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Guerra do Paraguai

Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América Latina, travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, composta pelo Império do Brasil, Argentina e Uruguai. Ela se estendeu de dezembro de 1864 a março de 1870. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança, na Argentina e no Uruguai, e de Guerra Grande, Guerra Contra a Tríplice Aliança e Guerra-Guaçu no Paraguai.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/06/2026
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Antecedentes

Disputas territoriais

Desde sua independência de Portugal e Espanha no início do século XIX, o Império do Brasil e os países hispano-americanos da América do Sul foram atormentados por disputas territoriais. Todas as nações da região tiveram conflitos de fronteira persistentes com vários vizinhos. A maioria tinha reivindicações sobrepostas para os mesmos territórios. As disputas territoriais pioraram quando o Vice-Reino do Rio da Prata entrou em colapso no início da década de 1810, levando à ascensão da Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai. O historiador Pelham Horton Box escreve: "A Espanha imperial legou às nações hispano-americanas emancipadas não apenas suas próprias disputas de fronteira com o Brasil português, mas problemas que não a perturbaram, relacionados com os limites exatos de seus próprios vice-reinos, capitanias gerais, audiências e províncias". Uma vez separados, Argentina, Paraguai e Bolívia brigaram por terras que eram em sua maioria desconhecidas e desabitadas. Elas eram escassamente povoadas ou colonizadas por tribos nativas que não se identificam com nenhuma das partes envolvidas. No caso do Paraguai com seu vizinho Brasil, o problema era definir se os rios Apa ou Branco deveriam representar sua fronteira real, uma questão persistente que incomodou e confundiu Espanha e Portugal no final do século XVIII. A região entre os dois rios era povoada apenas por algumas tribos indígenas que vagavam pela área atacando assentamentos entre o Brasil e do Paraguai.

Situação política antes da guerra

Existem várias teorias sobre as origens da guerra. A visão tradicional enfatiza as políticas do presidente paraguaio Francisco Solano López, que usou a Guerra do Uruguai como pretexto para obter o controle da bacia do rio da Prata. Isso provocou uma reação das hegemonias regionais, Brasil e Argentina, que exerciam influência sobre as repúblicas muito menores do Uruguai e do Paraguai. A guerra também foi atribuída ao rescaldo do colonialismo na América do Sul com conflitos de fronteira entre os novos Estados, a luta pelo poder entre as nações vizinhas sobre a região estratégica do Rio da Prata, a intromissão do Brasil e da Argentina na política interna do Uruguai (que já havia causado a Guerra do Prata), os esforços de Solano López para ajudar seus aliados no Uruguai (derrotado pelos brasileiros) e suas supostas ambições expansionistas.

Prelúdio uruguaio

O Brasil havia realizado três intervenções políticas e militares no politicamente instável Uruguai: em 1851 contra Manuel Oribe para combater a influência argentina no país e acabar com o Grande Cerco de Montevidéu; em 1855, a pedido do governo uruguaio e de Venâncio Flores, líder do Partido Colorado, tradicionalmente apoiado pelo Império Brasileiro; e em 1864, contra Atanasio Aguirre. Esta última intervenção levaria à Guerra do Paraguai. Em 19 de abril de 1863, o general uruguaio Venancio Flores, então oficial do exército argentino e líder do Partido Colorado do Uruguai, invadiu seu país, dando início à Cruzada Libertadora, com o apoio aberto da Argentina que abastecia os rebeldes com armas, munições e dois mil homens. Flores queria derrubar o governo do Partido Blanco do presidente Bernardo Berro,:24 que era aliado do Paraguai.:24

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Forças opostas

Paraguai

Segundo alguns historiadores, o Paraguai iniciou a guerra com mais de 60 mil homens treinados — 38 mil dos quais já armados — 400 canhões, um esquadrão naval de 23 barcos a vapor e cinco navios fluviais (entre eles a canhoneira Tacuarí). As comunicações na bacia do rio da Prata eram mantidas exclusivamente por via fluvial, pois existiam muito poucas estradas. Quem controlasse os rios venceria a guerra, então o Paraguai havia construído fortificações nas margens da parte inferior do rio Paraguai.:28–30 No entanto, estudos recentes sugerem muitos problemas. Embora o exército paraguaio tivesse entre 70 mil e 100 mil homens no início do conflito, eles estavam mal equipados. A maioria dos armamentos de infantaria consistia em mosquetes e carabinas de calibre lisos imprecisos, lentos para recarregar e de curto alcance. A artilharia era igualmente pobre. Os militares não tinham formação, nem experiência, nem sistema de comando, pois todas as decisões eram tomadas pessoalmente por López. Alimentos, munições e armamentos eram escassos, com logística e atendimento hospitalar deficientes ou inexistentes. A nação de cerca de 450 mil pessoas não poderia resistir à Tríplice Aliança de 11 milhões de pessoas.

