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Getúlio Vargas

Getúlio Dorneles Vargas GCTE • GCA foi um militar, advogado e político brasileiro. Foi o presidente do Brasil de 1930 até 1945, durante a Era Vargas, e, posteriormente, de 1951 até o seu suicídio em 1954.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Juventude

Origem

Getúlio Vargas nasceu em 19 de abril de 1882, no interior do Rio Grande do Sul, no município de São Borja (fronteira com a Argentina), filho de Manuel do Nascimento Vargas e de Cândida Francisca Dornelles Vargas. Na juventude, alterou documentos para reduzir a sua idade em um ano, fazendo constar o ano de nascimento como 1883. O objetivo dessa alteração foi se adequar à faixa etária exigida pelo Exército. Este fato somente foi descoberto nas comemorações do centenário de nascimento, quando, verificando-se os livros de registros de batismos da Paróquia de São Francisco de Borja, descobriu-se que Getúlio nasceu em 1882, constando no seu assento de batismo.[a] A Revista do Globo, que fez uma série de entrevistas com Getúlio, em 1950, antes da campanha eleitoral, contou que Getúlio corrigiu os repórteres dizendo que nasceu em 1883.

Estudos

Em 1897, Getúlio se matricula no Ginásio Mineiro de Ouro Preto, cidade onde já estudavam seus irmãos Viriato e Protásio. Ali, Getúlio deveria frequentar o curso secundário por dois anos a fim de preparar-se para ingressar em uma insituição de ensino superior. Em 7 de junho de 1897, o estudante paulistano Carlos de Almeida Prado Júnior é baleado e morto em uma confusão com estudantes rio-grandenses, dentre os quais estava Getúlio, então com 15 anos. O principal suspeito passa a ser o irmão mais velho de Getúlio, Viriato. O caso, porém, é encerrado sem condenações. Este acontecimento precipita a volta de Getúlio e seus irmãos para o Rio Grande do Sul.

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Carreira política

Deputado Estadual (1909-12, 1917-23)

Foi deputado estadual pelo Partido Republicano Riograndense, o PRR, de 1909 a 1912. Foi reeleito em 1913, sendo o candidato mais votado no estado, como 76 141 votos, porém renunciou ao mandato pouco tempo depois de empossado. O motivo da renúncia teria sido a intervenção de Borges de Medeiros, então presidente do RS e chefe do PRR, nas eleições do município de Cachoeira do Sul, prejudicando o pai de João Neves, amigo de Getúlio. Em 1915 foi convidado por Borges de Medeiros para ser chefe da polícia estadual, mas recusou o convite. Em 1917 foi novamente eleito para a Assembleia dos Representantes gaúcha, com 79 724 votos. Na legislatura de 1917-1921, Getúlio destacou-se na defesa do governo de Borges de Medeiros, que, em seu quarto mandato, prosseguia aplicando seu projeto autoritário que resultou na fuga de muitos de seus adversários políticos. Como deputado governista, Getúlio apoiou em plenário a repressão da Brigada Militar às greves de 1919, e a encampação das obras do porto de Rio Grande e da rede ferroviária rio-grandense. Foi também membro da Comissão de Orçamento da Assembleia dos Representantes, responsável por discutir despesas e receitas públicas.

Deputado federal (1923-1927)

Na Câmara Federal, Getúlio assumiu o posto de líder da bancada gaúcha. Sua principal missão era reaproximar as lideranças gaúchas ao presidente Artur Bernardes, depois da participação do PRR na Reação Republicana, movimento que enfrentou a hegemonia da "República do café com leite" e apoiou a candidatura de Nilo Peçanha à presidência da República. O governo de Artur Bernardes foi atribulado, marcado pelo estado de sítio. Reeleito em 1924, Getúlio teve sua atuação marcada pela defesa do governo Bernardes e o repúdio aos movimentos revolucionários tenentistas. Apoiou a repressão federal à Revolta Paulista de 1924, que culminou com o bombardeio de São Paulo pelas tropas legalistas, e comparou as ações da Coluna Prestes a "correrias de cangaceiros". Em 1926, se opôs à anistia aos militares envolvidos nas rebeliões tenentistas. Ajudou a costurar a revisão constitucional de 1926, proposta por Bernardes, que aumentava o poder da União em detrimento dos estados. Manifestou-se contra o ensino religioso nas escolas e integrou brevemente a Comissão de Finanças da Câmara.

