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Fanzine

Um fanzine é uma publicação não profissional e não oficial, produzido por entusiastas de uma cultura particular, para o prazer de outros que compartilham o mesmo interesse. Podendo ser dedicado a uma determinada franquia, trazendo informações ou fanfics.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Características

Fanzines são publicações não-profissionais produzidas por seguidores de um fenômeno cultural específico (como um gênero literário, musical ou histórias quadrinhos) para outros que tenham os mesmos interesses. O termo é uma aglutinação das palavras "fan" (fã) e "magazine" (revista), cunhado em outubro de 1940 por Russ Chauvenet, popularizado dentre fãs de ficção científica, posteriormente adotado por outras comunidades. Os "fanzines" se distinguiam dos "prozines" (um termo também inventado por Chauvenet), ou seja, todas as revistas profissionais. Antes disso, as publicações de fãs eram conhecidas como "fanmags". Sua vantagem indiscutível é ter especialistas em um determinado assunto, publicando de forma livre e direta, sem vínculos ou interesses com terceiros. A esta "ausência de restrições editoriais" (o editor normalmente dá liberdade de expressão), devemos acrescentar outra vantagem para um autor de fanzines: "A possibilidade de se ser conhecido por um grupo de aficionados mais ou menos amplo e ser descoberto por um editor profissional que a qualquer momento possa dar-lhe a tão esperada oportunidade profissional". Com isso, o fanzine é" ao mesmo tempo um bom campo de tiro e uma plataforma de lançamento imbatível para o campo profissional". Com isso, o fanzine é "ao mesmo tempo um bom terreno e uma imbatível plataforma de lançamento para o campo profissional". Na opinião do teórico Antonio Lara, os fanzines desempenharam "um papel fundamental na evolução geral da mídia e, mais especificamente, de formas culturais marginalizadas pelas instituições oficiais", como "quadrinhos, cartazes, cromos, animação, literatura popular, filmes para televisão e outros".

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História

1775-1945: Ficção científica

Muitos traçam a linhagem dos zines desde o excepcionalmente popular panfleto Common Sense de Thomas Paine (1775), a revista literária de Benjamin Franklin para pacientes psiquiátricos em um hospital da Pensilvânia e The Dial (1840-1844) de Margaret Fuller e Ralph Waldo Emerson. Uma outra origem remontam aos grupos literários do século XIX nos Estados Unidos que formaram Amateur Press Associations (APA) para publicar coleções de histórias, poesia e comentários amadores, como a United Amateur, que teve o escritor H.P. Lovecraft como membro. Quando Hugo Gernsback publicou a primeira revista de ficção científica, Amazing Stories, em 1926, permitiu que a seção de cartas, lançada no ano seguinte, criasse uma interação entre os leitores, que passaram a trocar correspondências. O nome pulp veio do material usado nessas revistas, a polpa de celulose, um material barato assim como o papel jornal.

1945: Histórias em quadrinhos

Em outubro de 1947, Malcolm Willits e Jim Bradley lançaram The Comic Collector's News, o primeiro fanzine sobre quadrinhos. Em 1952, Ted White havia mimeografado um panfleto de quatro páginas sobre o Superman, e James Taurasi emitiu, durante um curto período, o Fantasy Comics. Em 1953, Bhob Stewart publicou The EC Fan Bulletin, um fanzine sobre a editora EC Comics, notória pelos quadrinhos de terror e ficção científica. Poucos meses depois, Stewart, White e Larry Stark produziram Potrzebie, planejado como um jornal literário de comentário crítico sobre a EC por Stark. Entre a onda de fanzines sobre a EC que se seguiu, o mais conhecido era Hoo-Hah!, de Ron Parker. Depois disso, surgiram fanzines dos seguidores das revistas satíricas editadas por Harvey Kurtzman: Mad (que passou a ser o foco da EC após ser perseguida pelas histórias de terror e ficção científica), Trump e Humbug. Editores destes fanzines incluíram futuras estrelas do quadrinhos underground como Jay Lynch e Robert Crumb.

1967: Fanzines de mídia

Os fanzines de mídia eram originalmente apenas um subgênero dos fanzines de ficção científica, escritos por fãs de ficção científica já familiarizados com apazines. O primeiro fanzine de mídia foi uma publicação de fãs de Star Trek chamada Spockanalia, publicada em setembro de 1967 por membros dos Lunarians. Eles esperavam que fanzines como Spockanalia fossem reconhecidos pela comunidade mais ampla de fãs de ficção científica de maneiras tradicionais, como um Prêmio Hugo de Melhor Fanzine.: 6 Todas as cinco edições foram publicadas enquanto o programa ainda estava no ar. air, e incluía cartas de D. C. Fontana, Gene Roddenberry e a maioria dos membros do elenco, e um artigo da futura vencedora de Hugo e Nebula, Lois McMaster Bujold.