Brasil e seus aliados

No início da guerra, as forças militares do Brasil, Argentina e Uruguai eram muito menores que as do Paraguai. A Argentina tinha aproximadamente 8 500 tropas regulares e um esquadrão naval de quatro vapores e um goleta. O Uruguai entrou na guerra com menos de dois mil homens e nenhuma marinha. Muitos dos 16 mil soldados brasileiros estavam localizados nas guarnições do sul. A vantagem brasileira, porém, estava em sua marinha, composta por 45 navios com 239 canhões e cerca de quatro mil tripulantes bem treinados. Grande parte da esquadra já se encontrava na bacia do Rio da Prata, onde atuou sob o comando do Marquês de Tamandaré na intervenção contra o governo de Aguirre.

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Batalhas

Ofensiva paraguaia em Mato Grosso

O Paraguai tomou a iniciativa durante a primeira fase da guerra, lançando a Campanha de Mato Grosso pela invasão da província brasileira de Mato Grosso em 14 de dezembro de 1864,:25 seguida por uma invasão da província do Rio Grande do Sul no sul em início de 1865 e a província argentina de Corrientes. Duas forças paraguaias separadas invadiram o Mato Grosso simultaneamente. Uma expedição de 3 248 soldados, comandada pelo coronel Vicente Barrios, foi transportada por uma esquadra naval sob o comando do capitão Pedro Ignacio Meza pelo rio Paraguai até a cidade de Concepción.:25 Lá eles atacaram o Forte de Nova Coimbra em 27 de dezembro de 1864.:26 A guarnição brasileira de 154 homens resistiu por três dias, sob o comando do tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Porto Carrero (posteriormente Barão do Forte Coimbra). Quando as munições se esgotaram, os defensores abandonaram o forte e retiraram-se rio acima em direção a Corumbá a bordo do canhoneiro Anhambaí.:26 Após ocupar o forte, os paraguaios avançaram mais ao norte, tomando as cidades de Albuquerque, Tage e Corumbá em janeiro de 1865.:26

Invasão paraguaia de Corrientes e Rio Grande do Sul

Quando a guerra estourou entre o Paraguai e o Brasil, a Argentina permaneceu neutra. A invasão das províncias de Corrientes e do Rio Grande do Sul foi a segunda fase da ofensiva paraguaia. Para apoiar os blancos uruguaios, os paraguaios tiveram que percorrer o território argentino. Em janeiro de 1865, Solano López pediu permissão à Argentina para um exército de 20 mil homens (comandados pelo general Wenceslao Robles) para viajar pela província de Corrientes.:29–30 O presidente argentino, Bartolomé Mitre, recusou o pedido do Paraguai e outro semelhante do Brasil.:29 Após essa recusa, o Congresso paraguaio reuniu-se em uma reunião de emergência em 5 de março de 1865. Após vários dias de discussões, em 23 de março o Congresso decidiu declarar guerra à Argentina por suas políticas, hostis ao Paraguai e favoráveis ao Brasil, e então conferiram a Francisco Solano López Carrillo o posto de Marechal de Campo da República do Paraguai. A declaração de guerra foi enviada em 29 de março de 1865 a Buenos Aires.

Cerco de Uruguaiana

Enquanto Solano López ordenava a retirada das forças que ocuparam Corrientes, as tropas paraguaias que invadiram São Borja avançaram, tomando Itaqui e Uruguaiana. A situação no Rio Grande do Sul era caótica e os comandantes militares brasileiros locais foram incapazes de montar uma resistência efetiva aos paraguaios. O barão de Porto Alegre partiu para Uruguaiana, uma pequena cidade no oeste da província, onde o exército paraguaio foi cercado por uma força combinada de unidades brasileiras, argentinas e uruguaias. Porto Alegre assumiu o comando do Exército Imperial Brasileiro em Uruguaiana em 21 de agosto de 1865. Em 18 de setembro, a guarnição paraguaia se rendeu sem mais derramamento de sangue.