Governador do Rio Grande do Sul (1927-1930)

Em agosto de 1927 Borges de Medeiros indicou Getúlio Vargas como candidato à presidência do Rio Grande pelo PRR. A oposição não apresentou candidatos, e líderes da oposição como Batista Lusardo e José Silveira Martins declararam apoio a Getúlio. Assis Brasil, o líder principal da oposição, recomendou abstenção nas urnas e desejou boa sorte a Getúlio. O governo de Getúlio no Rio Grande do Sul foi marcado pela pacificação política e saneamento das contas públicas. Getúlio incluiu membros da oposição na administração estadual e tomou medidas para reduzir a fraude eleitoral. O governo borgista havia conduzido uma política intervencionista, ilustrada pela estatização do porto de Rio Grande e da Viação Férrea em 1919-20, que aumentou as despesas públicas ao mesmo tempo em que ampliou o patrimônio do estado e consequentemente sua receita. O déficit financeiro do Rio Grande do Sul era agravado pelas despesas com a revolução de 1923 e pelas exigências de novos investimentos nos serviços estatizados. Por conta disso Getúlio, com autorização da Assembleia dos Representantes, obteve um empréstimo no exterior de 42 milhões de dólares, com juro de 6% ao ano. Com o empréstimo foram pagas dívidas antigas cujos juros chegavam a 8%, e foi criado, em setembro de 1928, o BERGS (Banco do Estado do Rio Grande do Sul), futuro Banrisul. Esse novo órgão facilitou o acesso das classes produtoras ao crédito e, ao conceder empréstimos sem critérios de filiação política, facilitou a pacificação entre Republicanos e Libertadores.

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Era Vargas

O Manifesto dos Mineiros foi um documento de 1943 que marcou o início da oposição aberta ao Estado Novo, criticando abertamente o regime ditatorial daquele período. Assinado por políticos, intelectuais e empresários de Minas Gerais, exigia a redemocratização e era passado, clandestinamente, de mão em mão. No dia 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas, como o próprio ressalta em sua carta-testamento, renunciou ante a iminência de ser deposto por um golpe militar, sendo conduzido ao exílio na sua cidade natal, São Borja. No dia 2 de dezembro do mesmo ano, foram realizadas eleições livres para o parlamento e presidência, nas quais Getúlio seria eleito senador pela maior votação da época. Era o fim da Era Vargas, mas não o fim de Getúlio Vargas, que em 1951 retornaria à presidência pelo voto popular.

Revolução de 1930

A eleição para a presidência da república foi realizada no dia 1º de março de 1930, vencida por Júlio Prestes, com 1 091 709 votos contra 742 794 dados a Getúlio. Houve acusações de fraude de ambos os lados. Em Minas Gerais e na Paraíba, as juntas apuradoras se recusaram a diplomar candidatos da Aliança que haviam vencido a eleição para deputado federal. Um grupo de lideranças da Aliança Liberal optou pelo caminho revolucionário. Dele faziam parte o mineiro Virgílio de Melo Franco, o gaúcho Oswaldo Aranha, além de João Neves da Fontoura, Flores da Cunha e Batista Lusardo. Apesar de o movimento revolucionário estar sendo organizado em torno de Getúlio, o próprio Vargas não demonstrava muito entusiasmo pela revolução e hesitou em assumir a posição de líder do movimento, em parte devido ao bom relacionamento que mantinha com o presidente Washington Luís.

Governo Provisório (1930–1934)

Getúlio assumiu a presidência da República com poderes ditatoriais, dissolvendo o Congresso Nacional, as assembleias legislativas e câmaras municipais e revogando a Constituição de 1891. Sem fixar prazo, prometeu convocar eleições para uma Assembleia Constituinte encarregada de estabelecer uma nova constituição. Os presidentes estaduais, exceto o de Minas Gerais, foram substituídos por interventores federais escolhidos por Getúlio. Vargas concedeu anistia ampla aos participantes das revoltas militares dos anos anteriores e criou dois novos ministérios: o do Trabalho, Indústria e Comércio (MTIC) e o da Educação e Saúde (MESP). Os primeiros titulares das novas pastas foram o gaúcho Lindolfo Collor (Trabalho) e o mineiro Francisco Campos (Educação). Outras figuras de destaque do novo governo foram Oswaldo Aranha (ministro da Justiça e depois da Fazenda), Góes Monteiro (logo promovido a general), João Alberto (interventor em São Paulo), Juarez Távora (delegado militar da revolução nos estados do Norte) e José Américo de Almeida (ministro da Viação e Obras Públicas).