1960-2010s: Rock and roll, punk, RPG e cultura japonesa

Em meados da década de 1960, vários fãs de ficção científica e quadrinhos reconheceram um interesse compartilhado pelo rock, dando origem a fanzines de rock. Paul Williams e Greg Shaw foram dois fãs do ficção científica transformados em editores de fanzines de rock Crawdaddy! de Williams (1966) e os dois fanzines criados por Shaw, Mojo Navigator (1966) e Who Put the Bomp (1970), estão entre os fanzines de rock mais importantes.[carece de fontes?] Os fanzines também são geralmente (de forma errônea) indicados como tendo aparecido no movimento punk, devido ao uso marcante de fanzines pelo movimento. Essas publicações começaram ser conhecidas apenas como "zines". Os fanzines também foram importantes durante os movimentos de contracultura de 1968.

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Fanzines no Brasil

Origem

No Brasil, o termo fanzine é genérico para toda produção independente. Há uma distinção entre fanzines (feitos por fãs) e produção independente (produção artística inédita). Os primeiro fanzines do país surgiram coincidentemente no ano de 1965, são eles: O Cobra, Órgão Interno da 1.ª Convenção Brasileira de Ficção Científica, realizada entre 12 e 18 de Setembro de 1965 em São Paulo, lançado pela recém-fundada Associação Brasileira de Ficção Científica. e Ficção (Boletim do Intercâmbio Ciência-Ficção Alex Raymond), fanzine dedicado as histórias em quadrinhos criado por Edson Rontani em 12 de Outubro de 1965 em Piracicaba, em São Paulo. Este fanzine trazia textos informativos e uma interessante relação de publicações brasileiras de quadrinhos desde 1905. De acordo com Rontani, a inspiração para o Ficção foi a revista Giff-Wiff do Club des bandes dessinées, que ele conheceu em uma matéria escrita por Álvaro de Moya, que dizia que o cineasta Alain Resnais havia sido um dos fundadores de uma organização sobre quadrinhos e que publicava uma revista sobre o tema. Segundo Álvaro de Moya:

Anos 1960 e 1970

No começo, o Ficção era impresso no mimeógrafo, para logo depois ser impresso em um duplicador a álcool. O Ficção teve 12 edições aperiódicas até julho de 1968. Também em 1965, a Associação Brasileira de Ficção Científica publicaria o Dr. Robô. Na época, esses fanzines foram chamados de "boletins", segundo Gonçalo Junior, o mais próximo dos fanzines eram os boletins dos cineclubes, existentes no Brasil desde a década de 1940. Um outro de tipo de publicação independente que antecede os fanzines são os chamados catecismos, quadrinhos eróticos que tinham Carlos Zéfiro como o principal nome nas décadas de 1950 a 1970. Em 1967, Edson Rontani começou a publicar catálogos de compra e vendas de quadrinhos. Somente em 1971, através de uma carta de um fã, Rontani passou a conhecer o termo fanzine, que pensou ter sido criado por esse fã, contudo, um clube francês para qual enviava o Ficção também o chamava de fanzine. Em 23 de abril de 1968, Agenor Ferreira lança o Boletim do Herói, na década seguinte, o fanzine mudou de nome para Boletim dos Quadrinhos e teve 28 edições. No final da década de 1970, Edson Rontani criou o "Coleção Comics", que além de anúncios, trazia artigos sobre quadrinhos.

Anos 1980

Cesar Ricardo Tomáz da publicou (juntamente com José Carlos Neves e Mário Dimov Mastrotti) o fanzine Hiperespaço desde outubro de 1983, abrindo caminho para o aumento de fãs de ficção científica no país. Em 1985, com a fundação do Clube de Leitores de Ficção Científica em São Paulo, foi lançado o Somnium, fanzine (e, em alguns momentos, um semiprozine) com notícias do Clube e do gênero no Brasil e no mundo, além de contos, resenhas e ilustrações. Outros fanzine de ficção científica a surgidos na década de 1980 foram o Boletim Antares, do Clube de Ficção Científica Antares, surgido do Clube de Astronomia Antares, de Porto Alegre. Megalon, criado por Marcello Simão Branco e Renato Rosatti em 1987, Em 1988 surgem O Rhodaniano do primeiro fã-Clube de Perry Rhodan fundado por Sérgio Roberto L. Costa e Maria Ângela C. Bussolotti, Caio Cardoso Sampaio e Roberto de Sousa Causo, criado dentro do Clube de Leitores de Ficção Científica.