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Contra-ataque aliado

Invasão do Paraguai

No final de 1864, o Paraguai obteve uma série de vitórias na guerra; em 11 de junho de 1865, entretanto, sua derrota naval para o Brasil no rio Paraná começou a virar a maré. A Batalha Naval do Riachuelo foi um ponto chave na Guerra do Paraguai, marcando o início da ofensiva dos Aliados. Nos meses seguintes, os paraguaios foram expulsos das cidades de Corrientes e San Cosme, o único território argentino ainda em posse do Paraguai. No final de 1865, a Tríplice Aliança estava na ofensiva. Seus exércitos somavam 42 mil homens na infantaria e 15 mil na cavalaria quando invadiram o Paraguai em abril.:51–52 Os paraguaios obtiveram pequenas vitórias contra as principais forças nas batalhas de Corrales e Itati, mas isso não conseguiu impedir a invasão.

Caxias assume o comando

O governo brasileiro decidiu criar um comando unificado sobre as forças brasileiras que operavam no Paraguai e escolheu Caxias, de 63 anos, como o novo líder no dia 10 de outubro de 1866. Osório foi enviado para organizar um terceiro corpo de cinco mil homens do exército brasileiro no Rio Grande do Sul.:68 Caxias chegou a Itapiru no dia 17 de novembro. Sua primeira medida foi demitir o vice-almirante Joaquim Marques Lisboa — mais tarde o marquês de Tamandaré e também membro da Liga Progressista — o governo havia nomeado seu colega vice-almirante conservador Joaquim José Inácio — depois visconde de Inhaúma — para liderar a marinha. O Marquês de Caxias assumiu o comando no dia 19 de novembro. Ele teve que acabar com as disputas sem fim e aumentar sua autonomia em relação ao governo brasileiro. Com a saída do Presidente Mitre em fevereiro de 1867, Caxias assumiu o comando geral das forças Aliadas.:65 Ele encontrou o exército praticamente paralisado e devastado por doenças. Nesse período, Caxias treinou seus soldados, reequipou o exército com novos canhões, melhorou a qualidade do corpo de oficiais e atualizou o corpo de saúde e higiene geral das tropas, pondo fim às epidemias. A partir de outubro de 1866 até julho de 1867, todas as operações ofensivas foram suspensas. As operações militares se limitaram a escaramuças com os paraguaios e ao bombardeio de Curupaiti. Solano López aproveitou a desorganização do inimigo para reforçar a Fortaleza de Humaitá.:70

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Aliados ganham impulso

Queda do Humaitá

O exército combinado brasileiro-argentino-uruguaio continuou avançando para o norte através do território hostil para cercar Humaitá. A força aliada avançou para San Solano no dia 29 e Tayi no dia 2 de novembro, isolando Humaitá de Assunção. Antes do amanhecer de 3 de novembro, Solano López reagiu ordenando o ataque à retaguarda dos aliados na Segunda Batalha de Tuiuti.:73 Os paraguaios, comandados pelo general Bernardino Caballero, romperam as linhas argentinas, causando enormes danos ao acampamento Aliado e capturando com sucesso armas e suprimentos, muito necessários a López para o esforço de guerra. Somente graças à intervenção de Porto Alegre e suas tropas, o exército Aliado se recuperou. Durante a Segunda Batalha de Tuiuti, Porto Alegre lutou com seu sabre em combate corpo a corpo e perdeu dois cavalos. Nesta batalha, os paraguaios perderam mais de 2 500 homens, enquanto os aliados tinham pouco mais de 500 vítimas. Em 1867, o Paraguai havia perdido 60 mil homens na guerra, vítimas de ferimentos ou doenças. López recrutou outros 60 mil soldados compostos por escravos e crianças. Todas as funções de apoio foram confiadas às mulheres. Os soldados foram para a batalha sem sapatos ou uniformes. López aplicou a mais rígida disciplina, executando até seus dois irmãos e dois cunhados por suposto derrotismo.