Revolução Constitucionalista de 1932

Getúlio Vargas cultivava uma relação tensa com as elites paulistas após a Revolução de 1930, que depôs um presidente paulista (Washington Luís) e impediu um candidato paulista eleito (Júlio Prestes) de assumir a presidência. O Partido Democrático (PD) paulista , opositor do PRP de Washington Luís, havia apoiado a revolução e esperava que Getúlio indicasse um membro do PD para o governo do estado, o que não ocorreu. O primeiro interventor designado por Getúlio foi o tenente pernambucano João Alberto Lins de Barros, que havia participado da Revolta de 1924 e da Coluna Prestes. Lideranças paulistas consideraram uma humilhação a nomeação de um interventor "forasteiro" com supostas tendências comunistas.

O Governo Constitucionalista (1934–1937)

A 18 de novembro de 1933 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito de Portugal. Ainda no mesmo ano, ele fez a auditoria da dívida externa brasileira, que foi mais tarde acordada em 1943 com os credores uma redução dela em 60%. Getúlio Vargas convoca a Assembleia em 1933, que, em 16 de julho de 1934, promulga a nova Constituição, trazendo novidades como o voto secreto, o ensino primário obrigatório, o voto feminino e diversas leis trabalhistas. O voto secreto significou o fim do voto aberto preponderante na República Velha, quando os coronéis tinham a oportunidade de controlar os votos. A nova Constituição estabeleceu também que, após sua promulgação, o primeiro presidente seria eleito de forma indireta pelos membros da Assembleia Constituinte. No dia seguinte à promulgação, foi realizada a eleição presidencial, na qual Vargas saiu vitorioso.

Intentona Comunista e Plano Cohen (1935–1936)

Getúlio Vargas e o alto comando das Forças Armadas sempre se mostraram contra o comunismo, e usaram este pretexto para o seu maior sucesso político — o golpe de 1937. O PCB, que surgiu em 1922, havia criado a Aliança Nacional Libertadora, mas Getúlio Vargas a declarou ilegal, e a fechou. Assim, em 1935, a ANL (com o apoio da Internacional Comunista Comintern) montou a Intentona Comunista, uma revolta contra Getúlio Vargas, mas que este facilmente conteve. Em 1937, os integralistas forjaram o "Plano Cohen", sobre o qual se dizia que os comunistas planejavam uma revolução maior e melhor arquitetada do que a de 1935, e teria o amplo apoio do Partido Comunista da União Soviética. Os militares e boa parte da classe média brasileira, assim, apoiaram a ideia de um governo mais fortalecido para afastar a ideia da imposição de um governo comunista no Brasil. Com o apoio militar e popular, Getúlio Vargas derruba a Constituição de 1934 e declara o Estado Novo.

Estado Novo (1937–1945)

A Constituição brasileira de 1937, que criou o "Estado Novo" getulista, tinha caráter centralizador e autoritário (Ver: Ditadura constitucional). Ela suprimiu a liberdade partidária, a independência entre os três poderes e o próprio federalismo existente no país. Vargas fechou o Congresso Nacional e criou o Tribunal de Segurança Nacional. Os prefeitos passaram a ser nomeados pelos governadores e esses, por sua vez, pelo presidente. Foi criado o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), com o intuito de projetar Getúlio Vargas como o "Pai dos Pobres" e o "Salvador da Pátria". O governo iniciou uma expansão econômica para os territórios indígenas guarani-Kaiowás, os confinando em reservas indígenas.

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O intervalo 1945–1950

Senador da República e apoio à candidatura Dutra

Getúlio foi afastado do poder sem sofrer nenhuma punição, nem mesmo o exílio, como o que ele próprio impusera ao presidente Washington Luís ao depô-lo. Getúlio não teve os seus direitos políticos cassados e não respondeu a qualquer processo judicial. Getúlio Vargas retirou-se para sua estância em São Borja, a Estância Santos Reis, no Rio Grande do Sul. Getúlio apoiou a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra, o ex-ministro da Guerra (hoje Comando do Exército) durante todo o Estado Novo, à presidência da República. O apoio a Dutra era uma das condições negociadas para que Getúlio não fosse exilado. Serviu de lema para a campanha eleitoral de Dutra, uma frase de Hugo Borghi, publicada em jornais e panfletos, logo após Hugo Borghi voltar de São Borja, no dia 24 de novembro de 1945, e ter conseguido o apoio de Getúlio à candidatura de Eurico Dutra: "Ele disse: vote em Dutra". Getúlio não aceitava apoiar Dutra pois considerava Dutra um traidor que tinha apoiado o golpe de 29 de outubro, porém, Hugo Borghi fez Getúlio mudar de ideia, afirmando que, se a UDN ganhasse, elegendo Eduardo Gomes presidente da república, haveria um desmanche das realizações do Estado Novo e uma possível retaliação a Getúlio. Em 28 de novembro de 1945, Getúlio lança uma "Mensagem ao Povo" pedindo voto a Dutra. Nesta mensagem Getúlio diz: "Estarei ao vosso lado e acompanhar-vos-ei até a vitória. Após esta, estarei ainda ao lado do povo contra o Presidente, se não forem cumpridas as promessas do candidato".