Anos 1990-atualmente

Os anos 1990 foram prolíferos para o movimento, ainda em 1990, a Gibiteca de Curitiba organizou a 1ª Exposição Internacional de Fanzines. Em 1993, surge o Informativo de Quadrinhos Independentes de Edgard Guimarães, cujo objetivo era listar as publicações brasileiras independentes, sendo portanto um adzine, a proposta foi ampliada e passou a abrigar também matérias, resenhas e publicações de quadrinhos autoriais, também se notabilizou pelas cartas de comentário na seção Fórum. Edgard também imprimia e vendia fanzines de outros autores no chamado Projeto Independente. O fanzine mudou de nome para Quadrinhos Independentes, posteriormente, QI - Quadrinhos Independentes e, finalmente, QI. Ainda em 1993, a Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo adiciona a categoria fanzine no Prêmio Angelo Agostini, em 2011, foi criada uma categoria específica para lançamentos de quadrinhos independentes.

Catálogos

Em 1995, é lançado o livro Almanaque De Fanzines: O Que São, Por Que São, Como São de Bia Albernaz e Maurício Peltierl. Diante da grande produção de fanzines no Brasil, diversas iniciativas vêm sendo tomadas com o objetivo de registrar a produção nacional. Foi criada a Fanzinoteca de São Vicente, que se tornou a segunda maior fanzinoteca do mundo por seu acervo de edições catalogadas. Em 2004, foi lançado o Catálogo oficial da Fanzinoteca de São Vicente contendo dados de mil fanzines nacionais. Contudo, a Fanzinoteca de São Vicente jamais passou a existir fisicamente. Em 2011, foi lançado pela Ugra Press, o Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas, obra que catalogou 120 títulos independentes produzidos no país, no mesmo ano, também foi lançado o documentário Fanzineiros do século passado de Márcio Sno. Em 2015, Sno publicou o livro O universo paralelo dos zines. Em 11 de outubro de 2017, é inaugurada a Fanzinoteca do Instituto Federal Fluminense (IFF) em Macaé, Rio de Janeiro. Em 2019, Danielle Barros (UFSB), Edgar Franco, (UFG), Gazy Andraus (UFG) e Alberto de Souza (IFF), criam a ANZINE (Associação Nacional de Pesquisa e Criação de Fanzines), cuja sede fica na Fanzinoteca do IFF.

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Fanzines em Portugal

O primeiro fanzine de Portugal é O Melro, uma revista em quadrinhos lançada em 1944 por José Garcês, em 1972, surgem os fanzines Argon, Saga, Quadrinhos, Copra, P.Druillet - P.Caza, Orion, Ploc! e Yellow Kid, no ano seguinte, Aleph, propagado como o primeiro dedicado aos estudos sobre quadrinhos. Ainda nos anos 70, foram publicados os fanzines Impulso, Hic!, O Estirador e Boletim, esse último editado pelo Clube Português de Banda Desenhada. Na década de 1980, surgem os títulos Comicarte, Hyena, Ruptura, Original, Eros, Dossier Top Secret, Cruzeiro do Sul, Clubedelho, Nemo, Ritmo e Banda. Em 1997 é lançado o livro Dédalo dos Fanzines: O Catálogo das Publicações Amadoras de Banda Desenhada em Portugal de Leonardo de Sá e Geraldes Lino. Surge na década de 90 em Viseu o fanzine Unknown Town e ao mesmo tempo a exposição internacional de fanzines em Viseu com o nome de Expo Cidade Desconhecida. No dia 29 de abril, comemora-se no país, o "Dia Mundial dos Fanzines".

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Conservação e fanzinotecas

Algumas bibliotecas desenvolveram interesse em preservar e expandir coleções que incluem fanzines. Por trás desse desejo, muitas delas querem abordar o fato de que, por muito tempo, esse tipo de documento não foi coletado por ser considerado menor ou de baixa qualidade por essas instituições. No entanto, o discurso em evolução em torno da liberdade intelectual, da preservação do patrimônio cultural e da inclusão de minorias nas bibliotecas contribui para o desejo de incluir fanzines em suas coleções, uma vez que os fanzines geralmente se originam de subculturas ou comunidades marginalizadas . No entanto, desenvolver uma coleção de fanzines em uma biblioteca apresenta vários desafios. Como a maioria dos fanzines é criada por amadores que nem sempre estão familiarizados com o cenário literário, muitos escapam ao depósito legal institucional e, portanto, não possuem ISSN ou ISBN . Adaptá-los para encadernação em bibliotecas é mais difícil devido aos seus formatos bastante variados e à fragilidade de muitos deles, particularmente devido aos materiais utilizados em sua produção . A catalogação de fanzines é complicada pelo fato de muitos serem publicados sob pseudônimos, anonimamente ou por autores que preferem não ser associados a essas criações . As políticas de aquisição de bibliotecas também dificultam a aquisição de fanzines, pois muitas vezes exigem o uso de métodos alternativos de aquisição, como o contato direto com os criadores de fanzines, em vez dos métodos tradicionais .

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Fontes consultadas

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