Ataque aos encouraçados Cabral e Lima Barros

O ataque aos navios de guerra Lima Barros e Cabral foi uma ação naval que ocorreu na madrugada de 2 de março de 1868, quando canoas paraguaias, unidas duas a duas, disfarçadas com ramos e tripuladas por 50 soldados cada, abordaram os couraçados Lima Barros e Cabral. A Frota Imperial, que já efetivara a Passagem de Humaitá, estava ancorada no rio Paraguai, antes do reduto Taji próximo a Humaitá. Aproveitando a densa escuridão da noite e dos camalotes e caibros que desciam pela corrente, um esquadrão de canoas cobertas por galhos e folhagens, tripuladas por 1 500 paraguaios armados com facões, machados e espadas que se aproximavam, foi para abordagem dos encouraçados. A luta continuou até de madrugada, quando os navios de guerra Brasil, Herval, Mariz e Barros e Silvado se aproximaram e atiraram nos paraguaios, que desistiram do ataque, perdendo 400 homens e 14 canoas.

Primeira Batalha de Iasuií

A Primeira Batalha de Iasuií ocorreu em 2 de maio de 1868 entre brasileiros e paraguaios, na região do Chaco, Paraguai. Na ocasião, o coronel Barros Falcão, à frente de uma guarnição de 2 500 militares, repeliu um ataque paraguaio, sofrendo 137 baixas. Os atacantes perderam 105.

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Queda de Assunção

A caminho de Assunção, o exército Aliado percorreu 200 km ao norte até Palmas, parando no rio Piquissiri. Lá Solano López concentrou 12 mil paraguaios em uma linha fortificada que explorava o terreno e apoiava os fortes de Angostura e Itá-Ibaté. Renunciado ao combate frontal, Caxias ordenou a chamada manobra de Piquissiri. Enquanto um esquadrão atacava Angostura, Caxias fazia o exército cruzar para a margem oeste do rio. Ele ordenou a construção de uma estrada nos pântanos do Gran Chaco ao longo da qual as tropas avançam para o nordeste. Em Villeta, o exército voltou a cruzar o rio, entre Assunção e Piquissiri, atrás da linha fortificada do Paraguai. Em vez de avançar para a capital, já evacuada e bombardeada, Caxias foi para o sul e atacou os paraguaios pela retaguarda em dezembro de 1868, numa ofensiva que ficou conhecida como "Dezembrada":89–91 As tropas de Caxias foram emboscadas ao cruzar o Itororó durante um avanço inicial, durante o qual os paraguaios infligiram graves danos aos exércitos brasileiros. Mas, dias depois, os Aliados destruíram uma divisão paraguaia inteira na Batalha de Avaí.:94 Semanas depois, Caxias obteve outra vitória decisiva na Batalha de Lomas Valentinas e capturou o último reduto do exército paraguaio em Angostura. Em 24 de dezembro, Caxias enviou uma nota a Solano López pedindo a rendição, mas Solano López recusou e fugiu para Cerro León.:90–100 Ao lado do presidente paraguaio estava o ministro-embaixador estadunidense, general Martin T. McMahon, que depois da guerra se tornou um ferrenho defensor da causa de López.

Governo provisório

Com Solano López em fuga, o país não tinha governo. D. Pedro II enviou seu chanceler José Paranhos a Assunção, onde chegou em 20 de fevereiro de 1869 e iniciou consultas com os políticos locais. Paranhos teve que criar um governo provisório que pudesse assinar um acordo de paz e reconhecer a fronteira reivindicada pelo Brasil entre as duas nações. Segundo o historiador Francisco Doratioto, Paranhos, "o então maior especialista brasileiro nos assuntos platinos", teve um papel "decisivo" na instalação do governo provisório paraguaio. Com o Paraguai devastado, o vácuo de poder resultante da queda de Solano López foi rapidamente preenchido por facções domésticas emergentes que Paranhos teve de acomodar. Em 31 de março, uma petição foi assinada por 335 cidadãos importantes pedindo aos Aliados um governo provisório. Seguiram-se negociações entre os países Aliados, que puseram de lado alguns dos pontos mais polêmicos do Tratado da Tríplice Aliança; em 11 de junho, chegou-se a um acordo com figuras da oposição paraguaia de que um governo provisório de três homens seria estabelecido. Em 22 de julho, uma Assembleia Nacional reuniu-se no Teatro Nacional e elegeu a Junta Nacional de 21 homens, que então selecionou um comitê de cinco homens para escolher três homens para o governo provisório. Eles selecionaram Carlos Loizaga, Juan Francisco Decoud e Jose Diaz de Bedoya. Decoud era inaceitável para Paranhos, que o substituiu por Cirilo Antonio Rivarola. O governo foi finalmente instalado em 15 de agosto, mas foi apenas uma fachada para uma ocupação Aliada contínua.