Campanha presidencial de 1950

Getúlio acabou aceitando voltar à política, resumindo assim sua campanha eleitoral, em Parnaíba: "Recebi de vós, como de tantos outros pontos distantes do país, apelos para lançar-me nesta campanha que mobiliza o povo brasileiro na defesa dos direitos à liberdade e a vida!" O slogan do PTB, que antecedeu à campanha eleitoral, foi o seguinte: "Ele voltará!". Uma reportagem de O Globo assim descreve as lembranças da campanha eleitoral de 1950, guardadas por Alzira Vargas: "Ele vai voltaráǃ". A frase, uma espécie de legenda para a fotografia de um Getúlio sorridente, está impressa em caixinhas de fósforo, cigarreiras, porta-níqueis, chaveiros, panfletos, cartazes, lenços de seda e até mesmo em bolsinhas femininas.

A eleição de 1950

Getúlio foi eleito presidente da República, como candidato do PTB, em 3 de outubro de 1950, derrotando a UDN, que tinha como candidato novamente Eduardo Gomes, e o Partido Social Democrático, que tinha como candidato, o mineiro Cristiano Machado. Muitos membros do PSD abandonaram o candidato Cristiano Machado e apoiaram Getúlio. Desse episódio é que surgiu a expressão "cristianizar um candidato", que significa que um candidato foi abandonado pelo próprio partido político, como relata o jornalista Carmo Chagas em Política Arte de Minas. A data das eleições: 3 de outubro, era uma homenagem à data do início da Revolução de 1930. Fundamental para sua eleição foi o apoio do governador de São Paulo, Ademar Pereira de Barros, que tinha sido nomeado por Getúlio, durante o Estado Novo, em 1938, interventor federal em São Paulo. Em 1941 Ademar foi exonerado, por Getúlio, do cargo de interventor. Assim a aliança com Ademar, batizada de "Frente Populista", foi mais um ato de reconciliação praticado por Getúlio.

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Governo eleito (1951–1954)

A volta de Getúlio foi saudada por muitos, inclusive na música popular brasileira, na voz de Francisco de Morais Alves, intérprete da marchinha Retrato do Velho: Bota o retrato do velho outra vez,Bota no mesmo lugar,o sorriso do velhinho,faz a gente trabalhar. Tancredo Neves, que foi seu ministro da Justiça, disse, no livro Tancredo Fala de Getúlio, que, em seu segundo governo, Getúlio "tinha a preocupação de se libertar do ditador", e que disse a Tancredo: "Fui ditador porque as contingências do país me levaram à ditadura, mas quero ser um presidente constitucional dentro dos parâmetros fixados pela Constituição".

Uma administração polêmica

Getúlio tomou posse na presidência da república em 31 de janeiro de 1951, no Palácio do Catete, sucedendo ao presidente Eurico Gaspar Dutra. O seu mandato presidencial deveria estender-se até 31 de janeiro de 1956. O ministério foi modificado duas vezes. Getúlio trouxe para o ministério antigos aliados do tempo da Revolução de 1930, com os quais se reconciliou: Góis Monteiro (Estado Maior das Forças Armadas), Osvaldo Aranha, na Fazenda, João Neves da Fontoura e Vicente Rao, ambos nas Relações Exteriores, e ainda, Juracy Magalhães como o primeiro presidente da Petrobras e Batista Luzardo como embaixador na Argentina. O ex-tenente de 1930, Newton Estillac Leal, foi ministro da Guerra até 1953. Reconciliou-se também com José Américo de Almeida, que, na época, governava a Paraíba e que se licenciou do cargo de governador para ser ministro da Viação e Obras Públicas a partir de junho de 1953.

