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Cirilo de Alexandria

Cirilo de Alexandria foi Patriarca de Alexandria quando a cidade estava no auge de sua influência e poder no Império Romano. Um dos Padres gregos, Cirilo escreveu extensivamente e foi protagonista nas controvérsias cristológicas do final do século IV e do século V. Foi uma figura central no Primeiro Concílio de Éfeso, em 431, que levou à deposição do patriarca Nestório de Constantinopla. Ele é listado entre os Pais e os Doutores da Igreja, e, por sua reputação no mundo cristão, é conhecido como "Pilar da Fé" e "Selo de Todos os Pais". Entretanto, os bispos nestorianos no Segundo Concílio de Éfeso o declararam herético, rotulando-o como um "monstro, nascido e criado para a destruição da Igreja".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Biografia

Cirilo nasceu por volta de 375 ou 378 em uma vila chamada "Didusja" (em copta) e "Teodósio" (em grego), segundo João de Niciu, provavelmente a moderna El-Mahalla El-Kubra ou nas proximidades. Porém autores posteriores, especialmente gregos, apontam Alexandria como sua cidade natal, o que várias fontes modernas corroboram. Sua mãe seria natural de Mênfis e passou algum tempo em conventos em Alexandria antes de se casar.

Educação

Em 385 Teófilo assumiu a posição de Patriarca de Alexandria. Ele era tio de Cirilo[nt 1] e cuidou da educação de seu sobrinho em Alexandria. Cirilo recebeu uma educação clássica e teológica, provavelmente estudando gramática entre os doze e quatorze anos de idade (390-392), retórica e humanidades dos quinze aos vinte e, por fim, teologia e estudos bíblicos entre 398 e 402. Provavelmente entrou em contato com os autores que influenciariam sua exegese nesse último período. Entre suas leituras, se destacam Atanásio, Orígenes, Clemente de Alexandria, Basílio de Cesareia, Eusébio de Cesareia, Dídimo, o Cego e até mesmo João Crisóstomo, a quem viria a citar extensivamente apesar do Sínodo do Carvalho, que o depôs. Outra influência relevante foi Isidoro de Pelúsio, importante líder nos círculos monásticos do Egito, dezoito anos mais velho que Cirilo. Embora a relação entre os dois ainda precise ser clarificada, Isidoro escrevia-lhe frequentemente, geralmente em um tom crítico de surpreendente franqueza para um clérigo provincial, embora não houvesse sinal de ressentimento entre os dois. Por isso, cogita-se que Isidoro seria um conselheiro respeitado por Cirilo e talvez tenha sido mentor do futuro patriarca.

Início da carreira eclesiástica e Sínodo do Carvalho

Em 403, com aproximadamente vinte e cinco anos, Cirilo terminou seus estudos e foi ordenado leitor da igreja alexandrina ao lado de seu tio patriarca. A partir daí, ascendeu a cargos eclesiásticos mais altos, mas provavelmente já estava ligado às esferas superiores da Igreja de Alexandria desde o começo da carreira. McGuckin lembra que, à época do Concílio de Éfeso, Nestório havia ocupado o trono em Constantinopla por apenas um ano enquanto Cirilo já teria vinte e cinco anos de contato e experiência com a política da Igreja no nível mais alto, o que pode ter sido decisivo para o resultado do concílio. No mesmo ano, Cirilo acompanhou Teófilo ao Sínodo do Carvalho, realizado em Calcedônia, e que resultou na deposição de São João Crisóstomo do Patriarcado de Constantinopla. Teófilo teve um papel central na deposição, um posicionamento que causou atrito com Roma, que exigia a reabilitação de João, e abalou as relações entre as duas sés até os primeiros anos do patriarcado de Cirilo.

Início do Patriarcado de Alexandria

Teófilo faleceu em 15 de outubro de 412. O patriarcado foi disputado, então, entre Cirilo e o arcediago Timóteo, que era, segundo McGuckin, o favorito de Constantinopla. Da disputa, evoluiu um tumulto, resultado do conflito entre os defensores de cada um dos candidatos. Embora Timóteo tivesse o apoio de Abundâncio, o comandante das tropas romanas no Egito, Cirilo venceu: foi feito patriarca em 18 de outubro, três dias depois da morte de Teófilo, com o apoio do povo. À época, o patriarcado de Alexandria já era poderoso, uma ascensão que remontava à época de Atanásio e devia muito ao controle que tinha sobre as hordas de monges armados chamados parabolanos. O patriarca conseguia impor-se ante a corte imperial e seu poder rivalizava até com o do prefeito da cidade. Assim, o novo patriarca passou a exercer mais funções que seu antecessor, assumindo a administração de questões seculares e outras que estavam sob a autoridade do prefeito civil. Segundo Gibbon, liderados por Cirilo, os parabolanos controlavam os programas de caridade e os prefeitos egípcios temiam sua influência. À época, Alexandria, habitada por judeus, pagãos e cristãos, era conhecida pela instabilidade e, segundo Sócrates de Constantinopla, nenhuma outra cidade era mais propensa a tumultos, sempre violentos.