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Fim da guerra

Campanha da Cordilheira

O genro do imperador D. Pedro II, Luís Filipe Gastão de Orléans, o Conde d'Eu, foi nomeado em 1869 para dirigir a fase final das operações militares no Paraguai. À frente de 26 620 mil brasileiros, o Conde d'Eu liderou a campanha contra a resistência paraguaia, a Campanha da Cordilheira, que durou mais de um ano. As mais importantes foram a Batalha de Piribebuy e a Batalha de Campo Grande, nas quais mais de cinco mil paraguaios morreram. Depois de um início bem-sucedido que incluiu vitórias sobre os remanescentes do exército de Solano López, o Conde caiu em depressão e Paranhos tornou-se comandante-em-chefe de facto.

Morte de Solano López

O presidente Solano López organizou a resistência na cordilheira do nordeste de Assunção. Ao final da guerra, com o Paraguai sofrendo grave escassez de armas e suprimentos, Solano López reagiu com tentativas draconianas de manter a ordem, ordenando às tropas que matassem qualquer um de seus colegas, inclusive oficiais, que falavam em rendição. A paranoia prevaleceu no exército e os soldados lutaram até o fim em um movimento de resistência, resultando em mais destruição do país. Dois destacamentos foram enviados em busca de Solano López, que estava acompanhado por 200 homens nas florestas do norte. Em 1 de março de 1870, as tropas do general José Antônio Correia da Câmara surpreenderam o último acampamento paraguaio em Cerro Corá. Durante a batalha que se seguiu, Solano López foi ferido e separado do restante de seu exército. Fraco demais para andar, ele foi escoltado por seu ajudante e dois oficiais, que o conduziram até as margens do rio Aquidaban-nigui. Os policiais deixaram Solano López e seu assessor ali enquanto procuravam reforços. Antes de voltarem, Câmara chegou com um pequeno número de soldados. Embora ele tenha oferecido permissão a Solano López para se render e garantido sua vida, Solano López recusou. Gritando "Eu morro com a minha pátria!", Ele tentou atacar Câmara com sua espada. Ele foi rapidamente morto pelos homens de Câmara, pondo fim ao longo conflito em 1870.

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Vítimas da guerra

O Paraguai sofreu muitas baixas e a interrupção da guerra e as doenças também custaram a vida de civis. Alguns historiadores estimam que a nação perdeu a maioria de sua população. Os números específicos são muito contestados e variam amplamente. Uma pesquisa de 14 estimativas da população do Paraguai antes da guerra variou entre 300 mil e 1,33 milhão. Trabalhos acadêmicos posteriores baseados em dados demográficos produziram uma ampla gama de estimativas, de um possível mínimo de 21 mil (7% da população) (Reber, 1988) a até 69% da população total antes da guerra. Após a guerra, um censo de 1871 registrou 221 079 habitantes, dos quais 106 254 mulheres, 28 746 homens e 86 079 crianças (sem indicação de sexo ou limite máximo de idade). Os piores relatórios são de que até 90% da população masculina foi morta, embora esse número não tenha sustentação. Uma estimativa coloca as perdas totais do Paraguai — por guerra e doenças — em até 1,2 milhão de pessoas, ou 90% de sua população antes da guerra, mas os estudos modernos mostraram que esse número depende de um censo populacional de 1857 que foi uma invenção do governo. Uma estimativa diferente coloca as mortes paraguaias em aproximadamente 300 mil pessoas de 500 mil a 525 mil habitantes antes da guerra.

Perdas aliadas

Dos aproximadamente 123 mil brasileiros que lutaram na Guerra do Paraguai, as melhores estimativas são de que cerca de 50 mil homens morreram. O Uruguai tinha cerca de 5 600 homens em armas (incluindo alguns estrangeiros), dos quais cerca de 3 100 morreram. A Argentina perdeu cerca de 30 mil homens. As altas taxas de mortalidade não foram todas devido ao combate. Como era comum antes do desenvolvimento dos antibióticos, as doenças causavam mais mortes do que os ferimentos de guerra. Comida ruim e falta de saneamento contribuíram para doenças entre soldados e civis. Entre os brasileiros, dois terços dos mortos morreram em hospitais ou durante a marcha. No início do conflito, a maioria dos soldados brasileiros vinha das regiões Norte e Nordeste; a mudança de um clima quente para um mais frio, combinada com rações alimentares restritas, pode ter enfraquecido sua resistência. Batalhões inteiros de brasileiros morreram após beber água dos rios. Portanto, alguns historiadores acreditam que a cólera, transmitida pela água, foi uma das principais causas de morte durante a guerra.