O atentado da Rua Tonelero

Na madrugada de 5 de agosto de 1954, um atentado a tiros de revólver, em frente ao edifício onde residia Carlos Lacerda, em Copacabana, no Rio de Janeiro, mata o major Rubens Florentino Vaz, da Força Aérea Brasileira (FAB), e fere, no pé, Carlos Lacerda, jornalista e o futuro deputado federal e governador da Guanabara e membro da UDN, que fazia forte oposição a Getúlio. O atentado foi atribuído a Alcino João do Nascimento e o auxiliar Climério Euribes de Almeida, membros da guarda pessoal de Getúlio, chamada pelo povo de "Guarda Negra". Esta guarda fora criada para a segurança de Getúlio, em maio de 1938, logo após um ataque de partidários do integralismo ao Palácio do Catete. Ao tomar conhecimento do atentado contra Carlos Lacerda na rua Tonelero, Getúlio disse: "Carlos Lacerda levou um tiro no pé. Eu levei dois tiros nas costas!".

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Morte

Por causa do crime da rua Tonelero, Getúlio foi pressionado, pela imprensa e por militares, a renunciar ou, ao menos, licenciar-se da presidência. O Manifesto dos Generais, de 22 de agosto de 1954, pede a renúncia de Getúlio. Foi assinado por 19 generais de exército, entre eles, Castelo Branco, Juarez Távora e Henrique Lott e dizia: "Os abaixo-assinados, oficiais generais do Exército…solidarizando com o pensamento dos camaradas da Aeronáutica e da Marinha, declaram julgar, como melhor caminho para tranquilizar o povo e manter unidas as forças armadas, a renúncia do atual presidente da República, processando sua substituição de acordo com os preceitos constitucionais". Esta crise levou Getúlio Vargas ao suicídio na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954, logo depois de sua última reunião ministerial, na qual fora aconselhado, por ministros, a se licenciar da presidência. Getúlio registrou em sua agenda de compromissos, na página do dia 23 de agosto de 1954, segunda-feira: "Já que o ministério não chegou a uma conclusão, eu vou decidir: determino que os ministros militares mantenham a ordem pública. Se a ordem for mantida, entrarei com pedido de licença. Em caso contrário, os revoltosos encontrarão aqui o meu cadáver".

Consequências imediatas

Há quem diga que o suicídio de Getúlio Vargas adiou um golpe militar que pretendia depô-lo. O pretendido golpe de estado tornou-se, então, desnecessário, pois assumira o poder um político conservador, Café Filho. O golpe militar veio, por fim, em 1964. Golpe de Estado que foi feito, essencialmente, no lado militar, por ex-tenentes de 1930. Jarbas Passarinho relatou que quando era um "jovem major recém promovido" teria sido "succionado" para campanhas por civis incluindo Carlos Lacerda e diz ter sido puxado pelo braço para derrubar Vargas no dia anterior ao suicídio. O suicídio de Getúlio fez com que passasse da condição de acusado à condição de vítima. Isto teria preservado a popularidade do trabalhismo e do PTB e impedido Café Filho, sucessor de Getúlio, por falta de clima político, de fazer uma investigação profunda sobre as possíveis irregularidades do último governo de Getúlio.

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Legado

Popular

No dia seguinte ao suicídio, milhares de pessoas saíram às ruas para prestar o "último adeus" ao "pai dos pobres", chocadas com o que ouviram no noticiário radiofônico mais popular da época, o Repórter Esso. Enquanto isso, retratos de Getúlio eram distribuídos para o povo durante o dia. Carlos Lacerda teve que fugir do país, com medo de uma perseguição popular. Anos mais tarde, em 1962, na 6ª faixa do disco LP: Saudades de Passo Fundo, Teixeirinha homenageou o presidente gaúcho Getúlio Vargas, com a faixa de nome: "24 de agosto", lembrando o impacto popular que foi a morte repentina do então presidente do Brasil. Um trecho da música de Teixeirinha mostra claramente este fato:

Econômico

O Brasil passou por profundas transformações econômicas durante as presidências de Vargas. Há um grande debate sobre o que pode e deve ser diretamente atribuído ao ex-presidente, em especial, seu papel na industrialização do país.

