma cruz adicional no topo. Dois leões rampantes dourados seguram o escudo de ambos os lados, encarando-o. Eles estão de pé sobre dois ramos de carvalho com bolotas cruzados, o que simboliza o poder e a longevidade do estado búlgaro. Sob o escudo, há uma faixa com as três cores nacionais. A faixa é posicionada nas pontas dos ramos e a frase "Съединението прави силата" ("A Unidade Faz a Força") está escrita nela.
Alfabeto cirílico
A Bulgária medieval foi o mais importante centro cultural dos povos eslavos no final do século IX e por todo o X. As duas escolas literárias, a Escola Literária de Preslav e a de Ócrida, desenvolveram uma rica literatura e atividade cultural com autores do nível de Constantino de Preslav, João, o Exarca, Chernorizets Hrabar, Clemente de Ácrida e Naum de Ácrida. Na primeira metade do século X, o alfabeto cirílico foi inventado na Escola Literária de Preslav baseado nos alfabetos grego e glagolítico. Versões modernas deste alfabeto são agora usadas para escrever, além do búlgaro, mais cinco línguas eslavas: bielorrusso, macedônio, russo, sérvio e ucraniano, assim como o mongol e mais umas 60 línguas faladas no que foi outrora a União Soviética.
Arte e ciência
Boris Christoff, Nicolai Ghiaurov, Raina Kabaivanska e Ghena Dimitrova fizeram preciosas contribuições para a ópera, com Ghiaurov e Christoff sendo dois dos maiores baixos do período pós-guerra. Os búlgaros também fizeram valiosas contribuições à cultura mundial nos tempos modernos. Julia Kristeva e Tzvetan Todorov estavam entre os mais influentes filósofos europeus da segunda metade do século XX. O artista Christo (com sua mulher Jeanne-Claude) está entre os mais famosos representantes da arte ambiental. Os búlgaros da diáspora também têm sido ativos. Cientistas e inventores americanos de descendência búlgara incluem John Atanasoff, Peter Petroff, e Assen Jordanoff. A búlgara-americana Stephane Groueff escreveu o celebrado livro Projeto Manhattan, sobre a construção da primeira bomba atômica, assim como Crown of Thorns ("Coroa de Espinhos"), uma biografia do czar Bóris III da Bulgária.
Esporte
No começo do século XX, a Bulgária foi famosa por dois dos melhores lutadores do mundo - Dan Kolov e Nikola Petroff. A saltadora em altura Stefka Kostadinova foi uma das dez melhores atletas do século XX e mantém um dos mais antigos recordes mundiais do atletismo (2,09 m, em Roma, no Campeonato Mundial de Atletismo de 1987). Hristo Stoichkov foi um dos melhores jogadores de futebol da segunda metade do século XX, tendo jogado pela seleção nacional e pelo FC Barcelona. Ele recebeu vários prêmios e foi um dos artilheiros da Copa do Mundo de Futebol de 1994, realizada nos Estados Unidos.
Língua
Os búlgaros falam uma língua eslava do sul, o búlgaro, que é de certa forma similar ao serbo-croata e é com frequência (principalmente palavras, não sentenças) mutuamente inteligível com ela. A língua búlgara é também, a um certo nível, inteligível com o russo por causa da influência que a Rússia teve sobre o desenvolvimento da Bulgária a partir de 1878, assim como o efeito anterior do búlgaro antigo no desenvolvimento do russo antigo. Embora relacionados, o búlgaro e as línguas eslavas ocidentais e orientais não são mutuamente inteligíveis. O búlgaro demonstra vários desenvolvimentos linguísticos que o colocam à parte das outras línguas eslavas. Estes desenvolvimentos são compartilhados com o romeno, com o albanês e com o grego. Até 1878, o búlgaro foi influenciado de forma lexicográfica pelo grego medieval e pelo grego moderno, e numa extensão bem menor, pelo turco. Mais recentemente, a língua tomou emprestadas muitas palavras do russo, alemão, francês e inglês.
Nomes búlgaros
Há várias formas diferentes de nomes búlgaros. A grande maioria deles têm nomes cristãos (nomes como Lazar, Ivan, Anna, Maria, Ekaterina) ou de origem eslava (Vladimir, Esvetoslau, Velislava). Após a libertação em 1878, os nomes de protobúlgaros históricos como Asparuque, Crum, Cubrato e Tervel foram ressuscitados. O antigo nome búlgaro Boris se espalhou a partir da Bulgária para vários países, como o czar russo Boris Godunov e o tenista alemão Boris Becker sendo dois exemplos de seu uso. A maioria dos sobrenomes búlgaros masculinos tem um sufixo -ov (cirílico: -ов). Este é às vezes transcrito como -off (John Atanasov — John Atanasoff), mas é mais frequente como -ov, tal como Boris Hristov. O sufixo -ov é o sufixo eslavo de concordância de gênero. Assim, Ivanov (búlgaro: Иванов) realmente significa "de Ivan". Os nomes do meio búlgaros também usam o sufixo de concordância de gênero. Dessa forma, o nome do meio do filho de Nikola será Nikolov, e o nome do meio do filho de Ivan será Ivanov. Como os nomes búlgaros são baseados no gênero, as mulheres búlgaras tem como sufixo de sobrenome -ova (cirílico: -овa), tal como Maria Ivanova. A forma plural das terminações dos nomes búlgaros é -ovi (cirílico: -ови). Por exemplo, a família Ivanovi (Иванови).
Religião
A maioria dos búlgaros é pelo menos nominalmente membro da Igreja Ortodoxa Búlgara, fundada em 870 (autocéfala desde 927). A Igreja Ortodoxa Búlgara é a igreja nacional independente da Bulgária, da mesma forma que as outras igrejas nacionais da ortodoxia oriental e é considerada um elemento inseparável da consciência nacional búlgara. A igreja foi abolida duas vezes durante os períodos de dominação bizantina (1018-1085) e otomana (1396-1878), mas foi restaurada todas as vezes como um símbolo de posição de estado búlgaro. Em 2001, a Igreja Ortodoxa Búlgara tinha um total de 6 552 000 membros na Bulgária (82,6% da população) e entre um e dois milhões de membros na diáspora. O problema com a fidelidade das minorias ortodoxas búlgaras na Sérvia, Romênia, Moldávia e Ucrânia ainda não foi resolvido e os búlgaros nestes países ainda mantêm fidelidade às respectivas igrejas nacionais de cada um deles.