Expulsão dos Novacianos

Cirilo fechou as comunidades dos novacianos e tomou seus objetos sacros. Os novacianos eram a seita dos seguidores do antipapa Novaciano que separaram-se da Igreja basicamente porque acreditavam que os cristãos que apostataram durante a perseguição de Décio (os lapsi) não podiam ser perdoados e nem readmitidos. Entretanto, suas práticas condiziam com a dos cristãos em quase todos os demais aspectos, e Gibbon os descreve como "os mais inocentes e inofensivos dos sectários". Segundo Sócrates, o bispo novaciano Teopempto teve também suas posses confiscadas.

Conflito com Orestes e a comunidade judaica

A comunidade judaica de Alexandria era grande - Gibbon cita 40 000 pessoas na época de Cirilo - e tradicional. Presentes na cidade desde sua fundação sete séculos antes, eram bem sucedidos e protegidos pela lei secular. Sócrates Escolástico conta que, durante uma deliberação sobre alguma festividade dos judeus, eles acusaram um monge Hierax, um exaltado seguidor de Cirilo, de incitar tumulto entre os presentes. Orestes, o prefeito, que invejava o poder dos bispos, aproveitou para prendê-lo, torturá-lo e assassiná-lo em público. Cirilo se encontrou com os principais líderes judeus e os ameaçou. Eles, por sua vez, organizaram um ataque aos cristãos: saíram em uma noite pelas ruas anunciando um suposto incêndio em uma igreja. À medida que os cristãos saíam para salvar o edifício, os judeus os assassinavam. Contudo, Gibbon cogita que a morte dos cristãos possa ter sido acidental, mas, seja como for, sabe-se que cristãos foram mortos por judeus.

Polêmica com Nestório e Concílio de Éfeso

Entre 427 e 428, Nestório, um monge nativo de Germanícia que vivia em Antioquia, foi nomeado patriarca de Constantinopla. Seguindo a tradição da escola teológica síria, Nestório se opunha ao uso do termo Teótoco (em grego, "mãe de Deus") para se referir à Virgem Maria. Cirilo, porém, defendia e incentivava o uso do termo como consequência natural da natureza única de Cristo defendida pela tradição alexandrina; assim, em 429, ele escreveu uma carta pascal apoiando o uso do título. Os patriarcas trocaram correspondências em um tom relativamente moderado até que Nestório enviou seus sermões ao Papa Celestino I pedindo sua opinião, mas não obteve resposta. Posteriormente, Cirilo também escreveu ao papa solicitando que ele referendasse a sua opinião em decreto.

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Obra

Cirilo foi um arcebispo erudito e um escritor prolífico. Nos primeiros anos da sua vida ativa na Igreja, escreveu exegeses diversas, entre elas um "Comentários sobre o Antigo Testamento", um "Thesaurus", um "Discurso contra Arianos", um "Comentário sobre o Evangelho de João" e os "Diálogos sobre a Trindade". Embora seja hoje lembrado pelo seu papel no Concílio de Éfeso e pelos eventos tumultuosos de seu patriarcado, é lícito crer que Cirilo imaginava que seus comentários bíblicos seriam seu legado mais relevante. Em 429 as controvérsias cristológicas aumentaram sua produção literária a ponto de seus adversários não conseguirem acompanhar. Seus escritos fazem frequentemente alusão às doutrinas dos demais Padres da Igreja. Por sua luta em defesa do título de Teótoco (Mãe de Deus), durante o Concílio de Éfeso (431), a Liturgia da Palavra, a leitura recomendada pela Igreja Católica para a comemoração de Cirilo é exatamente uma defesa do título.

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Comemorações

A Igreja Ortodoxa e as igrejas orientais celebram seu dia em 9 de junho e novamente, junto com o Atanásio de Alexandria, em 18 de janeiro. A Igreja Católica não o comemora no calendário tridentino; sua celebração foi adicionada apenas em 1882, sendo 9 de fevereiro o seu dia. Aqueles que usam calendários anteriores à revisão de 1969 ainda observam este dia, mas a revisão atribuiu ao santo o dia 27 de junho, tradicionalmente o dia de sua morte. A mesma data foi escolhida para o calendário luterano. Em 9 de abril de 1944, por ocasião do 15º centenário da morte de São Cirilo, o Papa Pio XII promulgou a encíclica Igreja Oriental (Orientalis Ecclesiae).

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Fontes consultadas

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