Cultural

Getúlio Vargas foi, várias vezes, retratado como personagem no cinema e na televisão: Foi referido no título de um dos livros do humorista Jô Soares, O Homem Que Matou Getúlio Vargas, editado em 1998. Foram ainda feitos sobre Getúlio, os documentários: A efígie de Getúlio foi impressa nas notas de dez cruzeiros (Cr$ 10,00) de 1950 e cunhada no verso das moedas de centavos de cruzeiro que circularam de 1942 a 1970. Chico Buarque o homenageou com a música Dr. Getúlio. A eleição de 1930 e a Revolução de 1930 foram imortalizadas por marchinhas e sambas cantados por Francisco de Morais Alves, como:

Homenagens

O arquivo de Getúlio Vargas e os pertences pessoais estão preservados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas, que desenvolve pesquisa sobre a história do Brasil pós 1930. Três municípios brasileiros homenageiam Getúlio Vargas em sua denominação: Getúlio Vargas, no Rio Grande do Sul; Presidente Vargas no Maranhão, e Presidente Getúlio em Santa Catarina. A refinaria de Araucária recebeu o nome de Refinaria Presidente Getúlio Vargas. A usina siderúrgica de Volta Redonda, pertencente à Companhia Siderúrgica Nacional recebeu o nome de Usina Siderúrgica Presidente Vargas. A lei federal nº 7 470, de 29 de abril de 1986, outorga ao Presidente Getúlio Vargas o título de "Patrono dos Trabalhadores do Brasil". Pela lei nº 12 326, de 15 de setembro de 2010, Getúlio Vargas foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria.

Academia Brasileira de Letras

Eleito a 7 de agosto de 1941, como terceiro ocupante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, cadeira que tem por patrono Tomás Antônio Gonzaga. Foi empossado a 29 de dezembro de 1943, recebido por Ataulfo de Paiva. Substituiu Alcântara Machado e, após sua morte, sua cadeira foi ocupada por Assis Chateaubriand. Suas principais obras publicadas são as coletâneas de seus discursos e o "Diário":

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Vida pessoal

Getúlio teve quatro irmãos: Viriato, Protásio, Espártaco e Benjamim (O Bejo). Casou-se, em São Borja, na casa de residência do Tenente Antônio Sarmanho, em 4 de março de 1911, com Darcy Lima Sarmanho,[b] de quinze anos de idade, com quem teve cinco filhos: Lutero Vargas, Getulinho, que morreu cedo, Alzira Vargas, Jandira e Manuel Sarmanho Vargas, o "Maneco" que, em 1997, cometeu suicídio da mesma forma do pai. Este casamento foi um ato de conciliação, pois as famílias dos noivos eram apoiadoras de partidos políticos rivais na Revolução Federalista de 1893. A família de Darcy Sarmanho era maragato (do Partido Federalista do Rio Grande do Sul) e a de Getúlio ximango (do Partido Republicano Rio-grandense). Sobre maragato não se casar com ximango, Glauco Carneiro, em Lusardo, o Último Caudilho, conta que Thadeo Onar, em entrevista ao autor, explica que a elite política do Rio Grande vinha sendo dividida desde os primórdios da República.

Religião

Getúlio Vargas declarava-se agnóstico e fora influenciado em sua formação pelo positivismo, do qual Júlio de Castilho, seu mentor na política gaúcha, e seu irmão Protásio Vargas eram adeptos. Em 1907, quando foi orador de turma na Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, Vargas afirmou que "a moral cristã é contrária à natureza humana". Mas o discurso de Vargas foi mudando ao longo do tempo, uma vez que ele viu na Igreja Católica uma forte aliada para dar o golpe de 1930, que o alçou à presidência da República. A ascensão de Getúlio à presidência, em 1930, representa tanto sua ruptura com as diretrizes positivistas, ideologia que influenciou o Brasil durante a República Velha, quanto a volta da influência do catolicismo no Estado laico.

Perfil

Como castilhista, Getúlio vê a vida pública como missão, e assim sintetizou o seu governo em 1950: "A missão social e política de meu governo não foi ideada pelo arbítrio de um homem, nem por interesses de um grupo; foi-me imposta, a mim e aos que comigo colaboram, pelos interesses da vida nacional, e pelos próprios anseios da consciência coletiva". Sobre a maneira de ver o serviço público, Luís Vergara, secretário particular de Getúlio de 1928 a 1945, conta, no livro: "Em 1951, quando ele voltou ao governo, vi os serviços da Presidência providos por uma legião de funcionários, me disseram atingir a número superior a duzentos. Ora, o Presidente não gostava de ver no Palácio muita gente. Quando se tornava indispensável trazer mais algum (no período de 1930 a 1945), ele objetava: 'Para que mais funcionários, nós já temos tantos!'".

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Fontes consultadas

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