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Aspectos de gênero e étnicos

Mulheres na Guerra do Paraguai

As mulheres paraguaias desempenharam um papel significativo na Guerra do Paraguai. Durante o período imediatamente anterior ao início da guerra, muitas mulheres paraguaias eram chefes de família, o que significa que ocupavam uma posição de poder e autoridade. Recebiam tais cargos por serem viúvas, por terem filhos fora do casamento ou por seus maridos trabalharem como peões. Quando a guerra começou, as mulheres começaram a sair de casa tornando-se enfermeiras, trabalhando como funcionárias do governo e estabelecendo-se na esfera pública. Quando The New York Times noticiou a guerra em 1868, considerou as mulheres paraguaias iguais aos seus homólogos masculinos.

Povo indígena paraguaio

Antes da guerra, os indígenas ocupavam muito pouco espaço na mente da elite paraguaia. O presidente paraguaio Carlos Antonio Lopez até modificou a constituição do país em 1844 para remover qualquer menção ao caráter hispano-guarani do Paraguai. Essa marginalização foi prejudicada pelo fato de que o Paraguai há muito valorizava seus militares como sua única instituição nacional honrada e a maioria dos militares paraguaios eram indígenas e falavam guarani. Porém, durante a guerra, os indígenas do Paraguai passaram a ocupar um papel ainda maior na vida pública, principalmente após a Batalha de Estero Bellaco. Para esta batalha, o Paraguai colocou seus "melhores" homens, que por acaso eram descendentes de espanhóis, na frente e no centro. O Paraguai perdeu gravemente essa batalha, assim como "os homens de todas as melhores famílias do país".

Afro-brasileiros

Homens afro-brasileiros livres e escravos passaram a compor a maioria das forças brasileiras na Guerra do Paraguai. A monarquia brasileira originalmente permitia unidades apenas crioulas ou "zuavos" nas forças armadas no início da guerra, seguindo a insistência do crioulo brasileiro Ouirino Antonio do Espírito Santo. Ao longo da guerra, os zuavos se tornaram uma opção cada vez mais atraente para muitos escravos afro-brasileiros não crioulos, especialmente devido à opinião negativa deles em relação à escravidão. Depois que os zuavos os alistaram e/ou recrutaram à força, tornava-se difícil para seus senhores retomarem a posse deles, já que o governo estava desesperado por soldados.

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Mudanças territoriais e tratados

Disputas com o Brasil

Na época colonial, certas terras situadas ao norte do rio Apa estavam em disputa entre o Império Português e o Império Espanhol. Após a independência, continuaram a ser disputados entre o Império do Brasil e a República do Paraguai. Após a guerra, o Brasil assinou o Tratado de Loizaga – Cotegipe em 9 de janeiro de 1872, em que obteve liberdade de navegação no rio Paraguai. O Brasil também manteve as regiões do norte que havia reivindicado antes da guerra. Essas regiões passaram a fazer parte da então Província de Mato Grosso.

Disputas com a Argentina

Na época colonial, os missionários jesuítas estabeleceram várias aldeias em terras entre os rios Paraná e Uruguai. Depois que os jesuítas foram expulsos do território espanhol em 1767, as autoridades eclesiásticas de Assunção e de Buenos Aires reivindicaram a jurisdição religiosa nessas terras e o governo espanhol às vezes a atribuía a um lado, às vezes ao outro; às vezes eles dividiam a diferença. Após a independência, a República do Paraguai e a Confederação Argentina continuaram essas disputas. Em 19 de julho de 1852, os governos da Confederação Argentina e do Paraguai assinaram um tratado pelo qual o Paraguai renunciava às Misiones. No entanto, este tratado não se tornou vinculativo, pois precisava ser ratificado pelo Congresso argentino, que o recusou.

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Fontes consultadas

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